RPG, aventura, quebra-cabeças e estratégia por turnos irrompem neste jogo excelente.

Ashan é uma terra fantástica. Figuras lendárias habitam diferentes ambientes: Elves (elfos) guardam as florestas de Irollan, Knights (cavaleiros) dominam os territórios do Griffin Empire, Wizards (feiticeiros) populam os desertos das Silver Cities, Necromancers (bruxos, necromantes) reverenciam as terras desoladas de Heresh e terríveis demônios infernizam Sheogh, o mundo amaldiçoado.

Conseguiu contextualizar a atmosfera de Might and Magic: Clash of Heroes? Pois bem. O importante é saber que, durante certos eclipses lunares, as barreiras de Sheogh são enfraquecidas e as criaturas malignas trazem a guerra a Ashan. Felizmente, os aliados conseguiram repelir várias vezes os inimigos perversos com o uso de um artefato poderoso conhecido como Blade of Binding... Até agora.

Sem adentrar o enredo deste curioso jogo distribuído pela Ubisoft, o importante é saber que aventura é um gênero presente no game. RPG? Com certeza. O mesmo vale para estratégia por turnos. E há um pouco de quebra-cabeças também. É isso mesmo: um mix de gêneros diferenciados é a principal aposta dos desenvolvedores da Capybara Games.

Não pense que você vai jogar um daqueles tradicionais RPGs para DS que contam apenas com batalhas comuns e um sistema de nivelamento trivial. Clash of Heroes é amplo, longo e possui até mesmo modos diferentes de jogo para quem não quer mergulhar de cabeça na trama... Mesmo que a história seja, no mínimo, interessante e descontraída.

Na realidade, este título herda características de vários outros games e, ainda assim, consegue se tornar distinto em certos aspectos. Por exemplo: enquanto você caminha pelo mapa de forma extremamente simples, poderão surgir emboscadas. Para escapar delas, basta apertar o botão B a tempo ou usar a stylus (a pequena caneta do console) em um pequeno escudo que aparece na tela. Se o seu reflexo não é rápido o suficiente... Bem, hora do combate.

Movimentos cautelosos

A pancadaria não ocorre em tempo real. Lembrando o que ocorre na série Heroes of Might and Magic, Clash of Heroes emprega um sistema por turnos para a criação de investidas e estratégias defensivas. A tela superior exibe o exército inimigo, enquanto a tela inferior — sensível a toques — abriga os combatentes controlados pelo jogador. Cada tela é basicamente um "grid" de oito espaços por seis.

A premissa básica é bastante simples: dado um número limitado de ações, o gamer tem a possibilidade de alinhar os soldados para criar formações de ataque (verticalmente) ou de defesa (horizontalmente). Três é o número mínimo de unidades que devem ser alinhadas para que uma formação seja criada. Uma vez que uma formação de ataque é realizada, a investida ocorre de forma automática depois de um determinado número de turnos, respeitando as características específicas das unidades utilizadas.

As peculiaridades desse sistema são muito interessantes. Antes de embarcar em um combate, o jogador tem a possibilidade de escolher três tipos de unidades normais (Core) e dois tipos de unidades especiais (Elite ou Champion). É essencial verificar a integridade do exército antes de participar de um conflito.

Além disso, o aventureiro pode equipar um Artifact, um item valioso que oferece um bônus específico. Somente um artefato pode ser equipado. Outro aspecto curioso é a utilização de habilidades especiais. Como? Sofrendo ou aplicando investidas, o gamer adquire pontos mágicos. Um bom exemplo de habilidade especial é o Sniper Shot, um tiro certeiro que, sem consumir um ponto de ação, faz estrago em qualquer uma das colunas inimigas de acordo com a escolha do jogador.

As batalhas são tão estratégicas que somente o modo Quick Battle é o suficiente para uma boa diversão. Neste caso, o jogador escolhe uma facção para a inteligência artificial controlar, determina o nível de dificuldade (há cinco disponíveis), habilita o uso de artefatos ou não, elege um herói (também cinco disponíveis), escolhe as unidades (há restrições se o jogador não foi longe no modo single player), escolhe um dos dez artefatos à disposição (variados de acordo com o herói escolhido) e parte para um combate longo e intenso.

Muito mais do que "meros combates"

É, digamos, "ruim" ser parcial em uma introdução de uma análise, mas Clash of Heroes se destaca mesmo na estrutura básica da jogabilidade. As batalhas realmente formam o pilar principal do jogo, mas há vários outros momentos nos quais os jogadores são capazes de se surpreenderem com o capricho dos desenvolvedores.

Enfim, confira os pontos positivos e negativos apontados abaixo pelo TecMundo Games e entenda o motivo pelo qual Clash of Heroes é um game único e altamente recomendado para os usuários do Nintendo DS.

É um grande game em uma pequena plataforma. A impactante mistura de gêneros se transforma em uma combinação atraente para os usuários do portátil da Nintendo. Mesmo quem não gosta muito do estilo clássico de retratação visual — perspectiva "top-down" — de RPGs deste tipo pode facilmente se interessar por Clash of Heroes.

Os próprios combates já formam um motivo sólido para que muitos portadores de um DS percam várias horas encarando as duas telinhas. Por outro lado, a face aventuresca do jogo conta com uma boa história, cheia de detalhes. Missões secundárias, combates diversos e uma constante atmosfera de desafio são outros pilares do game.

