Caçador de monstros é apelido: há muito a ser feito neste game

A série Monster Hunter já despertou o interesse de muitos jogadores somente pelo que o nome quer dizer: caçar monstros. Dinossauros e monstros que lembram a era jurássica são confrontados em batalhas intensas. Com essa fórmula, os desenvolvedores da Capcom não tiveram problemas em conquistar milhares de fãs ao redor do globo.

Monster Hunter Tri é um título exclusivo para o console de sétima geração da Nintendo que, além de se manter fiel à proposta original da franquia, apresenta uma quantidade inacreditável de novidades. Todas as funcionalidades novas — de maneira semelhante ao que ocorre com a trama e com os demais aspectos do jogo — são retratadas de forma simples, ideal para os portadores de um Wii.

Na realidade, o salto foi tão grande que a repercussão de Tri foi estrondosa. As diferentes criaturas apresentam características autênticas e o modo com que elas se movimentam na tela é de cair o queixo. Ficou claro que o pessoal da Capcom caprichou no nível de imersão na experiência com o terceiro título.

Img_original

O salvador de Moga Village

Você incorpora um personagem encarregado de auxiliar os habitantes de Moga Village, um território assolado por terremotos e criaturas selvagens. O terrível Lagiacrus está à solta pelas águas à volta e deve ser enfrentado. É claro que o jogador, no início, não tem nem as armas e nem as habilidades necessárias para derrotar o monstro.

Tri é um game com muitos diálogos. Se você não tem paciência para compreender tudo o que se passa em uma época onde predominam seres jurássicos e outras criaturas, não vai aprovar a trama e o estilo geral do jogo. É preciso ter paciência, também, para compreender o funcionamento dos comandos em áreas que vão do combate à criação de um catálogo com as criaturas encontradas pelo caminho.

O título da Capcom conta, ainda, com algumas funcionalidades interessantes. Além dos modos Begin the Game (“campanha” principal), Arena Play (enfrentar monstros com amigos online) e Gallery (visualização de extras), há recursos como suporte a Wii Speak, simplificação da tela de personagem (Quick Load, facilita o carregamento de dados) e configuração de efeitos na tela (Normal, o padrão, e Mild, que reduz “flashes”, sangue e outros efeitos).

Enfim, você verá abaixo que Tri é um game vastamente robusto. O gamer gasta vários minutos somente gerenciando os itens encontrados e descobrindo novas combinações entre diferentes materiais. Conhecer mais sobre as criaturas também demanda tempo. Ainda bem que qualquer tempo gasto em praticamente qualquer área do jogo é prazeroso.

Monster Hunter Tri é um jogo literalmente monstruoso. É incrível a quantidade de missões e possibilidades referentes a diversas ações (como criação de armas e personalização de objetos) no game. Reforçando: caçar monstros no modo principal de jogo não é a única atividade a ser realizada, mesmo porque há a oportunidade de participar de combates fervorosos ao lado de amigos.

Quando você menos percebe, já gastou várias horas em empreitadas contra criaturas diversificadas. Uma vez que a jogabilidade é dominada, fica fácil de se deixar levar por missões que levam o jogador a lugares exóticos, cheios de beleza e emoção. O perigo está sempre à espreita, considerando que monstros extremamente perigosos podem estar invertendo os papéis: a caça se transforma no caçador.

Animações excelentes em um belo cenário

Prepare-se: se você está acostumado com a contemplação de visuais meramente razoáveis no console da Nintendo, surpresas agradáveis estão a caminho. O fantástico trabalho de arte deste jogo é exibido através de gráficos muito bons, se considerarmos o hardware do Wii. Assim, cenários majestosos (com belos céus como pano de fundo) brilham na tela.

E foi feito um bom trabalho também na retratação dos monstros por esses lindos cenários. Não importando o tamanho das criaturas, é impressionante a forma com que elas se mexem pelos campos e demais superfícies. Os seres agem e reagem realisticamente, por mais que apresentem características fictícias em relação ao que ocorria na era jurássica da vida real.

Progredindo sem parar

Conselho: não use o aprendizado para se enervar com os poucos defeitos que o jogo possui; ao invés disso, aproveite o tempo para se familiarizar intensamente com a jogabilidade e a estrutura geral. A progressão é muito recompensadora. Mais além, o jogador percebe que todo o esforço para saber lidar com as falhas do sistema de combate e com os itens em mãos vale muito a pena.

Img_original

Ao participar de missões mais avançadas, fica óbvia a grandiosidade de Monster Hunter Tri. O jogo se diferencia dos demais games do gênero no Wii devido tanto à forma com que as empreitadas ocorrem quanto à quantidade de detalhes presentes na trama. Isso sem contar com o entretenimento online e os extras.

