Análise de Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3

A Quarta Grande Guerra Ninja está para começar

Velhos inimigos colocam suas divergências de lado para lutar contra um adversário em comum. É somente a partir de uma improvável união como essa que antigas rixas são esquecidas, abrindo caminho para a esperança e motivação para seguir em frente e para, quem sabe, rumar à verdadeira paz.

É a partir dessa mensagem que começamos nossa jornada em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3, o novo capítulo da popular franquia que traz os icônicos personagens dos mangás e animes direto para seu console. E, desta vez, as coisas são um pouco mais complexas, já que o mundo ninja está em guerra e é preciso que velhas rivalidades sejam postas de lado em prol de um bem maior: a sobrevivência de todos.

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Porém, escondida no meio de tanta tensão e assuntos pesados como ódio e vingança, há uma grande dose de diversão, principalmente para os fãs da franquia. Como se trata de um conflito quase global, isso significa que a quantidade de personagens disponíveis é enorme, permitindo que você controle praticamente todos os shinobis que apareceram na série até hoje.

Para isso, a Namco Bandai e a CyberConnect2 deram continuidade à fórmula utilizada nos títulos anteriores, investindo em seus acertos para cativar a grande legião de fãs de Naruto e mostrar que ainda é divertido distribuir jutsus para todos os lados.

Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 é um jogo para fãs. Por mais que ele repita a mesma fórmula dos títulos anteriores, ele expande a ação ao trazer um momento importantíssimo da saga e introduzir novos elementos à mecânica. Por mais que a jogabilidade simplificada torne as coisas bem repetitivas, isso parece não incomodar os apaixonados por este universo, que podem ter seu espetáculo de jutsus e outros golpes bem conhecidos a seu dispor a qualquer momento.

E assim como os demais títulos da série, Ultimate Ninja Storm 3 não é feito para se tornar um ícone dos games de luta ou um jogo competitivo para ser usado em campeonatos, mas entreter quem acompanha a saga dos ninjas e permitir que você realize todos os golpes e feitos que seus heróis realizam no mangá e no anime. Nesse aspecto, o lançamento se sai muito bem.

Mesmo com a falta de ritmo narrativo, não há como não se empolgar ao reproduzir lutas marcantes da Quarta Grande Guerra Ninja e ter todas as técnicas a apenas alguns botões de distância. Ao contrário do próprio Naruto, que sonha alcançar o posto mais alto entre os shinobis, a Namco se mantém com os pés no chão e visa atingir exatamente quem importa. Uma aposta que se mostra mais uma vez certeira.

Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 gentilmente cedido pela ShopB.

No caminho certo

A estratégia da produtora com Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 é bastante simples. Com uma mecânica acessível, qualquer pessoa pode pegar o controle, escolher seu ninja e partir para a porrada. O sistema de combate ainda consiste em apertar praticamente os mesmos dois ou três botões — um destinado para golpes, outro para o arremesso de shurikens e kunais e um terceiro para a utilização de chakra — para a criação de uma jogabilidade simplificada, mas que pode ser expandida a partir do uso de combinações variadas.

Para quem jogou qualquer um dos títulos anteriores da série, isso não é nenhuma surpresa. Mantendo a mesma estrutura, o novo game consegue criar uma experiência familiar para os fãs, que não precisam perder tempo se adaptando a novos comandos e podem partir logo para a briga. E levando em conta que o público da série atinge faixas etárias bem diferentes, trata-se de uma escolha sensata.

No entanto, isso não quer dizer que Ultimate Ninja Storm 3 não traz nenhuma novidade. Apesar de o chamado modo Awakening já existir nos demais jogos, agora é possível ativar essa condição a qualquer momento. Com um simples movimento no analógico direito, alguns personagens conseguem entrar nesse “modo apelão” e se tornam muito mais rápidos, poderosos e letais.

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É claro que esse benefício não chegaria sem um preço, afinal, um jogo de luta sempre se baseia no equilíbrio entre seus personagens. Desse modo, utilizar o Awakening instantâneo faz com que a barra de chakra diminua consideravelmente, limitando o uso de jutsus e outros golpes mais poderosos — o que pode ser usado por seu adversário como uma ótima maneira de contra-atacar. Saber a hora exata de usar esse recurso é o segredo para a vitória.

Uma história para fãs

Sejamos sinceros: Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 é um game voltado para os fãs da franquia. E para isso, nada mais justo do que permitir que os apaixonados pela obra de Masashi Kishimoto revejam a história que eles tanto gostam sendo fielmente recontada em seu console.

Para isso, o game reconstrói a Quarta Grande Guerra Ninja desde seu início, com o ataque de Uchiha Sasuke à reunião dos Cinco Kages, às diversas batalhas da Aliança Shinobi contra o exército de Uchiha Madara (segurem os spoilers!). E para não deixar ninguém na mão, o tradicional áudio em japonês continua presente para ampliar essa sensação de familiaridade com quem assiste ao anime.

Além disso, a CyberConnect2 traz uma mecânica diferenciada que foge um pouco daquilo que os demais jogos de luta oferecem. Em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3, nem tudo se resume aos combates, já que há vários momentos de exploração para que você possa visitar vários locais conhecidos das mais diferentes formas.

