Seu Review foi enviado com sucesso.
Enquanto ele fica pendente de aprovação, dê sua nota para o jogo. Sua opinião é importante para a comunidade!
Avaliar este jogo
Voxel
Hohokum
COMUN.
55
VOXEL

Hohokum

Avaliar este jogo
Review
Avaliar este jogo

Cores e trilha sonora não são suficientes para salvar essa monotonia

Bruno Micali

Quando Hohokum foi apresentado na E3 do ano passado, ele foi considerado um dos games mais “relaxantes” do evento. Indie até a raiz, o título tinha tudo para não ser apenas mais um jogo independente, visto que a família PlayStation é conhecida por abrigar uma biblioteca gigante de games assim.

Desenvolvido pela Honeyslug em parceria com a Santa Monica, Hohokum, lançado para o PS4, PS3 e PS Vita, foi posteriormente apresentado em várias ocasiões: gamescom, GDC e até mesmo a nossa BGS ofereceram a oportunidade de testar essa experiência um tanto quanto, digamos, exótica. E ser esquisito nem sempre é sinal de qualidade, já que, hoje, os jogadores adoram classificar a indústria como “repetitiva”.

De fato, a mesmice domina diversos gêneros – e diversos gêneros também dominam a mesmice. Os indies costumam ser uma válvula de escape para essa repetição. No entanto, é como já mencionei: o fato de ter uma proposta diferente e ousada não necessariamente se reflete em diversão. Ser muito “zen” pode ter o seu preço.

Hohokum adota a filosofia do “lado B” de forma majestosa, mas falha na execução. É o famoso “bom na intenção, ruim na execução”. Ainda que o propósito seja absolutamente específico e possa atingir alguns nichos pró-indies, não há como absorver uma experiência gratificante ou inesquecível só com cores ou efeitos sonoros requintados.

Objetivo: não ter objetivo

A ausência de um objetivo mais específico talvez seja a grande falha de Hohokum. Não há um elemento na tela sequer que indique o que ou por que você deve fazer. Jogos como flOw e Flower trabalham bem com essa mecânica – mas sabem conduzir o jogador dentro de algumas tarefas específicas a serem cumpridas.

Hohokum se aproxima daquele novo conceito de “endless runner”, mas não trabalha com essa mecânica de forma palpável. Um autêntico endless runner coloca obstáculos, inimigos e outros entraves no caminho.

Em Hohokum, você controla um objeto colorido, no formato de um fio, que tem um olho na extremidade. Seu objetivo é perambular, perambular e perambular pelos cenários em um ritmo musical que salva a jogatina do tédio profundo, mas não elimina a impregnada monotonia que toma conta dos percursos.

Brincar com as cores enjoa em poucos minutos

Aqui, você deve atingir outros objetos – em sua maioria esféricos – para atrair outros fios (ou cordões, ou seres, ou linhas, ou o que você preferir), que logo se transformam em seguidores e brincam de “siga o mestre” com você. A mecânica é interessante até certo ponto, mas tropeça no momento em que isso, e tão somente isso, se transforma no seu objetivo principal. A repetição, portanto, é inevitável, ainda que você seja transportado a outras dimensões.

E vejam a contradição: não há um objetivo claro aqui. Se em um momento você precisa capturar outros seres iguais a você (diferindo-se apenas na cor), em outro é preciso atingir botões que abrem uma fenda para outra dimensão. Ao entrar nessas portas circulares, o jogador embarca em outro mundo e lá encontra outros seres, todos inspirados em pinturas do surrealismo e com escolhas de design peculiares. Às vezes, é preciso ativar certos mecanismos passando sobre objetos que se parecem com olhos fechados. Ao encostar neles, eles são abertos. Ponto para a criatividade nesse quesito.

Ao todo, são 17 mundos exploráveis sem um objetivo definido. Você vai, vem, volta, vai de novo, explora outro canto, retorna ao mesmo local, segue em frente... E não há nada mais que isso. Na verdade, não há sentido algum – apenas usar as belas cores como colírio para os olhos e os sintetizados efeitos sonoros como uma limpeza à poluição sonora que temos nas grandes cidades. Mas nem essa soma é suficiente para salvar Hohokum da monotonia.

Trilha sonora de respeito, mas não heroica

Hohokum demorou seis anos para ficar pronto. Seu ciclo de desenvolvimento, iniciado em 2008, passou por altos e baixos, e parte da equipe se deslocou a outros projetos. Ainda assim, o jogo contou com o talento do artista Richard Hogg em colaboração com a desenvolvedora Honeyslug e os estúdios Santa Monica.

Aliás, o próprio artista já afirmou que “não sabia se todos iriam gostar de Hohokum”. A trilha sonora é de respeito: os artistas da Ghostly International, prodígios em criação e sintetização, cuidaram da sonoplastia de Hohokum e fizeram um lindo trabalho, ainda que ele não seja destaque suficiente.

Vale a pena?

Depende. Conforme já mencionado, o próprio Richard Hogg disse que “não sabia se todos iriam gostar de Hohokum”. Eu não vou dizer que desgostei, mas devo afirmar que cores e trilha sonora não são o bastante para entregar uma proposta diferente.

Hohokum, aliás, tem essa preocupação constante: ser diferente, ser “lado B”, ser “zen”. Oras, Flower, flOw e Sound Shapes também são assim, mas executam seus objetivos com maestria – aliás, existem objetivos nesses jogos. Se a ausência de uma tarefa, mesquinha que seja, viajada que seja, agrada a você, eu não sei. Talvez seja algo específico, mas a mim não agradou.

Portanto, volto a dizer: depende. Acho que esse é um daqueles títulos 8-80, ame ou odeie. Se você estiver com sono e não quiser dormir, passe longe. Se bater a insônia, compre agora.

55 ps4
Fraco
"Preocupado em ser diferente, Hohokum tropeça por ser simples demais e logo cai na monotonia. As cores e trilha sonora agradam, mas não salvam o jogo."

Pontos Positivos

  • Visual interessante e inspirado em pinturas surrealistas
  • Trilha sonora de respeito

Pontos Negativos

  • Repetitivo, monótono e sonolento
  • Não há objetivos, não há muito o que fazer
  • Proposta simples demais e muito preocupada em ser "lado B"

Outras Plataformas

55 ps3
55 psvita