Um planeta que poderia continuar perdido

Quando Lost Planet foi lançado no ano de 2007, a expectativa em cima da criação de Keiji Inafune — famoso por ter criado as séries Mega Man e Onimusha — era grande. Porém, a estranheza dos controles foi um dos fatores determinantes para que o promissor título sobre a colonização do planeta E.D.N. III naufragasse em meio a outros lançamentos na época.

A sequência foi lançada tendo como principal missão colocar a franquia em seu devido lugar após uma largada atrapalhada. Para tal, o modo campanha desta vez suporta até quatro pessoas jogando simultaneamente online, enquanto o modo multiplayer oferece uma variedade de modos, cenários e armas.

Agora, a história se passa dez anos após a original, quando a organização militar NEVEC, responsável pela colonização, conseguiu modificar parcialmente o clima inóspito do planeta. Em vez de Wayne Holden, o antigo protagonista, os jogadores assumem o papel de um dos quatro membros de uma equipe que, enquanto participa de uma guerra entre a NEVEC e uma organização rebelde, também tem de sobreviver aos ataques dos habitantes originais do local — seres insetoides gigantes chamados Akrid.

Tropas Estelares vs. Gundams

A temática de Lost Planet consegue reunir de forma coesa elementos que a princípio poderiam parecer não ter nada a ver entre si. Desde o primeiro game, as Vital Suits (ou Roupas Vitais) eram mecanismos robóticos que poderiam ser manejados para atravessar os ambientes exóticos.

Da mesma forma, elas também serviam como uma poderosa ferramenta para enfrentar os perigosos Akrid, insetos gigantes que não se intimidariam com seus companheiros de família biológica presentes no filme "Tropas Estelares".

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Em Lost Planet 2, existe uma boa variedade desses veículos para serem utilizados nas batalhas, assim como diversos tipos de Akrid — desde os menores e inofensivos, até os gigantes que enfrentariam Godzilla sem problemas.

Jogando em equipe

O primeiro game da série já oferecia um sistema incomum de energia. Nele, para sobreviver em meio aos gélidos ambientes de E.D.N. III, era necessário juntar a energia térmica obtida dentro dos organismos dos Akrid.

Para satisfazer a proposta de quatro pessoas jogando simultaneamente pelo modo campanha, a inovação se dá pela Battle Gauge, ou barra de batalha, que mede o montante de vida do grupo. Assim, caso um dos membros da equipe caia no meio do caminho, ele é ressuscitado em troca de uma quantia dessa barra. Quando esta chega a zero, aí sim é game over. Dessa forma, Lost Planet 2 evita que o modo cooperativo fique apenas no nome por conta de baixas no esquadrão.

A Capcom parece ter focado no modo online quando desenvolveu esta sequência. Afinal, o modo multiplayer oferece uma ampla variedade de modalidades de jogo, além de diversas recompensas desbloqueáveis ao longo do progresso.

Contudo, ao voltar as suas atenções para somente um aspecto do game, a produtora não teve sucesso em corrigir as principais falhas de seu predecessor, justamente aquelas que transformaram o jogo promissor em uma grande decepção.

Dessa forma, o título só pode ser recomendado àqueles que são aficionados pelo gênero e quiserem conferir todas as opções oferecidas para o console. Caso contrário, melhor vale investir em jogos como SOCOM 4, Resident Evil 5 ou até mesmo Uncharted.

Uma vitória do time

O modo campanha tem seus pontos fracos e fortes. A companhia de até três colegas controlados por pessoas de verdade é definitivamente um ponto marcado pela Capcom. Quando se joga no modo cooperativo online, é possível desenvolver algumas estratégias, como a divisão de armas e de energia termal.

Se os jogadores possuírem um headset, eles ainda podem se comunicar e apontar em quais áreas do cenário as disputas estão mais explosivas, por exemplo. Muito melhor do que interagir com NPCs programados apenas para atirar no que aparecer pela frente.

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Multiplayer variado

Para quem não quiser saber de história e estiver interessado apenas em dar muito tiro, Lost Planet 2 oferece uma boa diversidade de opções de modos de jogo. Entre as modalidades disponíveis, estão desde o clássico estilo deathmatch, que pode ser no esquema cada um por si ou entre times, e os divertidos Fugitive e Akrid Egg.

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No primeiro, um jogador deve enfrentar sozinho todos os outros, tendo de permanecer vivo o maior tempo possível. O segundo, por sua vez, é uma batalha entre dois times por um ovo de alienígena. Cada uma das equipes deve levá-lo até a sua base enquanto evita que o outro grupo faça o mesmo.

