Análise de Resident Evil Revelations 1 & 2 (Switch)

Resident Evil Revelations 1 & 2 brilha no Switch em sua melhor forma

A série Resident Evil mudou a câmera no quarto título e desde então ainda flerta com esse estilo de jogabilidade. Desde Resident Evil 4, essa própria reinvenção da série se desgastou e não teve o mesmo fôlego com Resident Evil 5 e 6. Isso se manteve até Resident Evil Revelations, um jogo despretensioso para o 3DS, que surpreendeu muita gente e é considerado por muitos o melhor da série nesse estilo depois do 4 – inclusive por mim.

Agora, o game está voltando mais uma vez ao portátil, com um port para o Nintendo Switch. Como toda versão para o novo console da Nintendo, ficamos com o pé atrás: será um port de qualidade que aproveitará ao máximo o hardware ou será só algo feito nas coxas? Felizmente, fui surpreendido para melhor – e coloca melhor nisso. Esse é, sem dúvidas, um dos melhores ports que a Capcom já fez e um dos melhores jogos third parties existentes no Switch até o momento.

Vale ressaltar: Resident Evil Revelations já foi analisado três vezes aqui no Voxel. O foco desse review não é comentar sobre a história ou outros elementos que já mencionamos diversas outras vezes. Aqui, o intuito é refletir e trazer à mesa tudo que o Nintendo Switch oferece de igual ou acrescenta ao game. Portanto, vamos à análise completa:

Resident Evil Revelations

Os Resident Evil Revelations que conhecemos em suas melhores formas

O maior dos receios foi dispensado no momento que liguei cada um dos games: trata-se do jogo completo e com todas as funcionalidades. No primeiro, temos o modo Raid, os bônus de compra, jogatina online, campanha completa e tudo que há direito. No segundo é a mesma coisa: missões completas, coop local e tudo que o original tem. Se há algum tipo de receio em relação a isso, pode ficar tranquilo.

Para fechar com chave de ouro, a Capcom trouxe os dois jogos em português brasileiro, sem deixar absolutamente nada a desejar em relação às demais versões (diferentemente de Doom, que é exclusivamente em inglês). O ponto forte dessa coletânea é que temos a mesma experiência, sem ter nenhum tipo de contraponto ou deficiência.

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É ousado dizer isso, mas foi o que eu senti enquanto jogava na telinha do Switch no modo portátil: parece que Resident Evil Revelations (e o 2 também) esperou todos esses anos para encontrar a sua plataforma perfeita. Toda a qualidade da remasterização está presente, mas em um portátil poderosíssimo que não deixa a desejar.

A diversão dos dois games está presente em todo seu esplendor. Particularmente, creio que ambos os Revelations oferecem a dosagem perfeita entre ação e terror – além de ser uns dos melhores jogos da franquia da última década. Esse é o principal ponto: diferentemente de Doom, que teve que receber um downgrade e modificar muitos elementos, ambos os games estão quase idênticos às versões de Xbox One e PlayStation 4.

Isso não quer dizer quer não exista pequenos empecilhos. Em comparação com a nova geração, a versão do Switch tem loadings bem mais demorados que podem incomodar os mais críticos. Para mim, foi desconfortável esperar tanto tempo para começar a jogar, mas nada que atrapalhasse a experiência como um todo.

Uma coletânea de respeito (e no lugar certo)

Resident Evil Revelations nasceu no 3DS e, por mais que funcione bem remasterizado nos consoles de mesa, ele é perfeito em uma experiência portátil. Como o primeiro título já foi pensado para esse tipo de plataforma, os Joycons pequenos e menos precisos acabam não incomodando muito (afinal, no 3DS a mira poderia ser até nos botões). Portanto, a jogabilidade simplesmente se encaixa bem aqui e é muito gostoso passar horas e horas jogando. É uma experiência casada.

Jogar os dois Resident Evil Revelations no Switch é a melhor forma de desfrutar essas experiências

Resident Evil Revelations 2 é um pouco diferente, já que foi planejado para consoles de mesa, mas ainda assim não há nenhum ponto negativo aqui. Pelo contrário: jogar em coop é ainda mais fácil: basta destacar os Joycons e entregar para o colega. Certamente, é um jeito bem quebra-galho de praticar a jogatina em dois, já que a movimentação fica limitada e não é tão fácil atirar e realizar ataques (não é possível andar e mirar ao mesmo tempo e não há controle de câmera, por exemplo), mas é legal ter essa opção.

Certamente, os Joycons são apenas uma das maneiras de jogar dessa maneira e você pode conectar um Pro Controller junto e jogar da maneira ideal. Infelizmente, assim como na versão original, jogatina coop é apenas no modo Raid e a campanha é reservada para ser jogada à dois no sofá.

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Além disso, a Capcom soube utilizar muito bem os recursos do próprio Switch. Há suporte para os controles de movimento dos Joycons (que funcionam muito bem, por sinal) tanto para mirar quanto para realizar algumas ações, o HD Rumble funciona ainda melhor para garantir a tensão necessária ou o feedback dos disparos, a câmera infravermelha funciona para recarregar as armas e por aí vai. É importante ressaltar que não se trata de funcionalidades colocadas à toa: elas realmente funcionam muito bem e oferecem uma maneira diferente para jogar.

Por fim, há dois mini games que com gráficos 8 bits, algo bem simples, que rende pontos que podem ser utilizados no modo Raid. É algo bem trivial e que não acrescenta muito à experiência, mas é um extra bacana de qualquer forma.

