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Call of Duty: Modern Warfare: A guerra nunca muda

André Luiz Pereira

Durante alguns anos, o gênero de jogos de tiro em primeira pessoa era inundado por títulos que abordavam a Segunda Guerra Mundial, com poucos tentando mostrar conflitos mais atuais de uma maneira que realmente capturasse o imaginário dos jogadores. Isso mudou em 2007 com o lançamento de Call of Duty: Modern Warfare.

A própria franquia da Activision era bastante conhecida pelos seus (muito bons) jogos na Segunda Guerra Mundial, então a ideia de abordar conflitos que pareciam ter saído dos noticiários, principalmente após os atentados de 11 de Setembro e a invasão ao Iraque, parecia interessante.

O game revolucionou a franquia e até mesmo o próprio gênero, tornando Call of Duty no sucesso estrondoso que todos conhecem hoje. Só que depois de mais guerras fictícias, invasões aos Estados Unidos, guerras no futuro, Guerra Fria, combate no espaço e um retorno à Segunda Guerra, era hora de voltar ao ponto de virada da série para poder, novamente, avançar para novos horizontes.

O mais impressionante disso é que a guerra que inspirou essa mudança, lá em 2007, é basicamente a mesma retratada no Modern Warfare de 2019, apenas com algumas figuras diferentes no lugar de outras conhecidas. Isso acaba por tornar o game não somente atual, mas mostrando que o combate parece que nunca vai terminar.

Uma campanha que abandona um pouco o glamour de Hollywood

Desde o primeiro Modern Warfare, a franquia Call of Duty parecia ter abraçado de vez a ideia de ser uma versão para o videogame dos grandes blockbusters de Hollywood, com explosões e momentos dignos de filmes do diretor Michael Bay.

Talvez por isso, a série foi se distanciando cada vez mais dos temas mais sérios e, de certa maneira, “abraçou a galhofa”, tornando-se, em alguns momentos, uma caricatura de si própria, ainda que apresentasse um ótimo gameplay.

Fonte: Activision/Divulgação

A tarefa da Infinity Ward foi voltar à fonte do primeiro game e mostrar, de uma maneira mais pé no chão, os conflitos que soldados devem enfrentar no dia a dia. Por tentar esse caminho, Call of Duty: Modern Warfare traz uma das melhores campanhas da série.

Apesar de curta (tem cerca de 6 horas e meia de duração), a história mostra um mundo em constante conflito, com soldados americanos se envolvendo em conflitos que nem sabem ao certo porque existem, lutando pelos desejos de potências mundiais. No meio disso tudo, civis têm suas vidas afetadas e acabam se juntando à luta como forma de sobrevivência em um ambiente hostil que antes chamavam de lar.

Tudo parece bastante dramático, mas o pessoal da Infinity Ward conseguiu, como poucas vezes na franquia, fazer com que você se importe com os personagens que controla e suas escolhas. Escolhas essas que parecem um tanto superficiais em boa parte do jogo, mas que ainda assim funcionam muito melhor do que o esperado.

Em dado momento, o jogador controla um personagem que participa de uma missão de infiltração na casa em que um fugitivo está escondido. No meio da escuridão, pessoas, aparentemente inocentes, se escondem. Ao entrar em um quarto, uma mulher faz um movimento brusco em direção a um bebê. Será que ela vai realmente tentar proteger a criança ou tentará alcançar uma arma?

Assim como soldados em situações reais como essa precisam reagir rapidamente, você também precisa, apresentando um dilema em microssegundos que precisa ser resolvido. Obviamente, o jogo trata isso de uma maneira que não traz um peso real para o jogador, mas tenta mostrar o que essas pessoas precisam enfrentar e as linhas que traçam para não se tornarem loucos homicidas disfarçados como soldados em busca de liberdade.

Fonte: Activision/Divulgação

Modern Warfare tem uma campanha com uma primeira metade bastante formulaica, mas que dá uma virada a partir de uma missão em especial. Essa missão, sem dar muitos spoilers, mostra o passado de Farah, uma personagem que vive no país fictício de Urzikistão que claramente é uma alegoria aos acontecimentos recentes envolvendo a Síria.

É nessa fase que a campanha Call of Duty: Modern Warfare dá uma guinada e se transforma em algo especial, ainda que tudo se torne bastante incômodo. Até ali, você seguia como nos outros jogos de tiro, derrubando alvos como se eles fossem nada, em momentos cheios de ação.

Nessa missão em particular, o pessoal da Infinity Ward mostra que a guerra não é composta apenas por soldados e como ela pode mudar o rumo da vida de uma pessoa. Dali para frente, o jogador é desafiado com algumas escolhas que, apesar de não trazerem impacto ao desenrolar da trama, podem dizer mais sobre como você vê o mundo e essas situações, algo inesperado em jogo da série Call of Duty.

