Com uma atmosfera incrível, Metro 2033 concebe uma jornada sedutora

Fallout 3 e S.T.A.L.K.E.R., são apenas alguns dos títulos desta geração que abrangem um mundo pós-apocalíptico. Para muitos, este tema já está se tornando tão popular quanto às infestações de zumbis, mas, mesmo assim, continuamos presenciando novos lançamentos que se encaixam nesta fórmula.

Um dos mais recentes é Metro 2033, da 4A Games. À primeira vista, a impressão é que teríamos um game muito parecido com Fallout 3, no qual o jogador vive uma mistura de RPG com shooter em plena Washington D.C. destruída. Mas, o tempo foi passando e a desenvolvedora, pouco a pouco, liberou mais informações sobre o game. Logo, a idéia de “cópia de Fallout 3” foi por água abaixo.

Mas, então, como é Metro 2033? Bem, mesmo diferente da obra-prima da Bethesda, o game ainda compartilha diversas semelhanças — o que é realmente bom, afinal de contas, estamos falando de um dos melhores games desta geração. Mas, Metro 2033 é muito mais shooter (FPS) que RPG. E, felizmente, como um shooter, o game se sai muito bem.

Infelizmente, alguns problemas acabam impedindo que o game seja tão memorável quanto Fallout 3, especialmente na jogabilidade. Entretanto, algumas mecânicas interessantes, um ritmo bacana e, principalmente, a atmosfera fazem de Metro 2033 um título essencial para quem busca uma verdadeira aventura.

Misturas e um bom livro

Bem, é possível comparar, facilmente, a estrutura de Metro 2033 com BioShock. Primeiramente, trata-se de um FPS em que o objetivo não é simplesmente correr e atirar. O game conta com um pano de fundo bastante interessante, o qual foi extraído do romance russo de Dmitry Glukhovsky que leva o mesmo nome. Sendo assim, a trama é um dos pilares principais do título, o que é relativamente raro no gênero dos FPS.

Além disso, a escassez de recursos e o uso de armas e equipamentos personalizados também relembram bastante o jogo da 2K. Fora isso, a já mencionada atmosfera, imponente em BioShock, é outro fator marcante de Metro 2033.

Na realidade, BioShock não é o único título que parece ter servido como inspiração para a 4A Studios. Em Metro 2033, também temos uns toques parecem ter sido tirados quase que diretamente de F.E.A.R., como os momentos sobrenaturais. Mas, então Metro 2033 é apenas uma mistura de tudo isso? Não exatamente.

A trama do game envolve a história de Artyom, um dos milhares de jovens que vivem sob Moscou. Após um desastre nuclear, a cidade foi devastada, e a população passou a viver refugiada nas estações de metrô que ligavam o local. A vida aqui não é nada fácil, pois a superfície foi dominada por mutantes e anomalias perigosas que podem acabar facilmente com a vida de um humano. Além disso, existem algumas atividades sobrenaturais que também contribuem para o medo nos trilhos e nas estações.

Mas, ao contrário de muitos, Artyom viveu no mundo pré-guerra, mantendo muitas lembranças desta época. Com isso, o protagonista desenvolve uma relação peculiar com a superfície, e sua inconsciência busca resgatar os momentos felizes de sua vida, instigando-o a retornar para um local que não existe mais.

Saudades de casa?

Para reforçar a trama, o game consegue criar um clima realmente bacana. O jogador parece mesmo estar vivendo na pele de Artyom, graças a bela concepção de sociedade da 4A Studios. Nas estações de metrô, você encontrará várias pessoas conversando, andando, cantando e até limpando o chão. Ou seja, a vida é convincente.

Além disso, o jogo trás várias estações de metrôs distintas, cada uma com seus grupos diferentes — até mesmo os nazistas estão no game. Existem também os grupos hostis, como bandidos e outros seres não muito receptíveis.

Obviamente, o maior problema de Metro 2033 não são os humanos. Em sua jornada, Artyom encontrará diversas anomalias diferentes, principalmente na superfície gelada de Moscou. Felizmente, o instinto de sobrevivência nos metrôs acaba gerando um grande arsenal de fogo, com armas poderosas e outras nem tanto.

Sendo assim, Artyom é obrigado a aprender a lidar com as armas — e você também. O título oferece diversos “brinquedinhos” diferentes, a maioria deles de fabricação pós-guerra. Ou seja, nada muito eficiente. Mas, durante a jornada você também encontrará armas da milícia pré-guerra, que acabam sendo muito valiosas e poderosas.

Metro 2033 também apresenta dois tipos de munição: a normal, feita pelos moradores dos metros, e a pré-guerra. Esta segunda, além de ser mais efetiva que a convencional, também serve como grana para comprar novos equipamentos e armas. Ou seja, fica ao seu critério se Artyom irá ou não queimar dinheiro.

