Sangue e desmembramentos na versão de MK com o maior número de personagens

A muito tempo atrás, pelos idos de 1991, quando a barbárie não encontrava qualquer obstáculo e os rios de sangue fluíam sem qualquer barreira, uma desenvolvedora resolveu aproveitar-se da crescente sede dos jogadores por violência e desafios uma desenvolvedora resolveu ousar e criar algo que mudaria a história dos jogos eletrônicos para sempre.

A obra foi intitulada Mortal Kombat e iniciou sua trilha de sangue nos saudosos arcades. O título inovou pelo seu conteúdo extremamente violento, gráficos “realistas” (para os padrões da época), enredo sólido e jogabilidade desafiadora.

Tamanho foi o alarde causado pela cenas explicitas de desmembramentos e sangue que a sociedade civil percebeu que os jogos eletrônicos não possuíam nenhum tipo de regulamentação quanto ao seu conteúdo. Sinal verde para a criação da Entertainment Software Rating Board (ESRB), agência que regula a censura de cada jogo eletrônico. Se hoje em dia títulos como GTA causam furor entre os censores e magistrados responsáveis, foi MK que deu início a toda essa discussão.

Portanto não é difícil de se imaginar o porque do sucesso de MK, já que este não resumia-se apenas a controvérsia criada em torno do seu conteúdo, seu enredo complexo tratava de uma luta mistica de proporções inter-dimensionais repleta sub-tramas e guerreiros sobrenaturais. Isso sem mencionar as virtudes técnicas, como a qualidade gráfica muito mais realista do que os traços cartunescos de Street Fighter e é claro o desafio de dominar todos os movimentos especiais além é claro dos incríveis fatalitys.

Quinze anos, e quantidades volumosas de fluidos vitais, se passaram desde o lançamento do primeiro Mortal Kombat, ao longo de dezessete títulos diferentes, sendo que três desses fogem do gênero luta e adentram no território da ação/plataforma, nos trouxeram até Mortal Kombat Armageddon, mais recente título da sanguinolenta franquia.

Nesta versão o multi-verso de Mortal Kombat está em risco, as profecias anunciam que os guerreiros ficaram tão poderosos e numerosos que logo seus embates trariam o fim do mundo. Sobre tal ameaça, os deuses antigos resolveram realizar um ultimo torneio que definiria de uma vez por todas quem seria o grande campeão do Mortal Kombat. Todos os guerreiros irão confrontar-se para alcançar o topo de uma gigantesca pirâmide onde Blaze, semi-deus criado a partir das chamas os espera para uma batalha final.

Mais de uma maneira de se desmembrar alguém

Ao mesmo tempo que o Wii-mote proporciona uma jogabilidade mais livre e intuitiva em vários títulos do console, ela propicia momentos estranhos como em Mortal Kombat Armageddon. Que o sistema é singular e extremamente interativo não há discussão entretanto como incorpora-lo a um jogo de luta, especialmente um com movimentos tão característicos como os de Mortal Kombat.

Se em Wii Sports (no boxe) o jogador já teve um gostinho de como pode ser divertido lutar utilizando o Wii-mote, não foi difícil imaginar-se utilizando movimentos análogos para executar golpes especiais como o famoso spear lançado por Scorpion. Não nenhuma surpresa que o jogador, ao saber que MK: Armageddon utilizaria o Wii-mote, logo assumi-se que para executar o spear bastaria imitar o movimento do personagem, com uma “estocada” para frente (arremessando o spear) e um puxão para trás para terminar o golpe.

Nada mais intuitivo, entretanto já durante o desenvolvimento isso foi frustrado, a Midway encontrou uma maneira mais “fácil” de lidar com a incrível gama de movimentos especiais. Se antes você era obrigado a executar uma série de comandos no direcional o analógico, junto a uma seqüência precisa de botões, agora você terá que executar esses movimentos no ar, por exemplo meia-lua para frente, meia lua para trás, para cima e para baixo, tudo isso enquanto segura apenas um botão (B) que deve ser liberado ao término da execução do movimento.

Isso certamente torna as coisas muito mais simples para os iniciantes. Mas fica uma critica aqui pois além de sublimar totalmente o grande desafio de dominar todos os comandos — marca registrada da série — o Wii-mote nem sempre capta corretamente os movimentos e no meio de um luta acirrada qualquer erro pode literalmente ser fatal. A boa notícia é que o jogo prevê que nem todos jogadores irão se habituar ao sistema de controle e permite que você utilize outras duas opções, o controle clássico do Wii e o controle do Game Cube, essa foi uma excelente idéia dos desenvolvedores afinal de contas usuários diferentes possuem necessidades diferentes, assim cada um pode optar pelo controle que mais lhe convêm.

Cade o meu fatality?

