O baú do tesouro está cheio de blocos de montar

Em LEGO Pirates of the Caribbean, a Traveller's Tales firma a sua tradição de reconstruir sagas cinematográficas utilizando os blocos de montar da companhia dinamarquesa LEGO. Quem chegou a jogar os títulos anteriores da série — que já reinterpretou "Harry Potter", "Star Wars" e "Indiana Jones" — irá encontrar em Pirates of the Caribbean boa parte daquilo que a fez famosa, como o seu humor característico.

Dessa forma, é possível acompanhar Jack Sparrow e seus companheiros enquanto percorrem as aventuras retratadas em seus quatro longas-metragens (incluindo o último, “Navegando em Águas Misteriosas”, ainda inédito nos cinemas) em um jogo de plataformas baseado na interação dos personagens com os bloquinhos que compõem o cenário.

Img_normalPara tanto, a jogabilidade continua baseada na divisão de tarefas entre os bonecos, sendo que cada um é dotado de habilidades específicas — algo que torna o modo cooperativo um dos principais atrativos do game. Caso se jogue sozinho, no entanto, o computador assume o papel do segundo personagem e, quando necessário, é possível alternar entre os heróis disponíveis em cada fase.

Além disso, os comandos são simples e fáceis de serem compreendidos, tornando o jogo um bom ponto de partida para aqueles que desejam se iniciar na arte dos video games. Isso não limita, contudo, que LEGO Pirates of the Caribbean possa ser apreciado pelos jogadores mais experientes. Afinal, a simplicidade não é extrema a ponto do game se tornar recomendado apenas para menores de cinco anos.

A série LEGO é conhecida por possuir um bom humor, um visual receptivo e comandos simples e fáceis de serem assimilados. Pirates of the Caribbean não foge à regra e é uma boa indicação para leigos dos consoles que desejam adquirir o hábito de jogar video game.

Além disso, o game possui uma boa variedade de desafios e um interessante modo cooperativo que o transformam na escolha certa para que todos os tipos de jogadores se divirtam com a sua história.

Há alguns defeitos, entretanto, que podem dificultar tanto a vida dos novatos e dos mais experientes, como a mecânica ruim nos saltos realizados e a falta de indicações claras em alguns momentos. Contudo, se enfrentados a dois, esses problemas podem acabar sendo superados pela diversão obtida com a divisão de tarefas.

Ponto para o time das adaptações

Existe um certo receio por parte do público quando sucessos comerciais dos cinemas são adaptados para os consoles. Afinal, não são poucos aqueles que entram em listas de títulos que devem evitados, como é o caso dos baseados na série Iron Man.

LEGO Pirates of the Caribbean, contudo, não sofre desse mal. Pelo contrário, reproduz os cenários e os personagens com os blocos de brinquedo de uma maneira de que fã algum pode reclamar.

Sobre a história, como é de praxe na franquia, não há diálogos falados na história, apenas mímicas e desenhos explicativos. Ainda assim, é possível reconhecer Jack Sparrow com seu caminhar peculiar, sua bandana e seus ruídos característicos, assim como qualquer outro personagem da série.

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Durante todo o game também é possível encontrar cenas dos filmes originais refeitas com os bonecos de LEGO, como os piratas amaldiçoados do Pérola Negra caminhando embaixo da água e até as sequências extras que aparecem após os créditos.

Chame a sua namorada para jogar

Os controles de Pirates of the Caribbean são muito simples e os desafios apresentados pelo game não são muito complicados. Existem alguns puzzles espalhados pelas fases e há, de fato, chefes cujos ataques matam seus personagens imediatamente. Contudo, não há limite de vidas nem nada que exija um pós-doutorado em física quântica para ser solucionado.

Além disso, a jogabilidade é totalmente baseada na divisão de tarefas entre os heróis. Assim, Jack Sparrow pode usar a sua bússola para encontrar tesouros pelo cenário e subir em cordas específicas enquanto Elizabeth Swann (assim como todas as outras mulheres do título) possui a habilidade do pulo duplo.

Img_normalDesse modo, é necessário alternar entre os oitenta personagens disponíveis para atravessar por todas as fases. Se no modo de um jogador a tarefa de ficar trocando entre os bonecos pode acabar sendo maçante, no cooperativo é que o game deslancha. Afinal, embora prestativa, a inteligência artificial de seus companheiros nem sempre realiza o que se deseja, algo sanado quando se joga com um amigo.

Esses fatores tornam Pirates of the Caribbean uma boa pedida para chamar uma namorada ou qualquer pessoa que tenha pouco ou nenhum contato com os games para uma partida em que nenhum dos dois ficará entediado por excesso de simplicidade. Da mesma forma, se a sua namorada possuir um histórico com os jogos e frequentemente arrancar a cabeça de seu personagem em uma Flawless Victory no Mortal Kombat, nada impede o convite ao Caribe de LEGO.

Mesmas tarefas, objetivos diferentes

Durante a campanha, as mesmas tarefas básicas serão repetidas. Contudo, ainda que frequentemente você se encontre em um navio pirata ou em uma praia, isso não é sentido por conta da forma como é realizado.

