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Os Cavaleiros do Zodíaco: Bravos Soldados
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Maculando suas memórias [vídeo]

Durval Ramos Junior

Videoanálise

Como toda criança que cresceu nos anos 90, Cavaleiros do Zodíaco fez parte da minha formação. Era minha obsessão infantil. Eu tinha pilhas e pilhas de revistas sobre a série, camisetas e brinquedos — tanto que, até hoje, tenho uma máscara do Hyoga enfeitando minha mesa de trabalho.

Diante disso, pense no quão nostálgico foi, anos depois, reencontrar aquela história que tanto me marcou sendo recontada no PS3. A Batalha dos Santuários estava longe de ser um jogo excelente, mas tinha tudo aquilo que os fãs esperavam de uma adaptação. Ele era uma homenagem a todos aqueles que cresceram soltando Meteoros de Pégaso ou tentando reverter o fluxo do chuveiro com um Cólera do Dragão.

No entanto, tudo tem um limite e Bravos Soldados mostra exatamente o ponto em que nem mesmo o saudosismo é capaz de nos fazer relevar os problemas e tropeços de um game. O retorno de Seiya e companhia ao PS3 é ruim em sua essência e não há paixão capaz de ignorar isso. Ele parte de uma ótima premissa, mas se rende aos maneirismos da série e se esquece de fazer o básico.

Ao contrário de tudo aquilo que Cavaleiros do Zodíaco representa, o novo game não empolga e muito menos diverte.

Por muito tempo, Cavaleiro do Zodíaco viveu apenas nas memórias dos fãs. E, se dependesse de Bravos Soldados, era melhor que as coisas permanecessem assim.

Mas isso é ótimo. É muito bom que bombas como essas sejam lançadas para nos fazer lembrar que nem tudo o que é feito para o fã é bom e que há muito trabalho feito nas coxas sendo vendido como “algo destinado a quem realmente gosta”. O fã de verdade quer qualidade e não apenas algo para fazer volume em sua estante.

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Os Cavaleiros do Zodíaco: Bravos Soldados é um exemplo típico disso. Ele se arma com tudo aquilo que o anime e o mangá tinham de melhor, mas não consegue apresentar isso de modo minimamente divertido.

O jogo se aproveita apenas dos clichês, dos exageros e da péssima narrativa da obra original e se esquece completamente daquilo que realmente animou toda uma geração. A ambientação mitológica e o ritmo dos combates foram colocados de lado em prol de uma mecânica rasa e totalmente focada nas animações dos ataques especiais. Tudo isso faz parte do clima nostálgico, é claro, mas não o suficiente para sustentar esta bomba.

Bravos Soldados serve apenas para nos fazer perceber que Batalha do Santuário era melhor do que pensávamos. Assim como um Cavaleiro não é atingido duas vezes pelo mesmo golpe, um fã não é enganado duas vezes pelo mesmo sentimento saudosista.

O mais correto seria começar esta análise apontando os reprovados, mas o formulário do site não me deixa alterar a ordem. Por sorte, Bravos Soldados não é um completo desastre e ele possui alguns pequenos elementos que merecem ser citados para salvar minha vida.

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O principal deles é o elenco. Realizando o sonho de toda criança dos anos 90, o game traz dezenas de personagens de quase todas as sagas do anime. Além dos cinco protagonistas de bronze e suas variações, o jogo conta com todos os Cavaleiros de Ouro, além dos Generais Marina de Poseidon e os Espectros de Hades. Ao todo, são mais de 50 guerreiros disponíveis, incluindo algumas variações de armaduras e ataques.

Assim, se você sempre se perguntou quem venceria em um combate entre Sorento de Sirene e Camus de Aquário, saiba que não é mais preciso apelar apenas para a imaginação. O elenco é bem completo, com direito a todos os icônicos golpes. Só faltou Asgard.

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Outro ponto que chama a atenção é a parte visual. Se a modelagem dos personagens era a parte mais sofrível de A Batalha do Santuário, a Namco Bandai conseguiu melhorar — e muito — a forma como os personagens são apresentados em Bravos Soldados.

A arte está bem mais próxima daquela vista no desenho animado, lembrando muito o tratamento que a empresa já apresenta nos games da série Naruto. E essa mudança deixa o jogo muito mais bonito e sem a impressão de que estamos controlando bonecos de plástico, como vimos no game anterior. Todos os detalhes e expressões estão lá para que você realmente acredite estar assistindo a mais  um episódio do anime.

