Corridas frenéticas em meio a lunáticos e muita destruição

Videoanálise

Se você está cansado de jogar nas réplicas de pistas mais famosas do mundo com  seus gráficos dignos de cinema, pilotando carros de marcas consagradas, seus problemas acabaram! Esqueça as belas vistas, as paisagens deslumbrantes, o sol e tempo bom.

MotorStorm: Apocalypse chega trazendo muita destruição. Sua jogabilidade arcade, na qual a simulação da realidade não é uma regra fidedigna é seu maior atrativo. Réplicas genéricas de carros, motos, caminhões e mais veículos transitam em meio ao terreno irregular durante variações atmosféricas tensas.

MS:A é o terceiro jogo da série, sem contar a versão para PSP (MotorStorm: Arctic Edge), exclusiva para o PlayStation 3. A franquia é relativamente recente, sendo que seu primeiro game foi lançado para o console da Sony desta geração. Dois anos mais tarde chegou simultaneamente ao “Highlander” PlayStation 2 e ao portátil da empresa.

O jogo trata fortemente de fenômenos naturais catastróficos em meio às corridas. Devido às tragédias ocorridas no Japão, a Sony adiou o seu lançamento em respeito e solidariedade às famílias nipônicas. Além do fato de, possivelmente, seria uma polêmica caso a empresa lançasse o game nesta infeliz situação.

Já que o assunto é catástrofe, cabe aqui uma breve passagem sobre o enredo da obra. A pequena cidade litorânea de West Coast está sendo acometida por uma série de desastres ecológicos, como furacões, tremores de terra, chuvas torrenciais e erupções, causando muita destruição. A grande maioria de seus habitantes já evacuou a área, temendo por suas vidas e segurança.

Porém, um pequeno grupo de “persistentes” continua firme e forte na cidade. “Mas por quê?” — você deve estar se perguntando agora. Talvez eles amem tanto o local que não queiram sair ou, quem sabe, já não têm mais para onde ir. Nada disso. Eles ficaram para um festival de corridas mortais. E o objetivo desses lunáticos não é outro senão terminar as provas de alta velocidade em primeiro lugar.

Durante os trajetos das disputas, como de costume na série, as pistas se deformam, o que complica o trajeto dos corredores. Prédios desmoronam, pontes se partem, barcos são arremessados pelo vento em direção à cidade, mas nada disso impede que a corrida continue.

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MotorStorm: Apocalypse é um jogo de corrida arcade, que proporciona uma experiência diferente da usual em games de corrida, por se passar em um ambiente hostil, trágico e perigoso. Cada corrida é duplamente diferente, primeiramente pela mudança de pistas, e pelas diferenças na mesma pista, durante as voltas da mesma corrida.

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Os problemas com a inteligência artificial são corrigidos com o modo online, o que deixa a impressão de que é exatamente para esta modalidade que o game foi desenvolvido. O modo história serve basicamente para o jogador se familiarizar bem com os controles e jogabilidade, além de habilitar carros e demais pistas para os confrontos multiplayer.

O fator mais decepcionante foi a parte dos gráficos durante as cenas que explicam e contextualizam as corridas. Só empatam em ponto mais baixo com a “água” do jogo. Apesar de não citado nos pontos negativos acima, este elemento é por vezes até constrangedor de se ver, além de parecer com um chão de terra serrilhado.

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Em suma, se você tem um PlayStation 3, é quase uma obrigação conhecer os jogos desta ótima franquia exclusiva. Se ainda não conhece, começar por este é uma ótima pedida.

Longo circuito e interação com o meio

Definitivamente as pistas são os pontos mais chamativos de cada corrida. Os circuitos têm designs novos, diferentes dos demais games da série, e apresentam vários percursos distintos durante uma mesma prova.

Em meio a uma série de terremotos e desastres, a pista é alterada em uma velocidade frenética. Prédios sendo destruídos impedem a passagem em algumas ruas, o chão desmoronando bloqueia outras. Dessa forma, em uma mesma corrida, a primeira e a segunda voltas se tornam consideravelmente diferentes.

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A interação com os desastres é ainda maior. No exato instante de um acontecimento, um botão de ação aparece no centro da tela para o jogador pressionar e presenciar o acontecido vagarosamente. As imagens são muito chamativas e importantes, pois pode ser que você precise desviar-se de algum destroço que está caindo bem em seu caminho.

Noção de tempo

O modo história acontece durante três dias, e essa continuidade temporal e climática é retratada. O que implica em corridas durante o dia, tarde, entardecer e, finalmente, à noite. As provas durante o período em que a claridade é bastante fraca são mais difíceis e desafiadoras. Vale aqui ressaltar o ótimo uso dos recursos de iluminação natural e efeitos de brilho.

Frames

Um furacão passando do seu lado direito, outros 15 competidores rivais na sua frente,  além de  parte da pista caindo com os objetos que uma tempestade arremessa.  E os frames não caem. Neste quesito, o jogo está de parabéns, implementando uma grande quantidade de objetos e ações simultaneamente na tela, sem perder em qualidade e em velocidade de processamento.

Motos contra caminhões

Outro dos grandes destaques do jogo são os veículos. Podem ser selecionados carros envenenados (à Burnout), muscle cars, caminhões, buggies, motocicletas e carros de rally, uma espécie de jipe, duna (aquele quadriciclo usado em corridas no deserto), motos supervelozes ou choppers (aquelas modificadas pelos donos), e, também, caminhonetes com rodas gigantes, as chamadas “Monster Trucks”.

