Você e esta dupla de arruaceiros em momentos intensos... Mas repetitivos

A franquia Kane & Lynch tem potencial. Muito potencial. Trata-se da saga de uma dupla de personagens violentos e instigantes. E violência é um tema que geralmente chama a atenção de boa parte dos fãs de video games. Quando essa brutalidade se estende para ambientes e contextos inspirados na vida real, tudo fica ainda mais atraente.

O primeiro título da série — Dead Men — causou estrago com uma boa proposta, mas não convenceu em certos quesitos. Sendo assim, o pessoal da IO Interactive (a famosa IOI, responsável por Freedom Fighters, pela franquia Hitman e pelo curioso Mini Ninjas) tentou caprichar um pouco mais na produção da sequência.

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Pode-se dizer, portanto, que Dog Days é mais robusto que o game original. O segundo título é um jogo de grande porte que busca conquistar os gamers com ambientes realistas, protagonistas cativantes e muitos tiroteios. Há mais alternativas de diversão, algo muito importante para a diversificação da experiência.

O Story Mode é dividido por capítulos, pode ser jogado cooperativamente (online ou local) e conta com quatro níveis de dificuldade: Easy, Medium, Hard e Extreme. Sim, é peça central deste game, mas que deixa a desejar em alguns pontos, conforme você verá abaixo.

Por outro lado, há o Arcade Mode — dinheiro é a prioridade nos assaltos, mesmo que você precise matar seus companheiros para obter sucesso — e os modos multiplayer. Existe competitividade de sobra nos modos Fragile Alliance (roubos; semelhante ao Arcade), Undercover Cop (roubos também, mas um dos jogadores é sorteado para agir como um policial infiltrado) e Cops and Robbers (até 12 jogadores são divididos em dois times, um de oficiais da lei e outro de meliantes).

O gamer tem a possibilidade de conferir seus feitos através da seção de Achievements. Essa opção é mais um convite à ação, pois exibe as conquistas variadas que o gamer pode conseguir enquanto se diverte com os modos de jogo oferecidos.

É triste constatar que a Eidos Interactive — desta vez, em parceria com o pessoal da Square Enix — repetiu o seguinte feito: uma ideia intrigante, uma execução pouco satisfatória. A estrutura geral do game é abrangente, mas a maneira com que as diferentes opções foram abordadas e aprofundadas passou longe daquilo esperado pelos críticos e jogadores.

O enredo, mesmo curto, é mais fluido e mais elaborado que a trama de Dead Men, mas apresenta uma atmosfera de “mesmice” assim que você avança e se familiariza com a jogabilidade. Adam "Kane" Marcus e James Seth Lynch formam uma boa dupla... Que infelizmente não salva a história central do jogo.

No mais, Dog Days não é um game ruim. Para aqueles que não têm muito tempo para gastar com tiroteios brutais e embates multiplayer, não é muito arriscado conferir o que este título tem a oferecer. Ainda assim, tome cuidado ao gastar US$ 49,99 — cerca de R$ 88,25 no momento em que foi escrita esta análise — e embarcar no mundo do crime com Kane e Lynch.

Contextualização interessante

A grande Xangai está atrás da dupla. E você pode decidir o futuro de dois criminosos que não param de criar problemas. Agora, é Lynch quem está no comando, e isso apenas “piora” as coisas. De qualquer maneira, o importante é ressaltar que tanto Lynch quanto Kane são retratados de uma forma exageradamente chamativa.

No que diz respeito ao contexto do jogo, vale a pena conferir o conjunto formado por dublagens convincentes, instabilidade na câmera (lembrando documentários e vídeos caseiros) e belos trabalhos artísticos. E tudo isso é temperado com efeitos visuais bastante curiosos, envolvendo iluminação, censura (pois é, nudez e violência exageradas são cobertas com “quadrados borrados”) e outros pontos.

Sanguinolento é pouco

Dog Days é um daqueles games nos quais você pode encarnar um espírito aniquilador e dizimar dezenas de inimigos com furiosas saraivadas de balas. Descarregar o pente em oponentes diversos é seguro, visto que há a possibilidade de coletar novas armas e munição com a morte dos oponentes. Ocasionar assassinatos em massa? Com certeza.

