Análise de Lord of the Rings Battle for Middle Earth

Jogabilidade falha e gráficos impressionantes marcam o primeiro jogo de estratégia do universo de Tolkien.

A Electronic Arts fez um bom trabalho ao adaptar a trilogia de Tolkien em um jogo de estratégia em tempo real. Ter à disposição uma excelente trilha sonora, vozes reais dos atores nas dublagens e trechos dos filmes concedeu inúmeras vantagens que acabaram tornando muito difícil, para qualquer softhouse, conseguir criar um título de má qualidade — afinal, estamos falando de Senhor do Anéis. Sem maiores considerações sobre o sucesso da trilogia, vamos ao game.

Um prato cheio para fãs de SDA

Para alegria dos fãs, vários elementos esperados na adaptação podem ser vistos aqui: a Sociedade do Anel embrenhada nas catacumbas das minas de Moria, a derrubada infame das árvores para o surgimento dos Uruks e o conseguinte levante dos Ents, a batalha de Helm's Deep, entre outras passagens memoráveis. Claro que em nome da jogabilidade e da renovação do interesse, algumas liberdades foram concedidas. Chama a atenção a possibilidade da sobrevivência de Boromir no ataque dos Uruk-Hai, a continuidade de Gandalf após o embate contra o Balrog e os inúmeros ressuscitamentos dos heróis pois, infelizmente, eles irão sucumbir várias vezes.

No modo single player é possível escolher entre a campanha do bem e do mal (good and evil). Na campanha do bem, toda a odisséia em torno da destruição do anel poderá ser acompanhada por diferentes caminhos. Após completada uma determinada missão, o jogador será apresentado a um bonito mapa 3D da Terra Média no qual diferentes rotas com diferentes desafios e recompensas estão à disposição. Não há contagem regressiva ou qualquer elemento que incentive o jogador a encerrar algumas missões rapidamente. Falta, portanto, um pouco da angústia causada pelos perigos crescentes dos inimigos de Mordor.

O tempo dispensado no planejamento de construções é pouco, uma vez que elas são feitas em locais pré-determinados e o tempo para serem completadas é limitado. O único recurso a ser extraído do mapa é madeira. Para compensar isso existem fazendas, matadouros (no caso de Isengard), ferrarias, entre outras construções que fornecem automaticamente suprimentos e bônus, que correspondem, como em outros jogos de estratégia, a alimento e metais.

O escopo principal deste título é, realmente, o caráter épico, mas também é o principal ponto contraditório. Enquanto cenas incríveis no cinema deixaram todos estupefatos com a dimensão colossal das batalhas, aqui no jogo a expectativa gerada é a mesma só que o resultado neste caso nem sempre é agradável. Apesar da Electronic Arts ter sido feliz em utilizar um sistema de grupos e a rapidez de fabricação de unidades, a sistemática real do jogo acaba às vezes incomodando um pouco. Seja na dispersão ocasional e pequena vida útil dos exércitos, ou seja na lentidão da resposta das unidades.

Unidades em massa


Prepare-se para construir (unidades em massa) às pencas e mandá-los atacar com a tecla “A” e imediatamente produzir mais. A infantaria poderá facilmente ser pisoteada por uma cavalaria numerosa, um ent ou (um) mumakil (aqueles elefantes da terra de Harad) pouco animados com sua presença. Algumas missões não passarão do trabalho mecânico de recolher recursos e criar pilhas e mais pilhas de unidades. Quanto aos heróis, como é comum nos jogos recentes de estratégia, eles podem subir de níveis e arrecadarem poderes especiais que não raro serão a peça chave para a vitória. O problema é coordená-los no calor da batalha, principalmente quando a trupe inteira do anel está em jogo. Essas unidades especiais podem morrer facilmente e/ou ficarem ocultas na confusão do combate bem na hora que você precisar atacar com aquela magia imprescindível de Gandalf.

Além disso, a inteligência artificial não é sagaz o suficiente para evitar truques manjados, como atrair alguns membros incautos, separados do seu bando, e fazê-los lhe seguir feito bobos para uma base cheia de torres com arqueiros e unidades que acabaram de ser feitas. Outra falha do jogo está no mini-mapa, que contém poucas informações sobre os recursos e detalhes do relevo, além de uma orientação confusa da câmera.

Todavia, nada disso decepciona os fãs afinal os grandes exércitos da Terra Média estão lá: Gondor, Rohan, Isengard e Mordor. A atmosfera que reina é a de estar realmente participando da corrida pela destruição ou resgate do anel. O modo single player é extenso e cada uma das duas campanhas fornece facilmente mais de 25 horas de jogo. O multiplayer não permite desafios e estratégias intrincadas já que este se baseia em padrões comuns de estratégia limitados pelo já debatido sistema de batalha. Para os mais aficionados, há um editor de mapa para as batalhas em modo skirmish (jogo rápido).

Bom tratamento artístico


Os gráficos foram bem trabalhados através de um tratamento de cores harmonioso, além de texturas bastante agradáveis. Mas a profundidade e a quantidade de elementos exigem uma placa de vídeo de ponta. Em certos momentos, chega-se a duvidar da qualidade da engine usada, já que usando-se um computador de alto rendimento ocorrem quedas na taxa de quadros, sobretudo nos momentos de grande atividade na tela. O efeito de blur em certas magias do Ganfalf provocam um impacto ainda maior do feitiço, tal como as luzes etéreas do Exército da Morte de Minas Tirith. De quebra, é possível desfrutar de algumas passagens retiradas dos filmes que estão sobrepostas ao mini-mapa, para ambientar o jogador nos momentos principais da história.

A trilha sonora destaca-se antes mesmo do começo do jogo. Na primeira animação, numa reprodução de elementos introdutórios do início do filme A Sociedade do Anel, podemos reconhecer as melodias campeãs do compositor Howard Shore, que agregam uma sensação ao mesmo tempo de cautela e de heroísmo para o ouvinte. As vozes dos hobbits e dos magos foram feitas pessoalmente pelos atores dos filmes: Ian McKellen colabora como Gandalf, Christopher Lee como Saruman e Elijah Wood, Sean Astin, Dominic Monaghan e Billy Boyd como Frodo, Sam, Merry e Pippin respectivamente.

O jogo vence não só pela beleza e concatenação das missões das campanhas em si, mas pelo sucesso em adaptar uma trilogia que rendeu muitos fãs, milhões de dólares e uma viagem a um planeta fictício, que emana heroísmo, aventura e vitória.
80 pc
Ótimo