Ridiculamente divertido

Desde o anúncio do Kinect na Electronic Entertainment Expo (E3) de 2009, quando o periférico ainda era conhecido como Project Natal, o mundo se preparou para uma verdadeira revolução. Dispensando o uso de qualquer controle, o aparelho simplesmente prometia usar nada além do próprio corpo do jogador para seus games, algo que fica claro no slogan do aparelho, que traz a frase “Você é o controle”.

Finalmente, depois de muita espera e horas na fila para adquirir o Kinect, o dia chegou. O TecMundo Games conseguiu o aparelho e você já conferiu as primeiras impressões em uma notícia. Entretanto, como muitos sabem, quem adquire o sensor também recebe, na faixa, o jogo Kinect Adventures, que está incluído no pacote.

Nós não perdemos e tempo e já começamos a analisar o jogo no mesmo dia em que o Kinect ficou sobre nossas mesas. Agora, chega a hora do veredicto. Será que Kinect Adventures consegue demonstrar bem as capacidades do Kinect? Ou o game falha em surpreender os jogadores? Confira na análise abaixo.

Kinect Adventures é mais que bem-vindo para os jogadores que acabaram de adquirir o fabuloso sensor do Xbox 360. Além de ser totalmente grátis, incluindo no pacote de qualquer Kinect, o game ainda exibe bem algumas das principais capacidades do periférico. Com certeza, uma bela maneira de testar e se divertir com o recém-adquirido aparelho.

Como jogo, Adventures também é uma boa pedida. Felizmente, o título não se comporta como boa parte dos demais jogos que acompanham periféricos que encontramos por aí. Ao contrário do que se possa imaginar, você não vai passar apenas alguns instantes jogando Adventures e então sair correndo para comprar um jogo que realmente seja útil no Kinect.

Vale lembrar que, atualmente, temos pouco mais de 15 títulos disponíveis, sendo que, dentre eles, Adventures vem se destacando como uma das melhores pedidas. Mesmo com apenas cinco mini games, o jogo diverte por certo tempo até se tornar algo repetitivo, principalmente se você abusar do modo multiplayer — seja local ou online.

Kinect Adventures é apenas um vislumbre das capacidades do novíssimo sensor do Xbox 360. É possível perceber claramente que o aparelho tem bastante potencial para ser descoberto. Como um jogo gratuito e uma espécie de demonstração das possibilidades do Kinect, Adventures se sai muitíssimo bem e com certeza arrancará sorrisos de seus rostos — e, com certeza, de quem estiver assistindo.

Boquiaberto

Bem, provavelmente, a primeira reação do jogador que iniciar o Kinect Adventures pela primeira vez será um grande sorriso. Antes mesmo do jogo começar, você vai pensar “Fiz certo em comprar meu Kinect”. O motivo? Bem, a Microsoft conseguiu criar com sucesso uma experiência diferente e inovadora, e ainda reforçou sua obra com bastante capricho através de um design realmente bacana.

Tudo no jogo é intuitivo, afinal, essa é a grande proposta do Kinect. E, quando você precisa fazer algo diferente, todas as instruções — calma, não se assuste, são poucas — aparecerão na tela. Antes de a brincadeira começar, o título indica que é necessário limpar o espaço e permanecer em pé para jogar.

Depois disso, há uma calibração que deve ser feita toda vez que o jogo for iniciado — nas outras vezes, contudo, o procedimento é bem mais rápido. Aqui, o Kinect calcula quanto espaço você tem em sua sala para jogar. O ideal mesmo é permanecer uns três metros de distância do sensor e manter a sala livre de obstáculos para que o multiplayer possa ser jogado tranquilamente.

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Quando seu avatar aparece na tela e você percebe que está controlando ele, o sorriso será inevitável. Finalmente, tudo aquilo que vimos em dezenas de trailers e propagandas está acontecendo. “Você é o controle” é uma frase que transcende do fantasioso universo da publicidade e se torna palpável, real. É mágico mesmo.

Intuitivo é pouco

Depois de alguns minutos brincando com seu personagem, você pode finalmente começar a navegar pelos menus de Adventures. Tudo aqui é realmente simples e intuitivo e qualquer um pode assumir o comando sem quaisquer problemas. Para selecionar uma das opções, basta deixar o cursor (sua mão) sobre o ícone por alguns instantes.

O game conta com várias opções distintas para jogar, incluindo Jogo Livre, modo Aventura e Online. Destaque para a segunda opção que, por incrível que pareça, traz uma espécie de trama para uma coletânea de mini games.

O conceito é o seguinte: você encarna um novo recruta no Adventure Team (Time de Aventura), um grupo que busca grandes emoções em qualquer lugar que seja. Quando falamos em qualquer lugar, é qualquer lugar mesmo, já que você explora rios, ginásios e até mesmo o próprio espaço.

