Lara encontra o artefato mais precioso: seu sucesso

Img_originalÉ bem notório que Lara Croft já esteve mais popular do que nos dias de hoje. Não é culpa da personagem em si, na verdade, já que seus jogos realmente não estão empolgando mais tanto quanto o faziam no passado. Lara evoluiu, mudou, se adaptou aos novos tempos... Chegou até mesmo às telas do cinema, em adaptações razoáveis. Mas ainda assim seu apelo declinou ao longo dos anos.

Mas Lara Croft and the Guardian of Light não é um jogo típico da protagonista. Para começar, a marca Tomb Raider foi deixada de lado (intencionalmente), já que não reflete o estilo de jogo retratado no game. Além disso, a heroína abandona a solidão e se une ao guerreiro maia Totec, em muita ação cooperativa, para completar os desafios expostos ao longo dos cenários.

Fãs de longa data da britânica podem estar céticos com relação à validade de uma transformação tão radical da fórmula que já se provou bem sucedida por tanto tempo. Mas não há razão para preocupação: o título é excelente e, por mais que não proporcione o mesmo tipo de experiência que os games da série Tomb Raider, diverte bastante.

É preciso lembrar que é um jogo disponibilizado apenas por meios digitais, e foi construído com isso em mente. Tal modelo se reflete no preço e no escopo das aventuras de Lara, já que não se trata de uma aventura épica ou mesmo de algo absurdamente grandioso. O objetivo principal é aproveitar a temática que circunda a protagonista e inserir a personagem em um título que vai direto ao ponto.

Img_originalVale muito a pena conferir esta mais recente aventura de Lara Croft. O título é empolgante, envolvente, dinâmico e muito divertido. Não se trata de algo para continuar a saga de Tomb Raider, então é preciso olhar para Lara Croft and the Guardian of Light com outros olhos — olhos que percebam a qualidade do estilo arcade conferido ao game e apreciem a mudança de foco.

A ação é bastante presente e muito mais frenética do que fãs da série podem estar acostumados, mas se presta perfeitamente bem à proposta da desenvolvedora — ainda mais se considerarmos que os controles foram perfeitamente moldados para acomodar este tipo de jogabilidade.

O game é compra certa para quem quer dar uma olhada na melhor aventura de Lara Croft dos últimos anos, ainda mais pelo bom custo-benefício. Se a aventureira ainda não conseguiu reencontrar seu rumo em títulos épicos, ao menos nas redes de distribuição digital seu bom nome está garantido.

Jogabilidade fluida

O foco do game é na jogabilidade. Disso não há dúvida. Pode-se constatar tal fato já nos controles: movimentação com o analógico esquerdo e mira das armas com o analógico direito, em estilo bem arcade. Incrivelmente, a fórmula funcionou perfeitamente — e encaixou de maneira impecável no resto dos sistemas.

Lara Croft and the Guardian of Light é um game de ação dinâmica e raciocínio rápido. Consequentemente, toda a jogabilidade foi construída para suportar tal estilo de jogo. Tudo é moldado para fazer com que o usuário esteja sempre pulando, rolando, atirando, empurrando, puxando, morrendo... Bem, talvez não esta última parte.

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Mas é realmente impressionante ver um título que consegue fugir tanto de uma fórmula consagrada, arriscar em um estilo de jogo inteiramente diferente e ser bem sucedido. O único problema que tivemos com relação aos controles foi na hora de trocar de arma instantaneamente pelo direcional — o que pode ser devido à forma como funciona o controle do X360, e que pode ser remediado usando o atalho diferente de segurar o gatilho esquerdo.

De resto, não tivemos problema algum, em nenhum momento do game, para fazer o que queríamos. Foi quase como se estivéssemos controlando Lara mentalmente.

Gráficos encantadores

Img_originalO game usa a mesma engine gráfica de Tomb Raider: Underworld, mas não da mesma maneira. Como possui uma câmera fixa, em estilo isométrico (imortalizado por Diablo) similar ao encontrado em games de hack ‘n’ slash. O resultado é uma capacidade visual estonteante, que redefine os padrões do que é possível para títulos da Live Arcade.

Nos mapas, o jogador pode ver ao fundo locais por onde já passou, locais que ainda não explorou e os vários níveis diferentes do cenário em que se encontra. Além disso, o fundo se mistura perfeitamente a esses elementos, sem dar a impressão de que é uma entidade separada que não faz parte da fase.

Os elementos que compõem os gráficos são igualmente belos, com efeitos de luz e sombras acurados, texturas que fazem madeira parecer madeira, pedra parecer pedra e mato parecer mato. Existe até mesmo uma preocupação reforçada com as animações, já que arbustos se movem quando Lara passa por eles, tapetes queimam até virar cinzas ao serem incendiados...

Img_originalPara melhorar ainda mais a experiência, a destruição de cenários em tempo real é algo impressionante. Momentos como o pulo de última hora de uma plataforma antes que ela seja atingida por uma bola de ferro gigante e vire ruínas é algo impressionante de se ver em um game que foca nos reflexos do jogador em diversos momentos.

Para não dizer que o aspecto visual é perfeito, devemos ressaltar que tivemos alguns probleminhas com a taxa de frames — no entanto, é possível contar nos dedos de uma mão quando eles aconteceram. Além disso, não eram consistentes (não conseguimos reproduzir nenhum deles), o que nos leva a crer que são eventos isolados — e não prejudicam o decorrer das partidas.