A Midway resolveu acabar com aquela trabalheira danada de criar um fatality incrível para cada um dos personagens (outra marca registrada da franquia), ao invés disso você pode criar-los a partir de algumas ações básicas.

Executando seqüências intermináveis de movimentos no Wii-mote você realiza ações como arrancar os braços do adversário, remover o coração, decapitar seu oponente, e assim por diante. Apesar da idéia ser muito original a execução não chega aos pés das transformações animalescas proporcionadas pelos animality, ou até mesmo as piadas dos babality e friendships.

Só falta fazer café

O jogo traz toneladas de conteúdo, além do modo de luta, dividido em Arcade (história), Versus e Endurance, você ainda encontra o Konquest, modo de jogo no estilo ação/plataforma, e o Motor Kombat, uma versão de corrida de kart.

No modo de luta nenhum novidade, já que todas as opções são recorrentes na série, seja o combate singleplayer (arcade), multiplayer (versus) e o endurance onde você deve derrotar o maior número possível de adversários em lutas de round único.

Em Konquest o jogo dá uma guinada e foge do gênero caindo diretamente em um título de ação/plataforma, no melhor estilo MK: Shaolin Monks. Neste jogo dentro do jogo você poderá coletar vários itens que irão liberar a incrível galeria de extras disponíveis no título, que vão desde uniformes alternativos, personagens exclusivos, musicas, arenas, imagens e vídeos entre outros.

Além de uma história interessante e de uma duração razoavelmente longa, konquest ainda permite que o jogador acumule dinheiro, esse dinheiro será muito útil não apenas para comprar mais material na galeria de extras, mas principalmente para ser utilizado no modo Kreate a Fighter.

Em Kreate a Fighter você poderá desenvolver seu próprio lutador, escolhendo desde a cor do cabelo até o estilo marcial e arma que ele domina. Para tanto você terá que pagar com muito dinheiro.

Outra opção de diversão dentro de Armageddon é o Motor Kombat, uma espécie de Mario Kart com muito sangue. Aqui você irá correr contra outros personagens de MK (todos caricatos) em pistas incrivelmente perigosas. Infelizmente esse mini-game não entretém por muito tempo e logo após algumas corridas você já terá perdido o interesse. Um destaque é o controle, aqui você tem a opção de utilizar o Wii-mote deitado, como se fosse um volante você deve inclina-lo para fazer as curvas.

Não há com se negar que o jogo apresenta um conteúdo extenso, mas talvez a Midway devesse ter concentrado-se mais em outros aspectos ao invés de produzir em massa. Um bom exemplo é o cuidado que poderia ter sido dado ao modo multiplayer online, é verdade que a ausência dessa opção é uma falha da Nintendo, já que as versões de Armageddon para o PS2 e Xbox possuem essa opção.

Olha quanto sangue

Outra marca registrada, para desagrado dos fãs, são os gráficos de qualidade questionável, o Wii pode até não possuir um hardware tão poderoso quanto os outros videogames de ultima geração, entretanto há evidências de que o console é capaz de entregar gráficos superiores aos vistos na maioria dos jogos.

MK não é diferente, a mediocridade faz com que este mais pareça um jogo do PS2, e não de um console da sétima geração. O frame rates estável garante que o jogo rode com muita suavidade, e as animações mostram que o console tem capacidade para muito mais. Mas no final das contas a mediocridade dos gráficos acaba decepcionando a maioria dos fãs.

Sock, Pow, Twab...

Com relação aos efeitos sonoros você não ficará muito decepcionado, os diálogos das animações em Konquest são nítidos e de boa qualidade, os efeitos dentro do jogo também são condizentes com o título. A trilha poderia ser melhor trabalhada, tornando-se um pouco repetitiva, mas nada comprometedor já que variam conforme as arenas, pistas e cenários.

Konsiderações Finais

Em meio a todo o sangue e membros mutilados, Mortal Kombat Armageddon consegue proporcionar muitas horas de diversão, suas falhas acabam decepcionando um pouco os fãs a incrível quantidade de conteúdo extra e opções de jogo diversificadas fazem deste um jogo bem interessante.

O elenco de impressionantes 63 lutadores diferentes (alguns não tão diferentes assim), irá garantir a alegria dos fãs da franquia que poderão encontrar todos os lutadores da série em um único título, além é claro da oportunidade de criar o seu próprio lutador.

Com um conteúdo tão recheado com o modos de jogo diferentes, o grande defeito de MK Armageddon fica por conta da ausência de um modo multiplayer online, mesmo porque a versão deste mesmo jogo para o Xbox e para o PS2 possui tal função (o que significa que a falha não é do desenvolvedor mas do Wii).

A possibilidade de utilizar controles diferentes garantem a jogabilidade para todos, infelizmente a baixa qualidade gráfica e a ausência dos fatality tradicionais podem deixar muitos jogadores transtornados.

64 wii
Regular