A atualização de uma caçada tipicamente nipônica

Embora seja encarado por estas bandas como “mais um RPG potencialmente divertido”,  Monster Hunter é há muito um verdadeiro hit na Terra do Sol Nascente. Na verdade, lá por aqueles lados, é comum que não apenas nerds inveterados, mas também pais, mães e namoradas gastem um bom tempo caçando abominações através de alguns cenários particularmente hostis.

Bem, mas... E por aqui? Seria injusto não reconhecer: Monster Hunter certamente tem ganhado cada vez mais terreno. Na verdade, o original Tri já havia feito um bom estrago, lançando a moda do “embrenhe-se em batalhas desesperadas de quase uma hora” também no Ocidente.

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Dessa forma, pode-se dizer que Ultimate aparece para atualizar e consolidar a dominação constante protagonizada pela franquia da Capcom. Afinal, há aqui novos gráficos, inimigos remodelados, além de uma infinidade de itens e possibilidades de personalização.

Além disso, no caso da versão para 3DS, a inclusão do Circle Pad Pro e da possibilidade de travar a mira com certeza ajudam a tornar a experiência menos punitiva — sobretudo para quem está ainda nos seus primeiros passos em meio ao território selvagem de Monster Hunter.

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Entretanto, aos desavisados, vale dizer: não se trata aqui propriamente de um título novo. Na verdade, muita coisa que denuncia a matriz um tanto menos polida de Monster Hunter Tri — coisas como os personagens com os quais o seu herói interage, que mantêm ainda a mesma modelagem de outrora. Mas sim, certamente vale a pena dar uma olhada mais de perto.

Monter Hunter 3 Ultimate atualiza o que já era um bom game. Dessa forma, enquanto se mantêm as doses cavalares de adrenalina — um “feeling” único, surgido em batalhas épicas que facilmente duram 40 ou 50 minutos —, novos tratamentos gráficos e possibilidades estratégicas colocam o game (quem sabe?) um passo mais próximo de ocupar, por aqui, o espaço considerável que mantém no Japão.

Os modos multiplayer, naturalmente, ainda concentram grande parte da diversão de MH. Embora a interface aqui deixe um pouco a desejar, encarar partidas multijogador interplataformas, por exemplo, traz uma bela interação, além de uma auspiciosa promessa de longevidade. Adicionalmente, a possibilidade desenvolver a mesma campanha em ambos os consoles pode resolver problemas logísticos para jogadores com agendas particularmente caóticas.

Naturalmente, sendo ainda “o mesmo jogo”, espere encontrar algumas arestas por aparar e, basicamente, elementos que acabam “datando” um pouco o desafio — incluindo, sobretudo, a modelagem de alguns personagens e texturas falhas pelos campos de batalhas. Mas, não. Não se trata de nada realmente capaz de quebrar o clima épico aqui.

Adrenalina à la Monster Hunter

Há um feeling muito particular em Monster Hunter — algo que praticamente vai além da versão em questão. Em um horizonte atulhado de jogos facilitados ao ridículo, de desafios “scriptados” e chefes tão chamativos quanto molengas, a série da Capcom jamais teve receio de mostrar a você que os monstros aqui realmente merecem ser designados dessa forma.

Embora as missões distribuídas no cenário central do jogo sejam razoavelmente variadas, sempre que objetivo envolve derrubar uma criatura colossal, podem contar: a batalha não será nada menos do que épica — em sentido estrito. Trata-se de combates que, em alguns casos, podem durar até quase uma hora, sendo ainda decididos nos segundos finais. Enfim, um tipo de desafio cada vez mais raro, mas que ainda tem seu lugar aqui.

Monstros fantásticos

Mas não, as criaturas de Monster Hunter não são apenas incrivelmente resistentes e combativas: elas também são bastante imponentes. Na verdade, nesse ponto vale um destaque para o renovado tratamento gráfico dado pela Capcom. Ao jogar o efeito 3D do portátil, então, a coisa fica ainda mais realista e intensa — deixando realmente a impressão de que “algo sério” precisa ser resolvido em cada uma das batalhas.

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Travamento de “mira” e um direcional extra

A possibilidade de travar a mira sobre o monstro não poderia ser mais bem-vinda aqui. Trata-se, na verdade, de algo que concentrava grande parte das reclamações dos fãs da série há muito tempo.

Outra vantagem inegável para quem quiser encarar a versão para portátil de Ultimate aparece no suporte ao Circle Pad Pro. Isso porque controlar a ação da câmera utilizando o direcional digital pode ser bastante... Frustrante — sobretudo se você estiver embaixo d’água.

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Várias possibilidades de personalização

Sim, caçar monstruosidades gigantescas é bem divertido. Entretanto, há outra natureza de objetivos que também pode ser bem interessante — embora menos intensa — em Monster Hunter, algo que se mantém, naturalmente, na versão Ultimate. Trata-se dos inúmeros itens que podem ser coletados através das seis grandes áreas do jogo. Após voltar com os bolsos cheios para casa, você pode forjar todo tipo de arma, armadura ou poções.

