Igual, só que melhor [vídeo]

Gameplay BJ


Por mais poderoso que o PlayStation Vita seja, a Sony nunca o vendeu como algo revolucionário que mudaria a forma com que você se relaciona com um portátil. Muito pelo contrário: o aparelho sempre foi apresentado como uma extensão do PS3, quase como uma versão em miniatura do console.

O que isso significa? Por mais que muita gente tenha se encantado à primeira vista, ele nunca se propôs a ser inovador — algo que os defensores do 3DS fazem questão de lembrar em cada discussão. Na prática, o Vita é quase como um PSP melhorado.

Mas o que isso tem a ver com esta análise? Tudo. Assim como o aparelho não veio para apresentar uma experiência diferenciada de jogo, mas como um “PS3 de bolso”, o novo LittleBigPlanet chega ao portátil com a proposta de fazer com que você tenha praticamente o mesmo jogo que você viu em sua TV, mas com alguns ajustes que fazem toda a diferença.

Isso quer dizer que o retorno dos Sackboys ao portátil é igual àquilo que já conhecemos? De certo modo sim, mas uma liberdade que nem mesmo o PS3 foi capaz de oferecer. No PlayStation Vita, mais do que nunca, você realmente pode dar asas à sua imaginação e sem a burocracia do controle. Trata-se de mundo de possibilidades que se esconde na ponta de seus dedos.

Falar sobre uma nova versão de LittleBigPlanet é sempre algo realmente complicado. Enquanto a série ficou conhecida por sua criatividade e por dar início a uma nova forma de oferecer conteúdos compartilháveis, a versão para o portátil simplesmente reproduz aquilo que já vimos antes em uma tela menor. Porém, engana-se quem acredita que isso é algo a ser criticado.

É fato que o primeiro jogo da série, lançado em 2008, realmente merece o título de inovador por fazer algo totalmente diferente do que era feito até aquele momento. No entanto, isso parou por ali. Sua sequência, por exemplo, seguiu a mesma fórmula, apenas ampliando algumas funcionalidades. Era praticamente impossível repetir a surpresa.

E isso acontece novamente aqui. Assim como o próprio PS Vita não foi lançado como um console revolucionário, mas uma “extensão” do PS3, o novo LittleBigPlanet não tenta inovar, mas trazer a mesma liberdade criativa do console para um sistema de bolso. E isso ele faz muito bem, com direito a melhorias significativas em relação aos “originais”.

Em tempos em que a quantidade de lançamentos para o portátil é tão escassa, os Sackboys chegam não apenas como a solução que todos desejavam, mas como a prova de que o Vita realmente não deixa nada a desejar a seu “irmão mais velho”. O mundo diminuiu, mas a diversão continua enorme.

Desenhando seu mundo

Não se deixe enganar: não é porque LittleBigPlanet para PlayStation Vita reproduz a fórmula de seus antecessores em um portátil que ele deixa a desejar. Na verdade, as adições feitas pela Media Molecule nesta versão são tão impressionantes a ponto de fazer com que o título fique acima daquilo que vimos no PS3.

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O segredo para isso é simples: ele pega o jogo que todos conhecemos e melhora alguns aspectos que ainda apresentavam problemas. A prova disso é a ótima utilização dos recursos táteis para criar uma jogabilidade mais variada e deixar todo aquele mundo ainda mais intuitivo e simples de ser controlado.

Ao contrário do que muitos estúdios tentam fazer quando desenvolvem um game para uma plataforma com touschscreen, o uso da tela do Vita é moderado e acontece somente em momentos em que ele é realmente preciso. Não se trata de uma perfumaria apenas para aproveitar uma novidade do console, mas de uma forma diferente de interação.

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No modo campanha, por exemplo, você irá se deparar com dezenas de desafios em que será preciso arrastar um bloco ou girar uma engrenagem com seu dedo. Em outros momentos, você toca na tela exatamente para guiar um míssil pelo caminho desejado. Isso sem falar do touchpad traseiro, que também é utilizado de maneira inteligente tanto na hora de solucionar alguns puzzles quanto para movimentar determinados veículos.

Em outras palavras, trata-se de uma simplificação daquilo que o PlayStation Move já oferecia, mas sem o incômodo de apontar um periférico para a TV. Usar a touchscreen é algo natural e facilita a realização de algumas tarefas bem básicas. É o caso da criação de fases, em que você simplesmente desenha os objetos desejados, evitando que você perca tempo com os controles.

Uma nova forma de ver o mundo

Sejamos francos: o PlayStation Eye nunca foi algo prático. Ok, ele ajuda na precisão do Move e tudo mais, mas no caso de LittleBigPlanet, ele nunca foi de grande utilidade. Por mais que você pudesse usar a câmera para criar adesivos personalizados, quem arrastava suas coisas para frente da TV para fotografá-las?

Pois isso deixa de ser um incômodo no Vita. Como o portátil já possui suas lentes embutidas, o jogador tem muito mais liberdade para registrar o que quiser, já que é muito fácil usar o portátil como máquina fotográfica. Assim, você pode fazer com que sua coleção de bonecos faça parte do cenário sem ter de fazer um grande esforço para isso.

No entanto, a câmera se destaca por um aspecto ainda mais interessante. Além dos conhecidos adesivos, você pode colocar qualquer objeto do mundo real como parte das fases que você criar. Assim, tanto seu gato de estimação quanto seu irmão mais novo podem estar dentro do game, bastando que você tire uma foto e faça os ajustes necessários. Em nossa análise, até mesmo o Game Boy Color e o pequeno Thor deram as caras.

O bom e velho “sackmundo”

Como dito, todas as novidades presentes na versão para Vita são apenas melhorias de recursos já existentes, o que significa que ele ainda é o LittleBigPlanet que todos conhecem e adoram, sem nada que seja realmente inédito e revolucionário. Isso quer dizer que ele é ruim? Muito pelo contrário.

Enquanto a estreia dos Sackboys no mundo dos portáteis, com a edição para PSP, trazia recursos limitados em comparação com a versão para PlayStation 3, o recente lançamento, por outro lado, não deixa nada a desejar. Isso quer dizer que todas as ferramentas de criação estão disponíveis, incluindo aquelas que vão permitir o envio desse conteúdo para outras pessoas.

Em outras palavras, tudo aquilo que fez com que você passasse horas criando novos mundos para os bonecos de pano está de volta.

Sem ousar

Se, por um lado, a repetição da fórmula é algo que vai agradar muita gente, isso também pode ser um grande problema para LittleBigPlanet, principalmente para quem está sempre à espera de novidades. Afinal, por que vou querer o mesmo jogo pela terceira vez?


É claro que os fãs da série não vão se deparar com esse dilema, mas se você não simpatizou com o título na primeira vez, não acredite que será desta vez que sua opinião vai mudar. O foco principal continua sendo na elaboração de fases, o que dificilmente vai se empolgar quem não se interessa pelo estilo — principalmente quando temos de encarar gigantesca lista de tutoriais existentes para que você possa dominar todos os recursos.

É claro que a campanha principal tem seus méritos, principalmente por conta de seu apelo visual e temático, mas não é nada excepcional. Como em todos os jogos anteriores, o novo LBP ainda é um jogo para criar e compartilhar. Se essa não é a sua área, talvez seja melhor dar uma olhada em outros lançamentos.

85 psvita
Ótimo