As trevas chegaram a New Marais

O mito do vampiro é um dos mais antigos do folclore popular. Por estar presente em praticamente todas as culturas, a lenda sofreu várias adaptações regionais, adicionando e removendo várias características das criaturas que bebem sangue. Em alguns lugares, por exemplo, eles se transformam em morcegos, enquanto em outros, as criaturas têm poderes para comandar lobos e demais animais da noite. Há até quem diga que eles não morrem ao sol, mas brilham como diamantes.

Mas você já ouviu falar de vampiros capazes de controlar a eletricidade? Em inFamous: Festival of Blood, temos um retorno um pouco diferente a New Marais, pois a cidade foi tomada por uma antiga maldição que fez com que os demônios despertassem. No meio de todo esse caos, está Cole MacGrath, que agora faz parte dessa horda sombria.

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Como dito anteriormente, o grande trunfo de inFamous: Festival of Blood é seu custo-benefício. Mesmo com seus pequenos problemas, o game vale muito o preço pelo qual está sendo vendido. Além disso, por ser uma espécie de expansão do jogo lançado em junho, todos os pontos positivos do original permanecem — assim como seus negativos.

De uma forma ou de outra, a nova aventura de Cole merece ser conferida, seja para revisitar New Marais ou controlar uma versão alternativa do herói elétrico. Para quem cansou de ver vampiros bonitinhos no cinema e nos games, Festival of Blood é, sem dúvidas, uma ótima forma de lembrar como essas criaturas podem ser traiçoeiras, terríveis e divertidas.

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Mais que um DLC

Quando a Sony anunciou inFamous: Festival of Blood durante a gamescom, muita gente ficou sem entender. Aquilo era um DLC ou um novo game? Para a nossa alegria, a  aventura do herói elétrico é independente e pode ser conferida sem que o jogador precise de um dos games anteriores.

O fato de a Sucker Punch ter optado pela distribuição digital é um dos grandes destaques, principalmente pelo preço. Por apenas US$ 9,99 — cerca de R$ 17 no câmbio atual —, é possível explorar novamente um mundo aberto e conferir muito conteúdo inédito. No fim das contas, a relação custo-benefício mostra que é possível, sim, lançar bons materiais a preços acessíveis.

Poderes de outro mundo

Como dito anteriormente, os acontecimentos de Festival of Blood têm início após uma antiga maldição despertar os vampiros enterrados nas catacumbas de New Marais. Mais do isso, é a partir do sangue mutante de Cole que os monstros despertam Bloody Mary, uma criatura secular que volta ao nosso mundo em busca de vingança.

Como se não bastasse, ela transforma o herói em um ser da noite, o que significa que MacGrath, além de seus próprios poderes, pode usar as habilidades das trevas. Na prática, isso traz um leque ainda maior de possibilidades, pois além de controlar a eletricidade, ele pode se transformar em sombra ou potencializar seus sentidos para enxergar aquilo que os olhos humanos não são capazes de ver.

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No entanto, esses novos “dons” também têm seu preço. Para usá-los, como todo bom vampiro, o jogador precisa estar alimentado, ou seja, ir à caça de pescoços desprotegidos pelas ruas de New Marais. Se em inFamous 2 você deveria ficar atento apenas ao índice de energia elétrica, em Festival of Blood a quantidade de sangue em seu estômago é outro fator que deve ser levado em conta.

Um vampiro brasileiro

Para quem gostou da dublagem do game anterior, eis uma ótima notícia: inFamous: Festival of Blood dá sequência aos planos da Sony de focar na localização de seus lançamentos e traz, novamente, uma aventura com o áudio totalmente em português.

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É claro que as vozes permanecem as mesmas do título que chegou ao PlayStation 3, ou seja, se você não curtiu o trabalho feito pelo estúdio, é muito provável que sua opinião não irá mudar desta vez. Por outro lado, a possibilidade de optar pela dublagem em inglês e com legendas em nosso idioma é a chave para agradar aos dois lados, ao mesmo tempo em que todo mundo compreende a história sem tropeçar em uma ou outra palavra desconhecida.

Nem bom, nem mau

A principal característica de inFamous sempre foi a possibilidade de o herói seguir um Karma bom ou mau de acordo com suas decisões ao longo das missões. No entanto, em Festival of Blood isso não existe, limitando a ação a um único caminho.

Dentro do enredo proposto, isso faz sentido, afinal, Cole deve correr contra o tempo para escapar da maldição antes que ele se torne um escravo de Bloody Mary. Por que ser legal ou um monstro com a população quando sua sanidade está prestes a desaparecer?

Contudo, a decisão da Sucker Punch faz com que a essência de toda a franquia se perca. Por mais que aquela seja a cidade que conhecemos ou o Cole que aprendemos a gostar, nada soa familiar exatamente pela falta que o sistema de Karma faz. Sem poder optar por fazer algo de jeitos diferentes, a sensação que temos é que controlamos um vampiro elétrico qualquer.

Câmera, a grande vilã

Esqueça Bloody Mary: a grande vilã de inFamous: Festival of Bloody é a câmera confusa, que mais atrapalha do que ajuda durante sua campanha. Nos combates, é praticamente impossível se localizar, principalmente com a infinidade de efeitos aparecendo na tela e com inimigos se teleportando de um lado para o outro. Como se não bastasse, o fato de a imagem ficar acinzentada à medida que Cole perde energia torna tudo mais bagunçado.

Em outras palavras, prepare-se para morrer muito por não saber de onde os golpes estão vindo.

80 ps3
Ótimo