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The Witcher 3: Complete Edition [Switch]
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The Witcher 3 é um pequeno milagre técnico que dá exemplo de ports

Vinicius Munhoz

O Switch é uma pequena plataforma capaz de agregar obras incríveis e ports surpreendentes: o console que muitos não botavam fé em seu poder de fogo foi capaz de rodar Doom, WolfensteinMortal Kombat 11 e outros títulos impressionantes. E não entendam como uma crítica, e sim como elogio! Afinal, trata-se de uma plataforma com bem menos recursos, teraflops e até potência de energia. Contudo, até hoje nenhum outro feito foi tão incrível quanto ter The Witcher 3 rodando no videogame.

Veja bem: todos os ports impressionantes até o momento parecem ter sacrificados um elemento crucial para dar margem ao funcionamento. Se você tem acompanhado, sabe que esse aspecto é a performance. A maioria dos jogos de outros consoles mais poderosos rodavam em 60 fps e chegaram ao Swich com 30 fps (mais eventuais downgrades). Contudo, The Witcher 3 manteve o mesmo desempenho, mesmo mundo aberto (que não é qualquer um, e sim o que redefiniu o conceito nesta geração) e expansões. Mas será que a experiência e a troca são equivalentes nesta reação alquímica? Vem ver a nossa análise completa.

O mesmo jogo do começo ao fim

É realmente de cair o queixo o trabalho da Saber Interactive e ele não deixará de ser reconhecido ao longo desta análise. The Witcher 3 é o verdadeiro sinônimo de ambição, boa execução e vastidão de conteúdo dentro de um game. Pensar que tudo isso cabe em míseros 31 GB no Switch era tão impensável que, quando os rumores surgiram quase não teve burburinhos. Afinal, como The Witcher 3 rodaria no Switch?

Mas era verdade e o resultado não é ruim. Muito pelo contrário, todo o conteúdo, jogabilidade, cutscenes, diálogos e tudo que você imaginar está presente e intacto da mesma forma que você lembra (ou da mesma maneira que você vivenciaria nos outros consoles, caso seja um caçador de primeira viagem).

A

A parte legal é que The Witcher 3 no Switch contempla todas as expansões no mesmo arquivo e você pode jogar Hearts of Stone e Wine e Blood and Wine depois da campanha principal. Ou, na verdade, na hora que quiser, pois é possível criar um save para já começar direto ao ponto em qualquer um dos DLCs. Isso é especialmente bacana para aqueles que já zeraram o game em outras plataformas, mas nunca jogaram as expansões.

Por ser um jogo de mundo aberto e ter sido lançado a pouco tempo, durante minha jogatina encontrei pequenos bugs. Porém, apesar de ser bom ressaltá-los, não atrapalhou minha experiência com o game.

Em outras palavras, o título continua bom como sempre: o mesmo mundo aberto embasbacante, o exato combate de ação que combina estratégia e habilidades e a trama que pegou cativou todos que tiveram a chance de se aventurar em centenas de horas de gameplay. Sem dúvidas, The Witcher 3 continua um dos melhores jogos da geração e agora pode ser aproveitado em uma pequena tela onde quer que você vá.

A

Parte gráfica bonita, mesmo com custos altos

A verdade é que todos sabíamos que, por mais que a experiência fosse a mesma, haveria custos para que The Witcher 3 rodasse no Switch. De fato eles existem, mas para a minha surpresa eles não foram tão significativos a ponto de estragarem a diversão. Na verdade, se você não teve contato com as outras versões ou já não joga há um tempo, provavelmente nem sentirá o baque do downgrade.

A realidade é que a simples existência de The Witcher 3 no Switch torna problemas de jogos mais simples algo difícil de acreditar. Sem dúvida alguma o jogo se tronou um benchmark para o console e aumenta o nível da qualidade esperada em jogos da plataforma da mesma forma que fez exatamente a mesma coisa com o padrão de mundos abertos e RPGs em 2015.

Porém, é inegável que mudanças foram necessárias. A resolução é baixa para o modo portátil e, em áreas carregadas como Novigrad e trechos vasto do mundo aberto, a contagem de pixels cai e a experiência fica borrada. Novamente, nada que torne o game injogável, mas longe da qualidade dos consoles de mesa e PC.

