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 Cadence of Hyrule - Crypt of the NecroDancer Featuring the Legend of Zelda
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Cadence of Hyrule mistura o Brasil com o Egito e oferece aventura memorável

Vinicius Munhoz

No Nintendo Direct do começo do ano, a Nintendo nos agraciou com uma surpresa extremamente agradável: Crypt of the Necrodancer, uma game indie com altíssimo apreço pelos fãs, ganharia um spin-off com a franquia The Legend of Zelda chamado Cadence of Hyrule. Ele chegou e, assim como sua revelação, trouxe uma das surpresas mais agradáveis do ano.

Mas primeiro: o que é Cadence of Hyrule e Crypt of the Necrodancer? O título independente desenvolvido pela Brace Yourself Games envolve avançar por dungeons procedurais no maior estilo rítmico, matando os inimigos ao som da batida, já que sair do compasso se traduz em perder força e sofrer consequências. Já o novo jogo é um novo apelo com a série da Big N, mas com algumas mudanças bem legais. Então vem ver a nossa análise completa:

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Dançando e jogando dentro do ritmo

Em um primeiro momento, Cadence of Hyrule tem um gostinho de um Zelda 2D, como Minish Cap ou até mesmo A Link to the Past. Entretanto, a experiência é completamente diferente, mesmo que o sabor seja familiar. Assim como no game original da desenvolvedora, a progressão e combate ocorre dentro de um compasso: você, os inimigos e até mesmo os golpes obedecem às leis do ritmo musical. Errar o compasso fará com que uma ação não seja realizada ou que você fique uma batida sem poder realizar ações. Portanto, é imprescindível dominar o compasso.

Crypt of the Necrodancer é um game que ficou marcado para muitos como algo difícil de aprender, com uma curva de habilidade bem acentuada. Mesmo não sendo um título desenvolvido pela Nintendo, parece que Cadence of Hyrule se encaixa na filosofia da companhia: aqui as coisas são mais amigáveis.

Apesar de ser essencialmente o mesmo gameplay, as áreas mais amplas, coloridas e espaçadas de Hyrule combinadas com as melodias familiares da série ajudam o jogador a pegar a batida com mais agilidade e facilidade. Tudo envolve ritmo e essa é a grande sacada do game.

É muito divertido se mover com o ritmo e acertar todas as batidas, criando combos mais fortes. Para isso, é preciso analisar cada inimigo, com suas animações e tempo: alguns demoram duas batidas para atacar, outros golpeam a cada movimento; certos oponentes têm fraquezas nos flancos e retaguarda, o que requer que você estude quantas batidas isso demora.

E, caso o modelo rítmico o assuste, não tem problema: o jogo permite que você desative o modo de batidas (apesar de eu particularmente não recomendar, já que é aí que mora a diversão) e aproveitar a jogatina nos moldes de um Zelda tradicional. Essa acessibilidade é, sem dúvidas, muito bem-vinda aos receosos.

AÉ possível jogar sem se preocupar com a música ou contador de batidas

Como há uma grande variedade de monstros da série The Legend of Zelda, o gameplay é muito variado e traz bastante particularidades. A grande sacada de Cadence of Hyrule em relação a Necrodancer é que a estrutura não é de um roguelike e nem tudo é aleatório: você pode encontrar baús, armas e itens icônicos para auxiliar na sua aventura, aproveitando um level design muito bem-feito.

Necrodancer na jogabilidade, Zelda em todo o resto

Apesar de ter o coração de Crypt of the Necrodancer, Cadence of Hyrule é um projeto à parte. O reino inteiro de Hyrule foi recriado e isso envolve muitas coisas bacanas, como vilas com NPCs, puzzles, ferramentas icônicas (como o Hook Shot, Ice Rod e muito mais) e até mesmo uma estrutura que foge da aleatoriedade original.

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Há uma história a ser contada e a fórmula de Zelda é mantida. Você pode escolher entre jogar com Link ou Zelda na trama e deve ir atrás de quatro artefatos musicais para livrar o mundo dos atos maléficos de Octavius, inimigo do jogo (não darei spoilers). Portanto, a aventura de explorar o mapa, que não é procedural, e encontrar baús, rubis, heart pieces para aumentar a vida e até mesmo enfrentar chefões bem criativos persistem.

Além disso, é bacana que Link e Zelda não são apenas skins: eles têm itens e habilidades diferentes. Link consegue carregar seus golpes de espada e defender ataques com o escudo (além de outras habilidades), enquanto Zelda consegue usar magias explosivas e refletir projéteis – todas as skills citadas usam a barra de vigor do personagem. Apesar de escolher apenas um, no fim do jogo é possível alternar entre os personagens, que inclui Cadence, protagonista de Crypt of the Necrodancer.

