Um dos poucos RTSs adequados para DS

Quem se arrisca com o gênero estratégia para DS tem pelo menos 70% de chance de se decepcionar. Parece que os desenvolvedores enfrentam dificuldades para criar algo adequado para a plataforma, são poucos os títulos que merecem destaque – Final Fantasy Tactics A2 tem direito a holofotes.

No entanto, a 5th Cell conseguiu criar uma produção de qualidade que equilibra com sucesso uma aventura em um tower defense com cara de RPG tradicional. O estúdio também é responsável por duas obras de sucesso: Drawn to Life e Scribblenauts. Portanto, podemos valorizar sem medo Lock’s Quest.

O game conta a história de Lock, um archineer (profissão que mistura engenheiro, arquiteto, mecânico e feiticeiro) que por acaso se envolve no confronto entre as forças do reino contra Lord Agony, vilão que passou a liderar o exército de clockworkers – máquinas desalmadas que já foram combatidas em outras guerras. Tudo acontece pela procura de um precioso recurso mágico chamado source, usado para fabricar clockworkers e construir defesas.

Como Lock, você anda por trilhas em um grande mapa, ao melhor estilo Super Mario Bros., para selecionar uma fase. Nos cenários, é possível explorar o terreno livremente, mas apenas para achar absolutamente nada – com exceção de dois minigames em uma cidade – além de diálogos dispensáveis. Ainda assim, é uma boa ideia estudar o local "caso" os inimigos ataquem – eles sempre atacam.

Durante uma peleja, o jogador não terá descanso, pois é preciso manter em forma as linhas defensivas ao mesmo tempo em que se utiliza o herói para dar algumas bordoadas nos invasores. Ainda bem que o game oferece alguns curtos intervalos – cerca de dois minutos entre os dias, já que todos os clockworkers param de funcionar em um determinado horário – para que defesas possam ser erguidas, consertadas ou remodeladas sem os robôs invadindo.

As condições de vitória costumam ser defender pessoas ou poços de source, sempre com Lock parecendo uma criança brincando de castelo sozinho. Ocasionalmente o jogador precisa sair na ofensiva no modo single player, algo que inevitavelmente será pedido, mas são raras as vezes. De qualquer jeito, a tarefa envolve investir esforços de forma repetitiva em diferentes desafios.

Múltiplos tipos de construções são liberados com o progredir do enredo, diversificando as opções de muros, turrets (torres defensivas), armadilhas e "ajudantes" (que servem para aumentar os atributos de edifícios próximos). A quantidade total de itens no cardápio é pequena, mas satisfatória ao oferecer apenas melhorias necessárias.

Todavia, os clockworkers também recebem versões alternativas para atacar, e se tornam unidades poderosas com irritantes especialidades. Não é difícil ter a vida arruinada por cavadores de túneis subterrâneos e bichos voadores, os quais só podem ser impedidos por construções específicas.

Há também um belo modo multiplayer que põe os jogadores cara a cara em um duelo – por conexão local, sendo necessária uma única cópia do título – em que além de defender é permitido atacar com tropas de clockworkers, definindo rotas e tipo de unidades para cada invasão. As partidas podem demorar bastante se ninguém der rush (termo para quando um jogador invade rapidamente com tudo).

Em resumo, é um jogo desafiador – que permite ajustar a dificuldade entre fácil, normal ou difícil – e força ao jogador pensar um pouco a respeito das melhores posições de defesas e atitudes em campo de batalha. O design da obra torna a tarefa viável sem comprometer a diversão.

Sim, vale a pena, especialmente se você gosta de estratégia e tower defense. Como mencionado, o jogo disfarça muito bem a repetição e é difícil se cansar de repelir os clockworkers – mesmo porque você precisa estar ativo em campo de batalha.

O único jeito de não se divertir é não gostando da mistura de gêneros. Outra possibilidade negativa é sentir falta de mais conteúdo. Seja como for, Lock’s Quest é um título altamente recomendável para a sua coleção de jogos de Nintendo DS.

O bom e velho 2D, não há nada melhor para o DS

O estilo do visual adotado é muito conveniente para o Nintendo DS, pois os gráficos são facilmente suportados pela plataforma e nunca perdem a simpatia. Além disso, conseguem despertar a nostalgia de uma época marcada por Chrono Trigger, Secret of Mana, Final Fantasy, Zelda e Super Mario Bros.

