Praticamente um fliperama dentro de sua casa! [vídeo]

Gameplay BJ


Remake, reboot, relançamento... Praticamente qualquer trabalho que seja caracterizado com um prefixo “re” deixa os jogadores com o modo “alerta” ligado. Se a obra em questão se tratar de um clássico do passado, então a desconfiança aumenta exponencialmente, pois estaremos de frente a um produto que promete melhorar algo que já consideramos no ápice da qualidade.

Se você é fã de jogos de luta e é nascido na década de 1980, certamente a franquia Marvel faz parte integrante de sua formação nos video games. Impreterivelmente, se você queria contemplar uma experiência de “dois contra dois” jogadores, era preciso utilizar os fliperamas, pois os consoles da época ainda não tinham capacidade motora para sustentar um crossover.


Com isso, na metade dos anos 1990, a Casa das Ideias lançou o fantástico Marvel Super Heroes. O título colocava os jogadores no controle de um entre onze personagens jogáveis (mais dois chefes e um polêmico lutador secreto). Cinco anos mais tarde, depois de dois grandes crossovers entre franquias específicas de sucesso, a editora de Stan Lee deu as mãos para a Capcom e elas lançaram Marvel vs. Capcom: Clash of Super Heroes.


O primeiro dos dois lançamentos apresentou uma jogabilidade que era frenética, mas que, ao mesmo tempo, permitia aos jogadores terem controle total dos personagens. O game introduziu a possibilidade de realizar combos infinitos, que deveriam ser cuidadosamente estudados pelos gamers, no intuito de torná-los máquinas de combate.

Já o segundo título acrescentou uma infinidade de personagens, aproveitando muitos dos recursos estabelecidos pelo primeiro no quesito jogabilidade. A edição número 2 fez a adição de um segundo personagem ao elenco de participantes de cada luta, o qual poderia entrar na tela ao mesmo tempo em que o protagonista. Não é preciso falar que ambos os jogos foram dantescos sucessos do mercado de luta.


A Capcom acaba de lançar uma versão remasterizada das duas produções noventistas para os consoles da sétima geração, chamada Marvel vs. Capcom: Origins. Será que a novidade consegue dar conta do recado?

Marvel vs Capcom: Origins é simplesmente fenomenal! Os tempos de fliperama estão de volta e com toda o brilho e glória exaltados. Relembrar dois jogos que fizeram tão bonito em suas épocas é uma experiência revigorante e, ainda por cima, serve de alternativa aos jogos atuais de luta — que imprimem um ritmo consideravelmente mais frenético.

Quem estiver um pouco menos familiarizado com os títulos mais antigos terá a oportunidade de descobrir como seus irmãos ou primos mais velhos passavam o tempo se digladiando nos fliperamas por aí. Tudo isso no conforto de seu lar, jogando contra um colega em seu próprio video game ou contra outro adversário online.


E mais: você pode, inclusive, jurar para os seus amigos que há como pegar o “Ryu” em Marvel Super Heroes, o que é uma das grandes lendas do mundo dos games. O game vale muito a pena por cumprir com majestade o que ele se propõe a ser: uma transposição de mais qualidade de um jogo antigo para um console novo.

Só não podemos compará-lo tecnicamente com títulos mais atuais, como o Street Fighter IV: AE, Mortal Kombat ou mesmo UMVC. Fora isso, pode comprar sem medo.

Dois pelo preço de um

Quando você compra um jogo, é claro que você paga o preço que ele vale. Neste caso, o título em questão entrega dois jogos completos, com a jogabilidade de cada um realmente muito distinta, com a proposta geral diferente e oferecendo uma gama de personagens únicos de cada um.

Em outras palavras, trata-se de dois jogos diferentes, pelo preço de apenas um!

