Muitas derrapadas neste título, mas a diversão está presente

Jogos de moto têm tradicionalmente menos apelo junto ao público. Difícil dizer porque, mas basta olhar para a popularidade da Fórmula 1 e a da categoria MotoGP para ver que, ao menos no Brasil, essa última é praticamente ignorada. Mesmo assim, a competição possui um prestígio razoavelmente maior lá fora — especialmente na Espanha e na Itália — e as consequentes adaptações para jogos de video game permitem ao público descobrir um pouco mais sobre ela.

Já no campo dos jogos eletrônicos, a série MotoGP é bastante conhecida. Inicialmente desenvolvida pela Namco e THQ, desde a versão 2007 ela tem sido responsabilidade da Capcom, que adquiriu seus direitos. Só que, enquanto MotoGP ’07 e MotoGP ’08 foram razoavelmente simples, MotoGP 09/10 tenta dar uma encorpada na franquia.

Isso acontece não somente pela inclusão de dois anos em um só game — embora as informações sobre pilotos e equipes sejam predominantemente de 2009 — mas pelo desenvolvimento maior dos modos de jogo de forma a proporcionar bastante tempo de diversão. Objetivo que foi atingido, embora o game sofra de vários problemas que impedem sua inserção no rol dos melhores jogos de corrida.

MotoGP 09/10 não está entre os melhores jogos de corrida da atualidade, nem mesmo os de moto. Se você é um fã do gênero, a melhor coisa a fazer é alugá-lo para ver se agrada, antes de comprar. Se é um fã da franquia, ainda assim é melhor testar antes de adquirir para conferir se as adições valem o investimento. Mas uma coisa é certa: ainda há um longo caminho a ser percorrido para se tornar um jogo que faça jus à categoria.

Dificuldade bem-ajustada

Apesar de nossa equipe jogar video games diariamente, não existe entre nós nenhum fã incondicional de jogos de motociclismo. Portanto, pode-se dizer que essa é uma categoria em que temos pouca experiência — relativamente a outras, como FPS e corrida de carros, por exemplo. Assim, gostamos bastante da divisão em quatro níveis de dificuldade que englobam bem todos os gostos.

A primeira (a mais fácil) é para aqueles que não possuem noção alguma de jogos de corrida. Os oponentes mal oferecem um desafio, e o jogador está correndo contra si mesmo, praticamente. A segunda engloba a grande maioria dos jogadores ao participarem pelas primeiras vezes de partidas de MotoGP. A terceira e a quarta servem para aqueles que já se acostumaram com a jogabilidade e procuram maiores desafios.

Profundo

Pode parecer estranho falar sobre profundidade de conteúdo em um jogo de corrida de motos, mas existem vários modos para agradar os usuários. Desde um campeonato em que é possível encarnar os grandes corredores da atualidade de cada categoria — 125 cc (cilindradas), 250cc e MotoGP (800cc) — até um modo carreira que permite ao jogador criar seu próprio piloto e administrar sua vida nas pistas... E fora delas.

Isso porque nesse modo você assume o papel não somente do piloto, mas também do administrador da equipe. Assim, é preciso contrar pessoas, assinar contratos de patrocínio e fornecimento de equipamentos, supervisionar pesquisas e maximizar os lucros. Além, é claro de cumprir nas pistas o que foi prometido aos patrocinadores fora delas, em termos de resultados.

Tudo isso é complementado ainda por um modo arcade, de forma que os jogadores possuem um amplo leque de opções de corridas, com experiências variáveis. É possível, portanto, que os fãs de motociclismo passem muitas horas se divertindo sem sentir repetitividade por parte do título. Algo muito bem-vindo e, francamente, necessário em jogos do gênero.

Divertido

Embora o jogo esteja longe de ser perfeito, ele possui o necessário para divertir, e isso é o mais importante. Por mais que as opções de configuração sejam esquisitas e as limitações consideráveis, é inegável que qualquer um que goste de velocidade pode se divertir ao participar de algumas partidas. Grande parte disso ocorre por conta da facilidade de imersão de usuários novatos, que não sentirão grande resistência e podem aprender rapidamente.

Trilha sonora (e só ela!)

Você deve estar se perguntando o que significa a expressão entre parênteses no título acima. É que, frequentemente, agrupamos toda a parte sonora de um jogo em um só pró ou contra, porque na maioria dos casos o conjunto todo se revela bom ou ruim. Não desta vez, no entanto, já que existe uma diferença grotesca entre as músicas que tocam durante as corridas e os efeitos sonoros do ambiente.

O ponto positivo fica por conta, justamente, das músicas escolhidas, que são muito boas. É uma coletânea de faixas de diversos gêneros e artistas, desde música eletrônica até um rock mais pesado. Tudo bem-estruturado para animar o jogador e aumentar a adrenalina, ajudando bastante o jogo a transmitir a sensação de velocidade, perigo e, principalmente, emoção.

