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Frustração e vício em formato portátil

Felipe Gugelmin

OlliOlli é um game de skate diferente do que estamos acostumados. Em vez de apostar em mundos abertos ou áreas que podem ser exploradas livremente, o título opta por oferecer circuitos nos quais o caminho do jogador está bem definido — sendo que a única liberdade existente está na escolha da maneira como você vai interagir com os obstáculos que surgem pelo caminho.

Adotando uma visão lateral, o título apresenta um visual simples que colabora para focar naquilo que é a principal arma do jogo: sua jogabilidade. Muito mais parecido com um jogo de ritmo como Guitar Hero do que com um game de esporte convencional, o trabalho do estúdio Roll7 premia reflexos rápidos com uma experiência bastante recompensadora quando funciona — mas que não deixa de lado certa dose de frustração até atingir esse objetivo.

O simples que pode se tornar complicado

Mesmo sendo um jogo exclusivo para o PlayStation Vita, OlliOlli não faz qualquer questão de utilizar todos os recursos oferecidos pelo console, algo que se reflete em um sistema de controles simplificado. Enquanto o direcional analógico esquerdo é responsável por acionar truques e fazer o jogador deslizar por corrimãos e outras superfícies, o botão “X” aumenta a velocidade do personagem e deve ser usado para evitar que ele caia no chão após a realização de alguma manobra.

Além disso, é possível usar os botões “L” e “R” para fazer com que o personagem gire no ar durante a realização de alguma ação — algo que deve ser usado em cuidado, já que isso aumenta as chances de acidentes. Embora simples em teoria, a maneira como os comandos são distribuídos no console pode causar certo estranhamento até que você consiga dominá-los totalmente.

Grande parte desse efeito pode ser atribuído ao fato de que os mesmos botões são responsáveis por realizar diversas funções, modificadas de forma dinâmica conforme o contexto apresentado. Isso não somente contribui para deixar claras as origens de OlliOlli (originalmente projetado como um jogo para o iOS), como também mostra que o estúdio não soube aproveitar bem as características do hardware do aparelho — atribuir um comando dedicado a realizar grinds contribuiria em muito para tornar o jogo mais acessível.

Um ponto frustrante do título fica por conta do fato de que, apesar de funcionarem bem na maioria das situações, em alguns pontos os controles simplesmente não desempenham sua função corretamente em momentos aleatórios. Embora não prejudique a experiência como um todo, esse problema pode gerar muitas frustrações, especialmente em fases avançadas nas quais mesmo o menor erro é capaz de acabar com uma combinação elaborada de movimentos.

Diversão frustrante

Problemas com os controles à parte, o jogo apresenta uma experiência de jogo que se mostra bastante viciante, especialmente quando você já conhece ao menos um pouco as fases disponíveis. Inicialmente, há somente uma área desbloqueada, algo que pode ser corrigido meramente chegando ao final dela sem cair nenhuma vez — tarefa relativamente simples.

Caso você queira desbloquear os desafios profissionais do título, é preciso completar todos os desafios propostos em cada um de seus níveis, que vão desde obter determinada pontuação até terminar a fase sem pegar nenhum impulso extra. Estranhamente, o design de cenários do título não parece progredir de forma muito lógica: enquanto alguns dos obstáculos iniciais podem se apresentar bastante difíceis mesmo para quem já tem certa experiência com o jogo, alguns desafios mais avançados não exigem mais do que uma tentativa para serem finalizados.

O problema desse esquema é que, ao entrar em um novo estágio, não é possível visualizar seu mapa de maneira completa — algo que prejudica muito o desenvolvimento de táticas mais avançadas. Em um jogo no qual o ritmo de movimentos é extremamente importante, entrar em um novo nível totalmente desconhecido quase sempre significa ver seu personagem caindo no chão diversas vezes antes que você finalmente compreenda o que é preciso fazer para sobreviver.

Embora no começo essa frustração seja relativamente baixa, mais à frente surgem momentos nos quais você vai querer jogar o PlayStation Vita na parede ou no chão — algo que acontece com frequência especial em áreas nas quais há restrições quanto aos locais onde seu personagem pode cair. Cientes da raiva que seu jogo pode criar, os membros do Roll7 adicionaram um botão virtual à tela do console que permite reiniciar automaticamente qualquer desafio.

Não me levem a mal: quando funciona, OlliOlli é um jogo surpreendentemente viciante, e não é difícil se pegar rejogando o mesmo estágio diferentes vezes para aumentar sua pontuação ou como forma de completar todos os desafios. No entanto, é decepcionante ver que essa diversão muitas vezes está condicionada a passar alguns minutos se frustrando devido à maneira como as fases do jogo são apresentadas e a pequenos defeitos nos controles.

Experiência típica a smartphones

Após passar algum tempo com OlliOlli, é difícil escapar à sensação de que estamos lidando com um bom jogo cujas características se adequariam perfeitamente a tablets e smartphones: com fases rápidas, comandos simples e apresentando a possibilidade de reiniciar desafios rapidamente, o título oferece uma experiência muito adequada ao meio mobile.

No entanto, como o game foi produzido pensando no Vita, isso não se mostra suficiente para destacá-lo frente à biblioteca de títulos do portátil — que, embora restrita, apresenta jogos com valores de produção muito maiores. Isso faz com que o game se apresente mais como um mero passatempo entre os “lançamentos de verdade” para a plataforma do que um produto realmente obrigatório.

Embora o preço normal de US$ 12,99 cobrado pelo game não seja exatamente caro, é difícil justificar esse investimento quando no iOS e no Android experiências semelhantes custam US$ 0,99 para serem adquiridas facilmente. Assim, a não ser que você esteja realmente sedento por um game com a temática skate, vale a pena esperar por alguma promoção ou desconto na PlayStation Network para adquirir o título.

65 psvita
Regular
"Mesmo capaz de viciar, OlliOlli peca por apresentar um sistema de controles confuso e por apostar na frustração como ferramenta de aprendizado"

Pontos Positivos

  • Diversão viciante

Pontos Negativos

  • Esquema de controles confuso
  • Aprendizado das fases se mostra frustrante
  • Baixo valor de produção