De certa forma, Call of Duty: Modern Warfare mostra as difíceis decisões da guerra, em um dos melhores jogos da franquia e que abraça um estilo hollywoodiano, mas muito mais próximo de filmes como “A Hora Mais Escura” e “Guerra ao Terror”.

Gráficos impressionantes

Call of Duty: Modern Warfare roda em uma nova engine criada pela Infinity Ward, o que significa um salto gráfico considerável quando comparado com os últimos títulos da franquia. Rodando em um PlayStation 4 normal, o visual do jogo já impressiona bastante, principalmente em fases focadas em lugares fechados, onde mais detalhes ficam aparentes aos olhos do jogador.

Fonte: André Mello

Rodando em um computador com configurações mais altas, é possível notar o cuidado com os detalhes, sendo possível notar marcas nas roupas dos soldados do seu time quando a visão noturna é ativada, algo que fica muito mais aparente em resoluções mais altas.

Multiplayer do jeito que todo mundo gosta

O primeiro Modern Warfare trouxe alguns dos modos multiplayer mais queridos da série Call of Duty. Modern Warfare de 2019 não poderia ser diferente e acaba mostrando porque Call of Duty se tornou sinônimo de jogo de tiro. Com alguns modos conhecidos, como de capturar locais do mapa com um time ou “team deathmatch”, o multiplayer segue sendo uma das melhores coisas do game, que dessa vez já estava impressionante no seu modo single player.

Fonte: André Mello

A jogabilidade é bastante intuitiva e gostosa de dominar. Algumas mudanças foram feitas por essa ser a primeira vez que um jogo da série tem crossplay entre todas as plataformas em que está disponível, mas nada que traga dificuldade aos jogadores.

Inclusive, o fato de possibilitar o crossplay entre PC e consoles é algo que, apesar de uma desconfiança inicial, funciona muito bem na prática. Seja na hora de formar times, sempre encontrando jogadores, independente de suas plataformas, o próprio gameplay parece agradável para todos, pelo menos nas primeiras semanas do jogo online.

Outra novidade bastante agradável é o fato de Call of Duty: Modern Warfare não contar com loot boxes, sendo que tudo pode ser destravado apenas jogando o game. Apesar de alguns itens e armas serem liberadas apenas após alcançar níveis mais altos, não é muito difícil alcançá-los, mesmo quem não tem familiaridade com jogos da série.

Com algumas horas do multiplayer, tendo jogado os últimos títulos, é possível dizer que ele é um dos melhores desde o primeiro Modern Warfare. Infelizmente, nem tudo é diversão...

Special Ops é a mancha no game

A Activision recebeu várias críticas por ter tornado boa parte do modo Spec-Ops de Call of Duty Modern Warfare exclusivo por praticamente um ano no PlayStation 4, deixando os jogadores de PC e Xbox One de lado. Pois esses mesmos jogadores podem respirar um pouco mais tranquilos, já que o modo chegou ao console da Sony faltando coisas prometidas e sendo o mais chato de todo o game.

O modo junta quatro jogadores em uma equipe, precisando completar missões dentro de um enorme cenário. Essas missões são ligadas à história da campanha do jogo, sendo bastante aconselhável fechar o modo single player antes de começar a desbravá-las.

O problema é que o esquema de Spec-Ops parece ainda estar incompleto ou bastante instável, já que várias vezes o mapa não carrega direito ou a dificuldade não condiz com o avanço das missões. Se em um momento tudo parece muito fácil, poucos minutos depois a equipe se vê cercada por uma infinidade de soldados, alguns com armamento pesado, tornando os jogadores em alvos fáceis.

Fonte: André Mello

É possível notar o potencial do modo, que ainda pode ser consertado em subsequentes atualizações, mas não deixa de ser decepcionante ver gameplay co-op não funcionar direito, principalmente com todo o resto sendo apresentado de um jeito muito melhor.

Apesar disso, Call of Duty: Modern Warfare consegue trazer com louvor a série de volta ao seu estilo mais pé no chão, apesar de alguns exageros esperados, entregando um gameplay de ponta, uma história cativante e um modo multiplayer que prende o jogador por horas a fio. Uma excelente forma para possivelmente se despedir da atual geração de consoles e caminhar firme para a próxima.

Call of Duty: Modern Warfare foi gentilmente cedido pela Activision para a realização desta análise.

90 ps4
Excelente
"Call of Duty Modern Warfare faz jus ao seu nome, apresentando a mesma qualidade de 2007 e mostrando que a guerra, mesmo depois de 12 anos, não mudou"

Pontos Positivos

  • Excelente campanha single player
  • Modo multiplayer é cativante
  • Crossplay entre PC e consoles
  • Ótimo gameplay
  • Dublagem em português de qualidade
  • Belos gráficos

Pontos Negativos

  • Modo Spec-Ops parece ainda estar pela metade
  • Escolhas da campanha poderiam ter mais impacto no seu desenvolvimento

Outras Plataformas

90 pc
90 xbox-one
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