A saga de Bonaparte pode ser alterada. Cabe a você descobrir como

Se você nunca jogou um jogo da série Total War antes, aí vai um conselho: separe um bom tempo do dia e prepare-se para prestar muita atenção nas explicações, afinal de contas, muitos são os fatores que você deve dominar para sequer ter uma chance de dominar o continente.

Política, treinamento de unidades de combate, tributação, formação de alianças e rotas de negociação, construção de universidades e pesquisa extensiva são apenas algumas das coisas que você encontrará pela frente, sem contar a porção de combate direto, que renderia um jogo inteiro por si só.

Napoleon: Total War pode ser um jogo mais direcionado do que os seus predecessores em termos de rotas e da própria campanha, mas isso não significa que ele é necessariamente menos complexo. Com o título, a Creative Assembly adotou um período específico para os combates, que segue ao lado de algumas novidades bem empolgantes. Confira!

Para este capítulo de sua franquia, a Creative Assembly tomou uma rota diferente, mas não menos agradável. Napoleão serve perfeitamente aos propósitos do jogo, amparado pela narrativa intrigante, pela sua formulação estratégica aguçada e pela presença de alguns dos maiores conflitos existentes na história.

O resultado final é maravilhoso para os fãs do estilo, que encontrarão aqui dezenas (senão centenas) de horas de diversão. É claro que alguns problemas persistem, tais como a inconsistência da inteligência artificial e das partidas online, mas isso fica de lado depois que você aproxima a câmera em meio a uma explosão e percebe o nível de detalhes presente.

Mesmo com tantos elogios, ainda temos que ressaltar que a série Total War não é para qualquer um: ela exige gerenciamento minimalista de unidades, aprendizado de horas e muitos dias de dedicação. Paciência será a palavra chave durante os conflitos. Se você gostou dos episódios anteriores e busca um pouco mais da consagrada fórmula, não pense duas vezes: Napoleon: Total War é o jogo certo!

A saga de Napoleão

Quem melhor do que o Imperador para figurar em Total War? O game narra boa parte do início de sua vida até o auge de sua campanha de dominação, contando brevemente cada um dos capítulos de sua brilhante existência. Não se preocupe com o tédio nessa fase, afinal de contas tudo é interativo, o que significa que você estará jogando enquanto o narrador solta suas palavras.
Quem escolher defender a frança em sua dominação europeia se deparará com três campanhas principais.

A primeira é a conquista da Itália. A segunda é a invasão do Egito (com brigas ferozes) e a terceira — mais relacionada aos jogos antigos — envolve a conquista total do território. Cabe notar que cada uma delas proporcionará aos jogadores dezenas de horas de diversão.

Revivendo a história

Outra opção para quem vai curtir o jogo sozinho é a recriação de batalhas históricas, como a de Waterloo, Austerlitz ou ainda do Nilo. Essa é a sua maior chance de ver Napoleão tendo sucesso, revertendo a história e dominando mais dos territórios vizinhos. Cada um dos detalhes foi recriado, do número de soldados até o terreno das arenas de guerra.

Vale notar que em Napoleon: Total War o solo e as condições climáticas passaram a afetá-lo diretamente. Montanhas impedem tiros efetivos da infantaria. Bolas de canhão criam crateras no chão e impedem a passagem dos inimigos. A chuva, visualmente inofensiva, ataca vorazmente a pólvora de seus soldados, deixando-os à beira da morte graças a falhas nos disparos.

O negócio da guerra

Assim como nos capítulos anteriores da série Total War, o game é dividido em duas porções principais. A primeira é de gerenciamento tático, se desdobrando sobre o mapa continental. É por ele que você gerencia a formação e o deslocamento de suas unidades pelas cidades e pontos dominados, além de estabelecer emboscadas nas ruas, montanhas e matas.

Por trás da ação, quem entra em cena é a política. Ela é vital na estratégia, permitindo a formação de aliados, o estabelecimento de relações de trocas entre os países e até mesmo passe livre para que seu exército possa atravessar terras que não lhe pertencem. É claro que tudo tem seu custo aqui, seja em favores monetários, de proteção ou territorial.

Uma nação melhor

É incumbida a você a tarefa de construir edificações com fins de treinamento, comércio, armazenamento ou até mesmo entretenimento. Cabe notar que este último tipo citado tem um grande papel no game, pois é capaz de apaziguar os ânimos da população, que pode muitas vezes estar insatisfeita com a invasão estrangeira (temendo pela perda da identidade nacional) ou até mesmo com as suas taxações.

