Uma fábula incrível e encantadora

Ni no Kuni: The Wrath of the White Witch é um RPG desenvolvido pela Level-5 (o mesmo estúdio do saudoso Dragon Quest VIII, do PlayStation 2) em parceria com o Studio Ghibli, o estúdio de animação japonês responsável por obras-primas como “A Viagem de Chihiro”. Lançado originalmente no final de 2010 exclusivamente no Nintendo DS e apenas no Japão, o game recebeu posteriormente uma versão para o PlayStation 3, que finalmente foi localizada para o Ocidente no último dia 22 de janeiro.

O jogo (cujo título em japonês significa algo como “o segundo país”) conta a história de Oliver, um jovem garoto de coração puro que, de acordo com uma antiga profecia, está destinado a salvar um universo paralelo à sua realidade – o dito Ni no Kuni.

Para ajudá-lo, o garoto conta com a companhia e o conhecimento de Drippy (o Lorde das Fadas, que não se parece nem um pouco com a imagem comum de fadas presente em nosso imaginário popular) e com o Wizard’s Companion – um livro que irá auxiliar Oliver a aprender todos os detalhes sobre esse novo mundo, assim como ajudá-lo a se tornar um mago de verdade capaz de resolver os problemas desta outra realidade.

Chegando ao Ocidente quase dois anos depois do lançamento da versão japonesa, Ni no Kuni: The Wrath of the White Witch torna compreensível todo o assombro causado por esse game após seu lançamento do outro lado do mundo.

Definitivamente um dos melhores RPGs desta geração (e da história do gênero), a obra realizada pela Level-5 em conjunto com o estúdio Ghibli de animação é um verdadeiro presente para quem estava atrás de um bom jogo do gênero.

Com dezenas de horas de duração, personagens envolventes e gráficos absurdamente bonitos, este é um daqueles raros jogos que parecem não ter defeito algum e capazes de agradar até mesmo àqueles que são alheios ao gênero que pertencem. Se você tiver a chance de jogar Ni no Kuni: The Wrath of the White Witch, aproveite e mergulhe de cabeça em um dos melhores games que já aportaram no PlayStation 3.

Um universo rico em detalhes

Algo essencial em RPGs como Ni no Kuni é a ambientação. Para convencer o jogador a passar dezenas de horas em seus jogos, os desenvolvedores do gênero se esforçam para criar ambientes convincentes e personagens com os quais os jogadores se importam.

Apesar de ser uma tarefa difícil, a Level-5 e o Studio Ghibli conseguiram tirá-la de letra. Diferentemente de outros heróis com poderes sobrenaturais que buscam maximizar o seu poder até a batalha final, Oliver é apenas uma criança comum cujo maior mérito é se comportar direito e obedecer a sua mãe enquanto cresce na pacata cidade de Motorville. E é justamente isso o que o torna um protagonista tão interessante.

Img_normalQuando um acidente acontece justamente porque o garoto sai de casa escondido durante uma noite, as suas lágrimas de tristeza despertam Drippy – o Lorde das Fadas –, que apresenta as primeiras noções de magia ao menino ao mesmo tempo em que pede ajuda para acabar com as ameaças do terrível Shadar (um dos lacaios da Bruxa Branca do subtítulo) em seu mundo: um universo paralelo e fantástico, mas ainda relacionado com a dimensão de Oliver.

Após a chegada nessa outra terra, é impossível não se encantar com a sua composição. Desde uma cidade governada por um rei gato até uma vila de pescadores em que é proibido usar outra coisa que não roupas de banho (uma vez que, com elas, é impossível esconder armas), a terra natal de Drippy é absolutamente fantástica e repleta de localidades e lendas próprias.

Img_normalTodos os ambientes são fantasticamente criados em um estilo que combina cenários em 3D com animação, gerando algumas das cenas mais bonitas do PlayStation 3. Tudo isso torna Ni no Kuni um prato cheio para quem gosta de explorar novos mundos e mergulhar de cabeça na fantasia.

O companheiro do mago

Não é à toa que as edições especiais de Ni no Kuni vêm com uma versão física do Wizard’s Companion utilizado por Oliver durante a sua jornada. Muito mais que um mero item do jogo, o livro apresenta cerca de 350 páginas que podem ser folheadas a qualquer momento durante a aventura.

Além de apresentar catálogos com as magias descobertas até o momento, receitas de alquimia, mapas e descrições sobre o mundo, assim como informações sobre os familiares que o acompanham, o livro também é recheado de lendas e informações sobre o mundo de Ni no Kuni.

Img_normalDesse modo, não só não é surpreendente que entre uma side quest e outra o jogador se pegue folheando páginas e mais páginas do livro, mas também é extremamente recomendável que ele faça isso – algo que aumenta bastante a imersão do game e ajuda a tornar a sua experiência fantástica.

