Sua nova opção para festas

Quando a Nintendo lançou o Wii, a empresa trouxe um game que unia diversão casual com tudo aquilo que a tecnologia do novo console tinha a oferecer. O resultado disso todos nós conhecemos: Wii Sports se tornou um fenômeno e até mesmo quem não tinha muito contato com jogos aderiu ao video game para poder brincar de ser um tenista ou um jogador de basebol. Seis anos depois, a "Big N" decide repetir a estratégia com Nintendo Land.

Como o GamePad possui uma proposta bem peculiar e diferente daquilo que vimos até hoje, era natural que a companhia iria tentar repetir a fórmula de sucesso de Wii Sports para demonstrar ao público leigo as novidades do Wii U. E para isso, nada melhor do que apostar em uma série de mini games que exploram exatamente cada um dos recursos do controle-tablet. Mas será que a ideia é boa o suficiente para conquistar esses jogadores uma segunda vez?

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É possível olhar Nintendo Land sob dois pontos de vista. O primeiro é como uma demonstração técnica das possíveis mecânicas que o Wii U tem a oferecer, algo que o game consegue fazer muito bem. Todos os mini games conseguem aproveitar as novidades do GamePad — alguns de maneira bem inovadora, enquanto outros caem em um incômodo mais do mesmo — e empolgar quem não via a hora de conhecer a nova tecnologia da “Big N” em ação.

Por outro lado, isso não é o suficiente para sustentar o jogo. Ele é raso e bastam algumas horas para que metade das brincadeiras perca a graça. Das 12 atrações, apenas metade é realmente relevante a ponto de fazê-lo voltar.

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A impressão que Nintendo Land passa é que ele é típico jogo que se aproveita da empolgação inicial do jogador em torno de um novo console, o que compromete sua longevidade. Ele pode ser muito bom para quem acabou de comprar um Wii U e está conhecendo suas funcionalidades ou quer impressionar algum amigo, mas não consegue manter o mesmo nível de diversão por muito tempo.

Ainda assim, o modo multiplayer consegue ser a grande salvação. Por mais que você não se sinta motivado a voltar aos mini games nas partidas solitárias, jogar com alguém ao seu lado é muito mais divertido, principalmente por conta dos desafios que as disputas assíncronas oferecem — o que faz dele uma ótima opção para festas.

Vários estilos

Nintendo Land traz mini games que exploram vários estilos de jogo, o que torna cada modalidade única. Ao criar uma espécie de parque de diversões habitado por Miis, o jogador já se depara com as 12 diferentes atrações que o aguardam, sendo que cada uma vai tentar atender um tipo de necessidade dos jogadores. Prova disso é que a divisão de brincadeiras solo, cooperativas e competitivas é bem clara, permitindo que você saiba exatamente aonde ir quando estiver sozinho ou na hora de brincar com seus amigos.

Embora cada uma delas tenha uma mecânica bem diferente, todas possuem um aspecto em comum: o uso do GamePad e de todas as suas características. O jogo é uma demonstração do que o controle do Wii U é capaz de fazer e, por isso, temos modalidades que usam a novidade de maneira bem interessante. Assim como as partidas de tênis e golfe eram formas de testar o Wii Remote em Wii Sports, Nintendo Land faz questão de mostrar ao jogador o que a segunda tela tem a oferecer.

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É por isso que, além do multiplayer assimétrico — do qual falaremos a seguir —, temos mini games que realmente prendem sua atenção com mecânicas diferentes. É o caso de The Legend of Zelda: Battle Quest, em que usa esse segundo display em conjunto com o sensor de movimentos do GamePad para que você tenha a sensação de realmente estar controlando um arco enquanto a TV apenas mostra seu herói em ação, e Yoshi's Fruit Cart, no qual você deve desenhar o trajeto por onde seu personagem deve passar para coletar todas as frutas exibidas em sua televisão.

No fim das contas, as 12 brincadeiras realmente conseguem aproveitar todas as funcionalidades do controle — algumas de maneiras mais interessantes e divertidas do que outras —, o que faz com que Nintendo Land tenha uma dúzia de possibilidades de impressioná-lo.

Universos independentes

Mais do que simplesmente permitir que você controle um personagem em dois displays, o GamePad é responsável por uma das características mais divertidas de Nintendo Land: o multiplayer assíncrono. Por isso, diga adeus ao split screen ou à bagunça que era colocar todo mundo em um único espaço. Graças à sua semelhança com um tablet, a novidade da Big N permite que você e seus amigos joguem juntos em telas diferentes.

