Este jogo não merecia nem mesmo ser analisado...

Por trás de seus visuais quase infantis, Naughty Bear esconde toda a sua indecência. O jogo é realmente podre, trazendo para as telas uma experiência que se beneficiaria enormemente de um sistema de combate complexo (dada a sua natureza de ação e violência). Entretanto, o que se observa é uma jogabilidade sem a mínima profundidade.

Um convidado indesejado

O conto do game é breve. A comunidade de ursos de pelúcia está em festa. É dia de aniversário e todos estão reunidos para celebrar, cantar e trocar presentes. Naughty — um ursinho bem distinto, marcado pelas cicatrizes e com um passado não tão brilhante — decide participar também.

Ele separa um presente especial para o aniversariante, embalando-o com muito cuidado. Mas os outros ursos parecem não gostar da ideia, caindo na gargalhada ao ver Naughty passeando pelas ruas com o embrulho. Chateado pela travessura dos demais, e sem um convite formal para a comemoração, o astro travesso parte para casa, pensando apenas em uma coisa: vingança.

O conceito é bacana, mas a execução é uma baderna. Os controles são sofríveis, os visuais perdem para jogos da geração passada em termos de iluminação, a câmera o deixará com dores de cabeça profundas e as missões farão com que você tenha vontade de dar uma surra na equipe de desenvolvedores, por criarem algo tão repulsivo.

Potencial para pior do ano? Sem dúvidas. É essa a impressão que Naughty Bear deixou no Baixaki Jogos.

A proposta

Nas mãos certas e com um bom orçamento, Naughty Bear viraria uma releitura interessante de Grand Theft Auto, mesclada aos visuais mais descontraídos que carregaram Fat Princess rumo ao sucesso. A proposta é sólida e divertida. Os personagens têm potencial e carisma. Até mesmo a longa campanha de divulgação nos fez rir com seus muitos episódios...

Uma pena que, dentro do jogo, nada nos agradou.

A visão do inferno

Depois de sair de menus trabalhados com um estilo tão atraente, você praticamente entrará em choque ao ver os gráficos do jogo. A maioria dos estágios está localizada no meio da floresta, com pequenas casas e veículos, além da vegetação que fica às margens das ruas. O problema é que tudo é realmente feio.

Em primeiro lugar, os visuais são extremamente poluídos, praticamente bloqueando a visão do jogador. Não há nenhuma iluminação no jogo, mesmo com as diferentes configurações de horários para o dia. A maior diferença que você notará será na cor do céu. Sombras e luzes simplesmente não existem.

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O trabalho de texturização é de péssima qualidade, já que o game exibe muitas regiões borradas ou em baixa qualidade. Sem iluminação, você não entenderá nem para que lado está seguindo (sem contar o problema da câmera, que abordaremos mais adiante). Nem mesmo os astros de Naughty Bear, os ursos, escapam da chacina. O que piora ainda mais a qualidade da imagem é a ausência de técnicas de suavização de serrilhados, os quais saltam por todos os cantos da tela, dos ursos às bordas das paredes.

Mas as nossas reclamações — com relação aos gráficos — ainda não terminaram! Temos que observar, também, que o draw distance (distância na qual os objetos do cenário são computados e mostrados pelo console) é realmente curto. Por fim, há pop-in por todos os cantos da tela. Ao caminhar de um ponto ao outro, você notará que plantas, casas, carros e até mesmo personagens brotam literalmente na tela. Dado o poder dos consoles, as coisas que listamos são realmente inaceitáveis.

Poluição visual

Pelo visto, apenas gráficos medíocres não são suficientes na visão da desenvolvedora, que se ocupou em construir um dos piores HUDs (Heads Up Display, os mostruários de informações) que vimos nos últimos tempos. Os mostradores ocupam literalmente um terço da tela, podendo ser expandidos em algumas situações, como quando surgem as caixas de dicas.