Igual, mas diferente

A experiência de ter jogado os dois títulos em questão nesta análise é trazida novamente à tona, em pleno século 21. A principal diferença entre MSH, MVC e os atuais Ultimate Marvel vs. Capcom 3 e afins é o ritmo de cada batalha, que é muitíssimo mais cadenciado nas obras que foram remasterizadas.

Nos jogos mais antigos, não é possível realizar combos infinitos que eliminam adversários dentro de 10 ou 15 segundos. No entanto, também há como efetuar sequência sem fim, de modo a acabar com o adversário em mais de 20 segundos. Para isso, cada personagem possui um equilíbrio de poder muito mais bem resolvido, levando em conta, principalmente, a relação entre força e velocidade.


Por exemplo, Hulk e Juggernaut são personagens mais lentos que, por outro lado, contam com golpes muito mais poderosos. Para vencer o Homem-Aranha ou Wolverine, que são rápidos e muito mais fracos (em termos de força de apenas um golpe), é preciso acertá-los muitas vezes menos.

Fliperama em casa

A resolução sofreu algumas “gambiarras” técnicas para que pudesse ser adaptada aos consoles da atual geração. Isso fez com que o visual dos games fosse idêntico ao que eles apresentavam nos fliperamas, utilizando o mesmo formato de tela e a mesma taxa de quadros por segundo. Isso reflete em uma experiência saudosista de muita qualidade, na qual o ritmo das lutas se mantém igual ao que era.

Essa adaptação gerou muito mais frutos positivos do que negativos para os games, pois as capacidades técnicas de PlayStation 3 e de Xbox 360 são infinitamente superiores ao que existia mais de dez anos atrás. Portanto, podemos dizer que a tela de “loading” presente nos games, após a escolha dos personagens, existe para manter o clima retrô.


Como as televisões atuais utilizam milhares de números de pixels para exibir as imagens, Marvel vs. Capcom: Origins precisa utilizar alguns filtros para conseguir uma melhor adaptação do conteúdo. Um desses recursos é a aplicação de linhas horizontais por toda a tela (scanlines), mascarando a falha dos cenários e conferindo a impressão de que o jogo está emulando um monitor CRT (os convencionais de “fliper”).

Objetivos a longo prazo

Tanto em Marvel Super Heroes quanto em Marvel vs. Capcom há objetivos a serem cumpridos — para desbloquear troféus — e personagens secretos para serem liberados. Quem conseguir platinar o game dentro de uma semana, por exemplo, pode estar se perguntando: “E agora, qual será a utilidade do game?”.


Depois disso, o desafio multiplayer local é incrivelmente bem feito, com a jogabilidade simulando perfeitamente o que havia no fliperama.

Falta equilíbrio

Com a moda dos DLCs e dos pacotes de expansão produzidos e liberados após o lançamento dos jogos, é possível apontar que estamos um pouco desacostumados com jogos que trazem algum tipo de desequilíbrio entre os personagens e que continuam dessa maneira. No entanto, os personagens secretos de Marvel vs. Capcom são um pouco “fortes demais”.

Essa característica pode partir da própria proposta do jogo ou, o que é mais provável, será corrigida com algum patch dentro de pouco tempo. Mesmo assim, a franqueza com a qual uma luta ocorre é sempre o ponto mais importante de um game de luta. Assim, os personagens mais fortes são sim um problema.

Capcom preguiçosa

Por mais que o fato da semelhança com o game original agrade muito, a Capcom simplesmente deu um “copiar” e “colar” na versão para os consoles da sétima geração. A desenvolvedora não se dignou a colocar nenhuma modificação gráfica, não há novos personagens, novas skins e nenhuma outra novidade.


Para piorar um pouco mais a falta de trabalho da empresa, o game utiliza a resolução original com a qual foi criado. Em outras palavras, a empresa apenas aplicou uma série de camadas de filtros corretores e demais recursos para mascarar a baixa qualidade técnica de seu produto antes de colocar uma etiqueta nova de preço.

80 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

80 xbox-360