Se todas essas “questões” não forem suficientes para você, há ainda o tradicional sistema de aprimoramento das nações, através das opções de pesquisa e desenvolvimento. Elas podem não estar tão presentes durante a primeira parte da campanha de Bonaparte, mas têm um papel crucial no seu sucesso em outros territórios.

Entretanto, cabe notar que Napoleon: Total War joga com a evolução intelectual de sua população: quanto mais estudo e pesquisa eles têm, mais é cobrado, mais eles protestam e mais eles temem pela liberdade. Muitas vezes acaba sendo vantajoso mantê-los no escuro da ignorância para não ter que se preocupar em dar conta das crises civis que assolam as capitais.

Na hora da briga

É quando duas nações rivais se encontram que Total War mostra sua verdadeira cara: os combates épicos com linhas de soldados e múltiplas formações de combate. O efeito visto em Empire foi mantido (contando com algumas melhorias), tanto nos combates terrestres quanto nas disputas marítimas.

Nesse momento, o game não pode ser visto como um mero RTS, afinal de contas, mandar as unidades correndo em direção aos oponentes é a receita mais rápida para o fracasso. É necessário estudo, posicionamento, aplicação exata de disparos e muito tempo hábil...

Uma ajuda aqui... Por favor!

Mesmo com tanta coisa para gerenciar, não há motivo para desespero, afinal de contas existe uma série de ferramentas de aprendizado. A primeira delas é a fase de tutorial, dividida entre campanha, combate tático e disputas navais. Um personagem (com voz) o guiará por todas as etapas necessárias para a conquista da vitória. Depois, basta aplicá-las nos testes reais.

Em termos de gerenciamento de cidades e das políticas de taxação, há a opção de automatização, que tenta manter da melhor maneira possível a evolução natural de seus postos, a coleta de tributo e a felicidade de seus cidadãos. Se o seu objetivo é correr e se esquivar das lutas em tempo real, opte pela resolução automática do conflito. Apenas fique de olho no mostrador de vantagem para não entrar em uma roubada...

Os outros lados da história

Depois de se divertir por todos os cantos do continente na pele do Imperador, você tem também a oportunidade de encarar os outros lados da história, na pele dos reis e comandantes dos demais territórios, como Áustria e Veneza.

Você escolhe se prefere um modo de dominação histórico (que subverte a ordem natural dos acontecimentos da época) ou de controle total, que o obriga a dizimar (ou ao menos subjugar) todos os oponentes e controlar todos os pontos. Vale notar que os elementos de evolução cultural estão presentes desde o início, portanto os iniciantes devem dar preferência à campanha de Napoleão na Itália.

O efeito das estações

Uma das boas novidades para este episódio é o impacto da mudança de estações sobre o mapa e cenários de batalha. Como o tempo passa de duas em duas semanas (ao invés de seis em seis meses), você se deparará com nevascas. Elas não somente cobrem a vegetação, mas como também inserem nas partidas um desgaste constante sobre as tropas.

O mesmo efeito tem a seca dos desertos do Egito, desgastando as forças das tropas pelo motivo oposto. Desabrigadas, elas passarão a tomar “dano”, de modo que os soldados vão morrendo pouco a pouco.

Multiplayer para todos os gostos

Ao iniciar suas campanhas, você notará a opção “Drop-in Battles”. Trata-se da possibilidade de que — em combates específicos — o jogo localize jogadores online para enfrentá-lo durante a campanha. O recurso é muito bem-vindo e injeta doses gigantescas de adrenalina na campanha, fazendo com que você se dedique ao máximo.

E já que o assunto é multiplayer, saiba que Napoleon: Total War traz diversas opções, incluindo campanhas em dueto (cooperativas ou não), duelos clássicos diretos (sem envolver o gerenciamento de mapas) e países extras, não presentes no modo single player. Como complemento, existe a extensa personalização de uniformes (com mais de trezentos padrões) e a comunicação por voz.

Nos mínimos detalhes

De ponta a ponta é possível notar a atenção que os desenvolvedores tiveram com os detalhes. Não nos referimos apenas às relações entre os países, aos combates e aos gráficos, afinal de contas existem outros elementos que chamam a atenção do jogador durante as partidas, tais como o trabalho com as ilustrações para cada acontecimento no campo de batalha.

