Colhendo diversão em um RTS pra lá de original.

Shigeru Miyamoto é mesmo um cara criativo. A grande mente por trás da Nintendo é responsável por alguns maiores jogos de todos os tempos, estrelados por personagens como Mario, Link (da série Zelda) e Donkey Kong. O mais incrível de tudo o que Miyamoto ainda parece estar longe de seus limites, inovando hoje e sempre.

Os simpáticos Pikmins Uma de suas criações mais recentes, com cerca de oito anos, é Pikmin. Novamente, o designer reflete sua vida pessoal diretamente no mundo dos games, já que o nome do game é uma homenagem ao seu cão, Pikku, e aos jardins do criador. Mas será que Pikmin é uma franquia tão poderosa e audaciosa quanto os demais games criados por Miyamoto? Sim.

Na época, o game obteve um sucesso relativo, e foi abraçado pela crítica e pelos jogadores, se tornando um dos melhores jogos para GameCube — plataforma na qual estreou, em 2002. Dois anos após seu lançamento, a Big-N presenteia os fãs com a sequencia, que apresentou correções e grandes novidades.

Bem, se você viveu na era do PlayStation 2, provavelmente nem sequer ouviu falar de Pikmin. Mas, felizmente, a Nintendo resolveu reviver este clássico no Wii com a série New Play Control!, que conta com vários jogos do GameCube recriados para aproveitar os controles característicos da plataforma de última geração da companhia.

O resultado é simplesmente fantástico. Além de trazer controles perfeitamente adaptados, New Play Control! Pikmin também oferece algumas novidades bacanas, como o aspecto widescreen (16:9) e novas possibilidades em relação aos jogos salvos. Prepare-se para embarcar em uma jornada totalmente original, ao nível do lendário Miyamoto.


O início catastrófico de uma grande jornada


Basicamente, Pikmin é um jogo de estratégia em tempo real com mecânicas básicas e um visual característico da Nintendo. Sim, você deve coletar recursos e organizar seu “exército”, mas nada muito agressivo ou “hardcore” como em jogos da série Command & Conquer.

Na trama, você assume o papel de Captain Olimar, um explorador galáctico que, durante uma de suas viagens, tem sua espaçonave atingida por um meteoro. Após o acidente, Olimar cai num planeta alienígena, com sua nave literalmente despedaçada. Devido ao oxigênio venenoso do local, o astronauta possui somente 30 dias para recuperar todas as partes de sua nave e reconstruí-la.

Felizmente, Olimar descobre que não está sozinho. Por mais que isto soe assustador, é uma boa notícia. Após explorar os arredores do local do impacto, o protagonista descobre uma espécie de incubadora, denominada Onion (Cebola) devido à sua aparência. Dela, brotam criaturas semelhantes a plantas, que Olimar decide chamar de Pikmin.

Uma estratégia diferente

Inofensivos ao astronauta, essas criaturas são, na realidade, grandes parceiros. Os Pikmins são uma espécie de soldados, e podem ser agrupados em um exército de até 100 criaturas para realizar diversas tarefas. Há também três raças diferentes, que serão descobertas ao longo do game.

Três cores e muita diversão


Logo no início, quem dá as caras pela primeira vez é o Pikmin vermelho, um soldado tradicional com alto poder físico e capaz de resistir ao calor. Posteriormente, você também encontra Pikmins na cor amarela, responsáveis por carregar pedras-bomba e com um peso abaixo do padrão, e azul, resistentes à água — ao contrário dos demais.

O bacana é que estas criaturas são literalmente colhidas do solo do planeta. Após descobrir o primeiro Pikmin, o jogador deve procurar alimentos, encontrados em plantas ou ao destruir inimigos, e fornecê-los ao Onion. Com isso, novas criaturas brotam no chão, ampliando o número de soldados de seu exército.

Acredite, é possível controlar tudo isso Para realizar tal ação, o jogador deve lançar os Pikmins, com o botão A, ou indicar o local pressionando para baixo no direcional digital. Alguns elementos só podem ser carregados por certo número de criaturas e resultam em uma produção maior. Os Pikmins também podem construir pontes, escalar árvores e destruir inimigos.