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O problema é que elas não saem da tela até que você pressione o botão Back (Xbox 360) ou Select (PlayStation 3). Isso se repete a cada novo elemento da jogabilidade que é mostrado ao longo dos estágios.

Para complicar ainda mais a questão da jogabilidade, a câmera do jogo se comporta extremamente mal, principalmente em ambientes fechados — como as casas nas quais seus oponentes se escondem. Ao entrar nos quartos você verá as paredes, os canos, os armários e polígonos estourados, mas nada do que acontece com você.

Na velocidade da lesma

O desempenho é a falha mais gritante de Naughty Bear. Os loadings (telas de carregamento) ocorrem com a transição de cada cenário e são realmente extensos no início de cada uma das missões. Se uma cidade como a de Grand Theft Auto IV surgisse no horizonte, nós não reclamaríamos. O problema é que estamos falando de pequenos bosques.

Ao entrar nas partidas, você perceberá que o game é literalmente travado. Virar a câmera de uma ponta à outra, por exemplo, faz com que o jogo retribua com uma apresentação de slides. Não há como negar: é impossível jogar nessas condições. Um projeto com orçamento decente não chegaria nem a sair da fase de testes internos.

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Nem mesmo as atualizações — que têm quase 500 MB de tamanho em download, mais do que muitos jogos de altíssima qualidade na PSN ou na Xbox LIVE — são capazes de sanar o problema. Há um ligeiro aumento na taxa de quadros por segundo (fps), mas de um modo geral, ainda é uma tarefa impossível se divertir com Naughty Bear.

Enchendo a sua paciência

Realmente, a narrativa tinha tudo para conquistar a atenção dos jogadores. Entretanto, os escritores não souberam encaminhá-la e Naughty Bear se transformou em uma desculpa para você bater em outros ursos.

O que se vê, ao longo de sete cenários distintos (cada um com cinco estágios), é a repetição praticamente insuportável de cenários, missões, inimigos e gritos. Não há variação em momento algum das partidas. De quebra, você tem que aguentar o narrador repetindo piadas cretinas o tempo inteiro, em um tom de voz pavoroso. Total Deflufication!

Controles de pedra

Existem comandos para corrida, esquiva, ataques pesados e leves, sustos e até mesmo interação com os demais ursos, mas na prática nada responde à sua vontade. As corridas só tiram a sua precisão e são temperamentais, respondendo aleatoriamente. O mesmo vale para os botões contextuais, que exigem que você esteja exatamente sobre o objeto a ser coletado — e completamente inerte.

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Os combates (que constituem a principal fatia de conteúdo do game) são extremamente repetitivos, matando o jogador de tédio. Os combos se resumem em um botão, sem nenhum sistema para travar a mira no oponente (Lock-on). No fim do dia, você estará brigando com os controles para deixar a câmera alinhada ao corpo de um urso em fuga.

Nem mesmo as armas conseguem mudar um pouco a jogabilidade, já que a velocidade de todos os ataques parece ser a mesma. Existe apenas uma animação de assassinato para cada equipamento, o que torna os eventos cansativos. Pior ainda é perceber a falta de cuidado nas cenas, já que não existem efeitos especiais adequados.

Isso tudo nos deixa realmente tristes, já que o projeto tinha um potencial enorme. Infelizmente, tudo foi por água abaixo devido à falta de atenção. Cenas que poderiam ser engraçadas, com gritos e pedaços de ursos voando por todos os lados, são apenas enjoativas, com lâminas que atravessam corpos como se eles fossem falhas no jogo, não algo proposital.

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Multiplayer para quê?

Três cenários, algumas configurações envolvendo os horários do dia (inúteis, como já dissemos anteriormente) e quatro modalidades que requerem assassinatos e coletas de doces na floresta. Tudo o que o jogo já tinha de ruim fica ainda pior em servidores quase vazios, com lag considerável e nenhuma diversão.

28 ps3
Vergonhoso

Outras Plataformas

28 xbox-360