A busca pelo poder não vale a pena

Em Hunted: The Demon's Forge, a InXile Entertainment apresenta a história de uma dupla de mercenários formada pelo guerreiro forte e precavido Caddoc e pela inconsequente arqueira elfa E’lara. Como é característico da profissão, os dois estão prontos para realizar qualquer tarefa que render um bom pagamento.

Durante uma viagem feita por conta de um desses serviços, Caddoc começa e ter estranhos sonhos que começam com a presença de uma voluptuosa mulher, mas ao invés de terminar em alegria para o lutador, acabam com a aparição de um grande demônio.

O que parecia ser apenas um pesadelo corriqueiro se torna realidade quando ao chegar na fonte mágica que buscavam, os viajantes encontram Seriphine, literalmente a feiticeira dos sonhos de Caddoc.

A misteriosa arcana invadiu a mente do mercenário para pedir ajuda à dupla na tarefa de recuperar cristais especiais espalhados pelo mundo. Em troca, ela oferece parcelas do seu poder, o qual é proporcional às suas curvas. Ao aceitar o acordo, a dupla de protagonistas acaba entrando em uma aventura mais complicada do que podiam imaginar.

Hunted: The Demon’s Forge tinha muito potencial para ser uma grande experiência para os fãs de vários gêneros. Afinal, ele possui toda a ação de um bom Hack’n’Slash combinada com uma leve construção de personagens baseada nos sistemas de RPG.

A impressão que se tem ao jogá-lo, entretanto, é a de que a equipe da InXile se perdeu no prazo e acabou se focando demais no tão anunciado multiplayer, ao mesmo tempo em que deixou de completar o resto do game. Como resultado, é que quase nada ficou satisfatório.

É possível se interessar um pouco pela história e se afeiçoar aos heróis carismáticos, principalmente quando se joga com mais uma pessoa. Uma pena, porém, que isso não é suficiente para manter o interesse dos jogadores após as sucessivas frustrações com os vários pequenos defeitos do game.

Uma dupla do barulho

Img_normalEmbora os primeiros momentos de Hunted: The Demon’s Forge pareçam forçados (afinal, quem em sã consciência iria aceitar se submeter à primeira feiticeira insana que aparece oferecendo um acordo?), quando se descobre a relação entre a dupla de aventureiros tudo começa a fazer mais sentido.

Para começar, é preciso pensar nas razões que os levaram a escolher uma profissão tão perigosa. O caso de E’lara parece ser mais fácil de ser compreendido. Sua espécie foi dizimada há muito tempo pelo Minotauro. Como única sobrevivente, a elfa procura não pensar muito a respeito e vive cada dia como se fosse o último.

Já Caddoc é o oposto. Fugindo do estereótipo do guerreiro dotado de força e burrice absurdamente grandes, ele pensa cuidadosamente antes de realizar as suas ações e prefere entrar em batalhas sempre com uma estratégia em mente. Desse modo, a sua presença é fundamental para conter a impulsividade de E’lara.

Durante a aventura, os dois também mantêm divertidos diálogos que irão entreter os jogadores. Principalmente após enfrentar um grande número de adversários, quando aquele matou mais inimigos sempre conta vantagem para o outro.

Quero ser Chico Xavier

Um dos grandes destaques da trama do título é a presença das Death Stones, ou pedras da morte, ao longo dos níveis. Elas estão sempre juntos a algum cadáver que pode ter morrido recentemente ou há muito anos atrás e podem ser utilizadas para reviver os últimos momentos dessas pessoas poucas sortudas.

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A experiência é bem narrada e encontrar todas as Death Stones oferece um desafio recompensador ao adicionar vários pontos de vista inusitados a respeito da trama desenvolvida pelo game.

 Cooperar é viver

Hunted: The Demon’s Forge foi feito para ser jogado em dupla. Isso é inegável. Basta reparar que na campanha para um jogador não é possível trocar de personagem a qualquer momento, assim como a presença dos dois protagonistas é necessária para acessar menus como o de compra de habilidades (tática feita para evitar que ninguém abandone um parceiro que está aprimorando seus poderes).

Além disso, o próprio embate com as hordas inimigas que aparecem constantemente nos calabouços e cidades exploradas pela dupla flui melhor quando dois humanos controlam os personagens.

Img_normalFica mais fácil, por exemplo, sincronizar magias e realizar mortes cooperativas. Entre o grande número de possibilidade, é possível, por exemplo, acertar um inimigo com uma flecha congelante de E’lara para que Caddoc o estilhace com um golpe certeiro.

Com o parceiro certo também fica mais difícil ter que carregar o game do último checkpoint por conta de uma morte estúpida, pois fica mais fácil ficar próximo do seu companheiro de equipe e trocar poções de cura e de ressurreição quando necessário.

Assim, com um amigo controlando o outro membro da dupla, a sincronia entre E’lara e Caddoc fica muito mais fácil de ser percebida durante os diversos ataques de grupos de esqueletos e aracnídeos ao longo do jogo.

Variedade de combate

Os jogadores devem assumir o papel de um dos dois heróis (que não possuem tantas diferenças entre si quando o assunto é jogabilidade). Os dois podem enfrentar os adversários utilizando ataques à distância ou golpes com a espada.

Contudo, Caddoc é mais forte e ágil no combate corpo-a-corpo enquanto E’lara consegue atirar mais rápido com seu arco, além de conseguir carregar mais flechas (até 100, contra um total de 40 por parte de seu companheiro).