Enquanto em um dos estágios ambientados em uma embarcação é necessário resgatar Jack Sparrow, por exemplo, em outro desses é necessário enfrentar nada menos do que o Kraken, a criatura controlada pelo capitão do navio Holandês Voador e que assola os sete mates.

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Aliadas a isso, encontram-se fases criativas que utilizam momentos dos filmes, como a prisão de Will Turner e Jack Sparrow em uma espécie de bola de hamster no começo da saga de “O Baú da Morte” e uma fuga na cidade de Londres pelos tetos das carroças presentes nas ruas.

Trilha sonora de respeito

As músicas utilizadas no título foram compostas por Hans Zimmer (responsável também pela trilha de Inception e Call of Duty: Modern Warfare 2) para os filmes da série. Portanto, é bom se preparar para ficar com o famoso tema na cabeça após a primeira cena de ação.

Terminou a história, mas não completou o jogo

LEGO Pirates of the Caribbean oferece cerca de 12 horas durante os 20 estágios que compõem o modo que acompanha a história de todos os longas-metragens.  Contudo, da mesma maneira que nos outros games da franquia, os estágios possuem locais não acessíveis aos personagens disponíveis no modo principal.

Para poder explorar todo o jogo, então, é necessário terminar a campanha para habilitar o modo Free Play, em que se pode alternar livremente entre todos os personagens habilitados durante as fases. Desse modo, escolher os mais adequados para cada uma das situações apresentadas.

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Além disso, realizar tarefas específicas durante os estágios — como encontrar todos os tesouros apontados pela bússola de Jack e juntar determinadas quantias de blocos de brinquedo — providencia peças que podem ser utilizadas no hub do game para habilitar novas opções de jogo (como multiplicadores de tesouro e imãs que trazem as peças até o jogador) e novos locais.

Também há uma variedade de personagens que só podem ser habilitados fora história, como é o caso de Barba Negra, o vilão de “Navegando em Águas Misteriosas”, e a versão amaldiçoada de Jack Sparrow.

Para que eu uso esta garoupa?

O grande problema de LEGO Pirates of the Caribbean está presente nas indicações dadas pelo jogo do que se deve fazer. Embora grande parte seja intuitiva, com setas demonstrando quais itens devem ser utilizados em quais lugares, em outros momentos os desenvolvedores falharam completamente nesse aspecto.

Assim, não são raras as vezes em que itens já usados ou sem utilidade alguma recebem destaques visuais enquanto o game não dá nenhuma dica do que se deve fazer. Desse modo, não é difícil que Will Turner acabe percorrendo o cenário por meia hora com um peixe na mão quando tudo que ele deveria fazer é puxar uma corda específica não indicada pelo game.

As ondas do Caribe são belas... Mas nem tanto

Embora os objetos, personagens e criaturas do game sejam todos construídos com blocos de LEGO, elementos do cenário como o chão e as paredes dos ambientes, assim como a água do mar, são representados tradicionalmente. É interessante notar como essa construção é feita de um modo bonito... Ao menos de longe.

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Enquanto o oceano é bem convincente em estágios de embarcações, naqueles em que é possível mergulhar (como nos portos e nas praias, por exemplo), o efeito utilizado é feio e sem graça, muitas vezes diferenciando-se de um possível chão azul apenas pela adição de um brilho que muda de local, colocado para simular o reflexo do sol nas ondas.

Da mesma forma, outros elementos visuais trabalham com essa dualidade em sua qualidade. A iluminação, por exemplo, atua de uma maneira convincente nos cenários noturnos, principalmente. Contudo, as texturas de alguns ambientes ficam chapadas ao mesmo tempo em que alguns objetos apresentam um serrilhado muito forte.

Não é Matrix, mas tem ação em câmera lenta

Quem jogar no modo cooperativo irá se deparar com uma câmera do tipo splitscreen, em que a tela é dividida, quando os dois personagens se distanciarem. Embora a função pretenda melhorar a experiência de jogo, a taxa de quadros se reduz quando essa divisão ocorre, o que acaba atrapalhando muito.

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Isso acaba acontecendo também em outros momentos em que há muitos bonecos de LEGO percorrendo a tela, como nas batalhas entre navios ou quando o grupo de personagens presente é muito grande.

Eu só quero chegar ao outro lado

Embora os comandos de Pirates of the Caribbean sejam simples e atraentes para novos usuários, há um elemento específico de sua jogabilidade que pode afastá-los. A mecânica dos pulos entre as plataformas e de travessia em faixas estreitas, como tábuas e mastros, é complicada e muitas vezes o jogador acompanha a queda de um pirata ao mar depois deste ter tentado realizar um pulo simples.

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Reproduz até o enjoo de alto mar

A já citada divisão da tela no modo multiplayer está presente em outros games da franquia da Traveller’s Tales. Contudo, ela continua sendo confusa e enjoativa às vezes. Isso ocorre porque em vez de dividir um lado da tela para cada jogador, a divisão é feita de acordo com a posição de cada um no mapa.

Desse modo, os estágios nos quais os gamers percorrem vários andares e andam de um lado para o outro fazem a câmera girar tão loucamente que até o marujo mais resistente acabará doando o seu almoço ao mar.

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