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No entanto, isso não significa apenas deixar a ação mais organizada. O grande trunfo do game é criar modos para múltiplos jogadores que aproveitem essa tecnologia para criar experiências diferentes e divertidas. É o caso de Mario Chase, em que os jogadores revivem a clássica brincadeira de pega-pega com perspectivas diferentes. Enquanto quem olha para a TV precisa perseguir o Mario com uma visão limitada do cenário, o portador do GamePad consegue visualizar todo o mapa e deve escapar até que o tempo acabe.

Luigi's Ghost Mansion e Metroid Blast também seguem uma lógica semelhante. No primeiro, o Wii Remote controla os caça-fantasmas na televisão enquanto o controla-tablet exibe a perspectiva de um espírito que deve escapar das armas inimigas e ainda capturar os demais competidores — tudo isso com visões bem diferentes do que está acontecendo. Já na brincadeira inspirada no universo de Samus Aran, os jogadores assumem diferentes formas de caçadores espaciais e devem entrar em partidas cooperativas ou competitivas bem intensas.

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O ponto é que todos esses mini games conseguem mostrar muito bem o grande diferencial do Wii U, criando uma jogabilidade única e completamente diferente daquilo que estamos acostumados a ver. Mais do que isso, como essa mecânica se encaixa perfeitamente na proposta do multiplayer, a diversão com seus amigos fica muito mais divertida e desafiadora.

Experiência coletiva

Como mencionado, Nintendo Land leva o jogador para uma espécie de parque de diversões em que cada um dos jogos funciona como uma atração. No entanto, esse é apenas um dos pontos que torna a visita a esse local mais interessante. O grande destaque, na verdade, é que você nunca está sozinho nesse passeio.

Entre uma brincadeira e outra, você pode andar pelo chamado Nintendo Land Plaza e ver o que os outros jogadores estão falando sobre sua experiência no game e nas atrações. Para isso, ele se conecta com o Miiverse e exibe mensagens e desenhos enviados por pessoas de todo o mundo.

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E por mais que pareça ser apenas um recurso adicional desnecessário, ele se torna um dos grandes diferenciais do título em relação aos demais lançamentos do Wii U. Ele é um dos poucos — quiçá o único — a fazer com que você realmente sinta-se conectado e fazendo parte de uma comunidade mesmo sem a existência de partidas online.

Essa interação com os Miis espalhados pelo cenário é bem simples. Caso algum deles tenha publicado algo na rede social do Wii U, a mensagem será exibida quando você se aproximar dele. E basta um toque na pessoa desejada para que você possa ser levado ao seu perfil para iniciar uma conversa ou adicioná-la como amigo.

 

À primeira vista, o mundo de Nintendo Land é realmente encantador e viciante. São doze mini games que exploram todo o potencial do novo console e do GamePad, permitindo que o jogador aproveite todas as novidades possíveis. Mas quanto desse material é realmente interessante?

Passada a empolgação inicial, a impressão que fica é que somente algumas brincadeiras valem realmente a pena. Mario Chase, Luigi’s Ghost Mansion e Donkey Kong’s Crash Course são indiscutivelmente bons, seja por aproveitarem muito bem as características do multiplayer ou por oferecerem um desafio considerável para um título casual. No entanto, nem todos seguem a mesma linha.

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Arremessar shurikens em Takamaru’s Ninja Castle pode ser divertido no começo, mas não demora para que você perceba que ele não traz nada de tão diferente daquilo que o próprio Wii já fazia. Apontar o controle para a tela para mirar e então disparar um objeto deixou de ser novidade em 2006 e o mini game não traz nada que realmente o diferencie ou empolgue.

O mesmo acontece com Octopus Dance, em que você deve imitar os movimentos apresentados por um NPC dentro do ritmo correto. Sério que essa é uma das aplicações que a Nintendo planejou para atrair os jogadores para o Wii U?

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A verdade é que nem todas as atrações do parque de diversões são realmente boas, o que vai mantê-lo em apenas algumas delas, enquanto as demais ficarão juntando poeira por um bom tempo. A impressão que temos é que a produtora se preocupou muito mais com a quantidade do que com a qualidade, criando brincadeiras descartáveis e facilmente ignoradas.

No fim das contas, o foco continua sendo o multiplayer. Poucos mini games single players conseguem ser interessantes a ponto de atrair a atenção por mais de uma vez. Desse modo, se você procura algo para se divertir sozinho, é melhor procurar outro jogo.

75 wiiu
Bom