Uma experiência divertida, mas que não esconde sua idade

Disponibilizado originalmente para o DreamCast em 2000, Jet Set Radio (ou Jet Grind Radio, nome pelo qual o jogo ficou conhecido no Ocidente) é fruto de uma época em que a SEGA usava seus recursos para criar experiências inovadoras e não se preocupava somente em explorar exaustivamente a marca Sonic. Doze anos depois de seu lançamento, o game ganhou um remake em HD que chegou ao PlayStation 3, PlayStation Vita, Xbox 360 e PC.

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Bastante influenciado pela cultura hip-hop dos anos 90, o jogo coloca você no controle de uma gangue de grafiteiros conhecida como GGs, que tem a missão de trazer mais cor à cidade fictícia de Tokyo-To. Em seu caminho estão grupos rivais como os Love Shockers, os Noise Tanks e a Poison Jam, que devem ser derrotados conforme você amplia seus domínios e sua influência.

 O BJ conferiu de perto todos os detalhes da versão HD de Jet Set Radio e traz para você uma análise completa do título. Será ele uma simples forma de apelar para a nostalgia dos fãs da SEGA ou o jogo tem qualidades que permitem a ele competir diretamente com lançamentos recentes? A resposta você confere no texto abaixo.

Embora seja interessante, a versão em HD de Jet Set Radio não consegue esconder o fato de que se baseia em algo criado há mais de uma década. Embora a reformulação gráfica do game chame a atenção pela sua qualidade, o mesmo cuidado não foi dado à sua jogabilidade, que parece datada em relação a outros lançamentos mais recentes.

Fonte da imagem: BJ
O fato de que quase nada mudou em relação ao título original é frustrante, já que nenhum dos problemas envolvendo a câmera do jogo foi arrumado e os comandos continuam demorando a responder em muitos momentos — algo que se torna ainda mais digno de crítica quando se nota que muitas soluções já haviam sido empregadas na sequência Jet Set Radio Future, lançada para o Xbox em 2002.

Em resumo, a atualização de Jet Set Radio é um título competente, mas que vai deixar jogadores novos curiosos sobre os motivos que fizeram o game se tornar um clássico do DreamCast. Comparado a outros lançamentos recentes, o jogo entrega uma experiência divertida embora frustrante em muitos momentos, em que é impossível não ficar com a sensação de que o produto que se tem em mãos foi lançado de forma incompleta.

Adaptação competente para o HD

Um dos primeiros games a utilizar a técnica cell-shading, Jet Set Radio ficou ainda mais bonito em sua versão HD. Além de o título ter sido adaptado ao formato de tela widescreen, suas texturas foram retrabalhadas para se adaptar à alta resolução proporcionada pelos consoles e PCs atuais.

Fonte da imagem: BJ
O resultado é bastante impressionante, fazendo com que os cenários e personagens do jogo saltem aos olhos. O estilo visual do game, que simula desenhos feitos por grafiteiros, continua chamando a atenção mesmo após 12 anos de seu lançamento original, provando que não é preciso abusar de polígonos para construir uma experiência bonita. A única crítica nesse sentido deve ser feita às animações dos personagens, que parecem bastante duras e até mesmo estranhas quando comparadas a outros lançamentos mais recentes.

Trilha sonora de qualidade

Você pode não ser um fã de hip-hop dos anos 90 ou não gostar do estilo J-Pop, mas é difícil jogar Jet Set Radio e não sair com pelo menos uma música do título dentro de sua cabeça. A trilha sonora do game continua sendo uma das melhores de toda a história da SEGA, se adaptando perfeitamente aos ambientes coloridos e aos personagens da aventura.

Fonte da imagem: BJ
Infelizmente, não são todas as faixas do game original que marcam presença no relançamento em HD, já que três delas tiveram que ser removidas devido a questões de licenciamento. Mesmo assim, quem jogou a versão original praticamente não vai sentir diferenças nesse sentido, já que os temas das fases e dos personagens permanecem praticamente inalterados.

Câmera problemática

Um dos principais problemas do Jet Grind Radio original continua a assombrar sua versão em HD. Embora agora seja possível utilizar o controle analógico direito para mudar a posição da câmera do jogo, isso não impede que muitas vezes você perca a noção de seu objetivo porque o jogo decidiu adotar um ponto de vista que prejudica em muito sua diversão.

Fonte da imagem: BJ
Esse problema se torna especialmente evidente quando você está fugindo de forças policiais ou desenhando um grafite, já que muitas vezes o personagem controlado sai de foco para que uma pequena animação não interativa seja exibida. O senso de desorientação provocado nesses momentos incomoda bastante, podendo inclusive fazer com que você erre um salto ou passe reto por um objetivo, já que seu personagem continua em movimento durante o período em que não é possível controlá-lo.

Controles duros

O tempo não foi muito generoso com Jet Grind Radio no que diz respeito à sua jogabilidade. A movimentação dos personagens parece simplesmente travada em relação a games mais recentes, e nem sempre os comandos respondem da maneira mais adequada — algo que se torna especialmente frustrante nas missões em que você deve grafitar alvos que estão em movimento.

Fonte da imagem: BJ
Embora o game não seja exatamente difícil de ser jogado, ele em nenhum momento esconde que é fruto de filosofias de design e técnicas de produção típicas do início dos anos 2000. O triste é ver que isso poderia ser facilmente resolvido, bastava a desenvolvedora ter incorporado algumas das melhorias vistas na sequência Jet Set Radio Future, lançada para Xbox em 2002.

Extremamente curto

Apesar de contar com um número de missões relativamente alto, Jet Set Radio é um game com uma duração decepcionante. Em pouco mais de três horas, é possível conferir toda a história do game, incluindo as cenas não interativas que ocorrem entre cada uma das missões.

Fonte da imagem: BJ
Caso você já tenha experiência com o game, esse tempo cai ainda mais, já que não será preciso refazer nenhuma das missões ou fases devida à baixa dificuldade do título. Embora haja estímulos para voltar a explorar ambientes antigos (na forma de itens conhecidos como “Graffiti Souls”), eles não se mostram suficientes para justificar a permanência no mundo do jogo após a trama principal acabar.

70 pc
Bom

Outras Plataformas

70 ps3
70 xbox-360
70 psvita