O brilho do eterno coadjuvante

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Luigi nunca foi o herói preferido de ninguém. Eternamente marcado como um coadjuvante à sombra de seu irmão, o personagem sempre foi visto como a segunda opção e virou sinônimo de Player 2 — se você é o caçula da família, certamente já deve ter se frustrado ao querer vestir o macacão vermelho, mas ter de se contentar com o verde.

No entanto, isso nunca impediu o coverde bigodudo de se arriscar em aventuras próprias, mesmo que de maneira tímida. Tanto que a própria Nintendo decidiu fazer de 2013 o Ano do Luigi para homenageá-lo e mostrar que nem só de Mario vive a família de encanadores.

E para dar início às festividades, nada melhor do que dar sequência a um clássico. Em Luigi´s Mansion: Dark Moon, a “Big N” prova que o personagem é capaz de protagonizar seu próprio game e que não depende da presença de seu irmão para trazer uma aventura interessante e desafiadora. Ao que parece, a diversão está no DNA.

Esqueça o mito de que Mario é o único herói da família. Em Dark Moon, Luigi prova mais uma vez que é um excelente protagonista e ainda traz uma das aventuras mais divertidas do portátil. Repleto de bom humor e desafios inteligentes, o novo Luigi’s Mansion é tudo aquilo que os fãs do irmão covarde esperavam ver desde o game original lançado no GameCube.

Mais do que isso, a estreia da série no 3DS surpreende ao fazer uma ótima adaptação da mecânica original no portátil, aceitando suas limitações e procurando maneiras diferenciadas de superá-las. E por mais que tenhamos problemas nos controles que incomodam em vários momentos, o restante do game funciona muito bem no 3DS, principalmente a nova estrutura.

Ao contrário do game lançado em 2001, a liberdade de explorar a mansão foi posta de lado e substituída por uma série de pequenas missões. A razão para isso é óbvia: estamos falando de um portátil e, por isso, a experiência deve ser diferenciada. Ninguém vai se dedicar a horas seguidas na pequena tela da mesma maneira que um console de mesa oferece. E é por isso que a nova divisão de Luigi’s Mansion: Dark Moon funciona tão bem.

Se o Ano do Luigi significa termos jogos tão bons quanto Dark Moon vindo aí, não há nada de errado em dizer que 2013 ainda trará ótimas surpresas para os fãs da Nintendo.

Carisma escondido

Embora o GameCube não tenha sido um console tão popular quanto outros sistemas da Nintendo, Luigi’s Mansion se tornou um clássico por vários motivos. Entre eles, a revelação da preciosidade que a Big N mantinha escondida sob a sombra de Mario ao longo das últimas décadas. E em Dark Moon, isso é ainda mais evidente.

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Já nos primeiros minutos do game é possível perceber que o personagem possui seu próprio charme. A covardia de Luigi é muito bem explorada nos diálogos com o Professor Elvin Gadd, criando situações muito engraçadas e mostrando que o herói possui muito mais personalidade do que acreditávamos. Acompanhar suas reações diante das explicações de seu tutor ou mesmo enquanto explora as mansões mal-assombradas é algo único e que certamente vai deixar essa jornada sobrenatural muito mais prazerosa e bem-humorada.

E é nesse tom que o game inteiro se desenvolve. Por mais que estejamos falando de fantasmas e outros seres do além-vida, o clima leve e descontraído trazido pelo jeito amedrontado de Luigi cria um contraste que envolve o jogador logo de início, fazendo com que cada novo cômodo descoberto seja uma nova surpresa.

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No fim das contas, Luigi se destaca como um ótimo protagonista mesmo quando está sozinho e olhando assustado para cada sombra que se estende pelo cenário. E para controlar esse nervosismo, nada melhor do que cantarolar a trilha sonora do jogo.

Uma velha fórmula que retorna

Depois de uma década de tranquilidade e longe de qualquer incidente paranormal, Luigi é mais uma vez convocado pelo Professor E. Gadd para caçar alguns fantasmas após a Dark Moon, um corpo celeste que deixava os espíritos amistosos, ter misteriosamente desaparecido do céu. Com os seres ectoplasmáticos fora de controle, cabe ao bigodudo reviver seus dias de terror e ir atrás dessas almas perdidas em busca de uma solução para esses problemas.

E para dar forma a toda essa confusão, nada melhor do que retornar com algumas ferramentas que estavam desaparecidas desde o GameCube. É o caso do o Poltergust, um aspirador de pó especialmente projetado para absorver fantasmas e a arma que vai acompanhá-lo ao longo de todo o jogo, e da lanterna que ajuda no processo de captura.

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A mecânica de Dark Moon segue a mesma linha do primeiro Luigi’s Mansion, ou seja, colocando o jogador em uma mansão mal-assombrada em busca de espíritos vagantes enquanto resolve alguns mistérios que liberam novas áreas e prêmios. E é aqui que está o principal destaque do título.

Ele é repleto de ótimos puzzles e, ao contrário da tendência seguida pela maioria dos lançamentos, ele não traz nenhum elemento facilitador que sugere sua resolução. Isso obriga o jogador a conhecer muito bem as possibilidades oferecidas por seus equipamentos e imaginar como eles podem ser úteis para chegar a determinado resultado. Isso faz com que você realmente quebre a cabeça para chegar ao seu objetivo. Nada é óbvio, mas tudo está bem diante de seu nariz — basta pensar para ver.

