Análise de Need for Speed: Most Wanted - Criterion

A facilitação de um grande game

Jogatina BJ

Need for Speed: Most Wanted traz a união de dois grandes nomes. O primeiro é a própria franquia da Electronic Arts, que chega às lojas em um lançamento anual de muita velocidade. Só que agora ela vem junto com a Criterion Games, empresa responsável pela série Burnout e que já mostrou saber criar corridas alucinantes.

Com a responsabilidade de levar a série adiante após o fracasso crítico de Need for Speed: The Run, a empresa reciclou um conceito do passado e colocou policiais e corredores ilegais convivendo de maneira nada saudável na cidade de Fairheaven. E muitos carros à disposição para fazer isso.

O resultado de toda essa mistura é um dos principais títulos de corrida do ano, para não dizer um dos maiores games do ano passado. Após chegar ao PC, PlayStation 3 e Xbox 360, o novo Need for Speed: Most Wanted desembarca agora no Wii U, com funções exclusivas para aproveitar o GamePad do console.

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Need for Speed: Most Wanted traz a franquia de volta a seus tempos de glória e faz grande justiça ao legado da Criterion Games. Como todo game, este também tem os seus problemas. A sétima geração de consoles já dá os seus sinais de cansaço, que podem ser sentidos aqui, e a dificuldade punitiva pode tornar a experiência frustrante e cansativa.

Ainda assim, não é exagero afirmar que estamos diante de um dos melhores games do ano e um dos principais títulos de velocidade dessa geração. Need for Speed: Most Wanted é indicado até mesmo para quem não é fã de jogos de corrida e serve como mais um atestado do que o Wii U capazes de realizar.

O ideal aqui, porém, é ignorar as funcionalidades exclusivas e jogar o título como ele foi imaginado inicialmente. Use o GamePad apenas para trocar de carro e divirta-se com um dos melhores games do console até o momento.

De enlouquecer

Need for Speed: Most Wanted mostra a que veio logo em seus primeiros minutos. Embalado por uma sensacional canção da banda Muse, o jogador é apresentado aos conceitos básicos do game e, quando menos espera, já é lançado no meio da ação. Desde o início ele está livre para circular pela cidade à procura de novos carros e provas.

Não existem longos tutoriais ou provas mais lentas para mostrar como tudo funciona. A Criterion parte do princípio de que quem está se aventurando em Need for Speed: Most Wanted já tem experiência com jogos de corrida e, sendo assim, não precisa ser levado pela mão. A empresa não subestima o jogador e esse espírito permeia toda a experiência com o game.

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É impossível não se ver aflito ou desesperado com uma corrida que envolve diversos competidores e uma grande tropa de policiais. Nesses momentos, a quantidade de elementos na tela é gigantesca e o game se comporta de forma extremamente caótica. Parece um filme de ação, só que é você quem está no comando. A loucura atrás do volante nunca foi tão divertida.

Acabamento de luxo

A versão Wii U é bem equivalente às edições do game para PlayStation 3 e Xbox 360. É seguro afirmar que estamos diante de um dos melhores visuais dos games de corrida dessa geração, com gráficos impressionantes, belas texturas de asfalto e carros modelados à perfeição. O console da Nintendo traz ainda um nível de detalhes um pouco maior se comparado aos concorrentes.

A Criterion também abusou das partículas durante o desenvolvimento, criando ambientes dinâmicos que aumentam a sensação de imersão e contribuem para deixar a jogabilidade ainda mais empolgante. Correr contra o sol, por exemplo, ofusca a visão do jogador. Corridas em ambientes arenosos vêm acompanhadas de grandes nuvens de poeira, que deixam os veículos imundos e exigem atenção redobrada, pois impedem a visualização do que está à frente.

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Nos momentos de colisão, esse aspecto é elevado à última potência. Além dos sons doídos que refletem o metal retorcido e a destruição total dos carros, as batidas vêm acompanhadas de dezenas de cacos de vidro e pedaços de veículos que são espalhados pelo asfalto. O resultado é assustador e incrível na mesma medida.

Tudo vale a pena

Com Need for Speed: Most Wanted, a Criterion removeu completamente as amarras da jogabilidade. Praticamente todas as ações realizadas no game valem pontos que contribuem para a posição do jogador nos rankings online, tanto entre amigos como perante o restante do mundo.

Caso você não queira encarar as provas do título, pode ficar passeando por Fairview arrumando encrenca com a polícia, destruindo outdoors, registrando altas velocidades em radares ou caçando carros. Todos os veículos do game estão disponíveis desde o início, bastando que o jogador os encontre pelo caminho.

No Wii U, porém, a Criterion quebrou um pouco essa dinâmica. E é justamente na utilização do GamePad que reside boa parte dos pontos negativos exclusivos da nova versão.

Perdendo a essência

Na tentativa de fazer bom uso das funções do controle-tablet, a Criterion acabou minando muitas das coisas que faziam de Need for Speed: Most Wanted especial. Por mais que todos os pontos positivos do jogo original, citados acima, estejam lá, o uso do GamePad emburrece a experiência e anula boa parte das principais características do game.

Um dos principais atrativos, como a coleção de carros encontrados pela cidade, se transforma em algo nada atrativo com todas as localizações de veículos liberadas no mapa. Basta ir até os pontos marcados e liberar cada máquina, quando e se quiser. Sem desafio.

O nível de dificuldade também é bastante reduzido com as funções de controlar a passagem do tempo – escolhendo entre dia e noite – ou desligando o tráfego pelas vias. Ainda, um recurso chamado “Disrupt Cops” elimina, uma a uma, as viaturas policiais que perseguem você ao longo do game. Tudo fica fácil demais e o game deixa de proporcionar a empolgação que lhe é costumeira.

Sensível e destrutivo

Apesar de passar longe da sombra de Need for Speed: The Run na maioria de seus aspectos, Most Wanted ainda conta com uma herança maldita de seu antecessor: a jogabilidade punitiva. Não é nada absurdo dizer que o game torce contra o jogador durante todo o tempo, lançando tráfego na direção dele ou manipulando a física para prejudicá-lo.

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Experimente estar com um carro potente e dirigindo como um ás, tomando a primeira colocação rapidamente. Todos os policiais da cidade adotarão a postura mais agressiva e terão você como único alvo. Da mesma forma, todos os motoristas de Fairview se tornarão barbeiros, lançando seus veículos em cima do seu, avançando sinais vermelhos ou simplesmente parando no meio da rodovia para causar uma colisão.

O fato de o sistema de colisão ser extremamente sensível também não ajuda. Existem melhorias para tornar as máquinas mais resistentes, mas, ainda assim, há momentos de destruição simplesmente irreais. Nos testes do BJ, vimos o carro ser destroçado por batidas que aconteceram a meros 40 quilômetros por hora. E isso acontecia apenas quando estávamos em primeiro lugar. Tudo para tornar as coisas mais competitivas, só que da pior maneira possível.

Visão restrita

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Uma última crítica pode ser feita à pouca variedade de modos de câmera disponíveis. Há apenas duas: a frente do capô ou a visão que acompanha o carro por trás. Para os amantes da velocidade, nada de dirigir de dentro do carro e observar os painéis dos veículos ou o movimento do volante.

Apesar de esse tipo de opção nem sempre estar presente em jogos de corrida arcade, é uma falta que será sentida por muitos. É claro que modelar os interiores de mais de uma centena de carros não é tarefa fácil, mas a empreitada valeria a pena para deixar Need for Speed: Most Wanted muito mais emocionante.

93 pc
Excelente

Outras Plataformas

93 ps3
93 xbox-360
90 wiiu