Além disso, existem boas opções de configuração de batalhas. É possível, por exemplo, ligar e desligar o fogo amigo ou então ajustá-lo para que apenas seu impacto seja sentido pelos companheiros, sem dano.

Dublagem eficiente

Embora anônimos, os membros controlados por seu time fazem parte de uma história e interagem com outros personagens durante ela. Durante esses contatos, os diálogos não soam forçados, demonstrando que desta vez a desenvolvedora se preocupou em tentar criar uma atmosfera de jogo envolvente e realista.

Trabalhando por quatro e recebendo só um salário

Se a campanha merece elogios em seu modo cooperativo online, o oposto ocorre quando se trata do jogo offline. O time continua composto por quatro pessoas, mas as três controladas pelo computador poderiam inexistir que o resultado seria idêntico.

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Seus companheiros ficam sempre juntos e atiram no que estiver perto do jogador. Quando é necessária a divisão do grupo, é extremamente frustrante perder tempo por precisar fazer sozinho um trabalho que seria tranquilo caso houve cooperação.

Alta definição em 10 polegadas

Caso se opte por jogar com mais um amigo offline, o resultado é igualmente frustrante. Afinal, cada uma das metades da tela compartilha espaço com um mapa individual que ocupa quase metade da área destinada a cada um dos jogadores (o que talvez explique porque o modo campanha não aceite três ou quatro pessoas jogando localmente).

Como faz?

Img_normalLogo após a logo da Capcom surgir na tela, o menu de Lost Planet 2 já aparece. É possível escolher entre os modos campanha, multiplayer online e treino. Incrivelmente, em nenhum deles há instruções claras para os principiantes. Parece que a produtora apostou apenas nos que já conheciam o primeiro jogo e se esqueceu do detalhe que novos gamers poderiam se interessar pelo título.

Mesmo no modo treino, que supostamente deveria ensinar desde os comandos básicos até os mais avançados, não há nenhuma indicação clara do que se deve fazer em cada missão. Na verdade, existem avisos para serem lidos, mas até que o jogador consiga alcançá-los, ele já aprendeu sozinho todos os controles principais.

Outro problema em que a dúvida paira sobre o game ocorre no modo campanha. Em determinadas missões, pode ocorrer uma situação em que a equipe se veja percorrendo o mesmo ambiente até descobrir, por conta própria, que deveria ter acionado um dispositivo que ficou para trás.

Um botão para tudo comandar

A Capcom recebeu muitas críticas por conta do primeiro Lost Planet. Controles estranhos e muita confusão na hora das batalhas foram o principal defeito apontado no primeiro game e o esperado era que esse fosse o primeiro ponto a ser corrigido. Ledo engano, pois movimentar-se no jogo só não é mais complicado do que os últimos exercícios da sua apostila de física.

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Um exemplo da tristeza que é coordenar os personagens encontra-se no acúmulo de funções em um determinado botão. Afinal, para correr, bater nos inimigos, acionar dispositivos, agarrar-se aos companheiros e adentrar as Vital Suits, utiliza-se sempre o mesmo comando. É só imaginar uma situação em que pelo menos duas dessas habilidades sejam requisitadas (como em praticamente qualquer momento do jogo) para perceber o porquê dessa ser a principal falha do game.

Pulo: uma ação complexa

Talvez seja a gravidade de E.D.N. III, mas o simples ato de pular nesse planeta parece ser uma atividade excessivamente complexa. Em primeiro lugar, os personagens parecem estar carregando uma tonelada em equipamentos nas costas quando decidir saltar alguns obstáculos. Em segundo lugar, parece ser complicado concentrar-se em realizar uma atividade paralela ao pulo, afinal há demora na resposta de alguns comandos, enquanto outros, como o uso do gancho para alcançar locais mais altos, são bloqueados enquanto se está no ar.

Visual detalhado... E feio.

À primeira vista, os gráficos parecem surpreender pelo nível de detalhe. Um olhar mais apurado, entretanto, entrega os defeitos. São texturas "chapadas" e que volta e meia se atravessam. Além disso, não há interações significativas no cenário causadas pelo movimento dos personagens. Todos esses fatores contribuem para dar ares de jogo inacabado ao título.

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Como se isso apenas não bastasse, ainda ocorrem quedas na taxa de quadros por segundo — fps — quando o cenário começa a ficar recheado de inimigos (algo tão comum como chuvas na região amazônica). A situação é tão tensa que, mesmo no modo offline, não é raro o jogo travar por alguns momentos nas batalhas mais acaloradas, um fator que pode fazer a diferença entre o "Mission Complete" e o "Game Over".

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