Apesar de não aproveitar o potencial do DS, esta coletânea diverte

Quem nunca ouviu falar em Mega Man? Trata-se de uma franquia extremamente conhecida no mundo dos jogos eletrônicos, principalmente para aqueles que gostam de ação em perspectiva de visão lateral (“side-scrolling”). O assunto, aqui, é justamente isso: Mega Man Zero, uma divisão da série que foca — como o nome sugere — o personagem Zero.

Collection agrupa os quatro títulos dessa divisão no portátil de sétima geração da Nintendo. O protagonista principal da “quadrilogia” é um robô que foi desativado durante um século. A cientista Ciel, fugindo dos terríveis Pantheons em um laboratório subterrâneo, encontra uma maneira de reativar um Zero sem memórias concretas, mas que está determinado a ajudar a humana.

O contexto é um mundo no qual os “reploids” (robôs) estão constantemente perseguidos por uma entidade chamada Neo Arcadia, controlada pelo infame X. Os quatro guardiões da terrível ameaça devem ser derrotados: Harpuia, Leviathan, Fefnir e Phantom. Mas Zero é um legítimo herói cibernético e extermina todos os Pantheons e demais inimigos que encontra pelo caminho.

A jogabilidade é um dos pilares de Collection, pois imita perfeitamente o esquema de comandos dos games feitos para Game Boy. Por exemplo: mais uma vez, surgem as telas de pontuação após o término das fases, com “codenames” — denominações que representam o desempenho do jogador na etapa — e todo o resto.

Logo de início, a tela principal da coletânea apresenta uma opção curiosa: Easy Scenario. Aqui, o jogador tem a possibilidade de participar diretamente das aventuras de Zero nos quatro jogos através de um modo amigável, que facilita os embates. É um modo de jogo altamente recomendado para quem desconhece a fórmula básica de Mega Man.

No mais, os desenvolvedores colocaram novidades de menor porte como dispositivos (Chain Rod e Zero Knuckle) na tentativa de diferenciar a coleção dos títulos originais. Mas não houve escapatória: Collection é essencialmente um agrupamento de títulos que marcaram presença no mundo dos video games e não vai além disso.

É uma boa coleção. Por aproximadamente US$ 30 (cerca de R$ 54,48 na taxa de câmbio atual), os fãs de Mega Man têm a oportunidade de adquirir quatro jogos satisfatórios da série Mega Man Zero. O tão conhecido “reploid” continua intenso nas telinhas do DS e, como mencionado acima, desperta facilmente a nostalgia.

Só que a quantidade limitada de novidades estruturais e o fraco uso das características distintas do pequeno console da Nintendo (tela sensível a toques e, consequentemente, uso da stylus) entram em contraste com o sentimento descontraído dos combates. Mas é claro que o nome Collection faz referência justamente ao retorno de clássicos em forma de uma coletânea. Portanto, os quatro jogos não deixam os fãs da franquia na mão.

Difícil ser mais nostálgico

Por onde começar? Bem, os visuais dos quatro jogos já formam um motivo forte o suficiente para que Collection seja classificado como um título nostálgico. Os gráficos misturam belas animações em 2D com efeitos bastante coloridos, tornando a atmosfera muito chamativa. Por mais que o DS possua limitações gráficas, os visuais são alegres.

Img_originalÉ interessante constatar que os recursos sonoros — principalmente as músicas, que permanecem tão boas quanto as “chiptunes” dos jogos originais — também contribuem para o surgimento praticamente inevitável de nostalgia em quem já conhece Zero. E o personagem está tão icônico quanto antes. Pode-se dizer que o elenco de figurantes fecha o pacote de boas lembranças.

Jogabilidade acessível

Basta pegar o ritmo. Vale reforçar que o modo Easy Scenario é o ideal para gamers inexperientes, pois facilita a experiência apresentando um Zero bastante poderoso. Mas quem não tem problemas com reflexos e comandos simples pega o jeito da jogabilidade em poucos minutos. Uns “dashes” e espadadas aqui, outros pulos e disparos ali, e tudo fica mais fácil.

É importante que o jogador domine os controles básicos para vencer os embates com chefes. As lutas finais das fases são simples, mas exigem perseverança e determinação. Bons reflexos também são essenciais para que o robô controlado não perca muita energia desnecessariamente. Certos inimigos requerem que o gamer use a cabeça para empregar os golpes certos nos momentos corretos.

Comandos personalizáveis e outras opções

É muito bom poder configurar os botões de acordo com o esquema de comandos desejado. Assim, o jogador não se sente preso a uma estrutura pré-definida e consegue controlar Zero com muito mais flexibilidade. Muitos gamers têm problemas com a configuração padrão de botões, mas felizmente conseguem superar esse obstáculo.

Além do modo Easy Scenario, um dos diferenciais que se destaca assim que o jogador contempla o menu principal é a opção Collection. Aí, existe a oportunidade de contemplar uma variedade de itens e objetos desbloqueados com o progresso do gamer na saga de Zero.

Pouco uso dos diferenciais do DS

Infelizmente, pode-se dizer que Collection não faz jus aos diferenciais que o DS oferece em relação a outros consoles portáteis. É possível aposentar a stylus durante a experiência com os quatro jogos, pois não há o que fazer com a pequena caneta de plástico enquanto Zero pula e inferniza os oponentes.

A tela inferior do console da Nintendo é praticamente inútil, pois apenas exibe os personagens (por mais que sejam bonitas, são imagens estáticas) e não auxilia de forma alguma na jogabilidade. É uma pena constatar que os desenvolvedores foram cuidadosos com vários aspectos técnicos da coletânea, mas não quiseram adicionar as funcionalidades peculiares do DS aos comandos.

Enjoativo?

As “diferentes” missões não são para todos. Sim, os oponentes variam e atacam de maneiras diversificadas, mas o estilo do jogo permanece sempre o mesmo. As pequenas reviravoltas nas quatro tramas não quebram a monotonia da jogabilidade.

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Não há uma quantidade satisfatória de inovações que consiga impressionar os usuários assíduos do DS. A franquia Mega Man, sem dúvidas, aparece com muita qualidade, mas pode chatear muitos jogadores com uma fórmula “batida”, pouco diversificada.

Dificuldades de adaptação

Pois é, existem falhas de desenvolvimento na estrutura geral de Collection. O melhor exemplo consiste no seguinte problema: uma vez que o jogador escolha um dos quatro títulos à disposição, é impossível retornar ao menu principal e escolher outro game sem ter que desligar o pequeno console.

Pode parecer uma tolice, mas isso mostra que certos quesitos estruturais não foram intensamente cuidados pelos desenvolvedores. Mais um exemplo? Nas áreas de personalização de controles, a navegação poderia ser mais intuitiva.

75 ds
Bom