Apesar de o mapa ser único, todas as dungeons são procedurais e trazem desafios variados a cada nova caverna. Como a variedade de inimigos é grande e há muitos e muitos itens dentro do jogo, é sempre divertido explorar um local inóspito, encontrar chaves, tesouros e até lojas para gastar seus rubis e diamantes (uma segunda moeda do game). Morrer vai fazer você perder seus itens temporários e custará um pouco das suas moedas, mas não será preciso recomeçar a aventura do zero. A não ser que você queira.

Cadence of Hyrule não é um dos games mais longos por aí, durando entre 10 a 12 horas na primeira zeratina. Entretanto, há alguns fatores replay. Você pode mudar os parâmetros de cada jornada, como ritmo duas vezes mais rápido, mortes permanentes e até mesmo jogatina cooperativa para duas pessoas, deixando tudo ainda mais legal.

AOpções para o fator replay

Entretanto, há alguns probleminhas – nada grave, mas vale ressaltar. Por ter itens temporários que trazem diversos atributos, eles eventualmente quebram ou são perdidos. Em algumas dungeons, você precisará de uma tocha ou pá para facilitar a vida, mas nem sempre as encontrará facilmente.

Além disso, por ter até mesmo as dunngeons principais de forma procedural, Cadence of Hyrule perde um pouco no level design. O Hook Shot e a Power Glove têm funções bem específicas, mas nem sempre serão necessárias para avançar na aventura. Por fim, há alguns puzzles musicais muito divertidos, mas eles são muito escassos: certamente poderia haver mais deles.

Uma homenagem visual a Link to the Past e Minish Cap

Cadence of Hyrule abraça o estilo 16 bits da era de ouro de Zelda sem pestanejar – e isso é simplesmente incrível. Apesar de as “cutscenes” animadas trazerem o estilo visual de Crypt of the Necrodancer (que é meio esquisito), todo o gameplay lembra os jogos isométricos da franquia.

O jogo é muito variado visualmente e tem uma pixel art invejável, combinando o alicerce de The Legend of Zelda: A Link to the Past com as cores vibrantes e estilo artístico de The Legend of Zelda: Minish Cap. Os gráficos são realmente soberbos, com muitos elementos que são de brilhar os olhos.

Um jogo musical com trilha sonora perfeita

O que é mais importante em um jogo musical? Certamente as faixas sonoras. Nisso, Cadence of Hyrule tira de letra, já que é a especialidade da desenvolvedora. Por se tratar de um título inspirado na franquia Zelda, todas as canções são baseadas nas músicas originais, como Gerudo Valley ou o tema principal da série.

Entretanto, toda a trilha sonora é remixada para se adequar às batidas. A parte boa é que o trabalho está longe de ser preguiçoso: todas as canções usam instrumentos diferentes e não caem na mesmice de ter um tom eletrônico. As áreas montanhosas tendem ao rock, enquanto as praias têm faixas mais harmoniosas.

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Todas as localidades apresentam temas para as lutas, que são mais altos e agitados (algo importante para nortear o jogador e facilitar o gameplay), e versões mais calmas que ocorrem quando todos os inimigos foram derrotados. Sem dúvidas, uma trilha sonora extremamente marcante que honra o legado e oferece sua própria pitada de tempero.

Vale a pena?

Cadence of Hyrule é um jogo muito fora da curva. Além de ser um ótimo Zelda 2D, também aproveita todo o contraste dos ritmos de Crypt of the Necrodancer, misturando dois elementos pouco prováveis em uma experiência extremamente divertida. Em outras palavras: cada metade realça a outra em um gameplay tão harmonioso que dificilmente veremos algo parecido.

O jogo poderia ser um pouquinho maior e também tem seus probleminhas, mas as músicas encantadoras, o fator replay bacana e o modo coop servem para dar longevidade ao título, que, mais uma vez, nos deixou com saudade da era 16 bits com um novo sabor na boca.

*Cadence of Hyrule foi comprado pelo redator para a realização desta análise.

91 Switch
Excelente
"Apesar de ser curto, Cadence of Hyrule é um dos melhores jogos do ano e agrada tanto os fãs de Zelda quanto os jogadores que buscam ideias criativas."

Pontos Positivos

  • Gameplay desafiador e divertido, mas fácil de aprender
  • Diversas ferramentas para tornar o game acessível
  • Uma mistura perfeita de Zelda com Crypt of the Necrodancer, trazendo ritmo e combate sensacionais com até três personagens diferentes
  • Dungeons procedurais são muito bacanas
  • Clássica história e aventura com fórmula Zelda, com mapas, chefes e até itens para encontrar
  • Um dos gráficos em pixel art mais bonitos já feito
  • Trilha sonora mescla faixas originais com batidas novas, honrando o legado e criando algo memorável
  • Diversos fatores replay, como coop local para até duas pessoas

Pontos Negativos

  • Alguns itens são temporários e quebram o ritmo da jogatina
  • Dungeons procedurais nem sempre têm ótimo level design para aproveitar as ferramentas do jogo
  • Aventura levemente curta, durando cerca de 10 horas na primeira vez
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