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Em todas as opções existe a função de turbo, que pode ser usado quase infinitamente, sendo limitado apenas pela alta temperatura. O que quer dizer que há apenas uma interrupção momentânea de seu uso, quando a barra que mede o calor do motor chega a um nível critico, indicado pela cor vermelha. Caso não seja cessado imediatamente, há o superaquecimento da máquina, acarretando em uma grande explosão.

A temperatura do motor pode ser amenizada passando sobre a água, ou em corridas com chuva. O mesmo ocorre no sentido inverso, quando se dirige sobre focos de incêndio, ou fogo. Temos o mesmo resultado também quando as pessoas malucas, nas beiradas da pista, lançam mísseis ou atiram no seu carro.

Variação de dirigibilidade

Cada um dos protótipos que pode ser escolhido oferece variação em sua dirigibilidade, de acordo com o tamanho, peso e demais características próprias. As motos possuem grande aceleração, maior controle em curvas praticamente sem precisar tirar o dedo do acelerador e fácil retomada de aceleração. Em compensação, qualquer irregularidade mais acentuada na pista já é motivo suficiente para causar desestabilidade e queda.

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Já os carros e similares têm maior estabilidade e aderência,  porém, ganham velocidade com menos rapidez; são também mais resistentes a maiores impactos e intempéries. Com os caminhões e veículos grandes, a resistência é potencializada à medida que a aceleração e controle diminuem. Apesar disso, as velocidades finais são maiores, já que se tratam de veículos pesados.

Os controles podem ser modificados a qualquer momento do game. Para os jogadores especializados, ou mesmo mais antigos, há o modo clássico. Para os mais novos, ou que gostam de experimentar novidades, há novos comandos na linha dos lançamentos em jogos de corrida.

O SIXAXIS pode ser usado para guiar os veículos, reproduzindo as irregularidades do solo através da vibração. Também existem dois novos comandos para acertar os adversários ao lado, uma espécie de “encontrão”, com o próprio veículo (ao custo de uma pequena quantidade na barra de turbo), no melhor estilo Road Rash.

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Inteligência em confrontos reais

O modo multiplayer é definitivamente o ponto mais alto do jogo. O confronto entre pessoas resolve a maioria dos problemas com a IA. As pistas são suficientemente “vivas” para tornar as disputas muito desafiadoras e divertidas. Aliás, a diversão, neste modo, aumenta exponencialmente. Tanto para quando se joga pela PSN (que está fora do ar), quanto para o jogo em até 4 jogadores offline, com split screen.

Por favor, aguarde um momentinho (ou dois, três...)

A primeira grande característica que o jogador nota logo de cara é o famoso loading. Como de costume nos outros jogos da série, a longa espera para carregar conteúdo está presente. Vale ressaltar que, desta vez, o tempo de aguardo é menor. Porém, conforme se avança na história, a espera vai ficando cada vez maior e mais frequente.

Sabe aquelas animações em flash...

O enredo do game é desenvolvido e explicado aos poucos, geralmente antes de cada corrida, por cenas do que seriam as “CGs”. Lembrando que estamos falando de um console da sétima geração de video games, com alta capacidade de processamento gráfico, alto desempenho, e com possibilidades de modernas projeções 3D.

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Essas imagens de computação gráfica parecem ser de PS2. Ou até as animações em Flash, que comumente são vistas em charges para internet, ou em joguinhos engraçadinhos com diversos temas, em geral para ocupar tempo ocioso. Os personagens são caracterizados como uma espécie de história em quadrinhos, na qual as bocas se mexem.

Apesar de o jogo oferecer a opção 3D e de os frames não caírem com a quantidade de objetos simultâneos na tela, a direção de arte deixa muito a desejar. O exemplo clássico deste quesito no mundo dos video games é BioShock, que não possui a parte gráfica perfeita, porém as imagens são de encher os olhos.

Se os comentários acima parecerem exagerados, vide vídeo abaixo.

Bater é um bom negócio

Em jogos cuja jogabilidade é “arcade”, já fica praticamente subentendido que a mecânica de colisões e batidas é diferente. A tolerância a choques é maior, a física dos objetos é diferente quanto à permissão de manobras, e, principalmente,  as quedas em desfiladeiros ou explosões não finalizam a vida do jogador.

No caso de MotorStorm, as batidas valem a pena. Na situação de uma curva muito fechada, em meio a alta velocidade, em vez de uma freada brusca, reduzindo totalmente a velocidade, recomendamos que você deixe seu veículo se espatifar contra o que estiver pela frente. Logo, o jogador volta para a pista, na posição certa para continuar acelerando e embalando.

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Sem contar que a inteligência artificial dos concorrentes definitivamente não é um dos pontos altos da série. Não fique espantado se, ainda por cima, você ganhar algumas posições. Os rivais, sem mais nem menos, passam por você e dão de cara na parede, ou simplesmente explodem.

Desgraça pouca é bobagem

De todos os games da franquia MotorStorm, certamente este é o que possui o melhor enredo. Quer dizer, é o que possui alguma história diferente de correr, depois outra corrida, e não lembro mais porque, mas vamos para a próxima prova. Antes de cada evento, a animação conta um pedacinho da história, contextualizando o jogador do porquê ele participará do evento.

Só que ainda assim o argumento é muito fraco. Não importa o quão absurda seja a história (um homem vestindo uma fantasia de morcego gigante, lutando soturnamente contra o crime), desde que ela convença. E Apocalypse não convence. Mas apesar desta ser uma característica negativa, cabe aqui colocar que a sucessão de crescimento nos enredos da série gera expectativa para que um eventual próximo game traga este quesito como ponto positivo.

77 ps3
Bom