Maior e melhor do que o primeiro, o sucessor de Tetris continua viciante!

Lumines II expande o primeiro jogo em todos os sentidos. O sistema de jogo original foi mantido na íntegra, oferecendo mais do mesmo aos fãs do primeiro título. Embora houvesse espaço para criar e aperfeiçoar a jogabilidade, os desenvolvedores preferiram investir em um jogo maior, com mais modos de jogo e opções de interação. A lista de clips e músicas beneficiou-se da adição de artistas consagrados como Beck, Gwen Stefani e Black Eyed Peas, gerando interesse entre jogadores que não costumam prestar atenção no gênero puzzle.

Os critérios de classificação de jogos muitas vezes geram controvérsia na indústria de games. Ocasionalmente os desenvolvedores inventam algo realmente novo, como LocoRoco ou Katamari Damacy, jogos que simplesmente não podem ser classificados. Mas para os usuários dos consoles, a classificação é sempre muito simples: o jogo pode ser “bom” ou “ruim”, com um critério de decisão fácil de entender: você simplesmente não consegue parar de jogar. Difícil é entender por que isso acontece, afinal, a fórmula de Lumines II é exatamente a mesma do primeiro. E o primeiro já era uma reciclagem de Tetris. Era de se esperar que o gênero já não tivesse o mesmo apelo ou despertasse menos entusiasmo entre os jogadores. Será a fórmula tão boa que simplesmente permite que seja eternamente copiada?
 
Um sucessor à altura
 
Mas é preciso reconhecer que existem diferenças, pois Lumines não copia, mas recicla de maneira genial a jogabilidade consagrada em Tetris. O sistema básico não traz surpresas: peças compostas de quadrados caem do topo da tela e devem ser encaixadas para formar padrões. Os padrões são eliminados e abre-se mais espaço para encaixar e eliminar novas peças. O padrão se repete, cada vez mais rápido e acumulando mais pontos. A partida termina quando as peças atingem o topo. O que Lumines faz de diferente é, pela primeira vez, adicionar ritmo ao processo. São raros os puzzles onde você joga e ao mesmo tempo fica cantarolando a música do jogo. Mais raro ainda, um puzzle onde você cantarolar a música ajuda a jogar melhor. Por algum estranho motivo, Lumines lembra em alguns momentos Dance Dance Revolution ou Guitar Hero, onde entrar no ritmo é essencial para o bom desempenho.

Outra diferença fundamental em relação a Tetris, é que as peças não são eliminadas imediatamente quando da formação do padrão (em Tetris eram linhas, em Lumines são quadrados). As peças só desaparecem quando uma “linha do tempo”, uma linha vertical que se desloca continuamente da esquerda para a direita, passa pelo padrão formado. E mesmo com o padrão formado e pronto pra ser eliminado, outras peças continuam caindo. Isso significa que nem sempre você terá espaço suficiente para formar novos padrões, precisando “segurar” a peça que cai pelo máximo tempo possível. Essa pequena característica mexe com todo o conceito de puzzle conhecido pelo jogador médio, pois o planejamento de onde colocar as peças precisa ser mais antecipatório.
 
A música dita o ritmo do jogo!
 
A “linha do tempo” também muda de velocidade, conforme a música que toca em segundo plano. E aqui entra o ritmo citado um pouco antes: se a música é mais agitada, a linha passa mais rápido e elimina as peças mais cedo; mas as peças cairão mais rápido. Se a música é de ritmo mais calmo, a linha demora mais para passar, eliminando as peças em um ritmo menor e aumentando o acúmulo de peças na tela. Por outro lado, você terá mais tempo para decidir onde encaixar as peças. São pequenos detalhes que modificam absolutamente a jogabilidade, sendo que podemos realmente falar em uma evolução do gênero puzzle a partir deste título do PSP.

