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MediEvil é, pra bem e pra mal, fiel ao original: charme e câmera ordinária

Bruno Micali

*A videoanálise está em produção e será publicada em breve

Eu adoro o México. É um país que encara a morte e tudo que a rodeia de maneira mais leve, festiva, sob o entendimento milenar de que todos somos transportados para outro plano espiritual e que isso faz parte do ciclo da vida, o mesmo apresentado em “O Rei Leão” e tantas outras obras do entretenimento em formato multimídia.

Nossos hermanos da América do Norte inclusive têm uma celebração dedicada a isso, o “Dia de Los Muertos”, uma festa de origem indígena em que vida e morte são elencadas como uma epítome de nossa existência. É o nosso Dia de Finados, que aqui tem outro tom. Guacamelee, um dos meus metroidvanias favoritos, também brinca com esse tema – que é, sim, delicado, mas pode ser discutido em doses de leveza também.

É com essa ternura que a releitura de MediEvil, clássico cult do PS1 em 1998, chega ao PS4, tão fidedigno quanto possível ao original – até nos defeitos, eu diria, o que, pros padrões de hoje, não necessariamente se justifica. O charme e o bom humor, no entanto, estão assegurados. Prossigamos.

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Pra entrar na vibe: O Estranho Mundo de Jack

Dica rápida para você criar sua própria imersão no clima de MediEvil: veja a brilhante animação em stop-motion O Estranho Mundo de Jack, que tem o dedo de Tim Burton na produção. Trata-se de uma ode ao humor ácido e às grandes sátiras que envolvem temas como Halloween e Natal, dois acontecimentos enormes nos Estados Unidos e em muitos outros países, especialmente o Halloween, que lá é muito maior do que aqui.

Em MediEvil, você é Sir Daniel Fortesque, um cavaleiro inepto, meio destrambelhado e com um visível ar de inocência, morto há muito tempo numa batalha e acidentalmente ressuscitado pelo feiticeiro (e vilão) Zarok após 100 anos. Malfeitor clássico, o mesmo ilustrado em obras literárias e recontado no entretenimento em diversos formatos possíveis, com a sonora risada maléfica e o clichê apetite por poder.

É nostálgico reviver essa fábula necrosa numa roupagem atual. A vestimenta é a mesma, na verdade, só ficou mais bonita e vistosa aos olhos atuais, sem tirar um centímetro do que era no PS1 em matéria de charme e bom humor. Existe um folclore próprio aqui; uma mistura de conto de ninar com anedotas bem escritas.

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Gameplay: gostoso mix de gêneros e câmera irritante

MediEvil chama atenção por uma peculiaridade que pode ser farejada de longe pelos olheiros de plantão. É um jogo de plataforma? Sim, mas não somente. É um RPG? Não, mas herda elementos do gênero. Ensaia uma perspectiva isométrica à la Diablo? Sim, embora use a câmera tradicional, em plano baixo, e não sabe muito bem se é isso mesmo que quer. A equação resulta, em última instância, num jogo de aventura soletrado.

É por aí: MediEvil parece que tenta ou quer ser isométrico, mas não é. Adota a visão tradicional em terceira pessoa, mas a câmera teima em reagir a algumas ações que o jogador faz no analógico direito e parece ter um elástico que a puxa para cima o tempo todo. E aí a visualização do submundo dos mortos perde a contemplação por conta de comandos teimosos que nem sempre guiam a câmera exatamente para onde você quer – e cuja sensibilidade é bem desbalanceada. Enquanto isso, em Grim Fandango, essa mesma vista permanece bem, obrigado.

O jogo não evita piadas com sua própria situação e abusa de metalinguagem para criar referências infames a isso

Essa falta de robustez também existe no original, mas ei, isso não é charme e, hoje, tampouco é limitação tecnológica – há jogos com orçamento infinitamente menor que fazem um ótimo trabalho na manipulação da câmera. Era um ajuste a ser feito naturalmente para a modernidade.

Pelas mãos do estúdio Other Ocean Emeryville, a Sony diz que o sistema de câmera “foi aprimorado”, mas isso não é transmitido na prática de boca cheia. Que se registre: também não é um bicho de 7 cabeças e, em algum momento, pode ser esquecido, mas eu diria que é um Cerberus – ou seja: implacável.

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Armas, goblins e zumbis que cospem pedras

MediEvil se caracteriza por uma generosa gama de armas brancas que podem ser coletadas ao longo da jornada, todas armazenadas num funcional inventário acessado pelo touchpad. Isso inclui martelos, clavas, adagas, espadas encantadas e...seu próprio braço. Lembre-se: você é um ser cadavérico! O jogo não evita piadas com sua própria situação e abusa de metalinguagem para criar referências infames a isso.

Gárgulas, lobisomens e zumbis cuspidores de pedras adornam uma variedade de ambientes que saúdam o jogador, como bosques, cemitérios, pântanos, cavernas e outros locais que resguardam, em comum, a lúgubre atmosfera, que também é alegre em outros tons.

Alguns objetivos secundários são apresentados de maneira orgânica ao jogador e podem exigir um item específico, como um pentagrama num caldeirão para invocar uma bruxa que te dá a referida missão. Não são atividades exatamente premeditadas; podem ou não estar escondidas em algum canto. Explorar, portanto, tem sua serventia de recompensa.

Às vezes, essa exploração é pausada por ocasionais quedas na taxa de quadros por segundo e loadings que poderiam dar menos chá de cadeira em telas de transição. Não são muito demorados, tampouco são rápidos. Também houve atraso na sincronização de algumas legendas durante a minha jogatina.

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Veredito

MediEvil é autêntico em muitos sentidos, especialmente por não esconder os clichês que usa e, assim, criar sua identidade: uma bruxa é uma bruxa clássica, com aquela fala aguda e distorcida; um goblin é um goblin legítimo, sempre risonho e piadista; morto-vivo é um morto-vivo tradicional, aquele que emite grunhidos e anda de maneira disfuncional. Tudo muito bem dublado em português brasileiro, aliás.

Sob esse espectro, MediEvil é honesto: resguarda o charme, os estereótipos e o humor do original, entregando o gameplay simples de outrora, aqui com resquícios de “simplório”, especialmente por deslizar na câmera e por outros aspectos técnicos supracitados nesta análise, todos carentes de correção.

Ainda assim, se você quiser um repouso em meio à temporada de lançamentos que requerem centenas de horas de sua vida, MediEvil oferece uma agradável jornada de 8 a 10 horas para marinheiros de primeira viagem.

Tão fúnebre quanto hilário.

MediEvil foi gentilmente cedido pela Sony para a realização desta análise.

73 ps4
Bom
"Com humor que não machuca, MediEvil resgata o charme do original, inclusive na câmera irritante – e na jornada (até que) positivamente despretensiosa"

Pontos Positivos

  • Charme, humor e piadas que não machucam ninguém
  • Visual atualizado com primor em ambientes de vegetação, especialmente pântanos e florestas
  • Ótima dublagem no nosso idioma
  • Exploração gratificante

Pontos Negativos

  • A câmera continua teimosa e irritante
  • Gameplay tão intacto e tão semelhante ao original que faltou aplicar um toque de robustez à modernidade – especialmente na dúvida entre ser ou não isométrico
  • Eventuais quedas na taxa de quadros por segundo e loadings que poderiam ser um pouco mais rápidos
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