Há também uma pequena pitada de RPG nessa narrativa que deixa as coisas bem mais atraentes e interessantes. Em meio aos seus “passeios” por Konoha ou pelos caminhos que ligam as vilas e campos de batalha, você encontrará itens, equipamentos e até mesmo missões paralelas para estender o game. Há até mesmo um sistema de evolução que libera o uso de determinados acessórios durante o combate.

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O desenvolvimento da trama também acontece de maneira diferenciada, dando ao jogador a liberdade de escolher a forma como a história vai prosseguir. Ao optar pelo caminho da Lenda, você terá de cruzar um caminho maior e com mais inimigos — que devem ser derrotados em uma mistura da mecânica do game com os velhos Beat ‘em Ups. Já a rota Herói é um pouco mais fácil e conduz o jogador diretamente para a próxima luta importante.

Personagens para todos os lados

Já falamos sobre isso, mas é sempre bom reforçar: estamos em guerra e isso significa que velhos inimigos estão lutando lado a lado contra uma ameaça em comum. Em outras palavras, isso faz com que Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 tenha um dos maiores elencos de toda a série — são mais de 80!

São ninjas de diversas vilas. Além dos velhos rostos da Folha e da Areia, você ainda encontrará nomes ilustres vindo da Rocha, Névoa e Nuvem entre os guerreiros disponíveis. Além disso, como boa parte do exército inimigo é composta por ninjas ressuscitados pelo Edo Tensei, espere encontrar alguns shinobis há muito tempo mortos — o que é ótimo para quem sentia falta de Haku, Deidara, Asuma ou qualquer outro que já tenha passado para o outro lado do mistério.

Um ótimo visual

Isso não chega a ser novidade, mas é impossível ignorar. O visual cel-shading adotado pela CyberConnect2 para dar vida ao universo de Naruto é uma ótima escolha, permitindo que tenhamos os traços clássicos do anime sendo fielmente reproduzidos sem deixar a qualidade de lado.

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Por mais que isso resulte em uma enorme quantidade de serrilhados — em alguns momentos, você mal percebe a boca se movendo durante os diálogos —, a combinação de estilos é tão bem feita que, em vários momentos, a impressão que fica é que estamos diante da própria animação para TV e não de um jogo em si, com a diferença de que tudo é bem mais interativo.

Simplicidade incômoda

Se a facilidade nos comandos é algo positivo por permitir que qualquer pessoa caia na porrada, ela também traz uma incômoda sensação de que você está realizando os mesmos movimentos sem parar. Afinal, como há apenas um único botão de ataque, o personagem escolhido pouco importa, já que a estratégia de combate é praticamente a mesma: aperte B/O sem parar até o oponente cair.

É claro que cada guerreiro tem uma particularidade por conta de seu estilo, mas nada que mude significativamente a forma de jogar. No fim das contas, Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 é um game de ver jutsus, pois ganha quem conseguir controlar melhor seu chakra e usar a maior quantidade de golpes em sequência.

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É claro que a combinação de movimentos consegue minimizar essa repetição excessiva, mas agarrões e ataques de suporte são apenas uma “quebra” na simplicidade que domina o game.

Pegue a pipoca e desligue o controle

Por mais que os fãs realmente queiram ver a história que eles já conhecem sendo recontada nos consoles, isso não significa que ela deva ficar acima do que mais importa em um game: jogar. E em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 isso acontece com muita frequência, já que você mais assiste às cenas do que realmente luta.

Ainda que os diálogos e as cenas animadas sejam importantes — afinal, alguém precisa explicar o que está acontecendo —, eles são tantos que você esquece que está diante de um video game. São passagens excessivamente longas que detalham cada acontecimento e quebram completamente o ritmo rápido que os confrontos oferecem.

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É claro que é possível pular tudo isso e ir direto para a ação, mas isso tira todo o propósito do game. O problema é que a CyberConnect2 não soube equilibrar as doses de narrativa e jogabilidade, fazendo com que a tarefa de acompanhar todas as falas e conversas seja algo enfadonho e incrivelmente cansativo até mesmo para os fãs. Não custava nada resumir, não é mesmo?

Adicione a isso as infinitas telas de loading e você já pode economizar as baterias de seu joystick.

Um oferecimento Google Tradutor

Se acompanhar os longos diálogos já é complicado, isso fica ainda pior por conta dos textos em português. Apesar de Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 3 estar totalmente traduzido para o nosso idioma, aquilo que deveria ser algo positivo para os fãs brasileiros se transforma em piada e sofrimento.

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O game deve ter uma das piores traduções de jogos que já vi em minha vida. São diferentes tipos de erros, indo desde a uma básica falha de digitação — nós perdoamos quando um “Sasue” escapa — até grotescas falhas de tradução. E nem são deslizes cometidos por conta dos termos japoneses e específicos da série, mas pela simples falta de cuidado.

É quase como se a Namco Bandai tivesse colocado todas as falas no Google Tradutor e transferido para o jogo sem se dar ao trabalho de revisar ou checar se aquilo realmente fazia sentido. Afinal, como “Ninja Renegado” virou “Ninja Patife”?


A situação se agrava quando esse relaxo acaba afetando sua compreensão do jogo. É muito comum encontrar termos mudando de nome de uma hora para outra. Os próprios modos Lenda e Herói citados anteriormente viram Legenda e Guerreiro em uma tela e voltam para a outra forma em um segundo momento. Se você depender unicamente das explicações do jogo, é melhor procurar um tutorial na internet.

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