Um imperador e sua princesa lutam para defender o império de uma ameaça demoníaca no quinto jogo da famosa série de estratégia.

Poucos jogos conseguem manter uma unidade estética, um clima homogêneo que cativa e conquista fãs a medida que são lançadas continuações. Heroes of the Might and Magic (HOMM) é um desses exemplos de longevidade. Lançado em meados de 1995, o primeiro título se destacou pelos cenários coloridos, quantidade volumosa de itens e habilidades dos personagens embalados por uma trilha sonora de primeira e gráficos com tonalidades de histórias em quadrinhos. Após o êxito da terceira versão e o desagrado causado a alguns pela quarta, esta quinta versão tenta reviver o fôlego da série com gráficos totalmente 3d e o mesmo espírito de fantasia medieval que fez tanto sucesso.

Uma série cativante

O Império Grifo está prestes a celebrar o casamento do jovem imperador Nicolai com a princesa Isabel. Entretanto, as festividades são interrompidas por um ataque de demônios. Tal como seu pai, 20 anos antes, Nicolai deve liderar seu exército para a guerra. Isabel, até então reclusa no palácio, insurge-se e reage para ajudar a vencer a ameaça demoníaca. Junto a ela, parte uma escolta composta pelos bravos heróis Beatrice e Godric em busca de aliados para o êxito contra o mal.
 
 


O enredo de caráter épico sempre esteve presente em toda a franquia. Impérios em ascenção enquanto outros caem são temas constantes em Heros of the Might and Magic. Apesar dessa previsibilidade, a Nival Interactive depositou certo esforço para manter a campanha estimulante pois antes de cada missão há uma cutscene com diálogos entre os protagonistas de cada aventura a fim de ambientar o jogador. Independente disso, se as missões são sempre bastante óbvias em termos de objetivos, a estratégia varia a cada partida e é aqui que está o diferencial de HOMM5.

Procura-se: Tear of Asha

Para os alheios à mecânica da série, eis uma explicação breve: HOMM é um jogo de estratégia baseado em turnos onde raças com traços distintos disputam a hegemonia sobre um determinado território. As diferenças entre as raças não pairam somente na aparência, já que cada uma delas é capaz de criar ou cultivar soldados ou monstros com poderes distintos. O controle dessas criaturas é feita por heróis que trafegam pelo mapa coletando recursos, conquistando minas de recursos e castelos que serão passíveis de melhorias futuramente.

Em HOMM5 existem algumas características originais à série. Por exemplo, os inimigos deixam rastros de profundidade variáveis, conforme a dimensão do exército. Existe a possibilidade da utilização de Ghosts, criaturas que espionam as atividades do inimigo em seu turno — muito úteis nas partidas multiplayer. Para agilizar a velocidade em vários jogadores, um limite de tempo pode ser imposto nos turnos. Além disso, novos artefatos, magias, sistema de habilidades e avanço dos heróis foram adicionados.

Em modo single-player, há muito o que ser jogado nas seis campanhas com cinco missões cada. Cada uma delas narra a luta do Império Grifo sob a visão particular de cada facção, divididas em: Haven (humanos e protagonistas da história, bravos heróis de uma tradição guerreira), Inferno (principais inimigos dos Haven, têm como a lava e o subterrâneo seus habitats naturais e invocam criaturas para ajudar temporariamente na batalha), Necropolis (magos negros cultuadores da morte, que reanimam os cadáveres da batalha e transforma-os em esqueletos), Academy (dominadores da arte mágica), Dungeon (elfos negros provenientes do subterrâneo, poderosos magos que transpassam a resistência à magia) e, por último, os Sylvan (elfos mestres arqueiros, que ganham bônus quando desafiam inimigos vencidos anteriormente).

Outro atributo já conhecido dos fãs da série ainda está presente, os Puzzles: um mapa em forma de quebra-cabeça que o jogador monta conforme visita alguns pontos no mapas. Após a revelação completa, fica indicado um local para o jogador cavar que irá conter um artefato de poder superior. O mais forte é a Lágrima de Asha, da qual provém inúmeros bônus para o seu portador.

Apesar da riqueza visual, o mecanismo do jogo é simples

Após um certo período, percebe-se que apesar do mapa estar recheado de cristais, baús, artefatos, inimigos, minas de pedras preciosas e inimigos para se matar, o jogo é um tanto previsível. Grande parte da estratégia de HOMM5 reside na velocidade com que se arrecada os itens ao redor do seu castelo inicial, avança-se de níveis e como se distribuem os exércitos e os artefatos para cada um dos heróis — recrutados na taverna do castelo.
 
 
 
Diz-se isso pois, apesar das batalhas permitirem bons momentos de diversão e serem razoalvemente complexas, o que realmente irá decidir a vitória será a maneira como o jogador se preparou para ela.
Resumindo: HOMM5 envolve muito mais o uso racional e veloz dos recursos do que para se vencer do que a requisição de uma performance intrincada durante as batalhas.

Um concerto à parte

Outro fator altamente relevante é que HOMM5, pela primeira vez na série, apresenta gráficos totalmente 3d. É possível girar por 360 graus ao redor do personagem, concertrar a visão no heróis (zoom) assim como navegar livremente pelo mapa. Tanto o controle como a qualidade lembram Warcraft 3, o que significa que o jogo é colorido e vivo. Dentro das batalhas, por exemplo, cada ataque feito é representado por uma animação que mostra efetivamente a unidade atacando seu inimigo — item possível de ser abreviado através do menu. Por outro lado, o mesmo não se pode dizer dos movimentos dos personagens, que estão grosseiros e repetitivos.

Contudo, existe algo reservado para os ouvidos exigentes. Se há um ponto que inquestionavelmente colaborou para a conquista de tantos corações de fãs, foi a trilha sonora realmente bem feita e de bom gosto, o que é peculiar a todas as versões da série. Migrando entre o pomposo e o épico ao barroco com cravos elegantes — instrumento similar ao piano, porém com som mais estridente, nenhuma delas deixou a desejar em termos composicionais. Em muitas situações, os instrumentos utilizados aparentam serem de verdade, e não os sintetizadores artificiais que dominam a indústria dos games. Os efeitos sonoros são medianos, sendo que algumas vezes parecem cópias do banco de sons de Warcraft. A interpretação dos diálogos está em desacordo com a qualidade da trilha sonora: caricata e exageradamente dramática.

Bugs. Após a Nival Interactive ter reprogramado o lançamento de HOMM5, esperava-se que todos os defeitos do jogo seriam corrigidos a tempo. Mesmo agora, com o lançamento do patche 1.5, o jogo apresenta falta de balanceamento entre as unidades e travamentos constantes.

Na terceira fase da primeira missão, o jogo simplesmente travava ao final do cumprimento dos objetivos. Mesmo testando-se em outros computadores, não foi encontrada nenhuma solução para esse problema. Diante disso, se o jogador tiver a sorte de ter um sistema que não apresente incompatibilidade com o game, e se houver interesse em um jogo de estratégia baseado em turnos com um estilo único, Heros of the Might and Magic é uma excelente aquisição.
85 pc
Ótimo