A diversão das histórias em quadrinhos ao alcance de seu punho [vídeo]

Videoanálise

As grandes editoras de histórias em quadrinhos perceberam, já há algum tempo, que o fã gosta de ver seus super-heróis favoritos caindo na porrada. Mais do que acompanhá-los no combate ao crime ou enfrentando algum vilão para salvar o mundo, são as megassagas que vendem e animam o público. Afinal, quem nunca discutiu com um amigo para saber quem levava a melhor em uma luta entre Superman e Batman?

É exatamente por isso que Injustice: Gods Among Us é tão empolgante. Apesar de esses confrontos serem tão recorrentes nas páginas das HQs, a DC Comics ainda devia a seus fãs um game capaz de reproduzir essa experiência também nos consoles.

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E a NetherRealm aceitou de bom grado esse desafio um tanto quanto ingrato. isso porque, mesmo com o ótimo desempenho do estúdio na revitalização da série Mortal Kombat, muitas dúvidas ainda cercavam a produção e o peso da responsabilidade de trazer personagens tão icônicos para o mundo dos games deixava todo mundo preocupado.

Para a alegria de todos, o estúdio não só criou uma identidade própria para o jogo como ainda conseguiu trazer para o jogador toda a empolgação e diversão tão únicas das histórias em quadrinhos. A destruição e o poder exagerado não são mais exclusividades das páginas dos gibis e está ao seu alcance.

Se você é leitor de histórias em quadrinhos, comemore. Injustice: Gods Among Us é um jogo feito especialmente para você. Mais do que trazer um título à altura do panteão da DC Comics — que há tempos implorava por um título decente —, a NetherRealm conseguiu reproduzir toda a experiência única das HQs em um jogo de luta.

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Ver Lanterna Verde e Shazam caindo na porrada em seu video game é tão empolgante quanto sair de uma banca de jornal com suas revistas favoritas e certo de que você vai encontrar as melhores e mais divertidas aventuras de sua vida. O estúdio conseguiu traduzir toda a animação das discussões entre fãs sobre quem venceria uma luta entre Batman e Superman em uma mecânica simples e acessível que, mesmo com seus defeitos, consegue prendê-lo por horas, seja em um combate versus ou na confusão do modo história. Afinal, onde mais você veria o Aquaman derrotando todo mundo?

Além disso, o ótimo cuidado da Warner com a versão brasileira também é outro ponto que torna Injustice ainda melhor. A distribuidora foi atrás de dubladores que são referência na área e que emprestam suas vozes aos heróis e vilões da DC há anos, tornando tudo muito mais familiar. E não se trata apenas de um agrado para os fãs. A qualidade no trabalho é excepcional e deve se tornar referência daqui para frente para outros estúdios na hora de adaptar o áudio para nosso idioma.

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E você estava em dúvida sobre Injustice: Gods Among Us, lembre-se da época em que você passava as tardes lendo gibis e se divertindo com as histórias de heróis coloridos com a cueca por cima da calça. O game vai fazê-lo reviver toda a grandiosidade daqueles combates insanos. A diferença é que, aqui, você faz parte deles.

Se os deuses estão entre nós, só nos resta aproveitar e se divertir.

Injustice: Gods Among us foi gentilmente cedido pela ShopB.

Crise das Infinitas Terras

Assim como em Mortal Kombat, a NetherRealm apostou em um ótimo enredo para construir toda a experiência. Em Injustice: Gods Among Us, a trama é incrivelmente importante, sendo a base de tudo aquilo que você encontrará nos diferentes modos.

E as coisas já começam de um jeito um tanto quanto inesperado: com o Superman matando o vilão Coringa. A partir desse incidente, o Homem de Aço simplesmente enlouquece e cria um governo totalitário em que sua palavra é a lei e todos os seus opositores são caçados e mortos. Para acabar com essa insanidade, versões alternativas dos personagens vêm de outra realidade e tentam ajudar os poucos rebeldes que sobreviveram à fúria do Homem de Aço.

O curioso é que essa ideia não chega a ser original, uma vez que propostas semelhantes já apareceram nos quadrinhos e no próprio desenho animado da Liga da Justiça algumas vezes, mas ela funciona tão bem em Injustice que é impossível não se empolgar ao ver o bom moço se transformar no vilão ou o Batman surgir como um foragido.

Para quem acompanha os gibis da DC, Injustice ainda é repleto de ótimos diálogos repletos de referências a acontecimentos marcantes da cronologia, o que torna tudo ainda mais convidativo para os fãs. A caracterização dos personagens é mais um ponto muito positivo — principalmente pelas participações de Coringa e Arlequina.

Outro destaque é a forma como a narrativa é conduzida. Assim como em seu último jogo, o estúdio optou por trazer um sistema de capítulos em que você acompanha os fatos a partir do ponto de vista de diferentes personagens. E mais do que criar um ritmo próprio para o desenvolvimento dos fatos, isso também permite que você conheça um pouco das mecânicas básicas de cada lutador. Assim, enquanto avança pela trama para entender o que aconteceu, você ainda descobre qual herói ou vilão se encaixa ao seu estilo de luta.

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E isso é incrivelmente importante. Como o jogo traz vários elementos inéditos à jogabilidade, esse primeiro contato com seus personagens é fundamental para você dominar cada uma de suas particularidades.

