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Kirby and the Rainbow Curse
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Em busca da cor e brilho do passado

Paulo Guilherme

Entre tantos games incríveis lançados para o Nintendo DS, Kirby: Canvas Curse foi uma surpresa e tanto. Trazendo uma proposta de jogabilidade nunca antes vista no portátil e na própria série de nosso querido herói cor-de-rosa, o título foi um enorme sucesso de crítica e é lembrado por muitos como um clássico do aparelho.

Mesmo assim, isso não foi suficiente para convencer a Nintendo a criar novas sequências do game – não antes de quase uma década passar, é claro. Em compensação, quando Kirby and the Rainbow Curse foi anunciado, ele veio com tudo: graças à aposta da empresa em um visual de massinha de modelar para absolutamente tudo no jogo, não houve quem não ficasse impressionado quando o título deu as caras na E3 2014.

Assim como os antecessores da franquia, novo game aposta na simplicidade de roteiro. Mais uma vez, Dream Land corre perigo nas mãos de um vilão que, dessa vez, tomou todas as cores do mundo, deixando ao nosso herói e a sua companheira Elline (uma garota-pincel com a conveniente habilidade de colorir o universo do jogo e criar trilhas de arco-íris em pleno ar) a tarefa de resgatar a vida ao planeta.

Para cumprir tal missão, temos a volta da principal característica de Canvas Curse: no lugar de se mover normalmente, Kirby apenas rola pelos cenários. Cabe a você utilizar a Stylus para desenhar linhas no GamePad e criar o caminho que nosso protagonista segue – seja para desviar de obstáculos, resolver quebra-cabeças, pegar itens ou atacar inimigos.

Com isso, a matemática para saber se Rainbow Curse seria bom ou não parecia simples: junte o melhor aspecto de seu antecessor (sua jogabilidade) e adicione os melhores gráficos que o Wii U pode dar. Não tinha como dar errado, não é...?

Nós do BJ jogamos o título de ponta a ponta para comprovar isso. E o resultado você confere logo abaixo – mas já avisamos que, infelizmente, mesmo uma fórmula que parece um acerto garantido pode encontrar seu jeito de errar.

Quem disse que Kirby não podia ser mais fofo?

Antes de tudo, precisamos falar da primeira e mais impressionante característica de Rainbow Curse: seu visual. Nesse aspecto, a Big N se superou novamente, como já havia feito em Epic Yarn, trazendo um visual de massinha tão detalhado que parece real. Tudo, desde os personagens aos cenários, recebeu um trabalho cuidadoso para isso, o que dá a impressão de estarmos em um stop-motion jogável.

Isso se torna ainda mais incrível quando colocamos os mundos do game lado a lado. Uma vez que cada planeta é baseado em uma das cores do arco-íris, há uma grande diferença no estilo de cada cenário; assim, por mais que as fases de um mesmo mundo sejam parecidas, você está sempre sendo apresentado a um novo visual ao avançar (e provavelmente ficando boquiaberto em cada uma das vezes).

Só esse aspecto já é suficiente para agradar muita gente convencer todo mundo a dar uma chance a Rainbow Curse. Mas a inovação da jogabilidade, principalmente para quem não teve acesso ao seu antecessor do DS, deve ser ainda melhor, pois a ideia de controlar Kirby por linhas é divertida e funciona com perfeição no Gamepad do Wii U. Uma pena que isso também traz a maior fraqueza de Rainbow Curse...

Transforme-se, Kirby! De novo e de novo...

Se fosse preciso resumir em poucas palavras, a principal falha deste game está em sua jogabilidade. E isso não por algum problema na resposta dos controles ou do uso da tela do Wii U – afinal, como acabamos de falar, essa parte funciona com perfeição no console. O problema é que, em comparação a Canvas Curse, este título tem muito menos mecânicas; inclusive algumas que estavam entre os melhores aspectos do jogo original.

Lembra-se daqueles puzzles complexos, que pediam o uso de um poder específico e, por sua vez, faziam você planejar com cuidado o avanço pela fase? E aqueles desafios que colocam sua habilidade de gerenciar a tinta das linhas no limite? Pois pode esquecer tudo isso em Rainbow Curse.

Basicamente, todos os puzzles foram simplificados e facilitados ao máximo. Agora, praticamente todos os itens secretos e passagens aparecem da mesma maneira: em um ponto facilmente visível, protegido por blocos que só podem ser destruídos por sua habilidade especial – que, aliás, você deve ter acabado de liberar ao chegar na frente do bloco, após coincidentemente coletar as estrelas espalhadas pela fase.

E quanto à famosa habilidade de nosso herói de roubar poderes dos inimigos? Está aí outra polêmica: ela não existe mais. Pois é, lembra-se de como era divertido roubar a habilidade Beam para sair soltando raios enquanto rolava pelo mapa ou mesmo usar o Wheel para atravessar o caminho super-rápido e com estilo? Não espere ver isso dando as caras aqui.