Em suma, Metro 2033 é uma mistura de survival horror com FPS. A atmosfera, a escassez de recursos e o design das criaturas relembra bastante jogos como Silent Hill. Mas, também há o lado mais intenso, apresentado nos combates e em alguns eventos mais frenéticos do game.

Infelizmente, a combinação não é perfeita. Sem dúvidas, Metro 2033 conta com uma boa premissa, mas a execução não é das melhores. Diversos problemas na jogabilidade e uma produção de baixo custo são apenas alguns dos problemas que assombram os trilhos deste metrô.

Metro 2033 conta com alguns pequenos problemas de produção, mas sua atmosfera compensa boa parte dos erros. Se você é um fã de Fallout 3 e BioShock, então não deixe de conferir este FPS que preza por uma boa trama. Mas, quem procura puro tiroteio deve andar em outro metrô.

Sugando você para dentro do jogo

Mesmo não sendo propriamente um RPG, Metro 2033 consegue trazer vários elementos do gênero em uma estrutura curiosa. Um dos principais é a empatia com o protagonista do game, Artyom. Logo no começo do game, por exemplo, o jogador é apresentado a uma missão que envolve atravessar a superfície para chegar até uma determinada estação. Até aí, tudo bem. O problema é que esta missão é apresentada por um estranho.

Imediatamente, a incerteza sobe à cabeça do gamer: será que devo me arriscar? Afinal, a imagem da superfície para o jogo não é nada atraente, mas não há como negar que existe certa curiosidade em saber como andam as coisas lá em cima. De qualquer maneira, você terá de aceitá-la — mas isso não significa que você não irá se arrepender.

Armas são
 tudo em Metro 2033

Ao iniciar essa jornada, Artyom revê a superfície pela primeira vez, o que acaba gerando flashbacks daquele mundo harmonioso que jamais retornará. Mas, além disso, Artyom também percebe que as chances de um retorno à vida sob os céus são mínimas. Criaturas horrendas e perigosas e um clima hostil são apenas algumas das contribuições para esta conclusão.

Imediatamente, você pensa: eu não deveria estar aqui, quero voltar para a estação. A insegurança é imensa, pois a desenvolvedora conseguiu criar ruínas e uma atmosfera deprimente, bem parecida com a de Fallout 3, mas ainda mais ameaçadora. O clima fica mais tenso graças à necessidade de utilizar uma máscara de gás, indispensável para a sobrevivência de Artyom na superfície.

A ausência da vida a qual estamos habituados é outro fator que incomoda o jogador — no bom sentido. Basicamente, você só ouvirá o vento, a sua respiração e os sons bizarros dos inimigos — além dos tiros, é claro. É inevitável não sentir a falta dos ruídos convencionais de uma cidade.

Nos metrôs, a coisa também não é muito atraente. Viver embaixo da terra dificilmente é algo bom, e em Metro 2033 as coisas não são diferentes. As condições do ambiente não contribuem em nada para os grupos que vivem nestes locais. A obtenção de alimentos é difícil — porcos tem de ser criados dentro do próprio metrô — e o ar e a água também não são encontrados em suas condições ideais. Ou seja, nem mesmo o básico para sobreviver.

Para reforçar o clima, a desenvolvedora conseguiu criar uma sociedade convincente. Você pode ouvir conversas de terceiros — algo que, com certeza, você fará —, observar as atividades alheias e até tocar ou ouvir canções em russo. Mesmo com as dificuldades, a vida ainda continua, e Metro 2033 mostra bem isso.

Como se não bastasse tudo isto, o título ainda traz uma relação misteriosa com o sobrenatural. Além dos perigos conhecidos, há também ameaças conhecidas como Dark Ones, das quais pouco se sabe, mas muito se teme.

Como você pode facilmente perceber, o pilar central de Metro 2033 é sua atmosfera. Sem dúvidas, ela é capaz de carregar o jogador por toda a jornada, passando por cima dos pequenos problemas que afetam o jogo em outros atributos. Palmas para a 4A Studios.

Inovando por necessidade

Detalhes 
que chamam a atençãoBem, o gênero FPS já conta com centenas de títulos, não é mesmo? E, fugir do tradicional é uma missão que todos os desenvolvedores que anseiam lançar um título deste gênero precisam cumprir. Aqui, temos as bases de um FPS tradicional (atirar e correr), mas há outros elementos interessantes que destacam Metro 2033 entre os demais.

Talvez o mais impactante resulte da já mencionada atmosfera do game. Em uma combinação de survival horror com shooter, Metro 2033 acaba originando equipamentos essenciais para a sobrevivência do jogador. Um deles, por exemplo, é a lanterna, que aqui é apresentada de modo muito interessante.

