Dinossauros e armamento pesado invadem o Triângulo das Bermudas

Na era das superproduções em que vivemos, é um tanto quanto difícil que jogos pequenos consigam se destacar em gêneros bastante competitivos, como o de tiro em primeira pessoa. Portanto, é preciso encontrar apelos diferentes para que as pessoas prestem atenção a jogos que não possuem enormes investimentos por trás. No caso de Jurassic: The Hunted, como o nome já indica, este apelo surge na forma de dinossauros.

É difícil entender por que estas criaturas causam tanta fascinação nas pessoas. Talvez pelo seu caráter quase mítico ou por serem retratados como predadores extremamente hábeis, o que faz grande parte do público pensar que é uma dádiva não termos vivido no mesmo período. Não que conseguíssemos sobreviver, caso o temperamento agressivo que os dinossauros expõe na mídia reflita de fato seu modo de vida.

O inimigo básico

Seja como for, é inegável que imprimir criaturas pré-históricas a filmes, video games e outras produções pode render enormes lucros: Jurassic Park é prova disso. O segredo parece ser colocar seres humanos para conviver com os animais, mas com ferramentas suficientes para ter ao menos alguma chance de sobrevivência.

O grande problema se revela quando esta premissa não vai além de seus conceitos básicos, o que também é o caso deste título. Colocar dinossauros, alguns homens e muito armamento pesado não resulta necessariamente em um game de qualidade, ou mesmo divertido. Na verdade, o que vimos foi algo maçante, repetitivo e — francamente — feio.

Alguns podem achar que estamos sendo tendenciosos e falando mal do jogo por não ter uma franquia de peso por trás, como um Call of Duty. Mas não é verdade. Jurassic: The Hunted é um game que não consegue nem mesmo manter um nível de diversão condizente com o que é esperado de um produto contemporâneo — algo que deve ter sido percebido também pela Activision, já que o distribuiu a um preço menor do que o padrão.

Mas passemos ao que interessa, o conteúdo. Você controla Dylan, fundador de uma companhia privada de segurança que parte em uma missão de busca por uma expedição que desapareceu no Triângulo das Bermudas há muitos anos. O problema é que o local não é exatamente estável, e assim que o avião passa por cima do destino e você e sua equipe pulam de paraquedas, a coisa desanda.

Perdido em uma época que não é a sua, você acaba por encontrar o líder da expedição que estava procurando, mas agora o problema é maior: como encontrar uma forma de retornar ao presente após ser enviado à época dos dinossauros? Para piorar as coisas, um cataclisma está prestes a acontecer no tempo presente, similar ao que causou a extinção das grandes feras, e você precisa revelar isso ao mundo.

Não vale, a não ser que você esteja precisando de um pouco de ação com armas e dinossauros. Neste caso, pode até alugá-lo, mas comprar é realmente desaconselhado. O título não consegue competir, especialmente no mercado atual — um Modern Warfare 2, por exemplo, vale muito mais o dinheiro investido — e deixa muito a desejar.

Quem conseguir relevar os vários problemas em prol da temática que o jogo possui poderá até tirar alguns momentos de diversão dele. Mas se, como nós, você preza pela coerência e pelo pacote como um todo, certamente tirará mais frustrações do que momentos de entretenimento de Jurassic: The Hunted.

Premissa clássica

Utilizar o Triângulo das Bermudas como uma forma de enviar o protagonista através do tempo não é algo novo, mas também não é tão clichê que não possa ser usado. A história toda é bastante básica e lembra filmes do gênero, tanto os bons quanto os ruins, mas é bem fácil para o jogador se sentir à vontade com a ambientação.

Variedade de armamentos

A escopeta é uma boa!

As diferentes armas disponíveis possuem características bastante distintas. Além de serem numerosas, algumas são mais eficazes contra determinados oponentes e situações, cabendo ao jogador perceber qual é o melhor momento para utilizar cada uma delas. Além disso, a própria forma de utilização de cada uma delas é diferente, e é preciso entender como funcionam e quais as particularidades.

Dinossauros!

Não há muito o que dizer neste quesito. Sempre é um pouco satisfatório derrotar criaturas imensas, com uma constituição perfeita para matar, sendo “apenas” um humano equipado com armas de fogo. Ainda mais se eles vierem em bando, o que faz com que você se sinta no topo da cadeia alimentar! Embora carne de dinossauro não pareça ser muito apetitosa...

Sons

Este é outro ponto que não necessita de muita explicação. As faixas da trilha sonora focam na agressividade e na empolgação, enquanto os sons de tiros e dinossauros eram críveis o suficiente. O bastante para colocar o jogador no clima da partida, já que os outros elementos da apresentação não o fazem.

