Há alguns meses, o TecMundo Games estreou o quadro “Jogo Rápido”, focado em permitir a análise mais sucinta de jogos episódicos ou que apresentam uma duração mais contida. Inicialmente misturados a nossas colunas, esses títulos agora aparecem em nossa seção de análises para que não fiquem “perdidos” em meio ao histórico do site.

A intenção é fazer análises mais “diretas” sobre jogos, enfatizando mais seus aspectos principais do que em características consideradas secundárias. Nesse caso, analisamos o primeiro capítulo de Life is Strange: Before the Storm, game que se propõe a contar o que aconteceu antes de Life is Strange, com foco na narrativa e no relacionamento de seus personagens. Mas vamos à análise:

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Life is Strange: Before the Storm – Episódio 1 é a primeira das três partes da história que precede os eventos do Life is Strange original. Deixando de lado as viagens no tempo, o game se foca em mostrar a vida da rebelde adolescente Chloe conforme ela lida com a morte de seu pai, a distância da amiga Max e um relacionamento que passa a criar com Rachel Amber, a garota mais popular da Academia Blackwell.

A história começa bem, dando espaço adequado a rostos conhecidos (cuja aparição não parece forçada) e ao desenvolvimento da personalidade da protagonista. No entanto, o episódio comete um erro comum a prequelas na hora de desenvolver a relação entre Chloe e Rachel — o primeiro contato é bem feito e repleto de sutilezas, mas em questão de poucas horas elas passam de jovens se conhecendo para figuras que parecem ter contato próximo há anos e ter desenvolvido uma relação bastante profunda nesse período.

A sensação é que, ciente de que muitos jogadores já chegam ao game sabendo da relação próxima entre elas, a desenvolvedora Deck Nine preferiu “apressar” o estabelecimento da amizade (ou mais do que isso) que elas nutrem — algo que deve parecer ainda mais estranho para quem não jogou primeiro Life is Strange. Também não ajuda o fato de que o estúdio não soube manter as sutilezas que a DontNod trouxe ao game original — se lá a sexualidade das personagens era subtendida e tratada de forma sutil (e delicada), aqui ela é escancarada logo nos primeiros momentos sem nenhum contexto que justifique tal decisão.

Em compensação, a trilha sonora escolhida é excelente (e oferece bons momentos contemplativos, se você assim desejar) e há alguns diálogos genuinamente interessantes — recomendo a todos participar da sessão de RPG. No entanto, isso não é suficiente para conseguir ignorar que a proposta central do game — mostrar a importância do relacionamento entre Chloe e Rachel — não envolve tanto quanto poderia nesse começo, problema que espero que os demais capítulos corrijam em um momento posterior.