Seja mais um passageiro do vôo 815 da Oceanic Airlines.

Lost: Via Domus (do latin, caminho para casa) a Ubisoft coloca mais um sobrevivente na temível ilha de Lost. Enfocado sobretudo na primeira e segunda temporadas da série, Via Domus confronta o jogador com os mesmos conflitos pelos quais passam os personagens, tanto no que diz respeito à necessidade de sobrevivência quanto no que envolve a pergunta “mas, afinal, por que eu vim parar aqui?”.

Embora traga vários elementos que talvez pudessem qualificar um RPG, Via Domus é antes um jogo de ação com uma trama mais elaborada — e nem poderia ser de outra forma, já que é Lost. Principalmente porque, não obstante a história intensa e alguns puzzles, trata-se de um jogo relativamente curto. Em uma projeção bastante razoável, pode-se considerar que qualquer jogador mais dedicado completaria os objetivos todos (incluindo extras) em pouco mais de sete horas.

Um tempero adicional: a amnésia

Elliot deve desvendar os mistérios da ilha para recuperar suas memórias. Ao contrário do que muita gente poderia pensar (sobretudo os fãs mais dedicados do seriado), a inclusão de mais um personagem na ilha realmente não criou uma mistura heterogênea. Ao contrário, a história do novo personagem foi incorporada às dos demais com bastante maestria, de forma, após algum tempo de jogo, Elliot Maslow, um fotojornalista, acaba tendo aquela mesma aura de familiaridade de personagens como Hurley ou Kate. Isso também porque, além da história bem condizente com o clima do seriado, o personagem ainda interage de forma bem interessante tanto com a ilha quanto com os demais personagens.

Assim como os demais, Elliot também possui um passado envolto em mistérios e uma série de demônios pessoais. Entretanto, uma amnésia causada pela queda do avião fará com que ele tenha que relembrar toda a sua vida. Além da óbvia necessidade de sobrevivência, esse passa então a ser o projeto pessoal do protagonista na ilha: encontrar vestígios que possam trazer os fatos novamente à memória.

Paralelamente, o protagonista ainda irá desenvolver um relacionamento com os demais personagens, o que o ajudará a coletar informações sobre si mesmo e sobre a ilha. Além disso, como tudo em Lost funciona através de uma espécie de escambo, será necessário em vários momentos do jogo procurar um personagem específico que, porventura, possua um determinado item — e que esteja também interessado em trocá-lo por uma boa dezena de cocos ou algumas garrafas d’água.

Fotografando o passado

Outro fator muito bem encaixado na trama do jogo foi a já mencionada profissão de fotojornalista de Elliot, que terá um papel fundamental na forma como o personagem conseguirá relembrar dos fatos.

Durante vários momentos do jogo, a trama principal será interrompida para dar lugar a um flashback que trará várias pistas importantes que ajudarão Elliot a recuperar sua identidade — apesar da contundente opinião de Locke de que o passado deve ser deixado no passado, já que a ilha seria uma chance de recomeço para todos (quem conhece o personagem deve saber o por que dessa opinião).



Elliot é então tragado para dentro de uma de suas memórias, que inicialmente se mostra bastante obscura. Cada uma dessas memórias está diretamente ligada a uma fotografia tirada pelo protagonista. Assim sendo, a idéia é conseguir encontrar o melhor ângulo para, de certa forma, tirar novamente a fotografia, o que fará com que a cena se torne algo concreto. Após isso, algum tempo ainda é dado para se coletar pistas através do cenário e conversar com quem estiver presente.

Entretanto, não será apenas nos flashbacks que a câmera de Elliot será útil. Várias cenas durante o jogo vão merecer um registro, o que até mesmo será sugerido pelo personagem. Essas fotos são na realidade easter eggs (objetivos secundários) do jogo.

Os passageiros originais do vôo 815 da Oceanic Airlines

De forma geral, Via Domus traz uma trama inspirada nas duas primeiras temporadas de Lost, embora alguns personagens da terceira temporada também possam ser encontrados. Entre os passageiros originais do vôo 815 podem ser encontrados: Jack, Kate, Locke, Charlie, Sawyer, Sayid, Claire, Jin, Sun e Hurley. Além destes, estão presentes também Tom, Bem e Juliet dos personagens conhecidos como “Os outros” (“The Others” — personagens que já estavam na ilha quando ocorreu a queda do avião da Oceanic Airlines).

Interagir com os demais moradores da ilha é fundamental. Embora um fã mais preciosista possa, é claro, encontrar algumas falhas, Via Domus traz os personagens originais da série consideravelmente bem retratados, tanto nas imagens quanto nas suas personalidades. Talvez um ponto negativo poderia ser dado para os seus movimentos labiais, um pouco distantes de serem realmente realistas. Entretanto, as dublagens dos personagens realmente convencem — embora a atuação do protagonista às vezes acabe limitada a apenas uma legenda.

Embora seja na realidade um corpo estranho dentro da série, o relacionamento do protagonista com os demais personagens ocorre, conforme já foi dito, de forma bem interessante, fazendo com que ele acabe mesmo não parecendo ser um elemento de fora. Pode-se a qualquer momento fazer perguntas de várias naturezas para o personagem popular mais próximo, correndo o risco, entretanto, de às vezes protagonizar um diálogo não muito natural ou mesmo repetitivo.

Ambientes de encher os olhos

Uma das primeiras coisas quem chamam a atenção em Via Domus é a qualidade das texturas empregadas nos cenários. Os ambientes sem dúvida ganharam um tratamento de ótima qualidade, sendo, portanto, normal que se ignore às vezes a trama apenas para admirar uma imagem particularmente notável. O próprio protagonista, embora possa parecer meio inexpressivo em certas ocasiões, encerra alguns gráficos bem realistas.

Porém, embora seja basicamente o mesmo jogo em todas as plataformas, é inegável que essa qualidade gráfica toda é ainda mais evidente na versão para o console da Sony. O detalhamento e também a qualidade das luzes são particularmente notáveis no PS3, sendo que no Xbox 360 as imagens parecem levemente escurecidas.

Entretanto, Via Domus pode ser considerado um belo jogo em todas as plataformas, sendo que as boas imagens ainda são completadas por sons ambientes bastante imersivos — que variam bastante quando se vai da praia para uma caverna escura, por exemplo.

Considere a opção de às vezes parar e admirar o cenário.


Não que Lost: Via Domus seja um jogo feito exclusivamente para fãs da série. Longe disso. Qualquer jogador que goste de algo com uma trama um pouco menos óbvia pode se ver com um bom título nas mãos. Entretanto, aquele fã mais dedicado — do tipo que conhece mesmo os detalhes mais obscuros — provavelmente vai encontrar um tipo de diversão extra enquanto conversa com o seu personagem favorito ou anda por alguns dos mais conhecidos pontos da ilha.

Apesar disso, fãs e jogadores ocasionais podem acabar um tanto decepcionados com a já mencionada curta duração do jogo. Uma trama do nível de Lost parecia merecer algumas horas a mais de jogo. Não que isso possa realmente comprometer a experiência de jogo, mas mesmo assim é digno de nota.
70 pc
Bom

Outras Plataformas

71 ps3
70 xbox-360