Em vez de contar com uma simples lanterna à bateria, o que seria muito mais conveniente, Artyom utiliza uma lanterna a dínamo para iluminar seu caminho. Para produzir à corrente, o jogador tem de sacar o equipamento e pressionar várias vezes o botão de tiro para deixar a luz mais forte. Agora imagine fazer isto enquanto enfrenta diversos monstrengos no escuro.

Este não é o único toque bacana do game. Para utilizar a bússola do game, o jogador tem de acionar um comando para que o protagonista verifique, fisicamente e em tempo real, os objetivos e o caminho certo. E se você estiver no escuro, basta acender o isqueiro — em forma de munição — que tudo está resolvido. Mas, obviamente, você também ficará vulnerável aos ataques.

Estas pequenas adições, juntamente às armas personalizadas do game, sem dúvidas contribuem para a caracterização do game. Além de fugir do tradicional, Metro 2033 consegue fazer isso enquanto contextualiza com a trama.

Ritmo bacana

Do início ao fim do game, o jogador vive uma jornada de ritmo bacana. Vários eventos distintos ocorrem e Artyom tem de passar por situações intensas que, muitas vezes, requerem muita habilidade e estratégia para o jogador. Nesse meio tempo, o protagonista é apresentado à vários personagens diferentes, alguns com personalidades marcantes e outros que possivelmente serão esquecidos.

Felizmente, não há qualquer momento em que o jogador deve coletar uma série de objetos diferentes ou embarcar em puzzles que quebram totalmente o ritmo do game. Sendo assim, o título traz uma fórmula que, mesmo linear, escolha muitas vezes contestada na atual geração, consegue ser homogênea e atraente até o final da jornada.

Faltou polimento

Conforme mencionamos, Metro 2033 tinha tudo para ser perfeito, mas a execução de alguns elementos impediu que isso se tornasse realidade. Muitos elementos de jogabilidade parecem ter sido inseridos na correria, principalmente nos momentos de combate.

Infelizmente, nem tudo flui como deveria nos momentos de ação. A movimentação dos inimigos não convence, e os ataques também não causam medo — apenas danos ao seu personagem. Basicamente, as criaturas — muitas delas de design genérico — deixam a desejar quando estão se movimentando.

Fora isso, o excesso de eventos programados também pode incomodar. Quando o jogador passar por uma determinada parte do metrô, por exemplo, algo “aterrorizante” acontece. Infelizmente, isso acaba deixando o jogo previsível, pois muitas vezes fica fácil perceber que algo irá acontecer.

Faltou 
capricho nos monstrengos

Falando em programação, existem muitas falhas no desenvolvimento do game. Além de bugs como ficar preso em paredes e personagens mortos que se movem misteriosamente, Metro ainda apresenta um gravíssimo problema relacionado aos checkpoints.

Durante nossa fuga ao lado de Bourbon, logo no início do game, estávamos sendo perseguidos por uma série de criaturas horrendas. Devido à falta de munição, decidi simplesmente fugir em direção ao objetivo. Quando alcancei o checkpoint, as ameaçadoras e quase invencíveis criaturas misteriosamente morreram, todas no exato momento em que passei pelo local do objetivo. Terrível.

Na versão para Xbox 360, os gráficos sofrem ainda mais. Muitas texturas, principalmente na neve, são de baixa qualidade, o que pode denegrir bastante o clima do game. Além disso, a falta de filtros também compromete a versão.

O som também não escapa dos problemas. Mesmo com trilhas caprichadas e uma ambientação boa, muitos ruídos são simplesmente deploráveis. Sons conhecidos e totalmente banais estão presentes por toda a parte, o que acaba denegrindo a caracterização do game.

Os problemas da radiação

Os personagens controlados pelo computador, mais uma vez, demonstram suas fraquezas aqui. Além de inimigos não muito inteligentes — ou inteligentes demais — você também terá de lidar com os companheiros com cérebro de alcachofra. Bourbon é um deles. Mesmo tendo uma personalidade forte, o personagem, em nosso primeiro encontro com os bandidos, simplesmente permaneceu parado atrás de um obstáculo enquanto os demais oponentes atiravam tudo o que tinham contra Artyom.

Em outras situações, os personagens parecem não ter rumo e permanecem correndo de um lado para o outro. Este problema é ainda mais notável na versão para Xbox 360. Outro fator que incomoda é quando você tenta matar seu oponente em discrição. Mesmo com facas silenciosas, após a morte de um dos soldados inimigos, todos os demais bandidos saberão exatamente onde você está.

Conceitos falhos

Infelizmente, a idéia de utilizar munição como moeda não se saiu bem na prática. Para carregar sua arma com munição preciosa, por exemplo, basta segurar o botão que recarrega durante alguns segundos a mais. Sendo assim, é normal atirar dinheiro sem querer. E, a vantagem em utilizar munição-grana em suas armas não é muito atraente — vale muito mais a pena guardá-las para comprar novos equipamentos.

79 pc
Bom

Outras Plataformas

77 xbox-360