Correr sobre o asfalto é coisa do passado [vídeo]

Videoanálise

Com o início morno e de baixas vendas, o 3DS precisava de grandes games para atrair o público que continuava receoso com a tecnologia proposta para o portátil. Para reverter a situação, nada mais lógico do que investir em franquias de sucesso para conquistar tanto o jogador casual quanto aquele que esperava a aparição dos grandes ícones da Nintendo. Para isso, nenhuma opção parecia melhor do que Mario Kart.

Desde sua primeira versão, em 1992, a série é sinônimo de diversão. Do SNES ao Wii, as disputas envolvendo cascos de tartaruga e bananas sempre renderam bons momentos e nunca decepcionaram os fãs do herói bigodudo. Afinal, o que mais esperar de um título que praticamente criou um gênero próprio?

Apesar de não usar a grande novidade do 3DS como deveria, Mario Kart 7 continua sendo um dos melhores títulos do portátil até então. Mantendo tudo aquilo que há de melhor na série e explorando novas formas de jogabilidade, o título trabalha com possibilidades inéditas, o que torna tudo mais divertido.

Se a ideia era fazer com que as corridas ajudassem a atrair o interesse dos jogadores para o console, a Nintendo acertou. Seja no chão, no ar ou na água, o novo Mario Kart é um dos melhores games para este fim de ano.

Voando alto

Com Mario Kart 7, a Nintendo não poupou esforços para fazer do jogo uma das melhores edições de toda a série. Não que isso fosse difícil, já que bastava manter os acertos das versões para DS e Wii e adicionar algumas novidades para tornar aquilo que já era bom, ainda melhor.

Para quem se cansou de pilotar sempre sobre o asfalto, o novo game adiciona elementos que variam a jogabilidade de forma impressionante. É o caso do planador, um acessório que permite que, com o devido embalo, seu kart voe por um tempo. Apesar de não poder ser acessado a qualquer momento, esse recurso é muito útil, principalmente para desviar de obstáculos ou ganhar algumas posições com facilidade.

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Além disso, o novo Mario Kart também traz trechos embaixo d’água, o que dá mais variedade aos circuitos. Se você odiava perder tempo quando saia da pista e mergulhava no mar, isso deixa de ser problema.

Contudo, essas novidades não servem apenas para diversificar o desenho das pistas, mas para estimular o jogador a criar suas próprias estratégias. Em muitos momentos, usar a asa-delta para voar sobre os adversários é a melhor alternativa, mas em outros, isso pode ser uma grande armadilha — principalmente quando um casco azul o atinge no ar. Já os momentos subaquáticos também possuem sua importância, principalmente por serem ótimos atalhos.

Novos poderes

Outra novidade de Mario Kart 7 é a adição de novos itens de Power-up, o que deixa as corridas mais acirradas. Apesar de serem poucas armas inéditas, elas realmente fazem diferença.

É o caso da cauda de guaxinim. Ao ativar o poder do traje Tanooki, seu kart ganha um rabo que serve de escudo contra qualquer objeto arremessado contra você. Além de rebater cascos e bananas de seu caminho, ele também pode ser usado para derrubar outros pilotos.Img_normal

Além disso, temos a icônica flor da série Super Mario Bros. Com ela, o jogador pode arremessar bolas de fogo nos demais competidores, sendo uma das habilidades mais versáteis do extenso arsenal.

Velozes e furiosos

Quem jogou as versões anteriores de Mario Kart já deve ter decorado as características individuais de cada personagem. Mario sempre foi mais equilibrado, Toad mais leve e rápido e Bowser pesado e destrutivo. Presente desde a época do Super Nintendo, esse detalhe sempre fazia com que os jogadores priorizassem alguns heróis e deixassem outros de lado.

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O novo game simplesmente remove a importância desses atributos individuais — ainda que eles existam, mas de maneira mais discreta. A partir de agora, as diferenças de velocidade, aceleração e estabilidade ao volante são organizadas a partir da forma com que você monta seu carro. Isso mesmo, Mario Kart 7 possui tuning.

A personalização de seu kart é bem simples, mas influencia diretamente o desempenho nas corridas. São várias opções de chassis, rodas e planadores disponíveis, o que permite a customização do visual de múltiplas maneiras. Além disso, você desbloqueia novas peças à medida que conclui campeonatos e coleta moedas, incentivando o avanço no game.

Entre a corrida e o passeio

Uma das marcas registradas da série Mario Kart é o design criativo das pistas. A cada nova edição, encontramos fases cada vez mais divertidas e que chamam a atenção tanto por seu trajeto quanto pela própria temática proposta. Em Mario Kart 7, isso é ainda mais evidente.Img_normal

Entre cenários novos e clássicos, podemos perceber que a Nintendo estava inspirada ao conceber alguns circuitos. Exemplo disso é a Music Park, que leva Mario e os demais pilotos a um estúdio musical em que qualquer movimento faz com que melodias surjam ao seu redor. Além disso, alguns níveis abandonam a lógica circular, dividindo o caminho em setores. É o caso da nova Rainbow Road, que está mais variada e menos repetitiva.

De onde ele veio?

Se no modo para um jogador, Mario Kart 7 se sai muito bem, o multiplayer online é responsável por algumas derrapadas. Isso porque os servidores da Nintendo não têm uma boa resposta, criando lags incômodos e que atrapalham a disputa.

O maior exemplo disso é o fato de os demais jogadores simplesmente “surgirem” na sua frente. Você não vê a ultrapassagem e nem percebe sua aproximação, o que impossibilita a criação uma estratégia de defesa. Você só nota que perdeu posições quando vê o adversário sumir no horizonte.

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3D pra quê?

Você comprou um portátil cujo maior destaque é a tela especial para efeitos 3D. O que esperar de um dos principais jogos da fabricante do console? Que ele use o recurso, certo? Mas não é isso que acontece com Mario Kart 7.

Ainda que a profundidade seja sentida nas pistas, ela não tem nenhuma utilidade prática, ao contrário do que acontece com Super Mario 3D Land. O efeito tridimensional é mais um luxo do que um elemento essencial. Porém, isso não seria problema se o 3D não atrapalhasse a jogabilidade.

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Para você enxergar as três dimensões, é preciso que você mantenha a tela em um ângulo específico. Contudo, se você for do tipo que joga movendo as mãos a cada curva, prepare-se para ver três Marios lado a lado e perder completamente a noção de direção.

Isso é ainda pior com a câmera em primeira pessoa. O que deveria ser uma ótima novidade para o jogo se transforma em uma grande dor de cabeça, literalmente. Como o controle é feito com o giroscópio, basta girar o 3DS para que o efeito se desfaça.

90 3ds
Excelente