E esses desafios se apresentam das mais diferentes formas, indo desde interagir com elementos do cenário quanto usar seu aspirador para revelar objetos escondidos. Por isso, ficar atento a qualquer superfície irregular ou algo que pareça deslocado é uma boa dica para quem quer se dar bem nessa vida de caça-fantasma.

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Além disso, Luigi’s Mansion: Dark Moon introduz à série um novo item ao seu arsenal contra poltergeists. Trata-se de lanterna de luz negra, um artefato capaz de revelar estruturas escondidas. Com ela, você encontra desde baús e armários secretos a portas invisíveis que o levam a áreas especiais. Isso sem falar que ela ainda pode ser usada em combate contra tipos específicos de espíritos.

E por mais que muita gente sinta falta da liberdade apresentada no jogo original, o sistema de missões de Dark Moon funciona muito bem — afinal, é um game para portátil —, limitando um pouco as possibilidades de exploração, mas compensando em criatividade e diversão.

Quem você irá chamar?

Outra novidade introduzida em Luigi’s Mansion: Dark Moon é um inédito modo multiplayer, permitindo que até quatro jogadores possam compartilhar da covardia de Luigi em sua caçada paranormal. E apesar de a proposta ser bem diferente, não é que ela funciona muito bem?

De modo geral, as partidas online são uma extensão da jogabilidade apresentada na campanha, ou seja, fazendo com que você tenha de abusar da Poltergust e demais equipamentos para capturar os espíritos vagantes. A diferença, contudo, está nos desafios que cada modo apresenta.

O Hunter é o mais básico de todos. Como o próprio nome sugere, você deve se tornar um caçador e avançar por uma torre em busca de fantasmas para acumular pontos e, com isso, ficar à frente de seus amigos. A premiação oferecida por cada inimigo varia de acordo com o grau de dificuldade proposta, deixando as coisas um pouco mais desafiadoras.

Já em Rush, o objetivo é exatamente o oposto: fugir. Trata-se de uma corrida contra o relógio em que você deve encontrar o caminho certo enquanto você explora o cenário e derrota monstros em busca de alguns preciosos segundos que vão ajudá-lo a chegar o mais longe possível. Nesse ponto, o trabalho em equipe é fundamental.

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No entanto, o mais divertido de todos é o Polterpup, em que você deve abusar da luz negra para seguir o rastro de um cachorro-fantasma dentro do tempo limite. E para quem pensa que se trata de uma tarefa simples, prepare-se xingar muito esse espírito canino a cada nova disputa.

Além disso, Luigi’s Mansion: Dark Moon ainda permite que você se divirta localmente com seus amigos a partir de um único cartucho. O game se aproveita da função Download Play do Nintendo 3DS, compartilhando o título com outros aparelhos e tornando tudo bem mais interessante — e econômico.

Outra dimensão

Embora o efeito tridimensional tenha sido apresentado como o grande diferencial do 3DS, ele se tornou um recurso muito mal aproveitado nos títulos do portátil. E por mais que Luigi’s Mansion: Dark Moon não faça nenhum uso revolucionário da tecnologia, é impossível ignorar o benefício que essa profundidade traz ao game.

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Ativar a função, mesmo que minimamente, dá nova vida à caçada. Adotar uma câmera fixa para cada um dos cômodos foi uma ótima maneira de permitir que o jogador enxergue cada uma de suas dimensões com bastante qualidade e, mais importante, sem incomodar seus olhos.

Mais do que isso, os próprios fantasmas se beneficiam disso e ficam muito melhores com o 3D ligado. O volume criado torna sua presença em cena muito mais marcante e contribui bastante para a ambientação.

Mas que falta faz um segundo analógico...

Talvez o único grande problema de Luigi’s Mansion: Dark Moon esteja exatamente em seu sistema de controles. Não que ele seja ruim. Na verdade, ele até funciona muito bem, trazendo comandos intuitivos, principalmente na hora do aperto. O problema, na verdade, acontece quando você se depara com as limitações do 3DS.

Isso fica evidente quando é preciso precisa explorar o cenário ou lidar com espíritos ao seu redor. O personagem é simplesmente incapaz de olhar à sua própria volta, reflexo da falta de um segundo analógico no portátil. Assim, ao ativar a Poltergust, você só pode olhar para frente e, no máximo, inclinar para cima e para baixo com os botões X e B. Quer dar aquela viradinha malandra para o lado? Impossível.

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Essa deficiência prejudica bastante a jogabilidade nos momentos de mais ação. Em determinados pontos, você vai sentir a necessidade de apontar sua arma um pouco mais para a esquerda e a solução fica em desligá-la para fazer o movimento e então reiniciar o ataque — o que pode consumir um tempo precioso. E nem adianta tentar conectar seu Circle Pad Pro, pois Luigi’s Mansion: Dark Moon não possui suporte ao periférico.

Usar as lanternas também exige um pouco mais de paciência, já que elas são ativadas a partir dos botões A e Y. Assim, iluminar uma área fica ainda mais complicado quando você precisa olhar para cima ou para baixo. E sim, ainda é impossível olhar para os lados.

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Excelente