O único aspecto que poderia ser considerado inadequado seria a impossibilidade de movimentar a câmera, algo dispensável quando o design das fases visa não esconder ninguém – são raros os momentos que alguém se encobre por trás de um muro ou uma montanha.

No final, o visual recebe um "joia" por ser surpreendentemente bonito em sua simplicidade. Um detalhe agradável é a maneira que ele mantém o padrão durante toda a experiência, sem apresentar nada que fuja da proposta.

Livre para todos não é sinônimo de infantilidade

Muitas franquias que pretendem ganhar o selo "E" da ESRB – ou seja, classificação livre para todas as idades – comprometem a qualidade do produto ao exagerar no esforço para criar algo que agrade às crianças. Lock’s Quest contém um roteiro bem simples e jogabilidade acessível, sem sacrificar a qualidade para o público geral com isso.

A narrativa da história não parece muito interessante em dados momentos, porém o desenvolvimento da trama é curioso – mesmo com boa parte focada apenas em defender lugares dos malignos clockworkers enquanto visita novos lugares. De quebra, recursos básicos como reviravoltas, traições e grandes descobertas são usados com moderação e inseridos na hora certa.

Já a jogabilidade é baseada no procedimento de aprendizagem gradativo, introduzindo novos desafios, poderes e construções a cada estágio para futuramente apresentar "cenários completos". Ainda assim, o jogador não pode bobear nunca e deve planejar com cuidado as táticas, ou aproveitar o método "tentativa e erro" para descobrir as respostas de problemas e realizar novas experiências.

Um dos títulos mais interessantes para DS

Lock’s Quest é simplesmente bom. A jogabilidade que emprega exclusivamente a stylus pode ser inconveniente quando se posicionam torres e muros – sendo presumível realizar movimentos indesejáveis se faltar prática –, todavia continua a ter uma interface funcional e intuitiva.

As tarefas podem soar repetitivas, contudo o entretenimento vem justamente em conseguir resistir aos ataques constantes, existindo empreitadas ofensivas às vezes – como sabotar a base adversária, derrotar generais ou dominar o poço de source dos clockworkers. O desafio é muito atraente e proporciona em torno de 20 horas de diversão com a repetição bem disfarçada.

Chega a ser difícil entender o gênero da obra: é um jogo de estratégia em tempo real, mas com turnos, e com fortes traços de tower defense. O resultado são desafios divertidos, capazes de prender a atenção do jogador – como os sucessos de jogos casuais disponibilizados gratuitamente na internet, só que com muito mais qualidade.

Lock’s Quest é um dos poucos (talvez o único) RTSs plausíveis para o console. E para todos os gêneros disponíveis, o game continua a brilhar por contar com um conceito genial executado de forma aceitável.

Só isso? Ótimo!

Há um fator adicional quando falamos sobre conteúdo em um lançamento para DS: a plataforma é um portátil. Seria inconveniente se os desenvolvedores entupissem de conteúdo algo que deveria ser simples para pegar e jogar.

Não que Lock’s Quest tenha carência em conteúdo, mas é tão fácil notar que o projeto poderia ser muito maior que chega a ser difícil lembrar que o oferecido é precisamente o suficiente. Qualquer adição poderia alterar a experiência a ponto de desviar o rumo da proposta.

Não deixa de ser repetitivo

Cem estágios é certamente uma quantidade generosa, no entanto é comum os jogadores não se contentarem com "pouco" quando gostam do jogo. Ao completar a história é possível revisitar todos os cenários para batalhar novamente – com o nível de dificuldade cruelmente alterado –, porém são as mesmas fases de antes e aí sim o jogo fica repetitivo.

Para um tower defense, Lock Quest só merece elogios, todavia espera-se que uma continuação consiga trazer ainda mais. As atividades poderiam ser amplamente diversificadas se um toque de RPG fosse dado ao título – mesmo porque os gráficos são altamente compatíveis com um RPG.

Apesar de fugir da proposta, poderiam resolver o problema de repetição dando mais tarefas secundárias, equipando Lock com equipamentos e oferecendo algumas missões, sem construir torres, nas quais o jogador se aventuraria em dungeons ou algo parecido. Só que, para isso, a jogabilidade também teria que receber algumas modificações – entrando em um paradigma complicado.

84 ds
Ótimo