Pancadaria local e online

Eis uma das maiores vantagens da versão Ultimate. Embora a estranha exclusão do 3DS do universo online possa frustrar alguns (dizem que foi organizada uma petição em algum lugar, inclusive), fato é que tudo aqui funciona conforme havia sido originalmente prometido — o que significa, curto e grosso, que se trata mesmo da porção mais divertida do novo Monster Hunter 3.

Há basicamente três possibilidades:

  • Encarar um ambiente online orgânico utilizando apenas o Wii U — encarando quests compartilhadas em uma divertida matança em bando (politicamente incorreto, mas muito divertido);
  • Partir para uma partida multijogador local com até quatro 3DS — novamente “descendo a lenha” em um esforço colaborativo; e
  • Utilizar, simultaneamente, o Wii U e até três 3DS para o multijogador local. O funcionamento é virtualmente idêntico ao de se encarar o cooperativo apenas com os portáteis.

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Desnecessário dizer, é justamente aqui, nas possibilidades multiplayer, que ainda se concentra a maior diversão de Monster Hunter. Afinal, se sair caçando abominações cada vez maiores — para então conseguir armas maiores que, por sua vez, permitam derrubar monstros ainda mais poderosos etc. —, fazê-lo com um bom amigo (ou com um completo desconhecido, vá lá) certamente adiciona um tempero interessante ao clima épico da série.

Comunicação entre o 3DS e o Wii U

A interação entre ambas as versões de Ultimate é algo relativamente simples, mas absolutamente atualizado com as tendências multiplataforma atuais. Basicamente, além de encarar modos multiplayer compartilhados (confira acima), você ainda poderá desenvolver o seu modo campanha em um ou outro console, indistintamente. Basta enviar os dados salvos entre um e outro, e pronto.

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Polimento HD (Wii U)

Ok, estritamente falando, trata-se ainda do velho Monster Hunter Tri devidamente recauchutado — o que se torna bastante óbvio em algumas estruturas poligonais ligeiramente datadas. Entretanto, isso jamais foi omitido pela Nintendo e, convenhamos, ver o velho MH trabalhando em gráficos HD certamente tem o seu charme.

Modelagens datadas

Embora, de forma geral, os gráficos de Ultimate apresentem um novo tratamento, há elementos que realmente contrastam aqui. São personagens com movimentação “bugada”, transições entre texturas demasiadamente abruptas e alguns descampados que simplesmente não convencem. No fim das contas, nem sempre é fácil esconder a própria idade, ao que parece.

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Falta de multiplayer online

Sim, encarar uma partida multiplayer local pode ser bem divertido. Entretanto, resta a questão: por que não incluir aqui a possibilidade de desentranhar monstros com outros jogadores em ambiente online?

O velho problema da câmera

Ah, a câmera de Monster Hunter. Quer dizer, mesmo com o acréscimo do travamento de mira, manter o seu herói devidamente direcionado ainda pode ser um belo e longo “parto”. Além disso, batalhar sob a água sem o periférico Circle Pad Pro pode ser realmente muito... Muito complicado.

Trocam-se duas peles de Lucent Nargacuga por um tutorial multiplayer!

Sim, Monster Hunter 3 Ultimate certamente tem um bom modo multiplayer — embora a estranha exclusão do ambiente online no 3DS ainda faça torcer o nariz. Mas... Como é mesmo que a coisa toda funciona? Neste momento, eu lhe daria um tapinha nas costas e diria, “meu amigo, boa sorte!” — sobretudo quando se trata do multiplayer local.

Não que seja algo realmente complexo — longe disso. A questão é que quase nada aqui é explícito. Dessa forma, fazer com que, por exemplo, dois jogadores (um no 3DS e outro no Wii U) consigam “se enxergar” dentro da Taverna já é um exercício de paciência. Mas acaba funcionando.

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Surge então outro pequeno inconveniente. Mesmo que ambos escolham a mesma missão no guichê local, cada um será enviado para uma versão independente da quest. Como fazer para que ambos dividam o mesmo mundo? Basicamente, é necessário que apenas um deles selecione a missão, enquanto que o outro deverá selecioná-la no mural discretamente disponibilizado ao lado.

Ok, talvez as explicações para esses passos encontrem-se em algum tagarelar dos personagens excêntricos do jogo. Mas, mesmo assim, um pouco mais de clareza não faria mal aqui — assim como uma interface um pouco mais intuitiva.

Nada de modo online no 3DS

Eis uma exclusão das mais absurdas. Afinal, por que o 3DS não pode se alçar a um ambiente online para partidas colaborativas? É de se imaginar que uma característica presente na versão “maior” não seria tão dificilmente transposta para o portátil. Indignado com a “limitação”? Bem, em algum lugar, reza a lenda que uma petição pela inclusão do modo online vem sendo organizada, a fim de ser enviada à Nintendo.

85 wiiu
Ótimo

Outras Plataformas

80 3ds