Apenas gostaríamos que o diálogo tivesse maior prioridade sobre o som ambiente, pois às vezes fica difícil entender o que os personagens estão dizendo, especialmente para quem não fala inglês.

Absurdos

Tudo bem que um jogo não precise se manter real — especialmente quando trata de dinossauros e viagem no tempo — mas algumas coisas são simplesmente estúpidas. Um dinossauro de 2 metros de altura, com uma boca do tamanho do tronco de um ser humano, morde o protagonista umas cinco vezes e o grandioso herói continua de pé? Faça-me o favor...Ainda bem que, no Triângulo das Bermudas, a 
munição é infinita

Além disso, uma coisa é um dinossauro precisar levar alguns tiros para cair. Outra é gastar mais de quinhentas balas de uma .50 para conseguir derrubar um. A esta altura ele já seria um queijo suíço e estaria morto, no mínimo, há alguns minutos. Nem mesmo Hollywood exageraria tanto em termos de mortes cinematográficas... Mesmo porque, fica chato quando demora tanto para um inimigo morrer!

Gráficos precários

A ambientação como um todo é razoável, mas a taxa de frames é lamentável. Jamais constante, durante a nossa partida inteira ela não passou de trinta frames por segundo em nenhum momento. Isto mesmo quando não havia nada acontecendo na tela, apenas o cenário e o protagonista parado, olhando para os lados.

Isto sem falar nas texturas ridículas de alguns elementos do cenário, como a lava. Parecia algo tirado direto do Paintbrush, colado no game sem nenhum tipo de acabamento. Considerando que a grande maioria dos objetos do cenário não são interativos, o resultado é um conjunto fraquíssimo, que deixa muito a desejar.Imagens enganam


Inimigos mortos que se tornam “transparentes” — ao atirar em um cadáver, as balas o atravessam sem deixar vestígio — folhas que não se mexem quando o persronagem passa por elas, galhos que não bloqueiam o caminho e são atravessados como se não existissem... Os problemas são inúmeros e bastante perceptíveis.

Nada divertido

O elemento essencial de um video game, a diversão, parece ter sido esquecido. Não há variedade na experiência de jogo, você deve apenas meter bala nos dinossauros que aparecem pela frente, sempre da mesma forma. Além disso, existe um grande problema: as fases em que você deve defender um determinado ponto do mapa.

Elas consistem do personagem utilizando armas montadas no chão, como metralhadoras giratórias — que ninguém pode entender o porque de estarem ali — e uma quantidade infinita de munição, proporcionada por um estoque que coincidentemente existe ao lado, para defender alguma posição de vários dinossauros.

Este tipo de jogabilidade revelou-se a parte mais entediante e incômoda do modo campanha e, não obstante, ganhou um modo de jogo próprio — o único modo alternativo — chamado Survivor. Não dá para entender como os desenvolvedores pensaram que isto seria divertido de fazer mais de uma vez, mas enfim...

Chefes esquisitosVai ser feio assim lá longe

Enquanto o jogo inteiro é extremamente fácil, os chefes de cenário são confusos. Não difíceis, apenas confusos. Isto porque, durante o jogo inteiro, o jogador é levado em um caminho linear e deve apenas atirar em bichos. Não existe indicação alguma da necessidade de interagir com objetos ou utilizar elementos do cenário a seu favor.

Aí vêm os chefes e algumas coisas frustrantes acontecem, como eles empurrarem o jogador repetidamente para a lava. Somente quando um tiro perdido pega o dinossauro em uma posição ruim, ao lado de um barril explosivo — que é atingido acidentalmente — é que você percebe o quão ridiculamente fácil é a experiência se descobrir por intervenção divina o que deve ser feito.

Controles pobres

Jogar FPS em consoles já é uma tarefa muito mais árdua do que fazê-lo em PCs. Quando os controles são pobres, então, a coisa fica muito mais frustrante. Algumas das armas não reagem de maneira lógica, correr e movimentar-se ao mesmo tempo é frustrante, especialmente quando existem criaturas atacando o personagem...

Polimento zero

Este nosso último quesito vai para o conjunto do game: longos tempos de carregamento, inclusive para fases que acabaram de ser jogadas, logo após uma morte; cadáveres de animais alados que param no ar ao invés de cair no chão; ataques corpo-a-corpo que não acertam o alvo mesmo quando este está colado em seu rosto...Fizemos esta mesma cara ao jogar o game...

Realmente faltou maior trabalho no game para torná-lo algo digno de atenção. Não é à toa que não houve promoção prévia por parte da distribuidora e que o preço de venda é inferior ao padrão. Eles mesmos já devem ter percebido que não conseguiriam vendê-lo caso empregassem as técnicas tradicionais.

62 ps3
Regular

Outras Plataformas

62 xbox-360