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O bacana é que a narrativa não fica apenas nas cenas de corte, mas também é arrastada para o próprio game. Nos menus, por exemplo, você nota que seu personagem está vestido com o uniforme do Adventure Team, com direito até mesmo a uma fivela personalizada com um A maiúsculo, o símbolo do time.

Outro fator interessante é que, nos momentos em que surgem as cutscenes, você realmente faz parte da cena. Como? Bem, basta se movimentar para observar seu avatar se mexendo, como se você realmente estivesse observando um helicóptero que desce com uma caixa especial.

E o melhor: o jogo todo é em português do Brasil. Os menus foram traduzidos para nossa língua, assim como as legendas que aparecem nas cutscenes. Algo que, certamente, facilita muito a vida das crianças — forte público do game — e também de quem não domina totalmente a língua.

Cinco opções para se divertir

Ao todo, Kinect Adventures conta com cinco mini games diferentes: "RallyBall", "River Rush," "20.000 Leaks", "Reflex Ridge" e "Space Pop". No modo Aventura, o próprio jogo separa a ordem, e o jogador deve coletar moedas para avançar ao próximo nível. Uma campanha bacana e que adiciona um pouco de desafio ao título, além de dar mais consistência. No modo Jogo Livre, você pode selecionar qual modalidade desejar e escolher a dificuldade que achar mais adequada — tudo está liberado logo de cara. Vamos agora aos detalhes de cada um dos mini games.

RallyBall: Esse é o famoso Ricochet, que foi demonstrado exaustivamente durante as exibições do Kinect em eventos mundo afora. Aqui, o objetivo é bem simples: destruir os blocos que estão no fundo de um corredor com uma bola. Para cumprir seu objetivo, basta bater na esfera, usando qualquer parte do corpo, e esperar até que ela retorne em sua direção. É uma espécie de pingue-pongue com o corpo todo, mas seu inimigo é a parede — e você mesmo.

Tudo fica ainda mais interessante quando você acerta um dos globos especiais, que liberam ainda mais esferas na tela. Com isso, o jogador passa a ter que rebater não apenas uma, mas várias bolas ao mesmo tempo. Aí tudo fica ainda mais caótico e a diversão só aumenta.

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Sem dúvidas, um dos modos mais legais de Adventures, principalmente quando jogamos no modo multiplayer — o segundo jogador pode entrar quando bem entender.

River Rush: Outro jogo que também foi exibido bastante nas conferências do Kinect. Neste, você embarca em uma boia enquanto desce por rios e cachoeiras agitadas. Para controlar, basta se inclinar para os lados. Em alguns momentos, você deve saltar, alcançando pontos ou locais de difícil acesso.

O ritmo rápido e a impossibilidade de frear ou parar deixa tudo ainda mais emocionante. Mas, a diversão chega mesmo quando o modo é desfrutado ao lado de outro jogador. Dois jogadores em uma boia deixa tudo mais intenso e é necessário se comunicar bastante caso não queira bater em rochas ou árvores.

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20.000 Leaks: Aqui, temos uma espécie de Twister, aquele famoso jogo em que os participantes se contorcem todos para alcançar as cores, em três dimensões. Você deve impedir os vazamentos causados pelos peixes nos vidros, utilizando qualquer parte do corpo.

O modo é simples e funciona relativamente bem, mas é o mais “parado” da coleção. Também é necessário ter muita precisão em seus movimentos, pois os buracos surgem em praticamente qualquer canto do recinto.


Reflex Ridge: Uma das modalidades favoritas do Baixaki Jogos. Aqui o jogador embarca em uma espécie de vagão sobre trilhos e deve evitar obstáculos saltando, esquivando e se agachando. Novamente, a diversão é garantida, assim como o suor — este é um dos modos mais cansativos.

Durante o passeio, você também deve capturar moedas, que surgem de diversas formas diferentes, obrigando o jogador a realizar acrobacias para capturá-las. Também é possível aumentar sua velocidade saltando, ideal para quem deseja competir por pontos.

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Space Pop: O último modo, mas não menos importante, leva você para o espaço. Em Space Pop o jogador deve balançar seus braços como um pássaro para levitar durante alguns instantes, algo que só é possível graças à ausência de gravidade do local. O objetivo aqui é capturar as bolhas que surgem em diversos lugares da tela. Você também pode se movimentar para avançar ou recuar.

Este modo é um dos mais engraçados para os espectadores, pois parece que o jogador está fazendo uma dança bizarra, andando por aí e balançando os braços. Outro modo bacana para ser jogado ao lado de um companheiro.


Um exemplo de sociabilidade

Kinect Adventures é um dos maiores exemplos de uma boa experiência social nos games da atualidade. É incrível notar como praticamente qualquer pessoa se sente curiosa para conferir o game, mesmo aqueles que não são fãs dos jogos eletrônicos. O melhor é que o jogo facilita essa experiência, permitindo que qualquer jogador entre ou saia a hora que bem entender.

Durante os mini games, o título também captura fotos dos momentos mais hilariantes. Essas imagens podem ser encontradas no site KinectShare.com, e, de lá, você pode compartilhá-las para sua página do Facebook.