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Graficamente impecável (ou bem perto disso)

Chegamos ao assunto que muita gente quer saber: Resident Evil Revelations 1 e 2 de Switch são comparáveis às versões de PlayStation 4 e Xbox One? A resposta curta e simples é sim. Há algumas pequenas alterações, mas chegarei nesse assunto logo mais. No geral, ambos os jogos são praticamente idênticos aos dos consoles mais poderosos da atualidade.

Resident Evil Revelations 1 é o mais fácil de comentar: ele é idêntico, do começo ao fim, às versões da nova geração, ou seja, com todos os elementos gráficos remasterizados. Eu não tenho o olho clínico capaz de determinar com 100% de certeza essa informação, mas tive a impressão que o game roda em 1080p no modo dock e 720p no portátil, pois a imagem é muito nítida. Para completar, tudo roda em 60 fps constantes, mas tive a leve impressão que essa taxa pode cair repentinamente por meio segundo em alguns casos (talvez por estar carregando o próximo cenário ou por causa de algum bug).

Já Resident Evil Revelations 2 é um caso que tem leves alterações, já que se trata de um jogo mais pesado. Durante toda a jogatina, observei efeitos de luz, qualidade de sombras e texturas, modelo 3D dos personagens e muitos outros elementos, e pode ficar sossegado: o jogo é pelo menos 90% idêntico às versões de PS4 e Xbox One. Creio que a resolução é a mesma: 1080p no modo dock e 720p no portátil (posso estar errado, mas a imagem é nítida demais e não consigo pensar em outros valores se não esses).

A qualidade do modo dock e do modo portátil são praticamente idênticas e funcionam muito bem

Então onde estão os 10% de divergência? Até onde eu joguei, eu notei apenas duas diferenças: a qualidade de folhagem, que é bem menos densa, menos nítida e implementada de maneira mais simples, e a taxa de quadros, que roda em até 60 fps, mas que passa mais tempo na casa dos 30 do que na dos 60. Há um terceiro "probleminha" que parece ocorrer apenas no modo dock, no qual a animação dos personagens (principalmente a Claire) parece ter travadinhas, principalmente no cabelo. Provavelmente algum bug que pode ser facilmente resolvido

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Mesmo sendo “pontos negativos”, é preciso fazer o contraponto. Resident Evil Revelations 2 é um game escuro e que se passa em ambientes fechados na maior parte do tempo. Portanto, a folhagem é o elemento gráfico menos presente e que menos reparamos na campanha. Quanto ao framerate, tanto o Xbox One quanto o PS4 não rodam em 60 fps cravados. Muito pelo contrário: quando o game foi lançado, o PS4 ficava na casa dos 45, enquanto o Xbox One se mantinha mais perto dos 60.

Em outras palavras, o Switch não fica capado em 30 fps. Ele pode alcançar 60, mas não se mantém nessa qualidade em todos os momentos. Considerando que até o PS4 e Xbox One tiveram seus problemas, não é algo a ser crucificado aqui. A parte boa é que até mesmo na jogatina de tela dividida a performance se mantém na mesma qualidade, sem impactar a jogatina.

Em suma, temos dois jogos lindíssimos (principalmente no modo portátil) e que se equivalem quase 100% às versões da nova geração. Pode parecer besteira, mas é realmente impressionante ver uma qualidade gráfica tão boa na tela pequena do Nintendo Switch, e isso faz toda a diferença.

Vale a pena?

Sem sombra de dúvidas, Resident Evil Revelations 1 & 2 no Nintendo Switch cai como uma luva. Ambos os jogos estão tinindo e a qualidade é a melhor possível, com todo o conteúdo, jogabilidade tão divertida quanto e qualidade gráfica que não fica aquém das edições de Xbox One e PlayStation 4.

A jogabilidade no modo portátil é excelente e no modo dock é à par com a dos outros consoles, mesmo que os Joycons não ajudem na precisão. Se você jogou há muito tempo ou deixou passar, os games no Switch estão praticamente em sua versão definitiva e tem muitas horas de diversão para oferecer. Tudo isso por US$ 40 é um prato cheio.

Claro, há alguns empecilhos aqui e outro ali, mas eles são ínfimos. A possibilidade de jogar esses títulos sem deixar nada a dever em relação à nova geração é o que mais queremos no Switch: ports de qualidade e que entreguem a experiência completa. Se esse era um receio para você, pode ficar sossegado, porque parece que Revelations esteve esperando pelo Switch por todos os esses anos.

Resident Evil Revelations 1 & 2 de Nintendo Switch foi gentilmente cedido pela Capcom para a realização desta análise.

93 nintendo
Excelente
"Resident Evil Revelations 1 & 2 (Switch) é grande surpresa: jogos de alta qualidade, gráficos compatíveis à nova geração e um port excelente ao Switch"

Pontos Positivos

  • Coletânea com dois jogos completos, com todos os DLCs e sem desejar em relação à versão original
  • Capcom acrescentou diversas opções novas de jogabilidade, como os sensores de movimento
  • Há alguns extras, como dois mini games e a chance de jogar localmente com dois Joycons
  • A coletânea é um dos melhores ports third parties que o Switch teve até agora
  • Qualidade gráfica praticamente impecável, com altíssimo nível de detalhes e a par do XONE/PS4
  • O primeiro jogo roda em 60 fps e o segundo em até 60 fps em grande parte do tempo
  • A jogatina é ainda melhor no modo portátil

Pontos Negativos

  • Os Joycons podem ser imprecisos para o tipo de jogo
  • Dividir os Joycons no modo coop é apenas um quebra-galho e poderia ser melhor planejado
  • Alguns deslizes gráficos ínfimos

Outras Plataformas

93 Switch