As unidades contam com descrições detalhadas de força, agilidade, impacto e uma série de outros fatores. Ao clicar sobre uma das cidades ou sobre qualquer outro item de jogo, é bem provável que você se depare com uma verdadeira parede de dados históricos, o que prova, mais uma vez, a dedicação da equipe de desenvolvedores.

E durante as disputas marítimas, ao fazer com que uma embarcação inimiga afunde, o que surge na tela é o desespero dos tripulantes, que tentam nadar em rumo a um ponto mais seguro. Todos estes detalhes podem não saltar aos olhos de imediato, mas uma breve aproximação de câmera fará com que você repense a sua percepção de escala.

Um acompanhamento magnífico

Está se armando para uma seção de dominação? Então não se esqueça de aumentar bem o volume dos alto-falantes ou de apelar para bons fones de ouvido, afinal de contas a trilha sonora de Napoleon: Total War é um de seus pontos mais fortes.

As canções são clássicas, gravadas em piano ou em versões orquestrais que entram em momentos exatos da ação, dobrando o impacto do que está estourando pela tela. Temos ainda rolando ao fundo as vozes dos soldados, efeitos de ambiente (como explosões e vento) e a narração da história. Em conjunto com os efeitos gráficos melhorados e com os diversos cenários, o que se vê é um espetáculo da guerra, mais belo do que nunca.

Foco restrito

A linearidade em Napoleon: Total War é maior do que a vista nos títulos passados. Embora isso contribua com a narrativa (e dê até mais veracidade aos combates) ela também tem seu lado negativo. Em primeiro lugar, praticamente não há evolução tecnológica, uma vez que não são cruzadas eras, mas sim alguns anos.

Ao atravessar o continente, muitas vezes será necessário declarar guerra contra nações amigas, apenas para que os objetivos sejam cumpridos a tempo, ou ainda de acordo com os padrões secundários estabelecidos.

Navegando pelos mares

O combate naval exige o dobro de atenção e de paciência dos jogadores. A fórmula é praticamente a mesma vista no episódio anterior (Empire: Total War), ou seja, as unidades se deslocam com baixa velocidade. Caso o inimigo resolva se realocar, você poderá passar cerca de dez minutos, apenas perseguindo-o.

Fujam por suas vidas!

Infelizmente, a inteligência artificial continua sendo um dos pontos mais intrigantes do jogo. Algumas das decisões tomadas pelos exércitos alheios o deixarão com a pulga atrás da orelha, enquanto o erro mais frequente de todos pode se tornar um meio “barato” de atingir a vitória em batalhas de defesa.

O fato é que os inimigos têm um senso de preservação enorme, o que faz com que eles hesitem constantemente em parar de frente para as suas linhas de fogo. Ao invés disso, eles tentarão correr de um lado para o outro do mapa, sem êxito (desde que você os acompanhe) em achar um canto seguro. Como invasores têm tempo limitado para atingir o objetivo, você pode acabar algumas das batalhas com vitória sem fazer grande esforço.

Já com relação à resolução automatizada de conflitos, aí vai um conselho: não se acostume com ela e nem a utilize em todas as brigas, afinal de contas, mesmo as batalhas mais favoráveis podem ter resultados catastróficos, com derrotas que aniquilarão todos os seus planos para as rodadas futuras.

Alô? Tem alguém aí?

Não bastasse o problema descrito acima, é possível que você se depare — em meio à campanha com a visão estratégica — com uma falha que realmente desanima: a paralisação completa do game. Ela é esporádica, ocorrendo no momento em que você tenta avançar pelos turnos.

É como se o jogo ficasse calculando infinitamente o próximo movimento de seus soldados. Como resultado, você fica preso com o relógio em movimento pela tela, sem poder abrir menus para salvar seu progresso ou simplesmente para tentar reanimar o game. O jeito é recorrer ao tradicional Ctrl+Alt+Del...

Batalha furada

Se por um lado as batalhas possibilitadas pelo recurso Drop-in atuam como um meio de evitar que o jogador sofra devido à burrice artificial vista em algumas das situações, por outro ela pode ser algo duplamente frustrante. Dizemos isso porque o conflito é encerrado automaticamente quando um dos jogadores se desconecta.

Levando em conta a duração de cada uma das partidas, não é difícil prever que a chance da queda na conexão é altíssima. Uma das alternativas para a Creative Assembly seria a implementação de um sistema de continuação, analisando as unidades presentes no campo de batalha e fazendo com que o computador assumisse novamente a sua posição de direito.

88 pc
Ótimo