Por mais que a “censura” cubra objetos como cabeças explodidas, sangue é o que não falta. Por exemplo: quando o protagonista controlado está prestes a perecer em combate e deita no chão, a tela é tomada pela cor vermelha. Na realidade, a tela fica cada vez mais rubra assim que o personagem tem o seu corpo perfurado por quantidades gradativamente maiores de projéteis.

Multiplayer convidativo

Roubo. Traição. Caos. Não, os modos multiplayer não apresentam muita diversidade, mas esses três quesitos estão presentes em abundância. É até cômico trair a equipe de ladrões no modo Fragile Alliance — como o nome sugere, uma “aliança frágil” — e gerar ainda mais confusão na tentativa de obter mais dinheiro que os demais.

Undercover Cop e Cops and Robbers também são divertidos, assim como o modo cooperativo. Mais uma vez, vale reforçar que atirar furiosamente é bom, mas é melhor ainda se há outros gamers envolvidos. Ao lado (virtualmente, é claro) de jogadores determinados a tornar as partidas sempre emocionantes, é impossível não se divertir com a área multiplayer.

No geral, balanceado

Tanto nos recursos técnicos quanto no desenrolar da experiência. De modo geral, o gamer não se depara com problemas graves enquanto tenta progredir na trama ou em experiências casuais (Arcade Mode ou multiplayer). Na verdade, o jogo é balanceado até mesmo nos defeitos.

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Mesmo com os problemas encontrados na jogabilidade, pode-se dizer que o nível de dificuldade é capaz de satisfazer “gregos e troianos”. Com quatro opções à disposição, é fácil se adaptar e lidar com a inteligência artificial de forma satisfatória.

Limitado em alguns aspectos

Em menos de “um dia de cão” (na verdade, em menos de oito horas), o jogador consegue finalizar o modo principal de jogo. Nos níveis Easy ou Medium, jogadores mais experientes conseguem tranquilamente chegar ao fim em menos de quatro horas. Mesmo curto, o jogo é repetitivo... E isso vale também para o Arcade Mode e os demais modos.

É uma pena que o modo multiplayer não tenha recebido um capricho apropriado. Um bom exemplo é o fato de que uma partida online é finalizada de acordo com a vontade do host. Se o gamer decidir jogar em um horário descomunal, é muito difícil encontrar jogadores online. E não é incomum presenciar o famoso lag (atraso no tempo da conexão) em tiroteios com outras pessoas.

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Amigável? Não na jogabilidade...

Como de praxe, você deve usar e abusar de superfícies de cobertura para não sofrer uma quantidade inesperada de dano. Mas o sistema de cobertura de fogo é defeituoso e atrapalha nos momentos mais cruciais. Isso infelizmente entra em parceria com a câmera, pouco amigável no que faz referência a uma visualização ampla e direta do cenário.

Tente não se frustrar com o período inicial de jogo! Parece que Lynch não sabe disparar uma metralhadora, pois a mira das primeiras obtidas é uma afronta às habilidades do jogador. Ainda assim, as armas mais interessantes não são manuseadas satisfatoriamente. Em vez de atirar diretamente nos inimigos, uma das melhores opções é arremessar objetos explosivos rumo aos oponentes ou atirar em recipientes como extintores de incêndio.

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Defeitos técnicos

O que você acha de contemplar um Lynch cuja cabeça semicareca é poligonal? O visual gráfico, às vezes, fica um tanto poluído e “forçado”, e isso não entra em sintonia com o contexto intrigante. Animações faciais e movimentações labiais geralmente não correspondem aos dizeres proferidos pelos personagens. Algumas cenas de transição são desnecessárias.

Além disso, certos sons não são apropriadamente retratados, gerando pouco impacto em momentos que deveriam ser exibidos com bastante intensidade. Por fim, não é difícil presenciar bugs bizarros, como um grupo de bandidos sentados “no nada” em vez de ficarem confortavelmente acomodados dentro de um veículo de fuga.

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