Um “klássico” merecia melhor tratamento

Independente de quantos anos você tinha durante a década de 90, uma coisa é certa: se você jogava video game, Mortal Kombat está em suas memórias. O game surgiu como um concorrente para o sucesso de Street Fighter II e, por conta das diversas polêmicas envolvendo toda a violência da série, o jogo ficou eternizado como um dos melhores títulos de luta, principalmente por conta do visual realista e da brutalidade dos Fatalities.

A fórmula, no entanto, não se manteve por muito tempo e a série começou a decair a partir de seu quarto episódio, transformando os três primeiros títulos em símbolos de tempos que não voltavam mais. Porém, a Warner Bros. provou que é possível resgatar não apenas um dos games clássicos, mas os três de uma só vez com Mortal Kombat Arcade Kollection, uma coletânea que reúne o Mortal Kombat original e suas duas sequências.

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Em tempos de Google, em que é possível encontrar emuladores que rodam os três Mortal Kombat sem problemas, o que motiva alguém a comprar a coletânea publicada pela Warner? Levando em conta que são os mesmos jogos lançados na década de 90, por que alguém preferiria gastar dinheiro a pegar algo de graça? Por mais que o discurso do politicamente correto diga que isso é ilegal, sabemos que, na realidade, as coisas não são tão bonitas assim.

A verdade é que Mortal Kombat Arcade Kollection merecia muito mais. Assim como a Capcom fez com Super Street Fighter II: Turbo HD Remix, o mínimo que a trilogia de MK deveria receber era uma resolução em alta definição e um modo online decente, para que os jogadores mais novos saibam que a geração Super Nintendo era realmente fantástica.

Sessão nostalgia

Se você faz parte do coro que reclama da série desde Mortal Kombat 4, saiba que a coletânea foi feita especialmente para você. Para o pessoal que acompanhou a evolução da franquia jogando Super Nintendo e Mega Drive, Arcade Kollection é uma enorme viagem no tempo, pois tudo aquilo que tornou a saga de Scorpion e Sub-Zero um ícone dos consoles está de volta.

Lançado digitalmente para PlayStation 3, Xbox 360 e PC, o título reúne os três jogos mais elogiados pelos fãs e sem nenhuma alteração drástica. Isso significa que tudo estará exatamente da mesma forma que você o viu na geração 16 bits, incluindo os mesmos gráficos e áudio da década passada — algo que certamente trará boas lembranças para quem viveu essa época.

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Isso é tão verdade que até mesmo alguns bugs e problemas dos jogos originais estão presentes, assim como a lentidão no tempo de resposta de alguns movimentos. Isso pode incomodar? Talvez, mas como a proposta de Mortal Kombat Classic Kollection é exatamente trazer as mesmas versões, não faz sentido consertar problemas antigos — por mais controverso que isso seja.

Além disso, a Other Ocean Interactive, desenvolvedora da coletânea, fez questão de adicionar alguns recursos para que a tecnologia atual não comprometa a experiência retrô dos jogos. Prova disso são os filtros de imagem que alteram levemente os gráficos das lutas.

Como o título não está em alta definição, é possível ver com perfeição os pixels dos personagens. Porém, basta adicionar o efeito Painted para que isso seja amenizado com uma leve pintura que torna o serrilhado menos destacado. Em compensação, o Arkade não só realça os excessos de quadrados como adiciona linhas verticais na tela, simulando uma tela de fliperama. Resultado semelhante acontece com o modo Cabinet, que arredonda a imagem para reproduzir o efeito dos monitores CRTs. Mais anos 90 que isso, só se você ligar a fita cassete dos New Kids on the Block enquanto joga.

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Conteúdo da nova geração

Porém, a coletânea não é feita somente de material reaproveitado dos anos 90. Para se adequar minimamente à atual geração, a Other Ocean Interactive adicionou alguns recursos para incentivar os jogadores mais nostálgicos a abandonarem os emuladores e investirem em Mortal Kombat Arcade Kollection.

Além de alguns troféus e conquistas, o título traz um modo online para que você dispute contra qualquer pessoa ao redor do globo. Se na época do Super Nintendo era preciso estar lado a lado com seu oponente, agora isso não é mais necessário — o que evita a possibilidade de você quase matar seu primo após receber um combo absurdo do Striker em Mortal Kombat 3.

Um online não tão fantástico assim

Ok, entendemos o fato de não alterar em elementos clássicos para evitar qualquer problema na adaptação, mas e quando a maior novidade é também seu maior problema? Se a jogabilidade dos games originais já não era muito rápida, a instabilidade do modo online torna isso ainda pior, pois é praticamente impossível não sofrer com o tempo de resposta excessivamente longo durante as partidas. A sensação de dar um soco e só vê-lo na tela depois de dois segundos é extremamente frustrante, principalmente quando isso o impede de jogar de verdade.

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Jogar o primeiro Mortal Kombat pela internet tinha tudo para ser engraçado e muito divertido, mas todo o fator positivo morre no instante em que você tenta pular e a única coisa que aparece na tela é uma sequência de fotos de um ninja amarelo em slow-motion.

Renovar ou portar?

Se, de um lado, a falta de modificações feitas pode ser um grande ponto positivo para quem desejava rever os games originais sem o medo de uma possível descaracterização, do outro a questão é um pouco mais complicada. Como dito anteriormente, Mortal Kombat Arcade Kollection traz pouquíssimo material inédito, o que torna seu lançamento um tanto quanto questionável.

A principal reclamação é a falta de uma resolução no mínimo em alta definição. Apesar de os gráficos do Super Nintendo trazerem aquela dose extra de nostalgia, a não existência de uma remodelagem visual incomoda muito. Sabe quando os problemas saltam aos olhos? Por mais saudosista que você seja, não há como ignorar a baixa qualidade gráfica.

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Vendo isso e o desempenho questionável das disputas online, é perceptível que a Other Ocean Interactive não caprichou ao trazer os “klássicos” Mortal Kombat para a atual geração. A sensação que temos é que houve apenas uma reunião dos três primeiros jogos, a adição de conquistas, um modo online e nada mais. Porém, a pergunta que fica é: vale a pena pagar US$ 10 — ou R$ 20,99, possível preço do jogo quando ele chegar à PSN brasileira na semana que vem — por três jogos clássicos, mas adaptados à nova geração sem a dignidade merecida?

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