No entanto, os acertos de Os Cavaleiros do Zodíaco: Bravos Soldados acabam aí. Todo o restante do game é feito de deslizes e decepções. Isso porque ele não consegue ser uma boa adaptação e muito menos um jogo de luta razoável. Ele é medíocre em tudo o que ele se propõe em ser.

Para englobar as três principais sagas da série, a Namco decidiu “tirar os excessos” de Batalha do Santuário e eliminou de vez os momentos Beat ‘em Up, deixando toda a mecânica centrada apenas nos combates. O problema é que a companhia não se preocupou em refinar a jogabilidade a ponto de tornar os confrontos realmente variados, resultando em algo bastante genérico.

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A essência de um jogo de luta é exatamente a variedade no estilo de seus personagens. Basta olhar para Street Fighter, Mortal Kombat e outros títulos do gênero para perceber que cada combatente possui características próprias que vão se adaptar a cada jogador. Quanto mais diferenciados forem esses estilos, mas completo e diversificado é o game.

Só que isso não acontece em Bravos Soldados. O jogo pode ter mais de 50 personagens, mas todos eles se comportam como se fossem um só, mudando apenas a skin e o golpe característico. A movimentação, os combos e as estratégias não se alteram.

Apesar de, em um primeiro momento, isso servir para tornar os comandos acessíveis, não demora para que essa simplificação torne tudo muito monótono. Tudo é exatamente igual e sem grandes variações, o que impede o jogo de ser divertido. Chega um ponto em que você não aguenta mais apertar os mesmos botões e ver os mesmos resultados.

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Chega a ser um absurdo o quanto essa simplificação nas lutas faz com que o jogo fique raso e sem desafio. Tanto que é possível cruzar as Doze Casas, acabar com os Sete Pilares de Poseidon e ainda acabar com todos os 108 Espectros de Hades com a mesma estratégia e ainda conseguir a pontuação máxima. O jogo não valoriza a habilidade, apenas a repetição mecânica das mesmas ações.

É claro que essa estratégia barata não funciona com outros jogadores, mas nem mesmo as partidas multiplayer conseguem trazer o mínimo de variedade. Seja em confrontos locais ou online, tudo o que você vai encontrar é uma repetição sem fim dos mesmos movimentos.

Os Cavaleiros do Zodíaco: Bravos Soldados não abre margem para o uso de estratégias, preferindo se entregar aos maneirismos que marcaram a série. A única real variação — mesmo que mínima — que temos nas lutas são os ataques especiais e os Big Bang Attacks. E isso afeta demasiadamente o ritmo dos confrontos, já que exige que você esteja constantemente recarregando seu Cosmo. 

Adaptando o que há de pior

Como falei anteriormente, o novo game de Saint Seiya não é apenas um péssimo jogo de luta, mas também uma adaptação igualmente mequetrefe e decepcionante. Por mais que ele seja voltado para o fã que já conhece sua história de trás para frente, o péssimo tratamento dado pela Namco na hora de apresentar a trama é simplesmente sofrível.

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A contextualização que acontece antes e depois de toda luta é feita a partir de imagens estáticas e longas caixas de diálogo, o que torna tudo bem maçante. É o tipo de solução que as produtoras usavam em jogos de PSOne quando não havia poder de processamento suficiente para computar cenas mais complexas.

No entanto, não estamos mais na era do primeiro PlayStation, mas no final de uma geração, e o mínimo que se espera é um pouco mais de qualidade e respeito com o material original e com os fãs. Trata-se de algo tão ridículo que, em alguns casos, o humor involuntário vem à tona.

Não há qualquer tipo de movimento ou ação que deixe esses momentos mais dinâmicos, o que torna tudo bem monótono e enfadonho. E, para piorar, ele cria alguns efeitos para adicionar um pouco de emoção a esses momentos. Quando um personagem está em um momento de tensão, por exemplo, seu desenho começa a tremer para indicar a força que ele está fazendo. Já quando ele morre, sua imagem vai descendo enquanto desaparece lentamente. Algo digno de um teatro de bonecos da 2ª série.

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E a própria forma como a narrativa é conduzida sabota o ritmo de Bravos Soldados. Como os combates são limitados, algumas das situações do anime precisam ser adaptadas e isso apenas contribui para tornar a luta para salvar Athena ainda mais cansativa.

O maior exemplo disso é a forma como o jogo apresenta a icônica cena da Exclamação de Athena. Em vez de uma batalha entre trios ou algo capaz de representar a importância do momento, temos nove lutas individuais com cada um dos envolvidos. É praticamente impossível se manter empolgado após enfrentar o mesmo personagem pela terceira vez — sendo que você já o tinha derrotado mais duas vezes cinco minutos antes.

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