Isso não quer dizer que Kirby não se transforma na aventura, contudo. Com a ajuda de Elline, o protagonista é capaz de tomar a forma de três veículos diferentes: um tanque que, embora lento, dispara artilharia pesada em seus adversários, um submarino que lança incessantes ondas de torpedos e um veloz foguete.

A ideia, de início, parece bem divertida, mas não demora a cansar. O fato é que, no lugar de parecerem verdadeiras melhorias, que ajudam você na missão, as formas mais servem como um novo incômodo. Como resultado, usá-las pela primeira vez pode até ser uma experiência interessante para dar variedade na jogabilidade, mas não parece algo tão bom assim em um segundo contato.

O tanque, por exemplo, nunca fica parado, impedindo você de voltar para pegar algo que perdeu, e ainda só é capaz de subir em linhas pouco íngremes. Já o submarino é consideravelmente simples de controlar por pedir apenas um toque na tela para o ponto desejado, mas irrita pela complicação de não ser possível simplesmente virar para atacar quem aparece do lado esquerdo da tela (é preciso guiar seus torpedos para os adversários com linhas, no caso).

Para não dizer que nenhum dos veículos foi bom, precisamos admitir que controlar a veloz e desenfreada versão foguete de Kirby se mostrou bastante divertido por dar um tom completamente frenético para a jogatina. Mas o pequeno número de vezes que você o controla não ajuda a melhorar o quadro do game (e principalmente: não substitui os queridos poderes do herói).

Tudo isso culmina em uma experiência incrivelmente repetitiva, para não dizer previsível. Em resumo, o primeiro nível de um mundo sempre se foca em apresentar a ambientação, enquanto o segundo traz alguma pequena nova mecânica com a qual interagir. Já a terceira sempre é uma fase em que você controla um Kirby transformado e, por fim, enfrenta um chefe no quarto e último nível.

Se você acha que é exagero, então o que dizer dos chefes da aventura, que, com exceção do chefão final, aparecem repetidamente? Pode parecer brincadeira, mas cada boss reaparece mais de uma vez ao avançar nas fases, trazendo mudanças mínimas na mecânica da batalha. Poxa, Nintendo, precisava mesmo reciclar tanto as ideias?

Chegando ao fim do arco-íris rápido demais

Como se tudo isso não fosse suficiente, Kirby and the Rainbow Curse acabou se mostrando uma experiência curta. Muito curta. Do tipo que você precisa de apenas seis ou oito horas, no máximo, para fechar suas 28 fases – e isso se estiver tentando pegar absolutamente todos os segredos do game.

É claro que tempo de jogo não quer dizer nada, se a experiência trouxesse variedade nesse período. Mas, como comentamos anteriormente, esse é justamente um dos pontos que mais pesam na experiência, devido à repetitividade da jogatina e a falta de novos desafios.

Por fim, mesmo o “conteúdo extra” liberado na aventura não deve ser suficiente para aumentar muito seu fator replay. Isso porque, além de uma seção para observar figuras ou o bom e velho Sound Test, o único modo de jogo que resta a ser jogado, com exceção do Story Mode, é o Challenge Mode, que apenas traz todos os desafios secretos dos mundos a um fácil acesso.

Vale a Pena?

Kirby and the Rainbow Curse é uma vítima de seu antecessor. Mesmo sendo bem executado e trazendo um dos melhores visuais já vistos no Wii U, o game parece um passo atrás de Canvas Curse em absolutamente todos os outros aspectos – seja no tamanho da aventura, nos elementos de jogabilidade, na variedade da experiência... Você já entendeu a ideia.

Se Rainbow Curse ainda é um bom jogo? Certamente. Se você vai se divertir com ele? Não tenha dúvidas. Mas se vale realmente a pena tê-lo em sua coleção? Bem... Digamos que, por mais que tenha sido lançado mais barato do que um game full price, esse é um daqueles jogos que vale mais a pena somente alugar, já que o título tem pouco a oferecer e pode ser fechado em questão de poucas horas.

Por garantia, o melhor é ficar com o Canvas Curse mesmo – o visual não é tão impressionante, mas a experiência ainda é melhor em todos os sentidos. E, se ainda assim quiser se aventurar por Rainbow Curse, sugerimos fazê-lo em pequenas doses.

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Regular
"Gráficos mais bonitos não impedem Rainbow Curse de parecer um passo atrás na proposta de seu antecessor, pela jogabilidade simplificada e repetitiva"

Pontos Positivos

  • Gráficos replicam com perfeição o visual de massa de modelar
  • Jogar com outros três amigos torna toda a experiência mais divertida

Pontos Negativos

  • Game possui poucas fases, repetindo diversos elementos
  • Traz muito menos conteúdo em comparação ao seu antecessor
  • Puzzles pouco imaginativos