Sistema de batalha funcional

O cerne básico das batalhas de Ni no Kuni lembra bastante o utilizado em Final Fantasy XII e XIII. Todas as ações dos personagens são escolhidas através de menus e, simultaneamente, é possível deslocar seus personagens ativamente pelo campo de batalha.

Desse modo, o sistema permite fugir do campo de ação de ataques dos adversários ao mesmo tempo em que é possível procurar pontos fracos dos inimigos e posicionar o seu grupo estrategicamente. Para facilitar a realização de tantas atividades simultaneamente, a equipe de desenvolvimento oferece um mapeamento de botões bastante prático, com mais de uma opção de navegação (perfeita para ajustar-se às preferências da maior parte dos jogadores).

Img_normalOutro aspecto interessante de Ni no Kuni é a presença dos familiares, pequenas criaturas que podem ser usadas durante o combate. Cada personagem pode carregar três familiares consigo, cada um com atributos e habilidades diferentes. A grande sacada, no entanto, é que as criaturas dividem os mesmos pontos de vida e de magia que o personagem que os carrega.

Trocando de estratégia com os familiares

Desse modo, escolher os familiares corretamente e trocá-los na hora certa é essencial, pois alternar as criaturas durante as batalhas também troca os seus atributos – tornando-o mais ou menos apto para diferentes situações.

Img_normalAssim, quando um oponente está com a guarda aberta, é interessante utilizar um familiar com vários pontos de ataque. Se o mesmo inimigo começa a preparar um ataque indefensável, trocar para um familiar com defesa alta é uma boa solução. Apesar de simples de compreender, a necessidade de realizar todas as ações em tempo real tornam as batalhas bastante desafiadoras e interessantes.

(Não) é preciso pegar todos!

Ao mesmo tempo, o game oferece mais de trezentos tipos de criaturas além daquelas que começam o jogo com você. Além de poderem ser capturados, os familiares também evoluem (ou, na linguagem do jogo, sofrem metamorfose) e tornam-se mais fortes. No entanto, diferentemente de Pokémon (é impossível não comparar), o jogador não é compelido a capturar todos os familiares.

Enquanto é possível sair numa cruzada pessoal para completar uma FamiliarDex imaginária, o jogador também pode se dar muito bem com aqueles que lhe são ofertados nos momentos iniciais do jogo com a adição de um ou outro para complementar a sua estratégia. Independentemente de suas preferências, o fato é que o sistema é bastante divertido e oferece material para entretê-lo por horas.

Dezenas de horas no ritmo perfeito

A campanha principal de Ni no Kuni pode ser completada em cerca de 40 horas. Contudo, completando o game nesse tempo o jogador ainda não estará longe de experimentar tudo o que o game tem a oferecer.

Enquanto as missões da história são bastante lineares e é fácil de seguir a linha principal da trama de Ni no Kuni, há várias missões paralelas a serem realizadas. O interessante é que parte delas reforça a trama do game ao mesmo tempo em que ajuda o jogador a equipar-se e nivelar-se mais rapidamente.

Img_normalUm exemplo disso são as vítimas que tiveram o seu “coração quebrado”. Para dominar o mundo do game, o vilão Shadar começou a roubar pedaços dos corações das pessoas, privando-as de sentimentos como a bondade, autocontrole e mesmo o amor. Desse modo, além de seguir viagem para aprender novas magias e derrotar os vilões do game, Oliver também pode usar a sua magia para emprestar esses sentimentos daqueles que os têm de sobra para devolver essas emoções àqueles com o coração quebrado.

Completar essas missões oferece selos especiais para serem colados em um cartão de mérito de Oliver. Quanto maior a dificuldade dos desafios, maior o número de selos para o cartão.  Da mesma forma que os cartões fidelidade de redes de restaurante, os jogadores são recompensados ao juntar dez selos em um cartão.

Em vez de um almoço grátis, no entanto, há habilidades que aumentam os pontos de experiência ganhos em batalhas ou tornam mais fácil capturar familiares – uma forma interessante de fazer valer a pena o tempo extra dedicado ao jogo e manter a longevidade e o ritmo do game.

(Falta de) controle sobre o grupo

Durante a sua aventura, Oliver encontra novos amigos que vão ajudá-lo em sua jornada. Nos combates, no entanto, é possível controlar apenas um jogador (juntamente com seus familiares) por vez.

Apesar de ser possível atribuir funções para esses personagens realizarem quando estiverem sobre o controle da inteligência artificial, elas são muito limitadas. Assim, não dá para combinar comandos como “ataque com toda a força” e “não use habilidades especiais”. Desse modo, é necessário escolher se você deseja que seus companheiros sejam úteis em batalha ou gastem todo o seu MP desnecessariamente.

Img_normalPara ser justo com o game, há botões que coordenam os personagens para realizar ataques simultâneos, assim como para que todos entrem em modo de defesa ao mesmo tempo. Assim, apesar de não comprometer a jogabilidade, a falta de possibilidades maiores de customização para os comandos dos personagens controlados pelo computador é um pouco incômoda.

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95 ps3
Excelente