MX vs. ATV Untamed não passa de um jogo de rally mediano.

Jogos exclusivos de rally não costumam ser lançados em um número muito grande. Com a exceção de títulos como os da série Colin McRae (aqui inclui-se DiRT), existem poucos jogos de rally de sucesso nos dias atuais.

SEGA Rally Revo, por exemplo, serve perfeitamente para demonstrar os diversos motivos que levaram a SEGA à demissão em massa de 400 funcionários no início deste ano, devido à grande perda de capital que obteve no ano fiscal de 2007 (Leia a notícia aqui) . O jogo é simplesmente terrível.

Entretanto, isso tudo começou a mudar no início de 2007, após o sucesso absoluto que Motorstorm representou no PlayStation 3. Com menos de 2 anos desde seu lançamento, o jogo da Sony já é considerado um modelo a ser seguido pelos concorrentes vindouros.

MX vs. ATV Untamed aproveita essa brecha e se insere como o segundo jogo da franquia MX vs. ATV, sendo o primeiro para a nova geração de consoles. Entretanto, o título deixa o jogador se sentindo num game da antiga geração, devido aos gráficos pobres e à jogabilidade parca.

Ah, se o jogo fosse tão emocionante como sua introdução...

É realmente uma pena que o título desenvolvido pela Rainbow Studios e publicado pela THQ não consiga manter o nível de sua introdução. Quando o jogador liga seu console de nova geração e insere pela primeira vez o jogo, a introdução o deixa encantado.

O dono do console se deixa levar pela empolgação apresentada pelos designers da Rainbow Studios e até tenta se enganar de que o jogo terá a mesma qualidade. Então duas motos, um quadriciclo e um gaiola se cruzam simultaneamente no ar, e o espectador anima-se: será que eu também consigo fazer isso?

A resposta é simples: não. Basta o futuro corredor criar seu perfil ou simplesmente começar a correr fora de um campeonato para desiludir-se: A jogabilidade de MX vs. ATV Untamed (apenas MX vs. ATV, daqui para a frente) deixa muito a desejar.

Freios? Mas que bobagem!

É difícil lembrar-se o último jogo de corrida sério que permita ao jogador correr constantemente sem utilizar os freios. Vale frisar o sério, pois se fossemos falar de um jogo qualquer, SEGA Rally Revo estaria na ponta da língua.

É o mesmo caso de MX vs. ATV. O jogo não conta com cálculos físicos de qualidade, o que é considerado pecado mortal para um jogo de corrida da nova geração. Seria compreensível que um jogo no estilo arcade não contasse com tais funções, mas para substituí-las, deveria trazer outras vantagens.

Um bom exemplo disso seria uma utilização adequada para as manobras aéreas, no caso de motocicletas e quadriciclos, como por exemplo encher a barra de turbo, o que seria um adendo bastante interessante num jogo com MX vs. ATV.

Sem esse tipo de adição à jogabilidade, o título fica perdido entre ambos os gêneros (simulador e arcade), criando uma sensação de vazio no jogador, por não possuir traços marcantes de nenhum dos gêneros.

Com exceção de algumas raras curvas em cotovelo, o jogo permite que o jogador corra sem nunca usar o freio e, pior que isso, ainda pune aqueles que freiam com uma terrível derrapada que os faz perder o controle do veículo.

Gráficos emporcalhados e muita poluição sonora

E, infelizmente, não é somente devido a tanta lama. O título distribuído pela THQ é uma vergonha no que diz respeito à qualidade gráfica. Com exceção de alguns aspectos considerados simples, tais como as texturas do chão e a iluminação do cenário, o resto da arte de MX vs. ATV deixa muito a desejar.

Desde a movimentação dos pilotos até a modelagem de todos os objetos do jogo, passando pelas texturas não relacionadas à pista, como de árvores ou mesmo de montanhas do cenário, tudo é característico de jogos da geração anterior de consoles.

Em todos os aspectos do jogo evidencia-se a falta de atenção por parte dos desenvolvedores nos conceitos gráficos, o cuidado com os efeitos sonoros não fica atrás nesse banho de lama.

Se você gosta de esportes radicais, provavelmente já está acostumado a ouvir as músicas disponíveis na trilha sonora do jogo, e mesmo que você não seja fã do ritmo, irá se sentir em casa com ele, afinal tem tudo a ver com o som estridente dos motores offroad e com toda a lama do jogo.

Entretanto, o que deixa a desejar não é isso, mas sim a mescla muito mal concebida entre música, motores e gritos de torcida. Imagine por exemplo uma pista indoor (pista coberta), onde o som da música é alto, mais de dez motores barulhentos e ainda uma multidão enlouquecida.

Agora some a isso um péssimo equilíbrio entre os três aspectos e você não terá nada além de barulhos extremamente irritantes que o farão colocar sua televisão no mudo em poucos instantes.

Na falta de uma opção melhor, MX vs. ATV Untamed satisfaz

Sem dúvida alguma, MX vs. ATV Untamed não é o melhor jogo de rally já desenvolvido para a nova geração de consoles. E justamente por isso, é difícil oferecer ao jogador um motivo palpável para jogá-lo.

Se você é dono de um PlayStation 3, não deve passar nem perto deste título. O jogo é uma versão dezenas de vezes piorada do consagrado Motorstorm, e não deve ser sequer colocado em pauta para substituir o maravilhoso jogo de rally da Sony.

Já se você possui um Xbox 360, a possibilidade de você vir a interessar-se pelo jogo também é pequena: Títulos como DiRT e Pure apresentam inúmeras vantagens com relação a este título.

Mas ainda assim, se você está muito cansado de todos os jogos de rally de qualidade e busca um título alternativo aos grandes nomes, MX vs. ATV Untamed pode ser uma boa opção.

O jogo apresenta uma grande variedade de tipos de veículos e pistas muito longas, além de uma diversidade considerável de modos de jogo. Três aspectos que garantem diversão prolongada.
37 ps3
Vergonhoso