Uma quente combinação de Burnout com Need for Speed

A franquia Need for Speed já passou por muitas transformações. Depois de um início tortuoso pelos desertos e cidades, ela logo passou a envolver perseguições policiais quentíssimas, que acabaram se tornando a marca registrada da série.

A chegada da sexta geração de consoles marcou o início da fase Underground — com rachas ilegais, muitas personalizações veiculares e transformações pesadas —, extremamente bem-sucedida, mas que infelizmente acabou se tornando um estigma, dada a insistência na repetição da fórmula.

Depois de praticamente uma dezena de versões e atualizações, a Electronic Arts finalmente decidiu dar ouvido aos fãs, que vinham clamando por um retorno às raízes, às corridas paradisíacas e às longas distâncias — carregadas de fugas, armadilhas e atalhos. Sim, Hot Pursuit está de volta, e em grande estilo!

Os fãs pediram... A Criterion Games atendeu. A versão refeita de Hot Pursuit consegue conciliar o estilo clássico da série a sistemas modernos de jogabilidade, vistos durante as maiores disputas entre policiais e pilotos em fuga.

Apesar de algumas inconsistências, a jogabilidade consegue agradar à maioria, permitindo que os jogadores atinjam altíssimas velocidades e as mantenham nas curvas. Em termos de áudio, não há do que reclamar, uma vez que a trilha sonora é completamente personalizável e o ronco dos motores faz os alto-falantes tremerem.

O grande destaque do pacote acaba sendo a porção online, dotada de desempenho sólido e de muita variedade, permitindo que os jogadores testem verdadeiramente as suas habilidades. A integração com o sistema de experiência da campanha e com o Autolog faz de Need for Speed uma das melhores experiências online da geração.

Não interessa se você é fã ou se está descobrindo o nome Need for Speed agora. Hot Pursuit merece ser jogado por todos.

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Um verdadeiro retorno

Os “clones estendidos” de Underground já não agradavam mais aos fãs, que estavam perfeitamente saturados da estrutura das partidas e do próprio modelo de disputa adotado. A boa notícia é que a Electronic Arts percebeu isso em tempo de consertar o rumo que vinha sendo tomado.

Durante o ano passado vimos o lançamento de Shift — desenvolvido pela equipe da Slightly Mad Studios —, o qual trouxe uma abordagem mais próxima da simulação e angariou uma legião de interessados. Para o retorno às raízes de Hot Pursuit, a distribuidora EA não poderia ter feito uma decisão melhor: a Criterion Games foi eleita.  

O resultado é um game vibrante, com muita destruição — havendo riscos na lataria e partes amassadas, ainda que o efeito seja meramente estético — e jogabilidade visceral. Obviamente as influências de Burnout são visíveis, o que não é de forma alguma um aspecto negativo.

A combinação de estilos e de experiências é suficiente para atrair olhares e a curiosidade dos novatos, enquanto os antigos veteranos finalmente poderão sentir o velho sabor dos passeios paradisíacos — apimentados pela pressão de uma polícia maluca, que não está nem aí para as pancadas que distribui em seu carro.

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O sucesso está na simplicidade

Muitos perguntam o que faltava para que os novos jogos da série Need for Speed pudessem ser comparáveis, em qualidade, aos clássicos. Hot Pursuit tem a resposta: simplicidade de acesso. Aqui tudo é direto e claro, sem as inúmeras opções de personalização para o veículo ou ainda as intermináveis sessões de vídeos e narrativa. Você só escolhe o modelo, a cor e parte para o desafio.

A eliminação dos ajustes e das trocas de peças é perfeitamente adequada à proposta do game, por fazer com que os jogadores realmente conheçam os veículos oferecidos e suas respectivas peculiaridades. Enquanto alguns apresentam maior potência e aceleração, outros roubam a cena por ter uma resposta muito mais rápida aos comandos do controle.

Acredite: depois de gastar uma tarde com o game você finalmente passará a dominar o sistema de curvas e perceberá quais carros se adaptam melhor ao seu estilho e traçado, o que é verdadeiramente recompensador.

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Entendendo a sua máquina

A questão das diferenças entre os veículos ainda é realçada pelas pistas do jogo. Enquanto os episódios anteriores não apresentavam praticamente nenhuma variação de velocidade ou punição para os que corriam pela grama ou fora dos asfaltos, Hot Pursuit inverte a situação, envolvendo toda uma estratégia de corrida.

Aqui, os carros mais esportivos e baixos definitivamente perdem velocidade ao cruzar trechos arenosos ou de chão batido, o que significa que nem todos os pequenos atalhos são vantajosos (ainda mais se levarmos em consideração empecilhos como pedras, muretas e arbustos). Em contrapartida, atalhos longos que realmente cortam o traçado original podem recompensá-lo pelo encurtamento da distância e também pelo ganho acelerado de nitro.

Rachas violentos

Não acredite que você participará das sequências de perseguição apenas pensando em bater nos carros alheios ou acelerando sem parar (para fugir da polícia). Hot Pursuit resgata antigos artifícios, a exemplo dos sistemas de espinhos — depositados nas pistas sob o seu comando —, capazes de furar os pneus e literalmente acabar com a corrida de muitos.

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Outro exemplo mais moderno é a bomba de pulsos eletromagnéticos, que faz o motor do seu alvo enguiçar. A verdade é que uma série de mecanismos são postos ao seu dispor, tornando tudo mais emocionante. É preciso pensar em velocidade, posicionamento e também na segurança de seu veículo.