Ao contrário do que se pode imaginar, controlar seus companheiros é uma tarefa realmente simples, ainda mais na versão para Wii, devidamente reformulada. Em vez de utilizar o analógico do controle do GameCube como ponteiro, o gamer usufrui do sensor infravermelho presente no Wii, o que facilita o “aponta e clica” exigido.

Com o botão B, você pode facilmente selecionar um grupo de Pikmins, enquanto o C dispensa as criaturas, tornando-as com uma aparência pálida. O ponteiro também indica onde as criaturas serão lançadas, e é utilizado para movimentar a câmera (botão Z). A perspectiva também pode ser ajustada de acordo com sua preferência, basta pressionar as direções do direcional digital. Resumindo, é tudo muito intuitivo e fácil.

O tempo e os quebra-cabeças


Mas também haverá momentos mais complexos. Como as classes possuem suas habilidades características, é necessário saber administrar as ações. Existem quebra-cabeças a serem resolvidos e caminhos a serem percorridos, tudo sob um limite de tempo, pois os Pikmins só podem trabalhar durante o dia.

Ou seja, a corrida contra o tempo é constante, e você deve sempre ficar de olho no medidor na parte superior da tela. Caso a noite chegue, os Pikmins devem retornar para a Onion, caso contrário serão devorados pelas criaturas da noite que habitam o planeta. Ou seja, você tem de ser rápido e eficiente para não perder seus valiosos soldados.

Cuidado para não virar lanchinho

Cada raça conta com sua própria Onion e só podem habitar o local de sua cor. Isto torna o jogo mais tático, e exige mais estratégia do gamer. Uma boa dica é levar consigo Pikmins de todas as cores, pois alguns momentos exigem habilidades diferentes. Os Pikmins amarelos, por exemplo, podem ser lançados mais alto que os demais, alcançando objetos de difícil acesso.

Estas criaturas ainda podem evoluir com um néctar especial que é encontrado em uma espécie de grama e em outras criaturas. Com isso, os Pikmins ganham flores em suas cabeças e se tornam criaturas mais rápidas e poderosas.

Quase lá


O novo sistema de saves ajuda Realmente, há muito que se fazer no game. Entretanto, o limite de tempo pode atrapalhar um pouco. Em cada fase, você conta com cerca de 20 minutos até ser obrigado a retornar para a espaçonave, ou seja, quando o dia acaba. O problema é que para encontrar todas as peças — ao todo você precisa de 25, já que as outras 5 são opcionais —, você conta com apenas 30 dias. Este limite incomoda e até deixa a campanha de 15 horas do jogo um pouco frustrante.

Felizmente, a Nintendo ouviu as reclamações dos fãs e decidiu adicionar um sistema de saves que permite ao jogador carregar qualquer dia que deseja. Por exemplo, se você está no dia 26 e percebe que não conseguirá encontrar todas as peças no tempo restante, é possível retornar para o dia em que tudo deu errado — no dia 12, por exemplo. Isto é uma excelente novidade, mas que não é capaz de abolir completamente o problema, que só foi corrigido em Pikmin 2.

União que diverte


Em suma, Pikmin mantém toda a essência da versão original, com sua excelente e original proposta. Infelizmente, não há opções para multiplayer ou interações com o mundo online, mas isto deve ficar para Pikmin 3, previsto para ser lançado no Wii. Mesmo assim, o jogo é simplesmente fabuloso e diverte qualquer idade. A simpatia dos Pikmins também contagia, e o carisma do game fará com que você jogue sorrindo.

Sem dúvidas, uma grande chance dos novos jogadores conferirem o mundo de Pikmin, que ainda continua belíssimo, mesmo após oito anos. Os gráficos do título são bons, com uma direção de arte coerente e texturas decentes. Quanto ao som, as músicas são típicas da Nintendo, e os sons emitidos pelos Pikmins também agradam. Infelizmente, o game não está disponível em Dolby Pro Logic II.

Se você tem um Wii e nunca jogou Pikmin, não ouse ficar sem este game. Por ser um título refeito, o jogo ainda conta com um preço bacana, e pode ser encontrado por R$100 ou menos em algumas lojas. Uma oportunidade imperdível que demonstra, de maneira completamente divertida, que a união faz a força.
 
89 wii
Ótimo