No capricho!

Kinect Adventures pode até não utilizar todo o potencial gráfico do Xbox 360, mas a Good Science, responsável pelo título, certamente conseguiu criar um jogo bem bonito, com um estilo cartunesco e repleto de cores. É o típico jogo família, mas com ambientes em alta-definição e efeitos bacanas.

Cansativo  

Cansaço físico em Kinect Adventures está longe de ser um problema. Contudo, quando a experiência começa a se tornar repetitiva, aí as coisas complicam. Conforme mencionamos, o game conta com cinco mini games distintos. Nas primeiras horas, você vai se surpreender com a maioria deles. Entretanto, depois de completar todas as fases do modo principal, você vai otar que falta profundidade em Adventures.

Após completar o modo Adventures em todas as dificuldades, há poucos motivos para jogar os mini games de novo, principalmente se você estiver sozinho. O grande problema do game é a ausência de modos realmente mais difíceis ou desafiadores. Um exemplo que deixa isso bem claro é o mini game River Rush.

Sem dúvidas, ele é um dos mais divertidos do pacote. Mas, nos modos avançados, não temos novos obstáculos ou elementos diferentes na jogabilidade. Você sempre vai permanecer saltando os mesmos travessões e desviando dos retângulos que surgem dos lados enquanto coleta moedas. O ritmo do jogo e a posição das moedas até muda conforme a dificuldade, mas nada que realmente ofereça profundidade à experiência.

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Caso a Microsoft tivesse conseguido criar um pacote de coletâneas com um pouco mais de capricho a cada um dos mini games, provavelmente teríamos um resultado final bem melhor e com uma longevidade mais atraente. Mas, se pensarmos bem, dificilmente uma empresa distribui jogos grátis que durem bastante. Afinal de contas, por que comprar outros games — o principal objetivo — se Adventures dá conta do recado? É triste, mas é assim que funciona.

Espaço e inconstância

Outro problema de Kinect Adventures não está diretamente relacionado ao jogo, mas talvez ao tamanho de sua sala. Antes de iniciar a experiência, o título faz uma calibração rápida para descobrir quanto espaço você possui em sua sala de estar. Existem duas seções diferentes. A mais próxima, ou o espaço Bom, permite que o título seja desfrutado apenas por uma pessoa, eliminando o modo multiplayer caso seja selecionado. Já a segunda, Ótimo, permite que dois jogadores desfrutem do modo quando bem entenderem. O grande problema é que você precisa de aproximadamente três metros de espaço entre a TV e os jogadores para uma experiência decente.

Isso tudo sem contar o espaço entre os jogadores. Kinect Adventures indica uma distância de meio braço entre um gamer e outro, mas mesmo assim você provavelmente vai acertar seu oponente durante uma partida de RallyBall, por exemplo. Lembre-se de que você (ainda) não está jogando Street Fighter no Kinect. Temos também alguns problemas na leitura dos movimentos, principalmente nos pés e no minigame Vazamentos (20.000 Leaks, em inglês)

Mas, fora as inconveniências técnicas, Adventures também traz uma inconstância em sua seleção de mini games. Dos cinco, apenas três nos deixaram realmente interessados depois de ter passado algumas horas em frente ao periférico. A diferença entre um e outro é bacana, mas o problema é que alguns simplesmente não utilizam o potencial do Kinect, deixando a desejar. Quando você encontrar seu preferido, você simplesmente vai desejar que ele fosse mais complexo e tivesse mais a oferecer.

E as estátuas vivas?

Bem, Kinect Adventures oferece pequenas estátuas e objetos na seção Estátuas Vivas. O jogador pode personalizá-las, adicionando sua voz e até mesmo movimentos aos brinquedinhos. Mas, para que elas realmente servem? Eis uma questão que não quer calar. Provavelmente, elas apenas permanecerão lá para que você possa conferi-las quando quiser.

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É até bacana gravar sua voz e conferir o resultado engraçado, mas fica claro que a inserção destes objetos é apenas para ilustrar as funções do microfone do Kinect. As estátuas não contribuem em nada no game.

Outros probleminhas

Por fim, temos um conjunto com alguns pequenos probleminhas para ressaltar. Primeiramente, a navegação dos menus de Kinect Adventures é intuitiva, mas pode ser um pouco lerda dependendo do humor do jogador. Você precisa posicionar seu cursor sobre o ícone e aguardar até que a opção seja ativada. Não há uma maneira de “clicar” no ícone para acioná-lo.

Isso pode gerar alguns “acidentes” dentro do game. Durante nossos testes, ocasionalmente acabamos selecionando a opção errada por descuido. Basta deixar a mão sobre o ícone por alguns instantes e pronto, você já embarca na opção, mesmo que não queira. Sentimos falta de uma navegação por voz, uma das promessas que já pode ser conferida no Hub Central do Kinect. Utilizar um menu semelhante ao de Dance Central também seria uma boa pedida.

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