É importante mencionarmos que há diferenças entre os veículos policiais e os dos fugitivos. Os primeiros ganham nitro por percorrerem o asfalto em alta velocidade e contam com o apoio do posicionamento de barreiras e de helicópteros (que inclusive evoluem com o progresso do jogador).

Já os fugitivos recorrem aos bloqueadores de sinal (que anulam o efeito de pulsos eletromagnéticos e de helicópteros) e ao nitro de alta potência, tornando os últimos segundos de uma perseguição mais seguros.

Online em chamas!

Vamos primeiro ao que interessa: a porção online de Need for Speed: Hot Pursuit é fenomenal, colocando à disposição dos jogadores uma série de modalidades de corrida, todas carregadas com adrenalina. Aqueles que não quiserem estruturar suas próprias salas podem ir direto para a opção de partidas rápidas, que não apresenta quaisquer problemas.

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Os vidrados em velocidade podem escolher corridas limpas em trechos ou circuitos. Os aventureiros preferirão os duelos entre policiais e fugitivos, nos quais oito jogadores são divididos em duas equipes e soltos nas pistas.

Raras foram as vezes em que nos deparamos com lag excessivo, ainda que alguns dos participantes tenham se “teleportado” de tempos em tempos, tornando as suas ações um tanto imprevisíveis. A conexão é estabelecida em apenas alguns segundos, sem requerer muita paciência de ninguém.

Mas o melhor de tudo é que qualquer um destes eventos online é convertido em experiência, servindo para liberar o acesso a veículos mais potentes e outras vantagens. Não há uma forma melhor de integrar a campanha ao conteúdo online. Mais uma vez, um grande acerto da Criterion.

Acompanhamento total

Cada plataforma tem suas restrições e vantagens. Tentando unificar um pouco mais a comunidade de jogadores, a Criterion Games implementou um sistema chamado Autolog. Pense nele como uma sub-rede, a qual permite que você adicione amigos, confira o progresso deles e inclusive distribua convites para partidas de dentro dos salões online — ainda que um registro de uma conta EA tenha que ser feito.

O progresso single player também é registrado dentro do Autolog, o que significa que o tempo registrado pelo seu colega em uma prova poderá ser quebrado por você, na sua própria campanha. O sistema cria um tipo de competição interna, incentivando os jogadores a buscarem um aprimoramento contínuo de desempenho.

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Outros recursos do Autolog incluem o armazenamento e compartilhamento das fotografias e também o sistema de recomendação de conteúdos e eventos, o qual leva em consideração o nível de habilidade de cada participante.

Como um tanque de guerra?

A jogabilidade do novo episódio respeita o estilo dos clássicos, tendo um sistema de direção extremamente simples, que exige pouco esforço dos jogadores que não estão preocupados com o máximo desempenho nas pistas.

Embora o freio de mão possa ser ativado para as curvas e manobras de longa duração — colocando-o em uma situação arriscada, mas recompensadora quando acompanhada de uma boa execução —, não podemos deixar de mencionar que alguns dos veículos se comportam como verdadeiros tanques de guerra.

Para estes carros, mesmo nas retas, é necessário segurar o direcional analógico para um dos lados por quase um segundo, para que somente então o jogo responda adequadamente. O problema é que aí a resposta passa a ser exagerada, tornando a compensação impraticável.

Como dissemos, o uso do freio de mão corrige isso em longas curvas (e compõe integralmente a jogabilidade), mas pequenos ajustes em trechos retos podem ser um verdadeiro inferno quando alguns dos carros são utilizados.

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Fotografias desanimadoras

Alguns dizem que é melhor ter qualquer coisa do que não ter nada — e talvez nós tenhamos ficado mal-acostumados, depois de termos tido contato com o Photomode de Forza Motorsport 3 e de Gran Turismo 5 —, mas não conseguimos nos impressionar com o sistema de fotografias presente em Need for Speed: Hot Pursuit.

As opções são escassas, envolvendo ligeiros ajustes de cor, exposição, foco e contraste. O produto final é salvo em resolução mediana e exportado direto para os servidores da EA, apresentando uma série de falhas provocadas pela compressão dos arquivos. Outro problema é que pouquíssimo pós-processamento é adicionado às imagens, estando presentes os famosos serrilhados e outras falhas — tais como sombras mal filtradas.

É preciso gastar um bom tempo testando o sistema para que seja obtido um bom resultado final. Dê preferência às cenas envolvendo colisões, helicópteros e sirenes!

Sem olhar para frente

Depois de destruir um oponente, você observa a capotagem dele em detalhes, enquanto o jogo assume temporariamente o controle do seu carro. A intenção é boa e o efeito agrada, mas nas situações mais inoportunas, há a possibilidade da inteligência artificial calcular mal o seu percurso e largá-lo de novo na corrida... De frente para um muro. Nessas horas, você só pode lamentar e reiniciar a corrida, caso não haja mais tempo para uma recuperação.

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Belos cenários, mas muitos serrilhados...

Os cenários são quase tão paradisíacos como os do Hot Pursuit original. No entanto, sombras mal filtradas, algumas texturas borradas e o excesso de serrilhados fazem com que os visuais caiam em qualidade. Não há como negar: graças aos recursos de pós-processamentos oferecidos pelas placas de vídeo modernas, a versão para computadores ganha com folga.

Sem cortes

Nossa última reclamação é referente às passagens animadas: não há como cortá-las. Nenhuma é particularmente impressionante — e alguns já podem tê-las visto na demonstração. Em conjunto com as explicações do funcionamento do game, elas consomem preciosos minutos da sua vida.

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88 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

88 xbox-360