De acordo com a arma escolhida, o sistema de combate também muda. No caso das espadas, é necessário acertar o tempo certo para realizar os ataques. Além disso, eles também devem ser intercalados com manobras de defesa com o escudo para que os inimigos não consigam emendar combos.

Img_normalJá com o arco, a jogabilidade muda para um modo de cobertura. Assim, é possível se escorar em muretas e barricadas encontradas ao longo dos níveis para se proteger da investida adversária e contra-atacar rapidamente.

Sobre os personagens, as diferenças mais notáveis entre os dois podem ser percebidas na hora de comprar novos poderes mágicos com Seriphine, pois a feiticeira oferece alguns ataques exclusivos para cada guerreiro.

Além disso, Caddoc pode empurrar e arrastar objetos pesados que E’lara não conseguiria assim como a elfa também pode atear fogo na ponta de suas flechas a fim de causar mais dano nos adversários. Porém, a razão pela qual Caddoc não pode fazer o mesmo, sendo que ele é “o guerreiro inteligente” não é apresentada em momento algum.

Um exército de defeitos

Além de enfrentar hordas de esqueletos mortos-vivos e Wardrans (o equivalente aos clássicos orcs no mundo de Hunted: The Demon’s Forge), a dupla de mercenários enfrenta também falhas, mas muitas falhas, ao longo do game.

São objetos espalhados que podem ser atravessados a qualquer momento, o que é muito estranho, pois em nenhum momento da trama é revelado que os heróis são na verdade uma dupla de espíritos errantes.

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Há também elementos do combate que não funcionam muito bem, como as finalizações. Quando os adversários estão para levar o último ataque, o game praticamente implora para que você aperte o botão de finalização.

Quando acionado, o mercenário realiza um golpe de misericórdia com todos os efeitos que uma cena do porte merece, inclusive o de câmera lenta. O problema é que só esse local é afetado por esse efeito. Todo o resto do campo de batalha continua guerreando normalmente, o que torna qualquer jogador que decidir realizar esses golpes especiais um alvo fácil para flechas por muitos segundos.

Img_normalÉ difícil também não lembrar dos itens dispostos pelos níveis. Para adquirir poções de vida e de mana, por exemplo, basta passar por cima delas. Já para trocar a sua arma por outra encontrada no campo de batalha, é necessário apertar um botão.

Até aí tudo bem, afinal nem todas são melhores do que a se está empunhando no momento. O que não faz sentido são as moedas de dinheiros deixadas pelos inimigos, as quais também precisam ser coletadas com o apertar de um botão. Mais fácil optar pelo caminho da pobreza.

Animações de dar medo

Infelizmente, o efeito obtido com as animações deste título é alcançado pelos motivos errados. Para exemplificar, há um momento na primeira cidade do jogo em que um guerreiro Wardran arranca o coração de um pedestre ainda vivo.

A cena, que deveria ser aterrorizante por conta de seu conteúdo, acaba o sendo por conta dos diversos defeitos gráficos ocorridos simultaneamente. São texturas chapadas, objetos se atravessando e um coração pulsante que poderia ser emprestado à franquia LEGO para representar o músculo cardíaco de Davy Jones.

Lembrete: fazer novos amigos

Quem não tiver alguém para jogar Hunted: The Demon’s Forge possui duas opções: desistir do game ou então tentar fazer novos amigos, seja pelo Disk-Amizade, pelo Orkut ou qualquer outro meio disponível.

Img_normalIsso porque enquanto o jogo pode proporcionar alguma diversão no modo cooperativo, ele chega a ser extremamente irritante quando a inteligência artificial toma conta de E’lara. Talvez por conta da elfa possuir um perfil mais defensivo, não são poucas as vezes em que ela fica para trás e é necessário retornar algumas salas para buscá-la.

Desse modo, fica muito mais fácil escolhê-la e deixar o computador ser feliz controlando Caddoc. Tão fácil que se você deixá-lo correr na frente, a não ser que o game esteja na dificuldade mais difícil, ele fará todo o trabalho sujo e sairá quase sem nenhum arranhão.

Precisa mesmo de dois para fazer isso?

Há alguns pontos do jogo em que é necessário usar a força descomunal de Caddoc ou a habilidade de E’lara de atear fogo com suas flechas. No entanto, a maioria dos locais em que é preciso utilizar os dois personagens são portas muito pesadas que precisam ser abertas com o seu trabalho conjunto.

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Em uma dessas travessias, a elfa desabafa com o seu amigo dizendo “Eu gostaria de encontrar o ser que construiu todas essas portas para dar um belo chute em sua garganta”. Basta jogar Hunted: The Demon’s Forge por algumas horas para entender a beleza dessa frase.

Crie suas próprias fases... Mas você quer mesmo fazer isso?

A InXile inclui um editor de fases chamado Crucible para todos aqueles que desejarem estender a experiência do título. Porém, enquanto ele é fácil de ser manipulado, não dá para ser muito inovador com ele. Principalmente antes de terminar a campanha principal, na qual se pode acumular dinheiro para comprar novos objetos e inimigos para serem inclusos em suas fases.

Desse modo, os novos níveis acabam sendo formados invariavelmente por cenários em que se alterna um pouco de caminhada com batalhas em pontos pré-determinados. Mais ou menos como na campanha principal.

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