Satisfatório em vários sentidos

Por onde começar? Os diálogos entre personagens são ricos, mesmo que não sejam retratados sonoramente. Essa “preparação” enaltece ainda mais a emoção em obter sucesso em uma determinada missão, principalmente quando o desfecho é a aniquilação de uma criatura de proporções épicas.

Fora da aventura, tudo é acessível. Menus completos e dinâmicos mostram que o game definitivamente não é limitado. Exemplos? Bem, não há apenas um esquema de controles, pois o jogo permite que o aventureiro escolha entre um conjunto de comandos com a dupla Nunchuk / Wii Remote e o controle clássico (Classic Controller). Em certos momentos, existe a chance de alternar rapidamente entre apontar na tela e manipular as opções com os botões do Wii Remote.

Uma ambientação e tanto

A ambientação engloba o jogador de tal maneira que até mesmo a movimentação do personagem muda de acordo com a situação presenciada. O perigo é mostrado pela sintonia entre músicas sinistras e uma movimentação mais desesperada do personagem.

Falando em músicas, o conjunto de sons e trilhas que acompanha a ação é sensacional. Se o gamer parar por um momento e prestar atenção nos barulhos e nas músicas que impulsionam as cenas, o resultado é curioso. Tri, apesar dos problemas básicos, esbanja em qualidade técnica e isso é ótimo para o surgimento de uma sequência expressiva para uma franquia promissora.

Img_original

No mais, divertido e desafiador

Divertido a ponto de ser envolvente? Sem sombra de dúvidas. Se preparar para o cumprimento de objetivos particularmente arrepiantes — criar poções, preparar carnes, administrar itens e atalhos para o uso de recuperadores de energia — é essencial. O gamer deve ficar de olho nas barras superiores (energia vital e “stamina”, resistência) para obter sucesso em longos conflitos.

Sem contar que o desafio está presente a todo o momento. Descobrir qual monstro fornece o recurso necessário para o fechamento de missões é apenas um dos aspectos instigantes apresentados por Tri. Girar o controle para executar diferentes ataques também é interessante para o extermínio de monstros mais intimidadores. Enfim, o gamer é constantemente “provocado” pelo perigo.

Ausência de “lock-on”? Quase uma desgraça...

Por que “quase”? Bem, é um recurso que poderia melhorar significativamente a jogabilidade se fosse aplicado com sabedoria. Felizmente, é possível superar este problema e vencer os diferentes bichos encontrados. Só que um sistema de mira aprimorado poderia tornar o esquema de comandos muito mais agradável, ainda mais se o personagem controlado estiver equipando uma arma lenta e pesada em um combate contra uma criatura pequena.

Na água, pior ainda. Visto que o gamer deve saber como lidar tanto com a profundidade quanto com a direção das investidas, brigar na água é uma tormenta... Ainda mais quando há um monstro chamado Lagiacrus — capaz de reduzir a energia do caçador iniciante pela metade com apenas um golpe — na cola do personagem controlado. É como jogar Zelda sem ter como prender a mira no alvo.

Visualmente, ainda um game de Wii...

É um jogo que eleva os padrões do Wii? Com certeza, mas não é possível dizer que este título poderia espantar os usuários de consoles como o PlayStation 3 e o Xbox 360. Erros básicos, representando a tradicional falta de polimento gráfico, foram cometidos.

Bons exemplos são os infames “pop-ins” (surgimento abrupto de texturas e objetos na tela) e a interação ruim entre corpos, fazendo com que animações bizarras retratem um objeto atravessando o outro. Bordas serrilhadas? Muitas. Animações mais longas podem trazer a frustração aos apreciadores do jogo.

Repetitivo em certos aspectos

Vamos por partes. Estruturalmente, o aspecto mais repetitivo está no sistema de missões. Jogadores que querem variedade logo de início podem se frustrar com a introdução às tarefas que o caçador deve cumprir para progredir na trama. Boa parte das primeiras missões consiste na aquisição de recursos para a vila através da matança.

Certas animações poderiam ser mais concisas e retratadas com maior convicção. É um tanto chato assistir a movimentos sempre iguais durante a coleta de itens diferentes. O protagonista executa sempre as mesmas ações enquanto coleta mel de uma colmeia, ossos do chão ou ervas de um arbusto.

Img_original

Mais trilha sonora?

Como explicado acima, a ambientação musical do jogo é ótima, mas por que os desenvolvedores resolveram “poupá-la”? Uma reprodução mais frequente de trilhas poderia auxiliar bastante na atmosfera do game.

Tudo bem, acordes que irrompem em horas decisivas são excelentes, mas poderia haver mais músicas que servissem como pano de fundo para cenas mais comuns. Levando em consideração a qualidade dos sons em geral, pode-se dizer que as longas jornadas do jogador deveriam estar ainda mais recheadas com trilhas emocionantes.

80 wii
Ótimo