Chega dos mesmos: o brilho do irmão mais novo

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Quem tem um irmão mais novo certamente já deve ter passado por aqueles momentos em que ele queria lhe fazer companhia e tudo o que você gostaria era que ele ficasse quieto por algum momento. Todo caçula já segurou um controle desligado acreditando estar no comando de alguma coisa ou se esforçou na tentativa de mostrar que é capaz de fazer algo muito mais difícil e desafiador. E New Super Luigi U é um jogo sobre isso, mesmo que sem querer.

Como irmão mais novo do ícone máximo da indústria, o personagem sempre esteve à sombra de Mario e, mesmo estrelando seus próprios jogos, nunca ameaçou o reinado do boné vermelho, atuando apenas como um coadjuvante na linha Bros. Isso até a chegada deste DLC, em que ele chama a responsabilidade para si e parte, sozinho, na missão de resgatar Peach das mãos de Bowser.

E não se trata apenas de um extra que troca os protagonistas — afinal, Luigi já era um personagem jogável em New Super Mario Bros. U —, mas de uma reformulação quase completa em mecânicas, desafios e na própria dinâmica do jogo. Com isso, o irmão mais novo não só mostra que é muito mais durão como também é um tapa na cara de quem insiste em dizer que a Nintendo não sabe fazer jogo hardcore.


Mesmo sem trazer grandes mudanças dentro da linha Bros., New Super Luigi U surpreende ao apresentar um desafio que vai além daquilo que os fãs dos irmãos bigodudos estão acostumados a ver. Mantendo tudo aquilo que deu certo no jogo original, mas com um nível de dificuldade consideravelmente superior, ele é a prova de que há diversão para o público hardcore mesmo em ambientes coloridos e fofinhos.

Mais do que isso, o fato de Luigi assumir o papel de seu irmão no resgate de Peach mostra que o sucesso da Nintendo não é baseado unicamente na icônica figura de seu mascote, mas na jogabilidade que envolve e instiga desde os primeiros níveis, fazendo com que você queira constantemente testar suas habilidades para descobrir até onde você é capaz de ir.

Outro aspecto que New Super Luigi U destaca é que o multiplayer local ainda é algo que funciona muito bem. Em um tempo em que as empresas estão investindo cada vez mais em suas plataformas online e deixando de lado a jogatina local, Luigi vem para relembrar o quanto é divertido rir ao lado de seus amigos — e irmãos.

Testando seus nervos

Sabe aquela conversa de que os jogos do Mario são para crianças e que a única dificuldade ali é prender os marmanjos que não se apegam à nostalgia? Pois New Super Luigi U é uma resposta a tudo isso, mostrando que é possível usar a velha fórmula da “Big N” para criar um desafio muito acima da média. O resultado é um misto de familiaridade com aquela vontade de arremessar o controle contra a parede.

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E a Nintendo preparou isso muito bem. Ela trouxe todos os mundos já visitados no jogo original, mas com uma nova leva de fases totalmente redesenhadas para aproveitar as skills de Luigi e, de quebra, tornar tudo ainda mais difícil. Apesar de os cenários serem bem menores, o level design exige que você tenha muita precisão e habilidade dos jogadores para minimizar erros. Para piorar, a falta de checkpoints torna o processo de tentativa e erro ainda mais penoso.

Isso faz com que New Super Luigi U seja algo muito mais próximo de I Wanna Be the Guy do que um jogo do Mario propriamente dito, principalmente por conta dos desafios imprevisíveis em que você depende muito mais de sua sorte do que da habilidade.

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E tudo isso por conta da habilidade única que o herói tem e que foi herdada de Super Mario Bros. 2. Luigi consegue saltar muito mais alto que qualquer outro personagem, gerando uma grande vantagem sobre os demais — mesmo que eles possam fazer um movimento parecido. O problema é que esse mesmo pulo também pode ser um problema se não for bem utilizado.

Para fechar o pacote, todas as fases já começam com o tempo em 99 segundos, ou seja, naquele momento desesperador em que a música-tema já começa a tocar de maneira acelerada e você corre desesperadamente em busca da bandeira. Em outras palavras, uma brincadeira psicológica terrível para induzi-lo ao erro.

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E isso tudo cria uma dinâmica bem diferente daquela que já tínhamos presenciado em New Super Mario Bros. U. Você não tem tempo para explorar o cenário, testar rotas alternativas ou avançar com segurança. Como o relógio é mais um inimigo, você precisa pensar rápido e seguir em frente mesmo sem ter certeza do que o espera à frente.

O caos do multiplayer

E com todas essas mudanças, era óbvio que o multiplayer ficaria ainda mais caótico. Mesmo sem nenhum modo inédito ou alteração significativa, o novo ritmo do jogo influencia as partidas e torna a bagunça ainda mais grandiosa. A corrida contra o tempo parece mais desesperadora e os níveis em que qualquer milímetro pode ser fatal se tornam ainda mais perigosos.

Se por um lado isso denota que o level design foi pensado em uma experiência single player, chamar os amigos se revela uma experiência única. Por mais que isso seja sinônimo de morrer dezenas de vezes e passar batido por moedas e demais segredos, as risadas estão garantidas — assim como os xingamentos.

O irmão café-com-leite

Voltemos à história do caçula que segurava o controle desligado. Ninguém nunca fez isso com o irmão por maldade, mas por saber que ele não tinha a idade e a habilidade necessárias para encarar determinado desafio. Era uma maneira de inseri-lo naquele mundo sem correr o risco de frustrá-lo — além de continuar no comando, é claro. E a impressão que temos é que New Super Luigi U faz isso conosco, mesmo depois de nos apresentar uma releitura desafiadora do jogo original,


Uma das principais novidades do DLC é a presença do Nabbit como personagem jogável. O coelho ladrão apareceu como inimigo anteriormente e chega aqui com um leque de habilidades únicas que trazem um ar de novidade ao multiplayer. O problema é que isso vai contra tudo o que o jogo se propõe a ser.

Como mencionado anteriormente, a ideia por trás de New Super Luigi U é desafiá-lo na tentativa e erro. É se jogar em uma fase sem saber o que está em sua frente e torcer para que não haja nenhum inimigo em seu caminho para matá-lo. Assim, qual o propósito de trazer um personagem que é imune a tudo isso?

Por mais que o Nabbit não possa se aproveitar da maioria dos benefícios que o jogo oferece, como Power-ups e da ajuda do Yoshi, ele conta com um truque que o torna incrivelmente superior a qualquer outro personagem: ele é intangível. Isso significa que você pode correr em linha reta sem problemas que não há Koopa, Goomba ou Bowser que vá pará-lo, pois nada é capaz de causar-lhe dano.


Como a única forma de morrer é caindo em um buraco ou sendo esmagado por objetos em fases específicas, o Nabbit se trona uma espécie de “muleta” dentro da irritante dificuldade do jogo. É como se a Nintendo decidisse segurar sua mão e ajudasse-o a passar daqueles obstáculos. Ela desligou os controles para que você tivesse a falsa sensação de poder.

Entendo a opção de deixar o Mario de fora, mas havia uma gama enorme de possibilidades para substituí-lo que não iriam contradizer a essência do jogo.

85 wiiu
Ótimo