Os principais problemas residem na qualidade de texturas, folhagens e distância de renderização. Em ambientes fechados, o nível de qualidade é ótimo, mas em alguns campos, florestas e montanhas fica visível o corte que a Saber Interactive precisou fazer. Em algumas cutscenes, fica evidente o carregamento de texturas e elementos do mapa, assim como em viagens mais rápidas com Carpeado. Esses aspectos não demoram a aparecer, mas mostram que até em ports milagrosos há limitações.

Por fim, há outros dois empecilhos técnicos que chamam atenção. O primeiro é a performance, que mesmo que tenha certa estabilidade, não é perfeita. Batalhas no mundo aberto podem gerar quedas ocasionais perceptíveis ao jogador, mesmo depois da resolução ter sido derrubada para oferecer uma experiência mais fluida. As áreas que apresentavam problemas continuam sem uma solução (como Novigrad) e há alguns novos locais que podem ser demais da conta para a performance do Switch. E, por fim, o modo Dock é algo que não pareceu muito bom.

A

Modo Dock: o verdadeiro ponto negativo

Se The Witcher 3 é muito ambicioso no modo portátil, mostrando bastante beleza na telinha de 6 polegadas do console da Nintendo, a situação muda ao jogar no modo Dock em uma TV grande.

A qualidade não muda, mas certamente a resolução e o downgrade não combinam quando escancarados em um display maior. É quase como se a magia se perdesse. Vale lembrar que esse é um problema completamente relativo e vai depender do gosto de cada um.

Todavia, é claro que a experiência de The Witcher 3 no Nintendo Switch foi pensada para o portátil e o grande charme reside ali. Não há nada de errado em optar por jogar na GV e com um controle, mas caso você tenha um outro console, é uma opção melhor e mais barata. O que nos leva ao último ponto...

O problema Bra$il

Novamente, um problema relativo, mas compreensível. The Witcher 3 foi lançado em 2015 e é facilmente encontrado em promoções com preços bem acessíveis (e isso inclui a versão Complete Edition, que traz todos os DLCs). Entretanto, o valor da versão de Switch pode afastar até mesmo os mais curiosos.

Na eShop brasileira, The Witcher 3 sai por R$ 350, um valor muito salgado. Até mesmo comparando preços em sites como SaveCoins é difícil achar um valor que não ultrapasse a casa dos R$ 250. Por mais que o trabalho da Saber Interactive seja exemplar, ainda temos em mãos um jogo antigo e que pode ser jogado de formas mais fáceis e baratas.

A

Vale a pena?

Certamente, The Witcher 3 no Switch é um port muito mais competente do que o esperado e traz toda a vastidão de conteúdo que o jogo ofereceu há quatro anos. Se você estiver disposto a experimentar o jogo da forma portátil e não ligar de pagar mais caro, dificilmente terá problemas com o downgrade e performance levemente pior. Afinal, continuará a ser um dos melhores jogos da geração (e agora você pode jogar em qualquer lugar).

The Witcher 3: Complete Edition foi gentilmente cedido pela CD Projekt Red para a realização desta análise.

87 Switch
Ótimo
"The Witcher 3 é um pequeno milagre no Switch e todos duvidamos. Não é perfeito e existe um custo, mas ainda é um dos melhores da geração."

Pontos Positivos

  • Todo o conteúdo de The Witcher 3, incluindo duas expansões gigantescas
  • Mundo aberto vasto e recheado de missões secundárias, sem nenhum corte
  • Graficamente competente, principalmente no modo portátil
  • Versão de Switch também conta com dublagem brasileira
  • É possível jogar qualquer uma das expansões logo de cara
  • Alguns recursos gráficos pesados, como contagem de NPCs e física de água, foram mantidos
  • Performance relativamente estável em 30 fps

Pontos Negativos

  • Problemas de performance em áreas mais atribuladas
  • Resolução é pequena e pode ser ruim para alguns (o modo dock é a pior forma de jogar)
  • Preço naturalmente mais caro do que o esperado, principalmente no Brasil
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