Efeitos sonoros

Como mencionamos acima, a parte sonora do game é bem dividida. Enquanto a trilha é excelente, os efeitos são ruins. Faltam muitos elementos que compõem uma experiência realista, desde os barulhos de ultrapassagem e derrapagem até os sons de colisões. No geral, o conjunto todo é simplesmente fraco, não convencendo e deixando bastante a desejar.

Parte gráfica

Para um jogo de última geração, MotoGP certamente não é um primor visual. Isso porque, logo na primeira corrida, já é possível perceber as enormes limitações gráficas. Texturas pobres, cenário extremamente padrão, efeitos na pista extremamente limitados. Sem falar nas animações dos pilotos, que parecem ser bonequinhos de Playmobil encaixados em motos de brinquedo.

Pobreza de animações que se estende para as batidas. Embora todos as evitemos, é inegável que os acidentes são alguns dos momentos mais emocionantes das corridas, e MotoGP 09/10 simplesmente não os comporta. As motos, ao se tocarem, reagem como tijolos sendo equilibrados, extremamente rígidas. Além disso, o efeito visual das colisões é simplesmente ruim. Não há outra palavra, é ruim mesmo.

Apresentação confusa

Ninguém gosta de se sentir perdido ao usar uma interface. E muitas vezes esse é o efeito causado por este game. Em primeiro lugar, os escritos dos menus estão de lado. Isso mesmo, na vertical. Não há razão para isso e, embora não seja algo que torne impossível a leitura, é bastante desagradável e desnecessário. Além disso, existem quadradinhos nesses menus que servem para mostrar o número de opções neles, mas que acabam confundindo pois você sempre pensa que eles mostram o do menu atual — e na verdade mostram o do menu superior.

Ficou confuso com o parágrafo acima? Normal, era a intenção. Mas nada é mais confuso — especialmente para os jogadores iniciantes — do que o HUD (heads-up display), a interface dentro das corridas. Existem inúmeros elementos na tela, que possui suas bordas totalmente cobertas por informações. Além, é claro, das mensagens desnecessárias que aparecem no meio da tela informando sobre coisas triviais como você sendo ultrapassado (até parece que você não percebeu essa outra moto passando ao seu lado).

Arcade ou simulador?

Impossível saber. A jogabilidade caminha em uma linha intermediária, que não se decide em momento algum o que quer ser. E, ainda assim, existe um modo de jogo chamado Arcade. Logo, você imagina que o modo de campeonato será realista. Mas já na primeira colisão você vê que não é bem assim. Mas então o que é? Não dá para dizer, isso é apenas mais uma coisa na lista de confusões.

Limitações artificiais

— Você viu que saiu MotoGP 09/10?
— Maravilha, sou fã da série e mal posso esperar para colocar as mãos nela!

Se algum diálogo como o acima ocorreu em algum lugar do mundo, o segundo rapaz está lascado. Isso porque, sendo um veterano da série, ele não poderá pular direto na experiência da MotoGP. É preciso primeiro jogar nas 125cc para destravar a 250cc, e depois jogar nesta última para destravar a categoria principal, MotoGP.

E não é nada rápido. Estamos falando aqui de terminar campeonatos em determinadas colocações, cumprir requisitos específicos ou mesmo outras demandas. Assim, é preciso que até mesmo o melhor dos jogadores de games de motociclismo passe por todo o conteúdo, sem pular degraus. Algo bastante frustrante, já que não há razão alguma para não deixar as pessoas escolherem.

Inteligência artificial

Embora os níveis de dificuldade sejam adequados, os oponentes são estúpidos. Isso porque eles raramente evitam comportamentos completamente inadequados, como bater “com tudo” em você. Se estiverem fazendo uma curva e abrirem uma pequena brecha, que você aproveita para tentar uma ultrapassagem, eles não mudam o traçado e acertam sua moto em cheio.

Ou o oposto. Se você estiver em uma reta e um oponente controlado pelo computador tentar a ultrapassagem, basta uma leve inclinação para o lado para que ele desista, ao invés de desviar. Ou seja, a coisa toda se torna bastante previsível e — consequentemente — nada realista.

Sistema multiplayer

Tudo bem deixar que os jogadores sejam os servidores de suas próprias partidas, para melhorar o ping e tudo o mais. Porém, fazer com que aquele que criou o evento seja o único que as sustenta é ridículo. Tentamos jogar inúmeras vezes e, a não ser nas vezes em que criamos a sala, não terminamos uma partida sequer. Isso porque as pessoas que haviam criado saíam assim que cometiam um erro muito grande.

Derrapou e ficou em último? Saiu da sala. Foi empurrado para fora da pista? Saiu da sala. Largou mal e ficou para trás? Saiu da sala. Está na última volta e não vai vencer? Saiu da sala. Ou seja, extremamente frustrante para os outros participantes. Não custava nada fazer com que a partida continuasse sem o espírito de porco.

73 ps3
Bom

Outras Plataformas

73 xbox-360