Tecnicamente, este título explora bem o potencial do console de bolso. Visuais vibrantes e coloridos expressivamente entram em sintonia com trilhas sonoras de peso (mesmo que repetitivas, às vezes). A jogabilidade apresenta poucos problemas e oferece muita flexibilidade, visto que satisfaz tanto os amantes da stylus quanto os usuários que preferem apertar botões.

Em outras palavras: este jogo vale a pena, e muito.

Completo, satisfatório

Completo? Bem, é só ler a introdução acima. Satisfatório? Com certeza. Logo de início, é possível perceber a magnitude deste game. Antes de tudo, há a chance de escolher um dos seguintes idiomas para os dizeres na tela: inglês, francês ou espanhol. A robustez do RPG se estende também para o número e a consistência dos modos de jogo: Single Player, Multiplayer (com suporte a Multi-Card Play e Single-Card Play) e Quick Battle.

Gradativamente, o jogo envolve e cativa o aventureiro. Existe uma seção Tutorial separada, mas no início da trama principal o game pergunta — seguindo o que está acontecendo no momento — se o jogador deseja aprender os princípios básicos de um determinado aspecto da jogabilidade. Uma vez que o gamer domina o funcionamento das batalhas, vem a diversão.

Desafiador é pouco

Quebra-cabeças, combates instigantes, decisões... A todo o momento, o jogador é bombardeado com ótimos desafios, dotados de uma qualidade excepcional. É um tanto perigoso jogar este título, pois muitos podem acabar ficando compulsivos. Não consegue parar de jogar? Normal, pois o nível de imersão é muito elevado.

Sem contar que o game não facilita as coisas. Caso você queira enfrentar um oponente com nível mais elevado e unidades mais fortes, boa sorte... Pois você vai precisar. O cumprimento de uma missão secundária pode custar caro para aqueles que não dominaram com sabedoria o sistema de combates do jogo.

Uma benção: jogabilidade aprazível

Botões ou stylus? Não importa, pois Clash of Heroes agrada gregos e troianos no que diz respeito à jogabilidade. Quem gosta de controlar tudo através da pequena caneta do portátil na tela sensível a toques se diverte tanto quanto aqueles que preferem usar os comandos tradicionais pelos botões do DS. Gerenciar unidades definitivamente não é um problema: é a solução para os desafios à frente.

Como tudo é apresentado de maneira simples e limpa, fica fácil administrar as ações. Isso vale para os combates e também para a jornada pelo enredo. Mais uma vez, é importante reforçar os tutoriais têm um papel fundamental na orientação dos jogadores nos combates. Praticidade é algo abundante em quase todos os aspectos da jogabilidade.

Rico em sons e músicas de qualidade

"Já ouvi esta música antes, mas faço questão de ouvi-la novamente!" Pois é, as faixas musicais auxiliam bastante na contextualização dos fatos nas telas e apresentam uma qualidade invejável, levando em consideração o restrito potencial de reprodução sonora do portátil da Nintendo.

Os efeitos sonoros, de forma geral, não deixam a desejar. O pessoal da Capybara Games encontrou um jeito de conciliar desempenho e qualidade na fórmula robusta do jogo. É uma pena que as falas dos personagens sejam apenas escritas, pois os demais sons enaltecem uma atmosfera divertida — mesmo simples — de RPG e aventura.

Visualmente bom

O trabalho artístico, ilustrado principalmente através da retratação dos personagens durante os diálogos, é exuberante. Vejamos da seguinte maneira: os recursos gráficos lembram bastante outros títulos para DS, mas, como a arte de Clash of Heroes é vibrante e convincente, os visuais acabaram ficando muito agradáveis.

Não há efeitos exuberantes, detalhes surpreendentes ou animações fora de série, mas o jeito simples com que tudo é exibido é o suficiente. Pode-se dizer, portanto, que a apresentação deste game combina perfeitamente com o resto.

Sem RPG no multiplayer; sem modo online

Sim, é pesaroso constatar que o multiplayer deste título — por mais intenso que seja — conta com algumas falhas consideráveis. Um dos principais problemas é que não há qualquer tipo de "progressão RPG" ou "modo de aventura" na seção multiplayer, que foca apenas os combates entre jogadores.

Outra falha é a falta de uma conexão com outros gamers através da web. Assim, se o jogador não tiver um companheiro próximo com um DS em mãos, é impossível treinar as habilidades contra um oponente que não seja controlado pela inteligência artificial do game.

Problemas variados... De pequeno porte, felizmente

Segurar a stylus na tela e eliminar uma unidade aliada sem querer é um dos infortúnios. O comando é preciso, mas quem começa a prestar atenção e raciocinar enquanto pressiona a canetinha na tela inferior inconscientemente pode apagar várias unidades por engano. Outro pequeno problema referente à jogabilidade é que os embates demandam tempo, às vezes tempo demais, e isso pode enervar alguns gamers.

No que diz respeito aos aspectos técnicos, bem... Os gráficos são belos, mas bastante simples. Um ponto bizarro é que os personagens estão sempre voltados para o jogador e não executam movimentos giratórios no mapa. Quanto ao pilar sonoro, os efeitos diversos contam com uma qualidade satisfatória, mas as trilhas musicais acabam ficando repetitivas, principalmente durante os combates.

87 ds
Ótimo