O grande atrativo em Lumines II – em relação ao primeiro - é o aperfeiçoamento do que pode ser definido como experiência de jogo: não se joga um jogo apenas para terminá-lo, mas pra aproveitar cada momento, tornando o tempo de jogo uma experiência agradável de onde o jogador sai sentindo-se melhor. Afinal, esse parece ser o objetivo de toda mídia que visa o entretenimento. Lumines II investe pesadamente na experiência de jogo: os modos de jogo foram ampliados (em um dos modos é possível criar as próprias músicas pra tocar em segundo plano), oferecendo alternativas interessantes ao modo principal.
 
O design foi refinado, deixando Lumines com características muito próprias, que dão uma “cara” bastante particular ao titulo e chamam atenção pelo bom gosto. O jogo transpira estilo. Alguns detalhes, como os menus, são percebidos logo de início. Outros, como o fato do som de encaixe de cada peça mudar conforme a música, precisam de um pouco mais de atenção para serem notados. O fluxo de jogo e a transição entre as músicas são bastante interessantes, sendo que os desenvolvedores merecem aplausos por introduzir uma gama tão variada de ritmos e gêneros musicais. O ecletismo proposital das músicas parece apelar para um público mais adulto, disposto a conhecer coisas novas e que exige o “pacote completo” ao reservar um tempo para jogar.

Detalhes bem-tratados para propagar o melhor jogo

Como esperado em um puzzle, os controles respondem perfeitamente e são muito simples, consistindo apenas em movimentar as peças com o direcional e girá-las com qualquer dos botões principais. Ocasionalmente, acontecem pequenas pausas na transição entre as músicas e troca de skins, mas não atrapalham.

O jogo é muito bem-acabado e mostra sua beleza no tratamento dado aos detalhes, principalmente das skins: o padrão gráfico das peças e esquema de cores que muda com cada música. A variedade mantém o interesse do jogador, e os padrões presentes são sempre interessantes e dentro do estilo do jogo. Já os vídeos, que servem de cenário, podem apresentar alguns problemas; alguns (como Pump It do Black Eyed Peas) parecem borrados e não são tão nítidos como a tela do PSP poderia apresentar.
 
Certamente foi uma opção que visa a não prejudicar o desempenho, mas destoa da qualidade gráfica geral que permeia o jogo. Outro problema ocasionado pelos vídeos é o fato de que alguns deles chamam mais atenção do que os blocos que estão em primeiro plano. Em alguns casos prejudica a concentração e causa erros de encaixe nas peças. Felizmente o jogo apresenta uma opção que permite que o usuário exclua do repertório as skins (que incluem os vídeos em segundo plano) que menos lhe agradam.

Todos os estilos do mundo!

A qualidade de som é um item fundamental em Lumines II e realmente supera as expectativas, comparando-se a playlists de jogos como Tony Hawk e Need for Speed. A lista de referências pop e hits é grande, com músicas e clips de Fatboy Slim, Hoobastank, Black Eyed Peas, Beck, Chemical Brothers, Gwen Stefani, entre outros. Os clips e músicas exclusivas também são atraentes, formando um mix interessante na totalidade do jogo. Como já citado, a variedade entre gêneros e estilos musicais parece ser a qualidade mais evidente do playlist escolhido para Lumines II.

Os efeitos sonoros da rotação dos blocos, encaixe e eliminação de peças também são muito variados, e adicionam samples e efeitos à própria música. Isso cria um efeito extraordinário, onde o ritmo da música dita o ritmo de jogo, mas o estilo do jogador e sua interação com os blocos também afeta a trilha sonora. Lumines II é um jogo para ouvir, e não é exagero sugerir que se jogue com fones de ouvido de qualidade, a fim de retirar a melhor experiência possível.

Lumines II destaca-se entre os jogos de PSP, e mesmo entre todos os jogos do gênero puzzle, como uma experiência singular. A fusão de jogabilidade e trilha sonora, acompanhada de bons efeitos visuais, transcendem o conceito tradicional de jogo e oferecem algo diferente para os usuários do PSP. Vale experimentar, até mesmo para jogadores que não costumam apresentar interesse pelo gênero.
92 psp
Excelente