A batalha entre personas começa com força total

Ver um game da série Shin Megami Tensei: Persona seguir um caminho tão diferente quanto Persona 4 Arena pode parecer assustador para os fãs. Afinal, o que um RPG clássico com clima sombrio e uma trama profunda pode ter de parecido com jogos de luta, que normalmente focam apenas na pancadaria e são superficiais em todo o resto?

Mas talvez a pergunta mais importante seja: será que esse “Marvel vs. Capcom com personas” fará jus ao seu antecessor ou se tornará apenas uma continuação esquecida?

Rodeado por tantas dúvidas e temores – como o número limitado de personagens –, Persona 4 Arena finalmente chegou. E o fato é que os fãs podem ficar tranquilos, pois o game está longe de ser uma desgraça para a série. Sim, essa continuação suga muito tanto de seu antecessor quanto do gênero de luta; porém, ela vai além disso.

Para muitos, Persona 4 Arena pode parecer apenas uma tentativa de agradar aos fãs da série. Mas não se engane, pois o título é, na verdade, um game incrível, que consegue trazer o universo do famoso RPG ao mundo das lutas com maestria, combinando mecânicas de ambos os lados para resultar em algo que inova em um gênero que mudou muito pouco em anos.

Se você está simplesmente procurando um novo game de luta, P4A é certamente uma ótima escolha; Para quem é fã de Persona, essa é uma presença obrigatória em sua lista. Mas em ambos os casos é bom torcer para que, em um futuro próximo, novos personagens sejam adicionados para que a jogatina não se torne monótona...

Um show de cores e sons

A série Persona já é famosa por sua arte e gráficos belíssimos, e Persona 4 Arena não fica para trás nesse quesito. Abusando da cultura pop japonesa, de um clima macabro e de muitas cores (como seu antecessor fez), o game traz cenários que ficam entre o bizarro, o macabro e o impressionante.

A mudança sofrida pelos personagens, que foram de modelos 3D para desenhos bidimensionais, não diminui em nada a qualidade das partidas, fazendo apenas com que elas lembrem clássicos do gênero, como The King of Fighters, ao mesmo tempo em que permite um maior número de detalhes em cada lutador.

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Na hora das brigas, os gráficos continuam impressionando, com animações perfeitas para cada lutador e efeitos visuais cheios de muitas luzes e firulas. Se fosse outro game, isso talvez não se encaixasse tão bem, mas, como estamos falando de Persona, os gráficos caem como uma luva.

Por último, mas não menos importante, temos a volta da brilhante trilha sonora de Persona 4 – além de algumas de P3 –, que traz um estilo diferente de tudo que costumamos ver nos games.

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Fácil para novatos, complexo para veteranos

Persona 4 Arena também merece um enorme destaque para sua jogabilidade, que poderia ser considerada uma versão facilitada – e com algumas adições – do que vemos em Marvel vs. Capcom 3.

De maneira simples, a jogabilidade pode ser tão profunda quanto você quiser: há uma série de comandos especiais para cancelar ataques, aplicar contragolpes e até mesmo deixar o oponente com status negativos, caso alguém queira tirar máximo proveito das mecânicas de luta.

Porém, quem quiser ficar apenas com os golpes básicos pode contar com o sistema de combos automáticos para atacar o adversário com facilidade e desferir grandes estragos, permitindo uma batalha equilibrada na maioria das vezes.

E, se os controles parecerem difíceis demais, não se preocupe: o game conta com um tutorial completo, semelhante ao de BlazBlue Continuum Shift Extend – também criado pela Arc System Works. Ele ensina todos os movimentos principais dos personagens, assim como dicas para quando usá-los, além de explicar sobre as mecânicas mais importantes.

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Personagens únicos

Um dos grandes problemas sofridos por vários games de luta atuais é que sempre há um enorme número de sósias (leia-se “Ryu”) de um mesmo lutador. Entretanto, isso está longe de ser verdade em P4A.

Cada personagem disponível no game possui um estilo único nas partidas. E não estamos falando apenas do clássico “personagem A é mais forte e B é mais rápido”, mas sim de eles terem estratégias de luta completamente diferentes.

É o caso, por exemplo, de Elizabeth, que, embora extremamente poderosa, depende completamente de seu persona para lutar, ficando indefesa sem ele, ou de Akihiko, que compensa o curto alcance de seus ataques com a habilidade de seu persona para sugar o oponente para perto dele. Acredite, até mesmo Labrys e Shadow Labrys, duas versões de uma mesma personagem, pedem estratégias totalmente distintas.

Uma trama para ninguém botar defeito

Não é só porque Persona 4 Arena é um jogo de luta que o game teve um menor foco na história. Embora não seja tão elaborado quanto seu antecessor e em seu início ele realmente passe a impressão de que a desculpa para o torneio é um tanto genérica, este título conta com uma trama extremamente densa, que não deve em nada a Persona 4.

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Mas o mais interessante de tudo isso é que o gênero de P4A permitiu que o Story Mode do game contasse essa história do ponto de vista de todos os outros personagens. Logo, você vai poder entender o que aconteceu com cada lutador em suas jornadas no P-1 Grand Prix.

Poucas escolhas

Se por um lado Persona 4 Arena tem uma execução impecável, uma única falha no game põe tudo a perder: o jogo conta com um time de apenas 13 personagens. É uma quantia realmente pequena em comparação ao que vemos nas séries de luta da geração atual, que quase sempre ultrapassa a marca de 30 lutadores.

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Embora isso realmente acabe causando um pouco de repetitividade nas partidas, ao menos essa “limitação” permitiu que os estilos de luta de cada personagem fossem bastante distintos. Mas bem que eles podiam ter aproveitado melhor o crossover com Persona 3 para trazer mais alguns dos protagonistas do game...

Fácil demais?

Ter uma jogabilidade simplificada na maioria dos casos é uma grande vantagem para atrair as pessoas. Entretanto, isso também significa que é igualmente fácil que jogadores novatos (ou antiesportivos) apelem.

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O principal motivo disso fica por parte do combo automático mencionado anteriormente. Uma vez que em certos casos ele pode tirar até metade da energia do adversário e é produzido a partir de golpes fracos, algumas partidas podem se tornar uma batalha em que ambos os lados só utilizam esse tipo de ataque para derrotar o adversário com sua sequência.

Por sorte, a necessidade de gastar SP para aplicar os combos com força total impede que isso se torne um problema maior, obrigando muitas vezes que um mínimo de estratégia seja necessário para vencer as lutas.

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