Quanto maior a destruição, maior a audiência!

Em meio a um gênero que busca tão intensamente a seriedade quanto os jogos de tiro — sobretudo aqueles focados na jogabilidade multiplayer —, é revigorante encontrar um título que simplesmente não se leva assim tão a sério. Esse é Monday Night Combat: uma mistura de comédia, clima descontraído e uma boa dose de estratégia cooperativa; tudo isso embalado por uma trama no mínimo absurda.

A ideia aqui é igualmente simples e despreocupada. Você vai encarnar o protagonista de um programa de televisão onde matança e destruição são imediatamente convertidas em altos índices de audiência — em uma proposta semelhante à do filme O Sobrevivente (The Running Man), estrelado por Arnold Scwarzenegger.

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Enquanto um narrador eufórico berra algumas linhas — às vezes um pouco repetitivas, é verdade — para animar a plateia, a sua preocupação será só uma: manter o seu bolo de dinheiro devidamente protegido na parte central de uma arena recheada de robôs ensandecidos e pesadamente armados. O melhor? Eles aumentam exponencialmente em número ao longo de diversas rodadas.

Mas o ponto central aqui é sem dúvida a socialização. Embora Monday Night Combat possa ser encarado em uma partida solo, isso acaba sendo quase um desperdício, já que a maior parte da diversão aqui se encontra nos modos multiplayer. Só dois, é verdade: versus e cooperativo. Mas a decisão parece acertada, resultando em um jogo focado e com muita identidade — além de evitar uma profusão de modos multiplayer descartáveis.

Monday Night Combat é diversão garantida. Por alguns poucos trocados, você baixa um título engraçado — embora um tanto insano — e bastante divertido, sobretudo nos modos multipalyer online. As classes e o flerte com o gênero tower defense tratam ainda de conferir um esquema tático tão simples quanto viciante. Caso ainda falte um motivo, compre para conferir uma das cenas mais bizarras da história recente dos video games: o mascote Bullseye.

Diversão multiplayer a preço de banana

Img_originalCaso você comece a jogar Monday Night Combat no modo single player — ok, socializar talvez não seja o seu forte —, um aviso: as empreitadas solo não representam nem metade da diversão de se dividir uma arena com outros jogadores de carne e osso. Afinal, essa é justamente a ideia aqui: promover um nível de cooperação estratégica entre os diversos membros do seu grupo.

Blitz é o seu modo cooperativo para até quatro jogadores simultâneos. A ideia é dividir as tarefas com os demais membros da sua equipe a fim de manter o bolo de dinheiro — disposto na parte central da arena — longe dos raios laser e dos braços robóticos dos seus inimigos.

Já o modo Crossfire é a sua chance de matar outras pessoas: dois grupos se digladiam, cada um tentando destruir o bolo de dinheiro do adversário. Além de disparar o seu arsenal ininterruptamente, você também poderá criar Breach Bots, robôs que vão se lançar cegamente contra o bolo de dinheiro do inimigo.

Seis formas diferentes de proteger o seu bolo de dinheiro

Tudo bem, nada que se compare a um Empire: Total War aqui. Mas a mistura entre tower defense e shooter traz um nível estratégico singular para Monday Night Combat, intenção que fica evidente na divisão de classes.

Img_originalSão seis no total. Assault e Tank são os sujeitos das armas pesadas e ataques diretos. Já Assassin e Sniper representem a sua opção mais voltada para a agilidade, enquanto Support parece ser o resultado da fusão entre o clérigo dos RPGs clássicos (responsável por curar os ferimentos do grupo) e um tanque de guerra... E Gunner é uma mescla um tanto redundante entre Assault e Tank.

Além de duas armas exclusivas, cada classe conta também com três habilidades mapeadas para três dos botões da face do controle do Xbox 360. Um Assassin, por exemplo, é capaz de se tornar temporariamente invisível, de correr rapidamente e também pode se esconder atrás de uma cortina de fumaça. Já um Assault, a sua comissão de frente em qualquer batalha, é dotado de um Jetpack, e ainda é capaz de arrancar para cima dos inimigos (tal qual se vê em partidas de futebol americano) e de lançar um explosivo de detonação remota.

Coopere ou morra!

Mas disparar contra as carcaças robóticas (ou humanas) dos seus inimigos não deveria ser a sua única abordagem aqui, já que, nesse caso, o seu bolo provavelmente seria destruído em pouquíssimo tempo. O negócio é transformar todo o cenário em uma gigantesca arma. E é aí que surge um dos apelos cooperativos mais interessantes de Monday Night Combat.

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Existem em pontos específicos do cenário locais em que você poderá construir turretes, tal qual um típico tower defense. São quatro turretes no total, cada um com um preço e um tipo de munição: um laser singelo sai por 75, enquanto que um lançador de mísseis custa 200. Além de construir as armas, também será possível fazer upgrades em cada uma, até o nível máximo de 3 — as melhorias se tornam progressivamente mais caras.

O apelo cooperativo salta à vista aqui juntamente com a pergunta: quem vai construir e melhorar os turretes? Afinal, isso tem um custo, e é o mesmo dinheiro que você utiliza para melhorar o seu próprio personagem. Só que, caso as armas não sejam plantadas no cenário — existe um espaço de tempo entre alguns rounds —, o grupo todo certamente não vai durar muito. E agora? Trabalho em equipe.

Visual alegre e descontraído

Talvez o maior diferencial de Monday Night Combat não seja o fato de não ser um game hardcore, mas sim de não fazer nenhuma questão de ser levado a sério. A diversão é rápida, descompromissada e leve. Não existe um alto nível de violência, e nada aqui transpira realismo. A prova cabal: em certos momentos do jogo, o mascote do programa, Bullseye, invade a arena rebolando e espalhando dinheiro — quanto mais disparos levar, mais dinheiro ele libera.

Um desafio extra em arenas superlotadas: o lag

Não é realmente nada tão gritante assim, mas vale uma nota. Naqueles momentos em que a arena de Monday Night Combat está completamente saturada de inimigos, é comum experimentar uma queda considerável de fps (quadros por segundo). Nada que realmente atrapalhe a diversão, mas você provavelmente vai acompanhar uma projeção de slides de tempos em tempos.

Mais alguns detalhes não fariam mal

Img_originalMesmo para um jogo da Xbox Live, Monday Night Combat tem uma falta de texturas e detalhes bastante pronunciada. Tudo bem, então a proposta é “cartunesca”, sem tentar recriar ambientes reais. Só que jogos como Braid, Joe Danger e Trine já provaram que sim, é possível tirar boa qualidade gráfica de jogos distribuídos através das redes dos consoles.

A narração é realmente necessária?

Ok, provavelmente seja. Mas as linhas poderiam ser um pouco mais variadas, certo? Ouvir o mesmo sujeito repetindo as mesmas frases em situações semelhantes acaba cansando um pouco com o tempo.

Plateia dos tempos do Mega Drive

É verdade que Monday Night Combat não tem nenhuma pretensão de ser um jogo realista. Só que a plateia do jogo acaba pegando um pouco pesado, com movimentos bem pouco naturais e repetindo-se à exaustão através das arquibancadas.

75 xbox-360
Bom