Desafios envolventes

Quando um título se dispõe a fazer com que o jogador repita mais de uma vez as mesmas fases, pela razão que for, é preciso que seja divertido fazê-lo a cada partida. Este game consegue isso, já que os desafios são envolventes e bem elaborados, empolgando o jogador sempre que se depara com eles.

Sem muletas

Há uma grande tendência, hoje em dia, de indicar o caminho a ser seguido ao jogador. Lara Croft and the Guardian of Light é linear, então não há como se perder — mas ainda assim seria possível que o título indicasse o que é preciso fazer para seguir adiante. A boa nova? Não há nada nesse sentido dentro do game.

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Isso significa que, quando aparece um desafio perante o jogador, é preciso pensar (às vezes rápido, às vezes com todo o tempo do mundo) para conseguir transpô-lo. Não conseguiu? Tente de novo. E de novo. E mais uma vez. Uma outra, só para garantir. Dessa forma, o jogo não insulta a inteligência do usuário ao indicar o óbvio e também evita tornar tudo muito fácil ao revelar os mais complicados.

Se isso ainda não está claro, tentemos reformular. O título explica ao jogador quais são as ferramentas à disposição dos personagens logo no início, conforme as mecânicas de jogo aparecem pela primeira vez: se pendurar com uma corda, subir em lanças pregadas na parede, atirar em alvos... E assim por diante. Uma vez que isso tenha sido dito, não há mais muletas.

Em vários momentos é preciso combinar as diferentes habilidades do arsenal dos personagens, e isso deve ser feito sem qualquer indicação por parte do game. É claro que existem dicas subliminares, e toda pessoa com experiência em jogos de aventura captará bem rápido as nuances — mas ainda assim é divertido descobrir por conta o que é preciso fazer, sem que haja um símbolo gigante, em neon fosforescente, que diz: PULE AQUI!

Modo cooperativo espetacular

O título foi construído para ser jogado em duas pessoas — mas nem por isso perde mérito. Transpor os desafios jogando com um amigo é simplesmente espetacular, e a interação de Lara com Totec é o ponto alto da experiência. Muitos dos obstáculos podem ser transpostos somente com trabalho em equipe, o que valoriza imensamente a cooperação e evita qualquer tipo de egoísmo.

Outro ponto importante é a possibilidade de qualquer um dos dois personagens coletar os itens do cenário (e, consequentemente, de destravar melhorias para ambos) sem que haja competição para pegá-los. Tendo em mente que o elemento tempo é um componente essencial das fases — todas podem ser vistas como uma corrida contra o relógio — e que o objetivo dos dois jogadores é o mesmo, o resultado é uma cooperação imensa.

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Os desafios são diferentes daqueles encontrados no single player: enquanto Lara deve fazer tudo sozinha nas partidas solo, existe um companheiro no multiplayer. Isso significa que vários elementos são diferentes, vários pontos de apoio somem... Ou seja, o game se adapta para fazer com que tudo seja sempre desafiador, com uma ou duas pessoas participando.

O fato de Lara e Totec serem jogados de forma bastante diferente também é outro diferencial. Nada de dois personagens que realizam as mesmas tarefas — controlar um é uma experiência de jogo; controlar outro é algo completamente diferente. A única falha é o fato de Totec utilizar as mesmas armas de fogo que Lara — quando é que um guerreiro lendário de 2000 anos aprendeu a atirar dessa forma? Mas a narrativa não é o forte do game, como explicaremos abaixo.

Integração do single player e multiplayer

Tudo o que é desbloqueado em um modo vale para o outro — e está ligado ao seu perfil do console. Isso significa que, se você conseguiu destravar uma metralhadora automática no modo single player, poderá usá-la com Lara no multiplayer. O mesmo vale para a pessoa que está jogando com você: ela terá em seu arsenal os itens e habilidades que conseguiu em suas próprias partidas.

Vale a pena jogar de novo

Leaderboards, itens a serem coletados, vários desafios simultâneos extremamente difíceis de completar em conjunto... Tudo isso resulta em uma característica importantíssima de jogos deste tipo: a possibilidade de jogá-lo muitas e muitas vezes. Você sempre estará tentado a voltar àquela fase anterior para coletar as caveiras vermelhas que deixou escapar, ou completar o desafio que não pôde por ter destruído uma plataforma que dava acesso a outra área...

Falta de multiplayer online

Img_originalPor mais que seja extremamente satisfatório participar das aventuras com um companheiro ao lado, nem sempre existe alguém disposto a jogar com você. Nessas horas, um multiplayer online é o melhor amigo do usuário — e ele ainda não está disponível em Lara Croft and the Guardian of Light. Ainda assim, não há motivo para desespero.

Isso porque tal modo só está desabilitado até o dia 28 de setembro: data em que as versões para PC e PS3 do game serão lançadas e a desenvolvedora vai destravar a possibilidade de jogo online. Mesmo assim, um tanto quanto frustrante ter que esperar até lá.

Narrativa pobre

“O sangue de vocês vai colorir estas águas”, diz uma voz parcialmente tenebrosa — e parcialmente parecida com alguém que está rouco de tanto tossir. A narrativa do game é bem fraquinha, e se resume a Lara estar atrás de um objeto para conter um mal antigo — nada muito complexo, dadas as habilidades da senhorita Croft.

As vezes em que o vilão principal aparece se resumem a algumas linhas de diálogo proferidas pelos personagens que são mais engraçadas do que dramáticas — é um tanto quanto difícil levá-las a sério. O que nos dá a certeza de que os pacotes de conteúdo extra que estão por vir focarão, definitivamente, nos aspectos técnicos do título.

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Excelente