O maior exemplo disso são as habilidades especiais de cada herói e vilão. Todos eles possuem um poder ou movimento característico que pode ser ativado a qualquer momento. Superman, por exemplo, tem sua força ampliada, enquanto o Batman invoca alguns morcegos para ficarem ao seu redor. Outros, como Asa Noturna e Mulher-Maravilha, conseguem alterar seu estilo de combate, criando novas possibilidades de ataque ao alcance de um só botão.

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Para o jogador casual, esses elementos podem servir apenas como um efeito de contextualização — ver o Lanterna Verde invocar o poder do anel é realmente legal —, mas o público mais hardcore certamente vai perceber a diferença desse recuso quando bem utilizado. Saber dominar cada uma dessas variações é algo imprescindível para dominar os combates.

O mundo é sua arma

Por mais forte que seja o super-herói, suas lutas nunca são travadas unicamente com seus punhos. Basta folhear uma HQ para perceber que qualquer objeto ao seu alcance pode ser usado contra um oponente. É o que torna os confrontos tão divertidos e impressionantes — e a NetherRealm conseguiu reproduzir isso muito bem.

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A interação com os cenários é outro elemento que torna a mecânica de Injustice única. Praticamente todo o objeto que estiver por perto pode ser usado contra o adversário, seja arremessando-o ou ativando algum outro tipo de mecanismo.

Isso cria uma dinâmica própria para as lutas, já que nem mesmo à distância você está seguro. Saber se posicionar na tela pode gerar novos ataques ou um dano inesperado, além de poder usar certas estruturas para a criação de combos.

Além disso, os ambientes também podem ser alterados a qualquer momento. A maiorias das arenas possui mais de uma área disponível e a troca acontece a partir de uma animação bem brutal, como na qual o personagem atravessa as paredes do Asilo Arkham e é atacado por vilões como o Espantalho e o Duas-Caras.

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Essas novidades funcionam muito bem dentro dos demais elementos presentes em Gods Among Us. A NetherRealm se preocupou em trazer elementos inéditos mesclados a outros extremamente familiares para quem é fã de jogos de luta. Há muitos recursos reaproveitados de Mortal Kombat — mas sem fazer com que o game seja uma versão da DC do game —, assim como conceitos que vêm de outros jogos e funcionam muito bem.

Para o alto e avante

Para o jogador brasileiro, Injustice: Gods Among Us tem um gostinho ainda mais especial. Além de toda a qualidade do game em si, sua localização recebeu um cuidado todo especial para agradar ao fã brasileiro.

A Warner chamou os dubladores que há anos emprestam suas vozes para os super-heróis, fazendo com que tudo fique ainda mais familiar. É incrível ouvir a icônica voz de Guilherme Biggs como Superman ou a ótima interpretação de Iara Riça para criar o jeito único da vilã Arlequina. Para quem acompanha os filmes e desenhos animados dos personagens, encontrar os mesmos atores no video game é uma surpresa e tanto.

E mais do que apelar para memória dos fãs, a decisão da Warner vem como um tiro certeiro no polêmico debate sobre a qualidade das dublagens para nosso idioma. Injustice estabelece um novo padrão exatamente por contar com uma equipe de ponta que dá à produção um ar quase cinematográfico para os diálogos, o que destoa completamente daquilo que outros jogos apresentaram até agora.

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É muito bom ver esse tipo de preocupação. Esperamos realmente que Gods Among Us se torne referência daqui para frente e que outras empresas sigam o exemplo na hora de trazerem o áudio em português.

Alguns ajustes

Mesmo com tantos acertos, Injustice não é perfeito e possui algumas falhas que comprometem o bom desempenho do título. Por mais que a NetherRealm tenha se preocupado em deixar o título o mais competitivo possível — tanto que há até mesmo informações de quantidade de frames e total de dano de cada ataque para que o jogador mais hardcore tenha total controle sobre sua estratégia —, alguns problemas vão na contramão disso.

O maior exemplo disso é a falta de equilíbrio entre os personagens. Trata-se de um fator importantíssimo em um jogo de luta. Como esse balanceamento é falho e há heróis muito mais apelões que outros, não é difícil imaginar que Gods Among Us pode ficar de fora de grandes torneios e campeonatos ou simplesmente não cair no gosto do público mais exigente.

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Esse desequilíbrio acontece de diferentes maneiras, seja ao trazer lutadores com golpes consideravelmente mais poderosos do que os dos demais ou por permitir a realização de combos incrivelmente exagerados. Tanto que o título mal chegou aos consoles e os jogadores já conseguiram criar sequências capazes de acabar com quase 90% da energia do oponente, além de combos infinitos. Isso sem falar de ataques que atingem o adversário em qualquer ponto da tela e sem qualquer possibilidade de defesa.

É claro que esse tipo de problema pode ser corrigido com atualizações, mas ainda é triste ver todo o excelente trabalho para a construção de novas mecânicas sendo prejudicadas pela falta de cuidado na hora de nivelar o elenco. Só esperamos que essas correções venham o quanto antes — ou Injustice pode se tornar um jogo voltado apenas para os fãs.

85 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

85 xbox-360